Há uma idéia que é hoje consenso entre quase todos os teóricos da Filosofia Política. Todos chegaram a conclusão que o Socialismo, com sua proposta de estabelecer um modelo de relações econômicas entre as pessoas baseado na supressão da propriedade particular e de arranjos políticos fundamentados na igualdade política, acabou. E com isso, também entrou em
colapso a idéia de uma democracia igualitária. Somente dentro de algumas gerações, talvez, a humanidade encontrará energia para voltar a propor um modelo alternativo de pensamento político. O fato é que hoje, somente temos uma visão hegemônica para os arranjos políticos e econômicos. A democracia liberal, com sua proposta de economia de mercado e institucionalização da liberdade, venceu.
A hegemonia do pensamento liberal põe, entretanto, um grave problema para os intelectuais. Isto é, na falta de um pensamento alternativo, como fazer a crítica da democracia
liberal? De uma forma geral só nos resta como caminho, a via das críticas menores, das pequenas escaramuças, incursões ofensivas parciais e ficamos perdidos no chamado cinturão de proteção e nos ataques às teses secundárias que protegem o miolo, o ‘hard core’, do pensamento democrático liberal.
O debate na Filosofia Política, entretanto, não chegou ao seu fim. E a busca pela grande objeção capaz de acertar o centro do pensamento liberal se torna cada vez mais intensa. Nesse esforço, os intelectuais tem encontrado inspiração na retomada das grandes questões fundamentais do espírito humano.
O fato é que existem dois conceitos que, desde a origem da chamada civilização ocidental e cristã, estiveram na agenda das preocupações intelectuais das pessoas e foram objeto de muitas investigações. Trata-se das idéias de Verdade e Justiça. O que é a Verdade? Em que condições o nosso conhecimento pode ser considerado verdadeiro? E ainda, o que é a Justiça? Quando é que nossas ações podem ser consideradas como justas? Conhecer e Agir; idéias e ações; epistemologia e ética, parecem expressar duas dimensões importantes da existência humana.
O conceito de Justiça tornou-se particularmente importante desde o início do século XX. E os parâmetros do debate contemporâneo sobre Justiça foram estabelecidos por Hans Kelsen. Na sua obra "Teoria Pura do Direito", Kelsen alega que a discussão sobre a Justiça não pertence ao mundo das discussões da Ciência do Direito. Entretanto, ele constrói toda uma teoria da Justiça. Ocorre que, num primeiro momento, a "Teoria Pura do Direito" e as possibilidades de uma Ciência Positiva do Direito, ocupam os debates na Filosofia Política do início do Seculo XX. Posteriormente, as idéias de Kelsen sobre a Justiça ocupam o cenário dos debates, posto que não se consegue entender o Direito somente através de uma Ciência Pura do Direito. Nós precisamos da idéia de Justiça. Por outro lado, o conceito de Justiça pode ser entendido a partir de reflexões sobre o indivíduo, ou de considerações sobre a sociedade. Isto é, a Justiça pode se expressar na preservação da liberdade dos indivíduos, ou na construção das condições de uma vida social bem sucedida. É nesse sentido que vem o debate entre Liberais (Isaiah Berlin, John Rawls, Robert Nozick, R. Dworkin) e os Comunitaristas (M. Walzer, M. Sandel, J. Habermas e C. Taylor).

"Teorias da Justiça" e uma disciplina com a qual se pretende introduzir os alunos nesse debate.

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terça-feira, 14 de junho de 2011

7. TEMA 4 - A CONCEPÇÃO LIBERAL DE JUSTIÇA

Caros alunos,
Após a leitura de: “Quatro ensaios sobre a Liberdade”, de Isaiah Berlin, cujo
resumo do texto em português está disponível em:
ou em inglês, disponível em:
elabore seus comentários e envie para postagem. Vc. tem até as 24:00hs. do dia 03 de setembro, segunda-feria, para realizar essa tarefa.
GRUPOS:

204 comentários:

  1. Caros Alunos,

    Aqui vão algumas idéias de I. Berlin para serem discutidas:
    "As idéias tem poder de mudar a vida das pessoas. Elas se tornam perigosas quando não são abordadas criticamente".

    Political theory is a branch of moral philosophy, which starts from the discovery, or application, of moral notions in teh sphere of political relations".

    The dominant issues of our own world are: Why should I (or anyone) obey anyone else? Must I obey? If I desobey, may I be coerced?"

    "Negative Liberty: What is the area withim which the subject - a person or group of persons - is or should be left to do or be what he is able to do or be, without interference by other persons?"

    "Positive Liberty: What, or who, is the source of control, or interference, that can determine someone to do, or be, this rather than that?"

    "It may be that the ideal of freedom to choose ends without claiming eternal validity for them,
    and the pluralism of values connected with this, is only the late fruit of our declining capitalist civilisation: an ideal which remote ages and primitive societies have not recognised, and one which posterity will regard with curiosity, even sympathy, but little comprehension. This may be so; but no skeptical conclusions seem to me to follow. Principles are not less sacred because their duration cannot be guaranteed. Indeed, the very desire for guarantees that our values are eternal and secure in some objective heaven is perhaps only a craving for the certainties of childhood or the absolute values of our primitive past. 'To realise the relative validity of one's convictions', said an admirable writer of our time, 'and yet stand for them unflinchingly is what distinguishes a civilised man from a barbarian.’60 To demand more than this is perhaps a deep and incurable metaphysical need; but to allow it to determine one's practice is a symptom of an equally deep, and more dangerous, moral and political immaturity."

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  2. Aqui está a tradução do texto do I. Berlin, Dois Conceitos de Liberdade: https://docs.google.com/open?id=0B-ZLHzAcvfuUMGFhYldLQjFzemc

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  3. Video apresentado na aula de hoje:
    http://www.youtube.com/watch?v=BWNZHJsR0Sc&fb_source=message

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  4. Berlin começa seu texto dizendo que ideias tem impacto forte sobre a realidade social, da discussão teórica surgem novas soluções, conceitos e estilos de vida. Ele diz que elas devem ser propostas, pensadas, elaboradas, desenvolvidas. Ele próprio teve muitas ideias, mas não propôs soluções para os problemas que essas ideias levaram. Apenas aponta que a saída é no caminho do pluralismo.
    Conceitua dois tipos de liberdade que ele acredita ser a do mundo antigo (positiva) e a nova (negativa). A liberdade, para ele, é definida pela constatação de que não há restrições.
    Diz-se liberdade positiva aquela que dentro de determinadas regras, dentro de uma determinada moldura, pode-se ter liberdade. A moldura é construída para tentar ordenar a sociedade, devido aos modos de vida incompatíveis das pessoas. Quanto maior o perímetro dessa moldura, mais liberal é a sociedade, pois ela abrangeria mais meios de vida, condutas diferentes. Se alguém se comportar de maneira externa à moldura, será punido de alguma forma. Essa característica mostra a estrutura repressiva e autoritária da liberdade negativa. E é assim a maioria das sociedades, vivemos em estruturas autoritárias: se fizermos o que a autoridade quer, que significa obedecer a certas regras, seremos livres dentro daquele contexto. Se existisse mesmo a liberdade na sociedade, ninguém seria ou se sentiria excluído, não pertencente daquele lugar.
    Por que as autoridades perceberam que os propósitos e atividades humanas não se harmonizam automaticamente uns com os outros, elas colocaram grande valor em outros objetivos, tais como justiça, felicidade ou cultura, ou segurança, ou graus variados de igualdade. Elas estavam preparadas para reduzir a liberdade ante aos interesses de outros valores que acreditavam serem desejáveis. Pois sem isso, era impossível de se criar o tipo de associação que elas acreditavam desejável. Consequentemente, se assume que área de ação livre dos homens deve ser limitada pela lei.
    Seguindo este pensamento, a área não poderia ser ilimitada, porque se fosse, entraria num estado segundo o qual alguns homens exercendo suas liberdades poderiam interferir com as liberdades de outros homens.
    Nessa sociedade o autor diz que não consegue ser livre, ser ele mesmo; uma vez que a estrutura o impede. Ele acaba sendo igual a todos, tendo o mesmo molde de todos. Ele diz que qualquer pessoa não conseguiria se diferenciar das outras, porque todas elas são, no fim, iguais; têm desejos, anseios, sonhos iguais.
    Berlin diz que a sociedade deve contemplar o que está dentro e fora da moldura, que é o que ele chama de liberdade negativa. Também se deve construir um limite, mas agora a partir dos estilos de vida de cada um e de forma a permitir às pessoas escolherem o modo de vida que preferem seguir. Uma forma que contemple as preferências, mas ao mesmo tempo não considere condutas exageradas. Isso não quer dizer que não se criariam estruturas repressivas, mas, pelo menos, ter-se-ia maior aceitação do próximo.
    É errado acreditar que liberdade é algo que se tem a partir de uma moldura, o certo é olhar o indivíduo e, a partir dele, criar a moldura. A liberdade dará a base para a moldura, não ao contrário.
    Apesar de Berlin não defender exatamente nenhuma das duas teorias, ele coloca seus benefícios, assim como malefícios. O autor afirma que a liberdade positiva seria o principal fundamento das democracias liberais; repressivas, autoritárias e excludentes. A liberdade negativa seria o cerne dos movimentos de emancipação.

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  5. Olá pessoal!

    Seguem os 3 videos dos quais falei, sendo o 3º, o vídeo que foi material de discussão do nosso trabalho em sala. Vale a pena assistir todos!


    http://www.youtube.com/watch?v=h1ttbkcB-_4


    http://www.youtube.com/watch?v=sHYu4Imz700


    http://www.youtube.com/watch?v=BWNZHJsR0Sc

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  6. No texto “Two concepts of Liberty” Isaiah Berlin desenvolve dois conceitos de liberdade, a Liberdade Positiva (dos antigos) e a Liberdade Negativa.

    A liberdade positiva seria uma liberdade restritiva e exclusiva, para Berlin a sociedade seria moldada por leis e por instituições, que dariam um certo tipo de liberdade somente a aqueles que fizessem parte do modelo e que se enquadrasse na moldura, excluindo os demais. Esse modelo de liberdade só poderia segundo Berlin, levar a um governo autoritário e opressor. No vídeo “BBC A Armadilha: O Que Aconteceu com Nosso Sonho de Liberdade - Ep 03 - Forçar-te-emos a ser” que foi passado durante a apresentação do grupo, Berlin exemplifica esse modelo com a União Soviética E diz que esse conceito de liberdade se deu durante a Revolução Francesa. Para o autor, os lideres de uma ditadura baseada na liberdade positiva acreditam que há somente uma única resposta para todos os males, e os mesmos fariam o que fosse necessário para aplicar essa resposta. Pois somente através dela obteriam liberdade e a felicidade.

    A Liberdade Negativa, segundo Berlin seria a liberdade do “self”. Uma sociedade baseada na liberdade negativa daria a seus indivíduos a liberdade para ser e fazer o que quisessem, seria uma sociedade que incluiria ao invés de excluir, uma liberdade plural, que aceitaria todos os “eus” existente nela. As leis e instituições não interfeririam na liberdade do individuo, somente garantiriam as ações individuais.

    Berlin escreveu seu artigo durante a Guerra Fria, e nele ele separa Liberdade Positiva como sendo a liberdade exercida pela União Soviética e Liberdade Negativa sendo a liberdade exercida pelos Estados Unidos.

    O autor também salienta que aqueles que pregam a Liberdade Negativa nunca deveriam acreditar que se trata de um ideal absoluto, uma resposta final, pois esse pensamento levaria exatamente a Liberdade Positiva. O que geraria um ciclo onde ambas as liberdades gerariam um estado opressor e ditatorial.

    Alguns críticos de Isaiah Berlin dizem que essa teoria de liberdade positiva e negativa que foi desenvolvida durante a Guerra Fria talvez fosse eficaz e correta naquele momento, porém não se relaciona com o momento atual.

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  7. Em sentido histórico, a liberdade já teve diversos conceitos. Examinando Berlin verifica-se o entendimento de liberdade em apenas dois tipos, a liberdade negativa e a liberdade positiva.
    Para Berlin a razão é o conceito de liberdade. O debate tem grande peso, as ideias tem muito impacto na realidade. Desse debate nasceriam propostas para serem desenvolvidas e assim surgiriam soluções para os problemas existentes na realidade social.
    Ele conceitua dois tipos de liberdade, a liberdade negativa como a liberdade anterior à lei, da pura consciência de autonomia do indivíduo, da sua aspiração pela autodeterminação. Liberdade individual, liberdade dos modernos. É a liberdade como não interferência alheia naquelas esferas protegidas da vida do indivíduo. Uma sociedade inclusiva.
    Enquanto a liberdade positiva é a liberdade posterior à lei, resultante da cultura política e da organização dos cidadãos na sociedade, de tudo aquilo que não podemos fazer segundo o poder político delegado aos governantes. Democracia, autogoverno coletivo, liberdade dos antigos. Uma sociedade exclusiva, pois o poder político daria uma liberdade, não a liberdade. A liberdade positiva é a liberdade como participação na definição de fins coletivos, onde o desejo que minhas decisões dependam de mim mesmo e não de forças externas de qualquer tipo. Para Berlin, esta é a discussão é essencial, principalmente no que diz respeito à natureza da liberdade, que não pode ser absoluta porque pode permitir que os fortes aniquilassem os fracos. Existe a possibilidade de a liberdade positiva degenerar em totalitarismo. Mas, sendo regulada, leva à questão: quem a controla, e com que direito?
    Outro de seus conceitos clássicos é o de pluralismo ético, ou seja, a tolerância, desenho político institucionalizado com o intuito de proteger garantias individuais.
    Berlin expõe suas teorias e se verifica três pilares, o pluralismo de valores, o argumento contrário a divisão do eu (o eu real, empírico) e a possibilidade da liberdade positiva se degenerar em totalitarismo. Ele afirma que a liberdade positiva resultaria na busca da concentração de poder, ao se considerar a coação como uma ferramenta necessária para organizar a sociedade e assim chegar a um objetivo determinado. A liberdade negativa seria a ordem dos movimentos, guiando os homens pelas suas emoções, pensamentos e atitudes.

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  8. A contribuição de Berlin marcou toda a discussão sobre justiça e liberdade dos que vieram depois dele. Berlin inicia seu texto nos falando do poder das ideias, no poder que elas tem de transformar o mundo. Ele cita as transformações ocorridas na Revolução Francesa que foi uma revolução que se deu por causa das idéias. Ele diz isso em contraste ao materialismo histórico de Marx que dava crédito apenas á matéria.

    Em plena Guerra Fria, Berlin tratou de analisar o que era a liberdade para os liberais e para os socialistas, e viu que ambos os regimes diziam fazer tudo em prol da liberdade. Mas qual liberdade era essa? Berlin notou que o que estava errado era o conceito que se tinha de liberdade, ambas as partes tinham um conceito que não era puramente livre.
    Assim, ele elabora dois conceitos de liberdade distintos, o conceito de liberdade positiva e o conceito de liberdade negativa.

    A liberdade positiva, que é chamada também de a liberdade dos antigos, é aquela em que o indivíduo tem sua liberdade limitada por regimes governamentais, leis, doutrinas. Ele possui certa liberdade dentro do contexto que lhe é proposto, qualquer modo de vida que seja diferente do que é proposto tende a ser elinado ou excluído. No vídeo apresentado em sala, a URSS é mostrada como um exemplo desse conceito de liberdade.

    A liberdade negativa é a aquela onde cada um é livre para controlar seu próprio destino, sua própria vida. É a liberdade de ter sonhos, de poder fazer escolhas. O indivíduo é livre de coerção física, intelectual, emocional, política, etc.

    Berlin deixa no campo das ideias a resposta para uma aplicação prática da liberdade negativa. Ele deixa aos teóricos políticos a discussão de como se pode chegar a uma sociedade com tal liberdade, sem que tenha que se passar por regimes autoritários.

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  9. Em Dois conceitos de liberdade de Berlim procurou explicar a diferença entre os dois modos distintos de pensar sobre a liberdade política, chamado essas duas concepções de liberdade negativa e positiva. A liberdade negativa é centrada no “self”, há ausência de impedimentos à ação do indivíduo; já a liberdade positiva tem presença de condições para que os indivíduos ajam de modo a atingir seus objetivos.
    Na liberdade positiva, a liberdade do individuo é igual a sua autonomia que culmina em uma obediência a vontade geral, ao interesse público, assim sendo, coincidiria com a obediência ao contrato social e consecutivamente ao estado, por isso a liberdade positiva é relacionada a liberdade dada por estados de regimes totalitaristas. Trata-se de uma concepção que promete libertar as pessoas, submetendo-as, e muitas vezes sacrificando-as a grupos ou princípios maiores. Os defensores desse tipo de liberdade acreditam que há um modelo de conduta a ser seguido e que deve ser imposto a todos, mesmo que exclua uma parte que não deseje viver daquele modo.
    Já a liberdade negativa é aquela que permite que os indivíduos façam o querem, aceita todos os modos de vida, sendo pluralista, e é consecutivamente, mais inclusiva do que a liberdade positiva uma vez que não exclui nenhum modo de vida. Nessas sociedades o estado intervém o mínimo possível na vida de cada um.
    Berlim alerta para o fato de os defensores da liberdade negativa não a encararem como virtuosa, acima de tudo e como o caminho a ser seguido, pois isso poderia levar a imposição da mesma a outras culturas que não tem a liberdade negativa como escolha de vida. A imposição da liberdade negativa seria contraditória com seu princípio de não interferência no livre arbítrio, e acabaria por cair na definição de liberdade positiva dado ao caráter de coerção que passa a exercer.

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  10. Isaiah Berlim viveu em uma época em que duas linhas de pensamento conflitavam-se e influenciavam as sociedades e seus modos de conduzir a liberdade dos indivíduos: as ideias socialistas e as liberais. Contudo, o autor mostra que as liberdades defendidas tanto por uma como por outra corrente não satisfaziam a ideia real de liberdade, que era aquela que deveria garantir as vontades individuais.

    Vendo esse problema, Berlim elaborou dois conceitos de liberdade tentando analisar os questionamentos que os seres humanos, quando inseridos no meio social, se fazem sobre os limites entre liberdade e obediência: a liberdade positiva e a liberdade negativa.

    A liberdade positiva é aquela que determina que a liberdade dos indivíduos deva ser limitada pela lei, visando a melhor conduta dos cidadãos, ou seja, o papel do Estado aqui é o de guia para garantir a liberdade da melhor forma possível e, assim, organizar a sociedade. Para o autor, esse modelo gera regimes totalitários, que incluem apenas os que se enquadram na forma estabelecia pelo Estado. Para essa visão cabe o seguinte questionamento: quem ou o que podem definir a melhor forma de as pessoas exercerem suas liberdades?

    Já a liberdade negativa, visa garantir a liberdade dos cidadãos sem a coerção do Estado, instituições ou de terceiros. Nessa concepção os indivíduos seriam livres para satisfazerem suas vontades. Com isso o papel do Estado seria o de estabelecer um espaço, no qual não haveria sua interferência, para que as pessoas tivessem essa possibilidade. Embora o autor saiba que é impossível garantir total harmonia em uma sociedade plural e adepta da liberdade negativa, diz que é um caminho melhor do que aquele produzido por estruturas sociais totalitárias, que limitam o ser. A questão para a liberdade negativa é: até aonde os cidadão tem espaço para garantir suas liberdades e a satisfação de suas vontades?

    Contudo, existe um grande dilema da geração de liberdade proposta por Berlim que é a incapacidade dos governos de aplicarem a liberdade negativa. Houve, durante a história, diversas tentativas de aplicar o pluralismo e a liberdade negativa em sociedades, mas todas fracassaram, gerando, de alguma forma, sociedades que visavam limitar (mesmo que mascaradamente) a liberdade das pessoas; dizendo de formar simplificada, quando se tentou gerar liberdade negativa gerou-se liberdade positiva.

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  11. Para entender melhor a teoria de Isaiah Berlin descrita no texto “Two Concepts of Liberty” – “Dois Conceitos de Liberdade”, é necessário ter em mente que o mesmo a escreveu no momento em que estava ocorrendo a Guerra Fria, assim relacionou esses dois conceitos, com as duas potências de ‘poder’ da época, que foram Estados Unidos e União Soviética.
    Outro ponto relevante é que Berlin, não está de fato preocupado com uma ‘solução’ para se chegar à uma ‘liberdade absoluta’, mas somente faz uma análise do contexto histórico-político do Mundo e propõe dois ‘tipos’ de liberdade ocorrentes, bem como ele queria saber quem estabelecia ambas as liberdades. Sendo uma intitulada como Liberdade Positiva e a outra Liberdade Negativa.
    A Liberdade Positiva ou também nomeada como sendo a Liberdade dos Antigos (entendem-se antigos aqueles constituintes a partir da Revolução Francesa, como Jean-Jacques Rousseau), é definida como sendo uma liberdade delimitada por uma esfera imposta pelo regime governamental vigente, então se determinado individuo ter um modo de vida que não condiz com aqueles de dentro da esfera, ele é reprimido, impedido, com isso esse regime chega a ser autoritário. Essa liberdade, segundo Berlin, figurou-se na União Soviética.
    Já a Liberdade Negativa, também dita como Liberdade dos Modernos, assume uma forma pluralista, ou seja, é tolerante aos vários modos de vida existentes. Nesse caso, é o indivíduo que origina e impõe o limite de sua liberdade, e não um governo autoritarista. Entretanto, para Berlin, essa liberdade tenderia a Liberdade Negativa, uma vez que adotado o intuito de resolver racionalmente a conciliação desses diferentes modos de vida, caindo-se na esfera da razão. Esse seria a liberdade instalada nos Estados Unidos.
    Através da apresentação do grupo da semana, o qual mostrou o vídeo “BBC A Armadilha: O Que Aconteceu com Nosso Sonho de Liberdade – Ep. 03 - Forçar-te-emos a ser”, deu-se para clarear mais a proposta de Berlin, sendo que o vídeo a alienava conjuntamente com os vários tipos de governos existentes desde a Revolução Francesa até os dias de hoje. Contudo, o vídeo termina, com uma frase, que em meias palavras dizia: “ Berlin, estava errado, a sua teoria não tinha ‘valor’ para o contexto atual....”

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  12. Berlim aponta dois tipos de liberdade: liberdade positiva e negativa, através de sua análise sobre este conceito.
    Liberdade Positiva é definida como um mecanismo onde qualquer indivíduo é livre para agir desde que esteja dentro de determinadas regras. O conceito de liberdade, então, é definido por leis e não pelo próprio indivíduo. Esse tipo de liberdade torna-se exclusiva, a medida de que não inclui diferentes pensamentos e concepções de liberdade e faz com que as pessoas tenham que se encaixar em padrões pré-determinados. Esse tipo de liberdade é típica de governos autoritários e opressores. Para Berlim, uma vez contemporâneo do cenário da Guerra Fria, o exemplo deste tipo de liberdade seria a União Soviética.
    Liberdade Negativa é o conceito de liberdade onde cada indivíduo decide qual é a sua liberdade e os limites dela, e as decisões em relação a liberdade dependem apenas do próprio indivíduo. O indivíduo possui, então, controle sobre a própria vida. Esse sistema de liberdade é tido como inclusivo, já que se adapta aos mais diversos conceitos de liberdade.
    A questão levantada pelo grupo que apresentou sobre Berlim, é que, uma vez tida como o melhor conceito de liberdade, as nações usaram de mecanismos opressores para aplicar a liberdade negativa, contradizendo seus próprios ideais. As tentativas de aplicar-se a liberdade negativa, então, levaram sempre a algum tipo de sociedade repressiva e não totalmente inclusiva.

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  13. Berlim separa dois tipos de liberdade. A primeira, como negativa é ligada a resposta de “Qual é a área em que o sujeito — um indivíduo ou um grupo de indivíduos — está livre, ou se deveria permitir que fosse, da interferência dos outros?”, a segunda como positiva a “O que ou quem é a fonte de controle ou de interferência que pode determinar que alguém faça, ou seja, uma coisa e não outra?”.

    A resposta à pergunta: “Quem me governa?” é diferente da “Até que ponto o governo interfere comigo?” É nessa diferença que se dá os dois conceitos de liberdade. O sentido positivo de liberdade surge ao tentarmos responder não à pergunta “Sou livre para fazer ou ser o quê?”, mas à pergunta “Por quem sou governado?” ou “Quem vai dizer o que sou e o que não sou, o que ser ou o que fazer?”

    Começando pela negativa, sou livre na medida em que ninguém interfere com as minhas atividades, é livre para fazer o que quiser, como mostrado no vídeo em aula, para viajar, sonhar, viver. Tolera todos os tipos (ou quase todos) de modos de vida. O Estado serviria apenas para garantir que sua liberdade não seja prejudicada por fatores externos. É predominante no mundo anglo americano.

    A Negativa se baseia no desejo do indivíduo de ser seu próprio amo e senhor- o desejo de se auto-governar. É a liberdade dos antigos e característicos de regimes totalitários. É limitada, como no desenho da bolha, onde somente dentro você pode exercer sua liberdade. Dito no final do vídeo, muitas ou quase todas às vezes, se chega a ela através da força, como em guerras.

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  14. Resumidamente:
    Berlin classifica a liberdade como positiva e liberdade negativa, no qual o positivo e o negativo remete a ideia da existência de fatos de impedimentos, exigências para a liberdade.

    Na liberdade positiva existe o respeito das decisões pessoais dentro de uma moldura de condições, com o Estado ou até mesmo outra entidade, garantindo que a liberdade de alguns não interfiram na liberdade dos outros, seria uma liberdade democrática. Ela não abrange todos da sociedade, apenas o que se enquadram dentro desta moldura.

    Ao lado oposto, existe a liberdade negativa. Nesta o ser humano pode viver de acordo com suas preferências, planejar algo de acordo com seu grau de utilidade, não existiria constrangimentos, obstáculos,restrições, impedimentos. O humano é dono de si, e toma decisões baseadas em sua vontade, conseguindo assim agir ou pensar deliberadamente. Ela tenta incluir de forma organizada e sensata todos os modos de vida.

    Ele expõe o conceito do pluralismo de valores que evitaria a potencial existência de conflitos futuros, ou divergências de visões, de valores.

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  15. O que Berlin vai nos mostrar não é que existem apenas dois conceitos de liberdade, ele diz que há vários, mas ele vai explorar o que considera como os dois principais.
    A liberdade positiva, é a que vivemos hoje. Temos um sistema de regras e dentro deste sistema somos livres. Ele vai argumentar que isso é uma ilusão de liberdade... de fato, quando pensamos que temos regras para sermos livres nos perguntamos se realmente somos livre. Segundo Berlin, a liberdade positiva sempre levará a estruturas autoritárias.
    O segundo conceito, a liberdade negativa, é o que ele defende como ideal: somos livres para sermos nossos próprios mestres, para fazermos o que quisermos.
    O mais importante na obra do Berlin é que ela nos faz refletir sobre o conceito de liberdade que temos. Somos mesmo livres?? A estrutura econômica nos permite ser livres de verdade ou vivemos presos as nossas posições sociais dentro da sociedade? Berlin não nos diz como alcançar a liberdade negativa, mas nos compele a pensar liberdade de uma maneira diferente. Eu sou o limite da minha liberdade.
    Esse conceito prevê uma sociedade plural, onde os diferentes modos de vida são abraçados e não punidos.

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  16. A avaliação que Berlim faz sobre as concepções de liberdade e sobre os meios concebidos até então para alcançar a liberdade é muito interessante para nos situarmos melhor na discussão sobre liberdade e para entendermos de quantas maneiras diferentes uma teoria de liberdade pode resultar em uma sociedade autoritária.

    Antes de falar sobre as formas de ver a liberdade ele estabelece que as idéias tem um enorme poder sobre a sociedade, e negligenciar a importância das teorias em uma sociedade é perigoso pois pode gerar movimentos sociais fanáticos e violentos, além de sem boa fundamentação e inatingíveis pela crítica racional.

    Durante o texto o autor critica duramente o Marxismo. Por exemplo: "It is only a very vulgar historical materialism that denies the power of ideias(...)" Além disso praticamente toda vez que ele fala de uma consequência ruim de uma teoria, ele exemplifica no final com o comunismo, mas as críticas que ele faz são bem coerentes e a sua parcialidade notável se justifica pelo contexto em que viveu.

    O autor afirma então que existem dois tipos de liberdade que têm aparecido nas teorias políticas: A liberdade positiva e a negativa. A liberdade NEGATIVA é aquela onde o indivíduo se encontra circunscrito por regras que visam impedir que a liberdade de um sujeito acabe com a dos demais(como roubo, assassinato e exploração) mas existe um certo numero de liberdades fundamentais que não podem ser suprimidas. A liberdade NEGATIVA limita o indivíduo até certo ponto e o que resta é sua liberdade política. O problema dessa concepção é que assim não se tem liberdade real. Como o autor diz, a questão passa a não ser " O que eu posso fazer? " mas
    " Quem me diz o que fazer? ".

    A liberdade POSITIVA é aquela onde o sujeito procura ser a fonte de sua liberdade, onde ele se guia pelas suas próprias leis morais. Vale ressaltar que essa concepção não se trata necessariamente de uma anarquia, e o autor comenta diversos caminhos pelos quais se tentou aplicar essas concepções de liberdade. A concepção anarquista é apenas uma das que se enquadram dentro da liberdade positiva. Se não há limitações, o que impede que a sociedade seja tomada pelo caos? A razão. Os defensores desse tipo de liberdade supões que somos regidos pela razão, uma faculdade superior aos instintos, e que através dela podemos entrar em acordo e o faremos, pois não há como sujeitos racionais optarem pela corrupção, a não ser que estes permitam que o instinto supere a razão, ou estejam mal informados.
    O autor critica essa noção dizendo que através dela se pode ignorar a subjetividade, e a razão se torna um dogma que reproduz o efeito da liberdade negativa. Por exemplo na liberdade negativa alguém pode me dizer "não faça isso, é contra a lei que te protege de si mesmo", e na positiva "não faça isso, você está sendo irracional. Me obedeça e um dia perceberá que eu tenho razão." Assim, ambas concepções podem ser e foram usadas para justificar a tirania e o desrespeito pelos direitos individuais.

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    2. O autor propõe que visar o pluralismo é melhor que impor uma única visão a uma sociedade, e que o fato de uma regra não ser eterna não é uma refutação nem abre espaço para um ceticismo. Antes disso ele também comenta que a liberdade é um dos valores relevantes mas não o fim absoluto das sociedades, mesmo as mais liberais. Ele até comenta que oferecer mais liberdade a alguém que está doente, pobre e passando fome é zombar de sua situação. Muitas vezes as pessoas escolherão sacrificar a liberdade em nome da segurança.
      O autor também comenta que uma das soluções influentes é se conformar com o que não se pode fazer e deixar de deseja-lo, aproveitando assim o pouco de liberdade que se tem. Essa visão se aproxima muito do Estoicismo e do Budismo. Ele exemplifica o funcionamento dessa solução da seguinte forma: " Se eu sou ferido na perna posso me livrar da dor me curando ou amputando minha perna e aprendendo a viver sem ela."
      O autor critica essa solução dizendo que esse pode ser o caminho para a paz interior, mas certamente não para a sociedade livre. Além disso diz que se formos tentar nos recolher de tudo que pode nos ferir, abrir mão de todos os problemas e riscos, nos resta uma solução: A morte.

      A critica que o autor faz ao uso da razão como reveladora dos fatos morais e faculdade superior do ser humano é bem coerente, mas será que a razão só pode ser concebida e aplicada dessa forma? Gostaria de defender que não, mas gostaria também de fazer uma pausa.

      Continua...

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    3. Continuando...

      A razão passa a ser utilizada como instrumento corrupto de dominação a partir do ponto que alguém se apropria dela. "Se eu estou falando pela razão, quem em sã consciência discorda? Um louco, um idiota, um ignorante, um tratante. Todos me sigam: Vocês entenderão algum dia! "
      Na minha opinião há alguns fatores e premissas típicas
      que podem levar um sujeito a ditar regras com a razão:

      1- Corrupção/sede de poder
      Não muito o que explicar. O sujeito quer convencer a massa a agir de alguma maneira absurda então diz que fala pela razão ou pela ciência.

      2- A crença em "fatos morais"
      Quando um sujeito acredita que a moral está na natureza como a água ou como o Sol, ele reflete sobre a moral e pensa descobrir a moral em si, e então mesmo com boas intenções acaba... pavimentando um caminho para o inferno, como Marx dizia e como Marx fez.
      A moral, o bem e o mal, a justiça; Construções humanas. O fato de serem construções não é uma refutação. São construções, não ilusões. E cada um pode construir uma moral diferente. Devemos discutir para tentar criar uma moral mais universal, mas cria-la, não descobri-la, e essa moral deve ser readaptada sempre que parecer agredir um povo. É muito importante relativizar a moral, para que ela seja...moral.

      3-A crença em uma ordem universal, ou em Deus.
      Premissa de muitos autores. "Se existe o Deus criador, se existe uma ordem no mundo, basta descobri-la. Se eu a descobri eu falo pela razão ,pela ordem universal.
      Quem discorda está cego, mas pode descobrir pois é como eu. Eu vou ajudá-lo."
      Sejamos sinceros, ninguém sabe racionalmente sobre essas coisas. A pessoa pode ter fé, pode sentir algo supremo, magnifico ou sentir que tudo é físico mas religiosos fundamentalistas e ateus tem o costume de afirmar muito assertivamente para quem simplesmente não sabe. Não podemos tomar esse tipo de ordem como premissa pois até onde sabemos, o universo é regido pelo caos. A natureza tem um funcionamento lento, a ponto de parecer que existem leis nela para a criação da vida, mas nada disso é eterno. E o que dizer do ser humano, com toda sua transitoriedade? Podemos criar uma moral absoluta e eterna se existe chance de termos mudado de opinião em questão de minutos? Sem contar que quando um pensador toma Deus ou a ordem como premissa ele pensa no Deus de sua cultura e na ordem como ele entende. Devo enfatizar que não estou dizendo se se deve acreditar em Deus ou não, mas apenas que é uma premissa ruim para se construir um argumento.

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    4. 4- Crença na razão como faculdade superior.
      Sim, pois se acreditamos que a razão é superior a tudo que é emocional, instintivo e impulsivo, acreditamos também que a razão deve reger o sujeito e ele deve reprimir o que chamamos de seus impulsos. Mas na realidade não há tal superioridade. A razão é uma ferramenta tanto quanto a visão ou a audição. Além disso, a razão é limitada, e a linguagem mais ainda; Mal entendemos certas coisas, e a maior parte do pouco que entendemos se perde na tentativa de expressa-lo, mais um pouco quando alguém tenta decifrar nossa linguagem e quem sabe todo o resto quando alguém tenta nos entender. Se nossa racionalidade é sagrada também são nossos sentidos e nossas emoções. Se a razão nos permite ter alguma compreensão do mundo tudo o que é subjetivo também. Quando tentamos entender alguém apenas com a lógica estabelecemos diversas relações de causa e efeito que só se sustentam pela lógica formal e mesmo assim com possíveis contradições. O subjetivo apenas agrega valor maior na construção de conhecimento e quem falar contra a subjetividade dos outros estará decretando a sua como fato racional.

      Na minha opinião se mantermos em mente um relativismo(não radical, apenas preventivo) e considerarmos que a razão não é a faculdade suprema do ser humano e tem limites, é bem possível fazer um uso benéfico da razão para nos organizarmos sem que um estado nos ordene leis. Entretanto, existirão regras, mesmo que de outra natureza, mesmo que de maior transitoriedade. Nem as formulações anarquistas são ausentes de regras.

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  18. Primeiramente, para se analisar as concepções de liberdade de Berlim (liberdade positiva e negativa) devemos levar em conta o contexto histórico da formulação de tal pensamento. O contexto foi a Guerra Fria, nesse período era forte a disputa entre os ideais liberais e socialistas. Essas duas linhas de pensamento diziam defender a Liberdade, mas Berlim, ao analisar essas duas concepções, constatou que ambas adotavam um conceito de liberdade que era pobre.

    Diante desse impasse, Berlim formulou dois conceitos de liberdade; liberdade positiva e liberdade negativa.

    A liberdade positiva funciona como se existisse uma esfera, limitada por leis, na qual o indivíduo pode ser livre desde que esteja contido nessa esfera normativa. Tal concepção, portanto, limita a ideia de liberdade, dado que os indivíduos devem se adequar a essa esfera, e haverá coerção caso determinado indivíduo adote posturas que não se enquadrem aos limites estabelecidos pela esfera. Segundo Berlim esse tipo de liberdade foi o vigente na URSS.

    A liberdade negativa se baseia no "self". Tal concepção é inclusiva, pois permite que os indivíduos sejam donos da sua própria concepção de liberdade, na medida em que o indivíduo pode ser/fazer o que bem entender. Portanto, na concepção positiva da liberdade, não existe a esfera que limita e padroniza as ações dos indivíduos.

    Portanto, o processo de construção da "estrutura" na liberdade positiva pode ser sintetizado da seguinte maneira:
    Leis delimitam uma esfera, a qual os indivíduos devem adequar seus modos de vida.

    Já na concepção negativa temos que: A liberdade parte do todo, ou seja, uma sociedade pluralista, na qual todos os modos de vida são aceitos, formando assim uma estrutura inclusiva. Nessa estrutura os comportamentos "indesejáveis" não seriam imediatamente condenados, haveria uma tentativa de adequar esse comportamento aos demais. Portanto, consiste em não olhar determinados tipos de vida como "fora da esfera".

    Analisando esses dois tipos de liberdade, encontramos um impasse: A aparente incapacidade de se aplicar a liberdade negativa. Foi mostrado que durante o processo histórico diversas tentativas de adotar a concepção negativa foram frustradas, na medida em que foram utilizadas medidas repressivas para tentar alcançar tal concepção, processo que acabava conduzindo novamente à implementação da liberdade positiva.

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    1. Achei interessante sua crítica, Bruna.
      Na minha opinião, esses casos como o nazismo não são uma refutação completa do pluralismo, porque eu vejo uma distinção entre a cultura de um país e seu estado.
      Quando falei em diálogo entre as culturas, eu tinha essa distinção em mente. Quando eu falo em manter o diálogo com outras culturas sem interferência eu penso em um nível cultural e pessoal, eu penso em não olhar para a cultura Oriental com um ar de superioridade ou mesmo de estranhamento como se um iraniano, por exemplo, fosse como um ser de outra espécie. É isso que a artista iraniana Marjane Satrapi quis com em suas obras autobiográficas, por exemplo. Ela decidiu contar sua história de vida para mostrar que o povo oriental é como o ocidental, as pessoas se divertem, sorriem , sofrem, têm problemas, ás vezes se conformam, ás vezes fazem revoluções, fazem escolhas, estudam, têm preconceitos, enfim, são como nós. Porém no Ocidente o que mais se vê é uma visão preconceituosa desses povos, que os resume pela sua religião e pelas suas dificuldades políticas, como se não houvesse nenhuma religião potencialmente cruel com hegemonia no Ocidente e como se não houvesse opressão nos países de "primeiro mundo". Os povos têm problemas mas isso não resume quem essas pessoas são. Eu falo em não olhar para uma mulher que usa o véu apesar de não estar em seu país e supor que ela é submissa, uma coitada vitima de uma cultura atrasada em relação ao nosso supremo modo de vida. Já reparou que os véus são decorados, de diversas formas? São como uma vestimenta qualquer. Eu falo em ver uma mulher com o véu com respeito, eu falo de estar aberto para conhecer uma cultura diferente e não criar uma névoa de preconceitos arrogantes. Quanto mais se aceitam o diferentes, menores são as chances deles trocarem agressões, deles se desrespeitarem, pois as semelhanças aparecem e as diferenças muitas vezes passam a parecer belas. Mas isso no nível pessoal e cultural.
      A ação política não se dá nesse nível. Não se pode misturar as características de uma cultura islâmica com as normas de um estado islâmico. Se uma mulher escolhe o Islã, escolhe usar o véu sempre e se comportar de determinada forma porque para ela isso é bom, porque ela se sente respeitada assim, isso é cultura, isso parte dela, da sua família e de seus amigos. Mas se uma mulher é forçada a seguir o islã, sob ameaça, pelo estado, isso é uma agressão aos seus direitos, isso parte de um bando de cretinos, uns engravatados, outros armados. Nesse nível é preciso intervir, é preciso impedir que as pessoas sofram dessa forma(julgando os lideres, não massacrando o povo). Sobre o Nazismo, eu não o chamaria de cultura. Eu diria que foi a ação corrupta da propaganda que suprimiu a razão e a subjetividade de um povo em crise através da propaganda e do terror.
      Mas devo dizer que eu não sei se essa distinção que eu tenho tendado fazer é válida. Certamente não em outro contexto. Por exemplo, se considerarmos os neo-nazistas. Devemos deixa-los agir para não desrespeitar as escolhas desses indivíduos? O ódio parece ter sido escolha deles; Aqui não há distinção entre estado e cultura. Eu diria que é preciso ter uma certa "moldura" na sociedade. Sobre a liberdade sem essa limitação, me parece que o conceito nem se sustenta; tudo que for feito para evitar o caos e a desgraça irá resultar em regras.

      obs: Se aparecerem dois comentários é porque eu escrevi um mas ele sumiu da minha tela, então escrevi outro. Desculpe pelo comentário prolixo, mas eu quis dar uma resposta pois achei sua crítica interessante.

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  20. Berlin trabalha com ideias em seus textos por isso antes de iniciar sua fala trata de defender o poder das ideias e afirma que as mesmas podem mudar o mundo. Com esse ponto devidamente estabelecido o autor se volta para seu problema central, denominado pelo mesmo como “Dois conceitos de liberdade” (“Two concepts of liberty”).
    A ideia aqui é a existência de dois conceitos diferentes para se definir a liberdade e o problema das sociedades vigentes em sua época é que, apesar de ambas almejarem a liberdade, o conceito de liberdade de ambas estava equivocado.
    A liberdade positiva é aquela que nasce com a ideia de uma sociedade final, onde todos podem ser livres. A pergunta que guia essa liberdade é a procura da fonte de liberdade, ou seja, o que ou quem limita a ação de alguém.
    A liberdade Negativa é aquela em que os indivíduos fazem o que querem e nada mais, onde seus direitos são guiados por leis e por um governo que se restringe apenas a gerar a liberdade. A questão desta liberdade é definir a “área” ou seja, o conjunto de leis dentro de onde a pessoa pode ser livre, sem ferir a liberdade dos outros.
    O problema da liberdade Positiva é simples de ser entendido. Se existe uma solução final para a sociedade, então nenhum sacrifício por essa liberdade é muito grande. Esse tipo de liberdade gera massacres e ditaduras, para buscar a sociedade final.
    A liberdade Negativa é aquela que o autor defende ser menos maléfica, porém existe um risco. Se os defensores desse tipo de sociedade acharem que isso é um ideal absoluto, então resultará em uma situação semelhante a da liberdade positiva, onde se tem o oposto da liberdade. A ideia a ser evitada é “forçar as pessoas a serem livres”.

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  21. Isaias Berlin em seu texto "Dois Conceitos sobre Liberdade" aborda sobre dois tipos distintos de liberdade: Liberdade Positiva e a Liberdade Negativa.
    A Liberdade Positiva é aquela em que existe uma estrutura autoritária, isto é, o Estado regula a liberdade dos indivíduos dentro do sistema imposto por ele, entretanto o problema não está na estrutura reguladora em si, a qual pode de certa forma se adequar a algumas mudanças de ideais, ou necessidades dos indivíduos que nela vive, é como se houvesse uma "bolha" que forçasse a estrutura expandir, mas a grande questão está em quem estabelece estes limites, pois tais limites interferem na escolha pessoal do indivíduo.
    Na Liberdade Negativa os indivíduos vivem livres, sem que ninguém limite a liberdade destes dentro de uma sociedade, a qual tenderá ao pluralismo (vários modos de vida), sendo que esta liberdade é aquela no sentido mais amplo possível de seu significado. Aqui o autor insere a ideia de que a liberdade é originada do conceito "self", onde a liberdade é individual e não pode ser interferida por algo ou alguém externo (como no caso da liberdade positiva).
    Vale ressaltar que para Berlin a Liberdade Negativa seria a ideal, entretanto é necessário que haja uma atenção com este tipo de liberdade, pelo fato de que se a implantação dela for feita de forma má intencionada (envolvendo corrupção, violência, coerção, força)e distorcida, se chegará ao caos... à Liberdade Positiva.
    É importante lembrar que Berlin não diz que a liberdade é sinônimo de viver sem regras, mas sim ver a liberdade sob outro ângulo sempre criando novas 'molduras', as quais incluam diferentes modos de vida, sendo que estas 'molduras' irão até onde possamos enxergar.

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  22. Isaiah Berlin é considerado o inimigo das verdades absolutas. Sem acreditar em grandes verdades, entendia que o maior desafio da humanidade era inventar uma sociedade que respeitasse o pluralismo de ideias e modos de vida. Obteve seu grande reconhecimento ao escrever “Two Concepts of Liberty”. Suas ideias expostas neste texto sobre a pluralidade da liberdade marcaram profundamente a teoria política e consequentemente as gerações posteriores com fortes debates.
    Em um primeiro momento, Berlin faz sua análise sobre a liberdade baseando-se no conceito de liberdade adotado por dois grandes grupos políticos: os liberais e os socialistas. Ambos partem das mesmas noções morais: estão comprometidos com a liberdade. Berlin vai dizer que o conceito de liberdade é empregado pelos mesmos de maneira errônea. Para o autor “A liberdade não é seguramente o único valor estimável. Existem muitos outros. Mas a ideia monista de que é possível reconciliar todos os valores num todo harmonioso, sem conflito entre eles, é uma ideia errada. Visa alcançar o paraíso na terra. Em regra, gera infernos totalitários.”
    Sendo assim, Berlin aponta dois conceitos de liberdade: Positiva e Negativa. A Liberdade negativa responde a pergunta “até que ponto eu devo ser governado?” ela é negativa exatamente por isso: ela está vendo até onde estão os limites que você irá ceder. Até que ponto é possível tirar a liberdade de você. Até que ponto você pode ser administrado ou governado. Neste ponto de vista a liberdade negativa mensura presença ou ausência de constrangimentos sobre você. Então mensurar a liberdade negativa é fazer um espectro de análise sobre o maior e o menor constrangimento que há sobre você. A liberdade negativa é a “freedom from”, ou seja, mensurar a liberdade a partir dos mínimos e máximos constrangimentos. É importante ressaltar que dentro do existencialismo o espectro da liberdade negativa, o mínimo constrangimento nunca é zero, ele tende a zero, mas não pode ser zero. Pois se o for à própria existência seria eliminada. Se faria necessário admitir um outro mundo onde começasse o constrangimento do zero para frente.
    A liberdade positiva responde positivamente a pergunta “por quem eu devo ser governado?” então quando respondemos a questão do por quem devemos ser governados, estamos tomando o espaço na liberdade positiva. Na liberdade positiva há autonomia e busca de objetivos. Sendo assim, temos na Liberdade positiva o “freedom to” porque aqui não é o mensurar dos constrangimentos, aqui ela é positiva de dupla mão. É positiva porque num primeiro momento é a liberdade de exercer sua busca por objetivos que você mesmo estipulou. E de outro lado a autonomia, ou seja, a liberdade de realizar ações “by yourself”.
    Daí que Berlin tenha defendido uma abordagem pluralista: existe objetivamente uma pluralidade de valores, muitos deles estimáveis, muitos deles respeitáveis. Mas a total harmonia entre eles não é possível. Haverá choques. E terá de haver escolhas. Uma sociedade decente tentará evitar escolhas trágicas. Mas não pode reconciliar todos os valores. O compromisso entre eles implicará sempre alguma perda. Por isso, Berlin concluiu que "o pluralismo, com a medida de liberdade negativa que ele implica, parece-me ser um ideal mais verdadeiro e mais humano do que os objetivos daqueles que procuram nas grandes, disciplinadas e autoritárias estruturas o ideal do autogoverno positivo, por classes, ou povos, ou pelo conjunto da humanidade. É mais verdadeiro, porque pelo menos reconhece o facto de que os objetivos humanos são muitos, nem todos eles comensuráveis, e em perpétua rivalidade uns com os outros".
    É importante lembrar que Berlin se manteve apenas no campo das ideias. Ele não estipulou nenhum princípio ou regra (como outros autores) para se alcançar a liberdade. Ele apenas nos fez e faz pensar acerca disso.

    Para fechar, uma das frases celebre de Berlin: Liberdade é liberdade, não é igualdade, ou equidade, ou justiça, ou cultura, ou felicidade humana, ou uma consciência tranquila. (Estou com você Berlin!)

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  23. O autor inicia seu texto apresentando duas concepções idealizadas do homem. A primeira sobre o homem como criatura livre e naturalmente boa, porém frustrada por instituições corruptas. A segunda concepção que o autor cita caracteriza o homem como sendo nem totalmente livre nem totalmente bom e que, portanto, não seria capaz de salvar a si próprio sem o auxílio do Estado e de outras instituições, como a Igreja. Com essas diferentes concepções da natureza do homem, o autor afirma que seria necessário a formulação dos problemas por "inteligências excepcionais", para que indivíduos dotados de excepcional compreensão dos fatos, eficiência de pensamento e munidos de muita força de vontade pudessem descobrir e aplicar soluções.

    Para analisar os contextos de liberdade, Berlin leva em conta o contexto histórico de sua época: a Guerra Fria.
    Ao decorrer do texto o autor conceitua dois tipos de liberdade, a liberdade negativa e a liberdade negativa.
    A liberdade positiva, ou liberdade dos antigos, é restritiva e exclusiva. Os indivíduos tem sua liberdade limitada por uma esfera, formada por um conjunto de leis. O estado é autoritário, sendo a instituição responsável por garantir a liberdade dos indivíduos, organizando a sociedade da melhor forma possível. Os indivíduos possuem certa liberdade, e qualquer atitude ou modo de vida que não esteja dentro dessa esfera deve ser eliminado. Segundo Berlin essa liberdade era adotada pela União Soviética.
    A liberdade negativa, ou liberdade dos modernos é pluralista e se baseia no “self”. Visa garantir a liberdade dos indivíduos sem que eles sofram limitações de tercerios, ou seja, o próprio indivíduo decidi qual é a sua liberdade e quais são seus limites.
    "A liberdade política, nesse sentido, é simplesmente a área em que posso agir sem sofrer limitações de terceiros (...) Não se possui liberdade política quando se está sendo impedido por outros de alcançar um objetivo."

    No filme apresentado pelo grupo foi possível observar que Berlin defende a liberdade negativa como ideal. No entanto pudemos perceber através dos exemplos citados, a impossibilidade de se aplicar esse tipo de liberdade, resultando sempre em governos autoritários e, consequentemente, na liberdade positiva.

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  24. Berlin começa o texto defendendo a importância das ideias, argumentando que é por influencia das ideias que se chegam as revoluções, que é importante entender as ideias por trás dos conflitos e parte para a questão da coerção. Ao se falar de coerção ele argumenta que coagir um homem é priva-lo de liberdade, e então ele busca desenvolver o pensamento sobre dois tipos de liberdade, uma seria a liberdade negativa e a outra, a liberdade positiva.

    A liberdade negativa, onde o individuo teria liberdade suficiente para viver seu modo de vida do jeito que ele quisesse, porém, essa liberdade não poderia ser ilimitada, pois interferia na liberdade de outros. Esse conceito de liberdade está fortemente ligado à liberdade proposta pelo liberalismo, apoiado pelas ideias de Mill.

    Enquanto a liberdade positiva, ele faz um levantamento histórico e explica que este tipo de liberdade, é a liberdade geralmente proposta pelo Estado, e outras autoridades, ele diz que este tipo de liberdade é proveniente de uma tática que diz que, racionalmente quando você sabe que é impossível realizar algum desejo, você altera ou elimina este desejo, sendo assim, através do entendimento você não vai contra as regras, você modela seus desejos dentro de uma espécie de moldura. E em um sistema baseado neste tipo de liberdade, se você ultrapassa os limites dessa moldura você seria coagido, vemos isso tanto em democracias liberais como em Estados autoritários.

    Para concluir, ele explica que o problema da questão da liberdade é que transformando a liberdade em um ideal em si, ela acaba sendo uma espécie de ideal imaginário absoluto e isso resultaria em um monismo, e para este ideal ser mantido, seria à custa da vida de muitos. Então ele diz que seria preferível, uma visão mais próxima da liberdade negativa, buscando assim uma pluralidade respeitando os modos de vida diferentes.

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  25. Isaiah Berlin ,em sua época um influente intelectual com expressivo papel no governo inglês, que está sob forte pressão pois encontra-se no meio da guerra fria,é um defensor do liberalismo,que somente pode ser assegurado por meio do conceito que definiu como liberdade negativa. Dessa forma é exaltado pela mídia pelas suas idéias ratificantes da política governamental adotada e se torna uma espécie de celebridade,uma vez que suas aparições tornam-se frequentes em programas de tv,e produzem-se documentários sobre sua teoria.
    Aparentemente Berlin segue a linha de Kelsen no sentido que defende o pluralismo como valor fundamental de uma sociedade,entretanto Kelsen não utiliza o termo pluralismo e sim democracia,onde os individuos podem entrar em um conflito pacifico de idéias,muito próxima da de Berlin que reconhece a existência de diversos valores importantes mas não há a idéia de que é possível convergir todos num todo harmonioso,sempre existirá o conflito.
    Se o conflito está presente a melhor forma de lidar com ele é por meio da liberdade negativa, definida como:

    a) Liberdade negativa:" É a liberdade entendida como ausência de coerção intencional por terceiros. Significa que um indivíduo será tanto mais livre quanto menor for a interferência de terceiros na sua esfera de decisão. Em termos políticos, o ideal da liberdade negativa supõe a existência de um Estado limitado, que respeita a esfera privada das decisões pessoais, e cujo principal objectivo é garantir que a liberdade de uns não interfere na liberdade de outros."

    Nessa definição é possível entender os pontos que ligam e os que afastam Berlin de Kelsen.
    Kelsen entende a sociedade como um campo de disputa de interesses,onde todos.por meio de princípios democráticos,devem tentar resolver os conflitos de modo a gerar felicidade social,ou seja Kelsen têm uma solução utilitarista do conflito quando reconhece que uma vez que prioriza o todo em detrimento do indivíduo.
    Berlin como um radical liberal,partirá de um principio que ele chamará de liberdade e irá priorizar o indivíduo em detrimento do coletivo,ou seja ele é um anti-utilitarista e um individualista.

    Ao ler Berlin,não pude deixar de relacionar sua teoria com a uma matéria no jornal folha onde há o debate entre Obama,que é a favor da adesão obrigatória ao seguro saúde,uma vez que o governo subsidia para que seu custo seja menor a população, e Romney que é contra a adesão obrigatória,pois aumenta os custos do governo.

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1172167-eleicao-nos-eua-escolhera-futuro-do-sistema-de-saude-do-pais.shtml

    Essa seria uma rica discussão para o tema liberdade positiva (adesão obrigatória) X Revogação da lei de adesão obrigatória( liberdade negativa)

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  26. A liberdade supõe a possibilidade de você entender que é você que escolhe os modelos que quer seguir, não está no estado, no poder normativo, a liberdade tem a ver com as escolhas individuais. Tudo o que pode ser e abranger quanto à ideia de liberdade, seja ela individual (natural), política ou econômica não contextualiza a realidade de fato que a humanidade já vivenciou.
    Isaiah Berlim atenta ao ponto de que não mais do que no momento histórico que nos deparamos, ou seja, o mundo pós-guerra fria, o individuo prefira sua segurança, seus objetivos assegurados, justiça, felicidade e igualdade perante um sistema funcional, que lhe oportuna todas as características para uma vivência digna dentro das condições que um regime político-econômico possa lhe oferecer no mundo pós-guerra, do que simplesmente liberdade por liberdade.
    A libertação de todos os grilhões que nos aprisionam em nossos modos de viver não garante um ideal libertário, pelo contrário, podem levar ao caos e à tirania. Como foi apresentado à sala, o vídeo “The Trap – Episódio 03” ambos os conceitos de liberdade, Liberdade Positiva e Liberdade Negativa, foram impulsionadas na mesma época com o intuito de oferecer aos indivíduos uma proteção à sua própria liberdade. A Liberdade Positiva pretendia tornar o ser humano em um ser racional e transformado de tudo aquilo que conhecíamos até então dentro da organização social, e tal conceito emerge através de lideres revolucionários que julgam ser conhecedores do que seria esse ideal de ser humano. Esse conceito de liberdade desvendaria uma terrível lógica, pois aqueles indivíduos que não se encaixassem neste ideal deveriam ser “criados” e, a criação desses seres humanos envolveria um sistema coercitivo que empregaria seu próprio ideal, ou seja, uma sociedade controlada e coagida a todo custo por um ideal que não respeitaria a liberdade individual, seria a obrigatoriedade desses indivíduos em serem livres; ironicamente, a Liberdade Positiva se afasta de um ideal libertário que pudesse ser considerado “justo”.
    Já o conceito de Liberdade Negativa garante a todos os indivíduos a liberdade de fazer o que quiserem e, governos e leis devem existir para garantir que a liberdade de alguns não interfira na de outros e para que certa organização haja na estrutura social. Dentro do mesmo conceito, aceita-se a ideia de que todos vivem por si mesmos, com ideais egoístas que visam a satisfação própria e, não há um ideal em comum como um fim dessa Liberdade; a liberdade negativa leva automaticamente a um estado de estabilidade e ordem social. Segundo Berlin, de qualquer forma o poder haveria de ser limitado, caso contrário poderia levar ao desastre e, também, à tirania. Mesmo sendo o atual modelo de liberdade, a Liberdade Negativa, não deve ser encarada como um ideal absoluto de liberdade, por causa das limitações que alcança. Acreditar que o atual conceito de liberdade possa ser o melhor pode levar a coação pelo poder político que acredita estar fazendo o melhor para seu povo, e chegar ao oposto da liberdade, podendo ainda, nos deparar com uma Liberdade Positiva.
    Em suma, os ideais de liberdade até então conhecidos por nós, seres humanos, demonstram-se estreitos, limitados e muito específicos. Se assumirmos nosso atual modelo como sendo o único que se encaixe dentro dos parâmetros de segurança, justiça, felicidade, igualdade e outras necessidades humanas, estaremos a propor um mundo sem significado composto por máquinas humanas que vivem no automático, guiadas por ideais mesquinhos e ordinários. Há de chegar um tempo em que o “what for” nos indagará a fim de saber a que ponto chegamos ao negligenciar nossa essência do “querer saber por que” em nome de um falso ideal carcado no receio.

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  27. Conceitos como "pluralismo", "liberdade negativa" e "liberdade positiva" passaram a ser aplicados para explicar a conjuntura política internacional imediata, como as ideologias impostas à sociedade do Leste Europeu.

    Os liberais, iluministas,anarquistas e radicais, acreditavam no poder ilimitado da instrução e da moralidade racional, assim como a substituição das crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do homem, para superar a miséria e a desigualdade econômica, ou seja, liberdade total, porém responsável. E também suspeitavam que as instituições constituíssem obstáculos à realização de uma sociedade livre e racional. Portanto, todas as respostas mereciam ser ouvidas e que nada havia a ganhar com o desconhecimento de tais problemas ou com a suposição de que eles não existisse, então o homem deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.

    Os socialistas, conservadores e pensadores isolados, como Nietzsche, ponderaram que uma mudança no sentir ou no pensar dos indivíduos não seria suficiente, sem alterações radicais na distribuição e no controle dos recursos, além disso, acreditavam no poder e na influência das instituições; e encaravam-nas como salvaguardas necessárias contra o caos, a injustiça e a crueldade causadas pelo individualismo descontrolado. Além disso, afirmavam que o racionalismo era uma falácia originada de uma falsa análise do caráter humano, pois a fonte da ação humana não era a razão. Para os reacionários irracionalistas o ser humano deveria ser mantido sob controle, tal qual devia ser feito por uma equipe de organizadores esclarecidos, homens que haviam captado a verdadeira natureza do desenvolvimento social.

    Diferentemente do "monoismo", o "pluralismo" não equipara tais valores como, o Bem, a Verdade, a Beleza, a Justiça e a Felicidade. Apesar de terem valores legítimos e não carecendo de certo grau de objetividade, estes não são valores que sejam compatíveis e harmônicos entre si, pois há a possibilidade de conflito, por isso Berlin expõe o conceito de Liberdade.

    Podemos classificar liberdade em três características.

    A primeira é a de que a coerção dos desejos humanos, é má em si mesma, e assim apresentamos o conceito “negativo” de liberdade em sua forma clássica. Consistindo-se em que ninguém ou nenhum grupo de indivíduos interferia com as atividades dos outros, simplesmente não se sofre limitações de terceiros. Há liberdade política quando não se é impedido de alcançar qualquer objetivo, porém tal liberdade é julgada de acordo com cada um, para cada pessoa há uma possível liberdade.

    Este outro sentido de liberdade constituiu um apelo à união para as grandes massas humanas, a de não sofrer restrições é uma característica de alta civilização, tanto para os indivíduos quanto para as comunidades. O próprio senso de privacidade é derivada de uma concepção de liberdade.

    A terceira e última característica dada de maior importância, é a de que liberdade não é incompatível com alguns tipos de autocracia ou com a ausência de autogoverno. A significação de liberdade tem relação com a área de controle, com o seu eu, o seu pensamento, a individualidade e não está relacionada necessariamente com a democracia ou com o autogoverno. A resposta para as perguntas “Por quê sou governado?” ou “Quem vai dizer o que sou e o que não sou? Se somente eu, sei quem sou." são feitas para relatar tal diferença, mostrando a liberdade.

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  28. continuação.....
    O conceito de liberdade positiva consiste em ser seu próprio senhor e a liberdade que consiste em não ser impedido de fazer minhas próprias escolhas por terceiros podem parecer conceitos não muito distintos entre si. No entanto, as noções “positiva” e “negativa” de liberdade percorreram historicamente caminhos distintos, até que entraram em conflito. Isso mostra que as concepções de liberdade se originam diretamente de opiniões sobre o que constitui um ego, uma pessoa, um indivíduo, ou seja, a manipulação das definições de indivíduo e de liberdade podem ser alteradas quando uma pessoa desejar.

    Contudo, podemos contemplar dos pensamentos de Berlin que nos dadiva a analisarmos alternativas de pensamentos e sentimentos essenciais na estrutura da sociedade. E para isso, ele não decide o melhor ou o qual se identifica, mas trata com imparcialidade para não influenciar, dando a oportunidade de se imaginar nas condições com independência.

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  29. Para entender o que Isaiah Berlin considera como conceitos de liberdade, é preciso, primeiramente, analisar o contexto histórico em que vivia esse pensador, na questão política, econômica e social.
    Berlin viveu em uma época marcada pela disputa por áreas de influência entre liberalistas e socialistas. E é importante destacar que ele criticava esses sistemas político-econômicos, dizendo que ambos queriam chegar a mesma coisa, ao mesmo objetivo: a liberdade. Por terem esse propósito em comum, mas com as bases econômicas, sociais e políticas diferentes, acabam não sendo completamente "racionais", pois poderia ocorrer uma ajuda mútua para se chegar à esse resultado (a liberdade dos indivíduos). Berlin também diz que em nenhum desses dois modelos seria possível chegar a liberdade plena do modo de vida de cada indivíduo.
    A partir disso, ele explica o que seria a liberdade, dividindo-a em dois tipos: Liberdade Positiva e Liberdade Negativa. A Negativa entende o indivíduo livre para agir, tendo cada um liberdade de decidir o seu futuro, liberdade para agir com autonomia, ou seja, dando a si mesmo a sua própria lei, desde que não atrapalhe outro indivíduo nesse contexto. Já a Positiva entende que o indivíduo tem sua liberdade controlada pela esfera pública, ou seja, o sistema que controla a sociedade, portanto, o indivíduo não seria o "dono" de si, tendo de moldar seu modo de vida para poder se encaixar no esquema da "bolha", apresentado na sala de aula.

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  30. Começo com duas perguntas: Será que sou livre? E será que eu sou eu mesmo ou sou um eu igual a todos?

    Imaginemos o seguinte caso, fictício: Eu vivo numa casa bem mobiliada, porém quero os móveis da TokStok, a “grife dos móveis”. Movido somente por meu desejo de obter produtos TokStok, posso eu levá-los para minha casa? Se não tiver o capital para adquiri-los, não os levarei. Posso até levá-los, o que faz realizar meu sonho, contudo sofrerei as sanções previstas em lei. Posso ser processado ou ainda preso por furto. Conclusão: Eu sou livre para comprar os móveis da TokStok , desde que possua a quantia em dinheiro estipulada para a compra. Há condições para realizar meu desejo; em outras palavras, há restrições a minha liberdade de possuir produtos TokStok, restrições essas moldadas por um conjunto de regras morais e institucionais.

    Imaginemos outro caso, também fictício: Tenho o sonho de comprar a mansão mais cara no bairro mais nobre de São Paulo. Para mim, a compra dessa mansão é a realização de grande parte de meus desejos, ou seja, é a minha liberdade. Agora questiono: penso assim porque sou livre para determinar a minha liberdade, ou penso assim porque meus familiares, amigos, vizinhos, enfim, a sociedade na qual eu vivo pensa da mesma maneira? Numa sociedade na qual seus indivíduos são fortemente influenciados pelo conjunto, é difícil dizer que concebo isso porque sou livre e, por isso, chego a conclusão de que a mansão é sinônimo de liberdade. Poderia muito bem eu falar que me sinto feliz numa casa mais do que modesta, porém seria criticado por muitos por “pensar pequeno, pensar em não crescer”.

    As questões fictícias colocadas acima foram feitas baseadas na minha interpretação do tipo de questionamento que Isaiah Berlin propõe, assim como as respostas que dou têm embasamento em respostas que , creio eu, Berlin dá a seus próprios questionamentos.

    É interessante pensar sobre nossa liberdade. Se refletirmos sobre ela de forma crítica, profunda e impessoal (se é que é possível a impessoalidade em qualquer manifestação, seja ela escrita, oral, gestual, ou de qualquer outra natureza), chegamos a conclusão de que nossa liberdade é resultado de uma certa “moldura”. A moldura pode ser representada pela Constituição, pelo regulamento de trânsito, pelo regulamento de nosso condomínio, enfim, pelas mais diversas regulamentações que ditam o que devemos fazer. Refletindo, podemos chegar a algumas práticas que gostaríamos de fazer, todavia não as fazemos por atacar essa moldura. Atacando-a, há sanções previstas a serem aplicadas para nós.

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  31. Continuação...

    Assim, não chegamos a exercer o nosso “eu” plena e puramente na sociedade. Há características do “eu” de uma pessoa que conflitam com o que a moldura rege, e para não sofrer as penalidades oriundas do conflito a pessoa se inibe e não coloca em prática suas características mais individuais.. Para se adequar a estrutura, então, a pessoa tem que viver como a moldura prega, assim como todos os outros habitantes dessa sociedade tem que seguir o mesmo procedimento. O resultado disso é a massificação de um modo de vida (aquele que se encaixa a todas as regras). Todos vivendo dessa maneira, todos são iguais. O “eu individual” é suprimido para dar lugar ao “todos iguais”.

    Essa é a Liberdade Positiva. A forma como os antigos pensam e concebem a Liberdade. Segundo Berlin, essa é a prática da maioria das sociedades, como uma forma de garantir a ordem no conjunto social.

    O contraponto é a Liberdade Negativa, onde a Liberdade não é determinada pelos moldes repressores e inibidores, mas sim os indivíduos desenham a moldura contemplando suas liberdades individuais. A moldura é flexível por admitir mais modos de vida.

    Talvez se todas as liberdades individuais fossem liberadas na forma mais irrestrita possível, o caos se instalaria contundentemente. Estaria admitido qualquer modo de liberdade, inclusive aquele que pregasse assassinar uma camada pré-determinada da sociedade. Assim, chegamos a um ponto: a “liberdade irrestrita pode ser a não liberdade”. Será que gostaríamos de viver numa sociedade assim, na qual não houvesse qualquer tipo de constituição e ordenamento universal em nome de uma relativa Liberdade? Ponho em dúvida que a Liberdade possa existir num Estado de ampla e irrestrita Liberdade. Viveríamos em paz e livres sabendo que é admitido alguém vir até você e te assassinar, ou roubar algo pela qual você guarda enorme carinho, como sua casa?

    De qualquer maneira, Berlin não defende, categoricamente, qualquer das duas formas de Liberdade que ele mesmo propõe.
    Talvez porque, para ele, a Liberdade Negativa seja algo somente do âmbito das ideias, não podendo ser materializado na realidade por barrar em dificuldades e contradições que eu mesmo descrevi há pouco. Mas não é por isso que deixa de ser relevante, visto que ideias são fortes, por vezes até mais fortes que as coisas materiais em si. De tão fortes que podem ser, muitas das ideias podem e já foram colocadas em prática (basta examinar a nossa própria sociedade para verificar que muitos conceitos que cultivamos foram embasados em ideias), e se não fossem elas, talvez estaríamos em um estágio de desenvolvimento humano muito inferior, se é que temos ou já tivemos alguma forma de desenvolvimento humano.

    Mas isso é reflexão para outra hora...


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  32. Thalita Trintinalia

    Isaiah Berlim aponta dentre os conceitos de liberdade os dois mais importantes: negativa e positiva. Liberdade positiva é tida como um mecanismo onde há liberdade para a ação dos indivíduos, desde que tais ações se enquadrem dentro das regras, essa liberdade é definida por leis. Na liberdade positiva existe um Estado regulador, é o tipo de liberdade que vivemos hoje e que para Berlim é uma ilusão de liberdade que sempre levará a estruturas autoritárias. Seu exemplo de liberdade positiva, uma vez sendo contemporâneo à guerra fria é a União Soviética.
    A liberdade negativa é a que faz parte de uma ideia que consiste em ter limites de cada individuo, decidir qual é a sua liberdade e a tomar as decisões que cabem dentro de sua concepção de liberdade. A liberdade é exercida em seu sentido mais amplo, sem nenhum limite externo, tendendo e levando em consideração o pluralismo e suas diversas formas de vida. O mais importante a se observar é que apesar de Berlim considerar a liberdade negativa como a ideal, a implantação desta deve ser feita de maneira cautelosa, pois se feita de forma a oprimir, irá se tornar contrária ao seu próprio princípio. Viver em uma liberdade com respeito À individualidade e com plena aceitação do pluralismo é o ideal, mas fazê-lo por meio de violência, coerção, imposição ou opressão não tornará uma sociedade livre para escolhas plenas e uso de sua liberdade negativa. As tentativas até então vistas levarão de modo majoritário a algum tipo de sociedade repressiva e não inclusiva.

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  33. Berlin em seu texto diz que o ser humano é um ser que necessita de liberdade, mas não à possui por sofrer coerção de um Estado autoritário onde nem sempre os desejos de alguém podem ser cumpridos pois cada um deve viver sob uma “moldura” criada pelo Estado e sociedade que se ultrapassada é vista como uma afronta aos padrões sociais e lhe é aplicada uma pena, essa liberdade onde você pode fazer o que quiser desde que esteja dentro dessa moldura é chamada de liberdade positiva.
    Existe também a liberdade negativa onde cada ser é livre, sem ter um Estado lhe dizendo o que fazer, sendo cada um responsável por si mesmo e seus próprios limites não havendo exclusões. Liberdade negativa é o modelo ideal de liberdade para Berlin mas é também perigosa pois cada um tendo tanta liberdade, é possível que indivíduos levem essa idéia a tais extremos que sejam aplicados ações coercitivas e de risco para outras levando a mortes, dor e a liberdade positiva com Estados e instituições autoritárias.

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  34. Isaiah Berlin trabalha com ideias sobre as formas de governo,liberdade e poder,resumidamente:

    -Berlin odeia poder sugerindo uma sociedade igualitária com ausência de poder,comenta sobre como tirano diz precisar de poder para corrigir o mundo

    -Estipula dois tipos de liberdade:
    Liberdade positiva,modelo antigo e vigente , restringe aquilo que não pode ser e sugere um pode de escolha sobre aceitar ou não suas regras,mas torna inviável a negação das mesmas.
    Com a premissa de liberdade para todos a URSS e a Revolução francesa, utilizou da força bruta para impor uma vida mais
    satisfatória para o mundo se tornando extremamente contraditória,Berlin diz que o problema nessa método arcaico esta no fato que para essa liberdade existe um ideal final para a sociedade, e com esse paraíso em mente, para seus idealizadores , qualquer um e qualquer coisa poderia ser sacrificado para alcança-lo, tendo como consequência ditaduras e massacres.
    Liberdade Negativa,modelo proposto por Berlin, onde o eu seria livre tendo a real escolha de ser ou não ser aquilo que desejar,mantendo um estado minimo para evitar o caos e aceitando a pluralidade do individuo
    Berlim,porem, ressalta que deve se tomar cuidado e não confundir a liberdade negativa como um o modelo perfeito e regressar a ideais da liberdade positiva e forçando a liberdade.

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  35. Berlin começa seu texto ressaltando a importância das ideias, seu poder e perigo. Acredita que para entender movimentos e conflitos é necessário, antes de tudo, entender as ideias das pessoas envolvidas neles.
    "Coagir um homem é privá-lo da liberdade – liberdade de que?" A palavra liberdade tem diversos significados, e Berlin nesse texto analisa dois desses sentidos, sentidos centrais. O primeiro é chamado 'liberdade negativa' e responde à pergunta: "Qual é a área em que o sujeito – uma pessoa ou um grupo de pessoas – é ou deve ser deixado para fazer ou ser o que ele é capaz de fazer ou ser sem interferência de outras pessoas?". O segundo, 'liberdade positiva' diz respeito à pergunta: "Qual ou quem é a referência de controle e interferência que pode determinar alguém a fazer ou ser isso ao invés daquilo?".
    Quando outros me impedem de fazer algo, que faria caso contrário, então neste grau fico sem liberdade, dessa maneira sou coagido. A coação implica na interferência de liberdade de outros seres humanos sobre meus atos. Quando não atinjo meus objetivos devido à intervenção alheia, mas devido as minhas próprias incapacidades, então não posso dizer que sou coagido, escravizado, ou que não sou livre. Mas, se, por exemplo, sou tão pobre que não tenho acesso aos bens, como pão, uma viagem ao redor do mundo, sou neste sentido tão livre para ter estas coisas como se elas me fossem proibidas por lei. Minha pobreza não é uma doença, não é uma inabilidade natural, se fosse não seria descrita como falta de liberdade, muito menos de liberdade política. Mas, na medida em que creio que minha incapacidade de ter tal coisa é devido ao fato de que outro ser humano, tomou providencias, para que seja, e outros não, impedido de comprar tal coisa, nesse sentido, sou vitima de escravidão ou coação. O uso do termo depende numa teoria particular social e econômica sobre as causas de minha pobreza. "É verdade que para oferecer direitos políticos, ou proteção contra a intervenção do Estado, para homens meio-vestidos, iletrados, desnutridos ou doentes é uma zombaria de sua condição; eles precisam de ajuda médica ou educação antes que possam entender, ou fazer uso de um aumento em suas liberdades. O que é liberdade para aqueles que não podem utilizá-la? Sem condições adequadas para o uso de liberdade, qual o valor dela?" A liberdade negativa, que não nega.
    "O sentido positivo da palavra liberdade deriva do desejo da parte do individuo de ser seu próprio mestre. Desejo que minha vida e minhas decisões dependam de mim, não de forças externas de forma nenhuma. Desejo ser meu próprio instrumento, não dos atos ou vontades dos outros homens. Desejo ser sujeito, não objeto; ser movido por razões, por propósitos conscientes, que são meus, não por causas que me afetem de fora. Desejo ser alguém, não ninguém; um fazedor – decidindo, não sendo decidido para – auto dirigido e não influenciado por natureza externa ou por outros homens como seu eu fosse uma coisa, ou um animal, ou um escravo incapaz de atuar num papel de humano, isto é, de conceber metas e políticas próprias minhas e realizá-las."


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  36. (Cont...) Benjamin Constant, diz Berlin, ressaltou que a transferência por uma autoridade crescente e ilimitada, comumente chamada soberania, a partir de um conjunto de mãos para outro não aumenta a liberdade, mas apenas, desloca o peso da escravidão. Ele perguntou razoavelmente por que os homens deveriam se importar profundamente se são esmagados pelo governo popular ou por um monarca, ou mesmo por um conjunto de leis opressoras. Ele viu que o principal problema para aqueles que desejam a liberdade ‘negativa’, individual, é não quem exerce a autoridade, mas quanto de autoridade deve ser colocada em um conjunto de mãos. Pois, autoridade ilimitada ao alcance de qualquer um estava determinada, ele acreditava, a mais cedo ou mais tarde, destruir alguém. “Se eu dou meu consentimento para ser oprimido, ou aquiescer em minha condição com distanciamento ou ironia, sou menos oprimido? Se vendo a mim mesmo como escravo, sou menos escravo? Se cometo suicídio, estou menos morto por ter tirado minha vida livremente? ‘Governo popular é meramente uma tirania espasmódica, a monarquia é mais um despotismo centralizado’.”
    Berlin, acredita que o pluralismo “com a medida de liberdade ‘negativa’ que implica, parece mais verdadeiro e mais humano que os objetivos daqueles que procuram maior disciplina, estruturas autoritárias do ideal do autodomínio ‘positivo’ por classes, povos, ou por toda a humanidade.” Acredita que o pluralismo é mais verdadeiro, pois assume que os objetivos humanos são muitos e nem todos são conciliáveis, que alguns estarão em eterna rivalidade. “É mais humano por que não priva (como os construtores do sistema fazem) os homens, em nome de algum ideal remoto, incoerente, que muitos deles acharam indispensável para suas vidas como autotransformadores, seres humanos imprevisíveis.”

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  37. Acredito que basear-se nos conceitos de “liberdade positiva”, “liberdade negativa” e “pluralismo” de Berlin seja mais plausível para explicar o posicionamento político de indivíduo quanto a escolha de um partido do que para classificar o partido como de direita ou esquerda. Apesar do conceito de “liberdade negativa” implicar uma diminuição da intervenção do estado, entendo que algumas ações interventivas são necessárias justamente para assegurar a liberdade e a autonomia. Essa conclusão esbarra no problema da definição da moral universal e seus possíveis erros de interpretação, mas assim como citou o professor Wanderley Reis, seria suficiente para evitar uma sociedade hobbesiana.

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  38. Em “Dois conceitos de liberdade”, Isaiah Berlin desenvolve sua teoria baseada em duas concepções de liberdade, a positiva e a negativa. A priori, Berlin define importantes pontos que compõem sua teoria, como a liberdade política, que estava relacionada à área em que os homens podem agir sem a interferência de outrem e a falta desta implica ser impedido de realizar um objetivo devido outro homem (explicando a noção da teoria da liberdade negativa). Dessa forma, ser livre é não sofrer interferência de outros, de forma que quanto maior for a área de não interferência maior será a liberdade. A área, entretanto não poderia ser ilimitada, pois levaria a um possível caos social, assim tal área deveria ser limitada pela lei.

    Um sistema seria considerado injusto e imoral caso a liberdade de um indivíduo ou de uma classe dependesse da miséria de outros homens. Muitos filósofos são abordados na obra de Berlin, como Locke, Adam Smith, Mill e Hobbes, que estabelecem as relações entre a liberdade e o papel do Estado. Teorias como a de Locke e Smith que tem uma visão otimista da natureza do homem preveem que o Estado ou qualquer forma de autoridade não poderiam ultrapassar certos limites da vida dos homens.

    A concepção de liberdade positiva vem com a afirmação do desejo do homem em ter consciência de si mesmo como um ser pensador, que tenha responsabilidade por suas escolhas, ideias e propósitos. Baseado no fato de que a essência dos homens é o de seres autônomos, a pior coisa seria então tratá-los como se não fossem autônomos; o indivíduo livre de Kant é um ser transcendente, dotado de razão sendo dessa forma governado somente pela razão, logo o único modo de alcançar a liberdade seria através do uso da razão crítica. Berlin define que a liberdade para ele seria ter a habilidade de fazer o que desejasse, entretanto os homens se vêm diante de diversos obstáculos. Os homens são vistos como seres escravizados por instituições, crenças e neuroses que podem ser removidas através de análises e entendimento.

    O Estado Racional seria aquele governado por leis na qual todos os homens aceitariam livremente, por outro lado Benthan afirmava que a lei não libertava, mas seria uma infração da liberdade. Afirma-se que nenhuma sociedade é livre ao menos que seja governada por dois princípios: 1)nenhum poder pode ser considerado absoluto e 2)haja fronteiras, na qual o homem deve ser inviolável, assim a liberdade de uma sociedade ou grupo é medida pela força dessas barreiras e a importância dos caminhos que se mantém abertos para seus membros.

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  39. Berlim trata a liberdade de duas formas distintas: a liberdade positiva e a negativa. Na liberdade positiva existe um Estado que serve para garantir a liberdade dos indivíduos e faz isso justamento coibindo a liberdade estrema, ou seja embora os indivíduos sejam livres, eles não podem fazer todas as suas vontades sob pena de sofrer sanções do Estado
    Na liberdade negativa cada individuo vive em plenamente livre podendo realizar todos os seu desejos sem medo de sofrer nenhuma represália por parte do Estado, mesmo porque na liberdade negativa o Estado sequer existe. Para Berlim esse é o tipo Ideal de liberdade, pois todos os indivíduos poderiam gozar de liberdade plena.
    Embora Berlim pense que a liberdade negativa seja a ideal, ele enxerga nela uma grave problema, pois sem um Estado que limite a liberdade os indivíduos eles fariam suas vontades sem se preocupar se isso iria afetar a vida dos outros, o que levaria a uma escalada de violência com os mais fortes se agrupando e oprimindo os mais fracos. Esse fenômeno aconteceria ate o surgimento de um Estado para limitar a liberdade.

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  40. Isaiah Berlin se propôs a discutir o tema liberdade, e sua contribuição foi demasiada importante para o tema, marcando toda a discussão posterior, uma vez que levanta a questão de dois tipos de liberdade. O autor inicia seu texto discorrendo a respeito do forte poder das ideias, de como estas podem afetar a realidade e transformá-la, mas que para tanto elas precisam ser bem desenvolvidas e propostas de forma a convencer. Feitas desta forma, tem o poder de mudar a realidade e transformar situações presentes.

    Dito isto, Berlin começa a analisar os dois tipos de liberdade existentes, segundo ele: a liberdade positiva e a liberdade negativa. A liberdade positiva, a mais antiga e difundida, é aquela em que a liberdade é limitada pelos poderes aos quais o sujeito se submete - instituições de poder, como o Estado e a Igreja - de boa vontade. Em tal situação, o sujeito tem a liberdade de fazer tudo aquilo que deseja, desde que esteja dentro do contexto oferecido por estas instituições. Ao ultrapassar algum limite estabelecido, ele é punido com sanções já reguladas anteriormente. Ou seja, não é possível adotar um estilo de vida conflitante com o estabelecido pela constituição, sem receber punições. Porém, uma vez que os sujeitos optaram por aceitar tal liberdade, situações de punição seriam raramente suscetíveis. Para Berlim, essa liberdade limita totalmente o homem, e cria mais do mesmo: as pessoas acabam se tornando parecidas demais umas com as outras, uma vez que não são permitidas vontades individuais que contrariem o sistema. Já a liberdade negativa propõe que cada um tome suas próprias decisões no tocante a sua vida, sendo livre para escolher a que melhor lhe aprouver. Dessa forma, estabelece que o homem não precisa de instituições para decidir o que melhor lhe cabe fazer ou ser, ele pode decidir isso por si mesmo. Para adotar tal concepção de liberdade é preciso ter uma visão pluralista e racional, que englobe mais estilos de vida e que permitem que essas decisões individuais sejam tomadas, desde que não interfiram na liberdade de terceiros.

    Berlin, entretanto, não mostra uma forma prática de estabelecermos uma “liberdade mais livre”. Ele manteve sua teoria no tocante das ideias, mas propicia uma discussão posterior que talvez possa levar a uma aplicação prática.

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  41. Isaiah Berlin viveu no contexto histórico da Guerra Fria. Para elaborar sua teoria,ele levou em consideração a dinâmica histórica desse período.
    O conceito de Liberdade é vasto, podendo assumir várias interpretações, porém do ponto de vista político apresenta dois sentidos principais elaborados por Berlin. Ele classifica-os como Liberdade Negativa e Positiva.
    A Liberdade Negativa é atual, pluralista e se baseia no “self”, assumindo caráter individual. Pode resumida pela pergunta "Qual é a área em que um indivíduo só ou em grupo, se encontra ou deveria estar livre da interferência dos outros?" Quanto maior for a área em que o indivíduo pode atuar sem interferência dos outros e pode-se comportar de maneira livre sem sofrer qualquer tipo de escravidão seja ela social, emocional ou econômica, maior será a sua liberdade. Berlin defende em sua tese justamente a não delimitação dessa área de atuação do indivíduo. A tal “área” que é delimitada para os indivíduos que é a grande questão, já que a partir do momento que ela já existe se assume que a liberdade possui um limite. Analisando por esse ângulo é possível nos levar a pensar que Berlin queria um sistema “sem regras”, mas não era bem isso, ele queria apenas que o sistema abrangesse o maior número possível de modos de vida.
    A “Liberdade Positiva”, também chamada de “Liberdade dos antigos" é restritiva e exclusiva. Se encontra não no sentido primário da liberdade, mas quando colocamos em questão quem é que me governa, quem pode delimitar a tal “área de liberdade em que posso atuar? Nesse ponto ele identifica este tipo como o tipo de Liberdade imposto pela União Soviética (Estrutura autoritária). Para que o conceito de “Liberdade Negativa” defendido por Berlin como ideal seja devidamente mantido é necessário cuidado no sentido de evitar processos que causem revolta e que convergir na “Liberdade Positiva” e em sistemas autoritários e/ou à desordem.
    Em relação a Política Liberal, é necessário haver uma dinâmica em relação a intervenção do Estado e a importância dado aos valores de um determinado indivíduo ou grupo de indivíduos. A liberdade nem sempre é o principal valor, muitos abrem mão da mesma para obter outros valores. Muitas vezes alguns abrem mão da liberdade para obter felicidade, justiça e segurança. Por isso, quando há uma garantia de condições básicas para depois ser elaborado o conceito de liberdade se faz um sistema mais coerente.

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  42. Farei meu comentário com base no resumo do texto "Quatro Ensaios Sobre a Liberdade" disponibilizado pelo professor no link www.institutoliberal.org.br/conteudo/download.asp?cdc=905. Berlin começa considerando dois modos distintos de enxergar a natureza humana: a primeira supõe que o homem é bom, mas é corrompido pelas instituições, as quais barram o progresso da sociedade; e a segunda, é a de que o homem não é nem suficientemente bom e nem suficientemente livre para agir por si só, portanto necessita da ajuda das instituições para guiá-lo.
    Ambas as concepções, no entanto, concordam em um ponto. O de que a inteligência é necessária para analisar e diagnosticar problemas, embora os socialistas, ao contrário dos liberais, acreditem que a racionalidade não é suficiente sem que haja mudança prática. Para Berlin, a evolução destes dois modos de pensar resultou em duas linhas extremas de pensamento: o comunismo e o fascismo. Diante disto, alguns revolucionários passaram a acreditar que na mudança para uma sociedade livre e justa, a violência e a coerção são válidas e necessárias. Os indivíduos, regidos por esta linha de pensamento, por muitas vezes aceitaram a ideia no intuito de manter o status quo.
    No trecho do texto, entitulado "Inevitabilidade Histórica", o autor discorre acerca das diferentes concepções de História propostas por diversos teóricos, entre eles Marx, Hegel, Spengler e Bossuet. Considerando as concepções que supõem o correr da história como um movimento sujeito à uma força natural superior, ou por assim dizer, as concepções adeptas do determinismo, fica a ideia de que a liberdade do homem é ilusória, assim, os sentimentos de culpa e responsabilidades são vazios.
    Partindo daí, Berlin passa a tratar não dos diversos significados da palavra liberdade, mas sim de seus dois principais sentidos - de liberdade negativa e de liberdade positiva. A liberdade negativa é corresponde a liberdade política. Nela, quanto menor as restrições impostas as minhas vontades, mais livre eu sou. É interessante observar que esta restrição pode ocorrer tanto por uma proibição quanto por uma impossibilidade, uma condição natural - uma pessoa que se vê impedida de comprar uma bicicleta por não possuir dinheiro suficiente está tão isenta de liberdade quanto alguém que é impedido de ir a São Paulo de carro por conta do rodízio, por exemplo.
    Os adeptos da liberdade negativa, consideram a liberdade positiva uma fonte de opressão e tirania. Isto decorre da ideia de que quem busca a liberdade positiva, busca um autogoverno, ou seja, busca ser parte dos mecanismos que dizem o que devemos ou não fazer e age sob o desejo de não ser impedido de realizar as próprias escolhas.
    Diante disto, o autor discute alguns conceitos que aplicados a realidade revelariam a verdadeira face da liberdade positiva. Esta teria nascido da ideia de ego. Cada indivíduo teria um ego superior (racional) e um ego inferior (vontades irracionais). Agir de acordo com seu ego superior é ter liberdade. No entanto, ideologias e grupos sociais como tribos, religiões e etc., também possuem um ego superior. Já que teoricamente os indivíduos possuem a liberdade de escolher o seu próprio ego superior, estes são facilmente persuadidos de que o ego superior das ideologias e grupos sociais é o mesmo que o seu próprio. Assim, Berlin conclui que a liberdade positiva leva a tirania e opressão e ele ainda acrescenta que "Pode-se manipular as definições de indivíduo e de liberdade com o objetivo de que signifique o que o manipulador deseja".

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  43. Em "Quatro Ensaios da Liberdade", Berlin assume que o apelo à racionalidade seria a solução para os problemas individuais. Essas soluções, já que são racionais, não podem conflitar entre si, para prevalecer a pura verdade.
    É citado dois tipos de liberdade, a negativa como a liberdade antes da lei, da consciência de autonomia do indivíduo, de sua procura pela autodeterminação. A liberdade negativa é dita quando cada um é livre para decidir o seu destino da maneira que lhe convier, assim como a sua vida, escolher de acordo com seus sonhos e vontades. A liberdade positiva seria a quela moldada por leis, é mais restringida,e quem se adequaria à ela seria o indivpiduo que se enquadrasse na moldura daquela sociedade.

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  44. Em seus quatro ensaios sobre a liberdade, Berlin problematiza a questão da liberdade. Para melhor entender este conceito, ele divide-a em duas: liberdade positiva e liberdade negativa. A primeira, consiste na liberdade de praticar determinadas condutas estipuladas pelas leis/normas; enquanto que a segunda consiste na liberdade de ação fundada na ausência de normas que delimitem o que se pode ou não pode fazer.
    Além desta visão sobre a liberdade, Berlin discorre sobre o pluralismo da sociedade. Há diferenças de valores entre os indivíduos que compõe a sociedade, pois há indivíduos com diferentes etnias, preferências políticas, religiões, classes sociais, etc. Tal pluralidade faz com que Berlin encare a liberdade como algo que possibilite a realização de todos estes diferentes indivíduos, sem uniformizá-los, mas mantendo-se tais diferenças. E, para tal, a liberdade negativa parece ser a forma que mais "respeita" tais diferenças.

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  45. Depois de analisarmos todo o contexto histórico que Berlim viveu, podemos chegar nos dois conceitos de liberdade que o autor aborda durante o texto. De um lado, temos a liberdade negativa que em termos políticos, o ideal da liberdade negativa supõe a existência de um Estado limitado, que respeita a esfera privada das decisões pessoais, e cujo principal objetivo é garantir que a liberdade de uns não interfira na liberdade de outros.Mas, a liberdade negativa não pode garantir, por si só, que outros valores ou objetivos estimáveis sejam simultaneamente alcançados. Pessoas igualmente livres perante a lei podem ter entre si profundas desigualdades materiais ou economicas. E um Estado pequeno e limitado, que respeite a liberdade negativa dos cidadãos, abstém-se de legislar sobre muitos domínios que algumas pessoas, por vezes a maioria, poderiam preferir que fossem objeto de legislação.
    Já de outro lado temos a liberdade positiva, que consiste em dizer que o conceito negativo não basta. A liberdade não pode ser apenas ausência de coerção. Tem de ser também capacidade para tornar efetiva a escolha que a liberdade negativa permite fazer.De que serve, a liberdade (negativa) de ter opiniões, se as opiniões da maioria não puderem ser soberanas sobre as limitações impostas ao poder político pelas garantias legais individuais, exigidas pelos defensores da liberdade negativa?
    Depois de expor esses dois conceitos de liberdade Berlim fala e defende (considera o mais humano) o pluralismo pois existe obviamente pluralidade de valores, muitos deles estimáveis, muitos deles respeitáveis. Mas a total harmonia entre esses valores não é possível. Haverá choques. E terá de haver escolhas. Uma sociedade decente tentará evitar escolhas trágicas. Mas não pode reconciliar todos os valores. O compromisso entre eles implicará sempre alguma perda.
    Por isso, Berlin concluiu que "O pluralismo, com a medida de liberdade ‘negativa’ que implica, parece-me mais verdadeiro e mais humano que os objetivos daqueles que procuram maior disciplina,estruturas autoritárias do ideal do autodomínio ‘positivo’ por classes, povos, ou por toda a humanidade. É mais verdadeiro, por que ele, ao menos, reconhece o fato de que os objetivos humanos são muitos, não todos eles comensuráveis, e em rivalidade perpétua uns com os outros."

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  46. Isaiah Berlin critica o conceito de liberdade dos liberais e dos socialistas considerando-os deficientes por não incluírem a ideia de liberdade negativa.

    A Liberdade Negativa consiste na possibilidade de realizar o que se deseja sem que haja a interferência de terceiros; e o fato de existir um controle social não implica necessariamente, na coerção dos indivíduos.

    No vídeo apresentado em sala, Berlin adverte que neste conceito de liberdade não se pode tornar um conceito absoluto, e é nesse ponto que se encontra a efetivação desta liberdade.

    As tentativas de implantação da Liberdade Negativa foram frustradas porque em um dado momento passou-se a acreditar que seria justificável coagir outras pessoas em benefício das próprias, pressupondo que quem coage sabe melhor o que é bom para os outros indivíduos. E ao fazer isto, a Liberdade Negativa torna-se Positiva.

    A Liberdade Positiva por sua vez, é caracterizada por delimitar a liberdade dos indivíduos, e estes precisam se enquadrar nesses limites para que possam usufruir de sua suposta liberdade. Para Berlin, tornar uma ideia absoluta resulta inevitavelmente em um regime autoritário, pois a liberdade não é aquilo que o Estado te oferece, mas aquilo que você escolhe.

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  47. No contexto histórico da Guerra Fria, onde socialistas e liberais conflitavam, defendendo cada um a sua concepção de liberdade, Isaiah Berlin procurou distinguir em seu texto dois conceitos de liberdade. Sendo um a liberdade positiva e o outro a liberdade negativa.
    Na liberdade positiva há uma espécie de esfera que limita as liberdades dos indivíduos, que condiciona a maneira como os indivíduos devem agir. Para que os indivíduos ajam de acordo com o que está delimitado nessa esfera, é exercida uma coerção sobre eles. Isso pode ser exemplificado pelas leis, pelo Estado, que pretendem garantir que os indivíduos tenham condutas baseadas na liberdades já definidas por eles. Assim, o autor coloca que a liberdade positiva, onde os indivíduos não têm total liberdade para escolherem seus modos de vida, resulta em regimes autoritários.
    Na liberdade negativa, os indivíduos têm liberdade para serem e fazerem o que quiserem. Não há esfera que limite as suas ações. Assim, o Estado não deve interferir na liberdade dos indivíduos. Dessa forma, a liberdade negativa, na qual cada um escolhe seu modo de vida, resulta em um pluralismo, ou seja, ao invés de existir uma esfera que exclui as ações dos indivíduos, há uma esfera inclusiva que considera todos os modos de vida da melhor maneira possível.
    A questão da liberdade positiva é: "Qual ou quem é a referência de controle e interferência que pode determinar alguém a fazer ou ser isso ao invés daquilo?"
    A questão da liberdade negativa é: "Qual é a área em que o sujeito deve ser deixado para fazer ou ser o que ele é capaz de fazer ou ser sem interferência de outras pessoas?"
    Assim, podemos perceber que a questão da liberdade não é somente sobre a existência ou não da esfera que limita as ações dos indivíduos, mas sim quem faz estabelece os limites dessa esfera.

    Embora Berlin considere a liberdade negativa um caminho melhor se comparado às estruturas totalitárias, ele admite que é difícil garantir harmonia em uma sociedade plural onde se adota a liberdade negativa e todos têm suas liberdades individuais. E essa questão pode ser baseada no contexto histórico que nos mostra que nas tentativas de se implementar a liberdade negativa em algumas sociedades, foram utilizadas maneiras repressivas, o que acabou resultando em regimes autoritários. Dessa forma surge um dilema que consiste na questão de a liberdade negativa se tornar contraditória por tentar ser implementada de forma que fere o livre arbítrio dos indivíduos, o que levaria a uma liberdade positiva consequentemente.

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  48. Em “Two Concepts of Liberty”, Isaiah Berlin fez importante contribuição à filosofia política diferenciando duas maneiras de se entender a liberdade, podendo esta ser negativa ou positiva.

    A liberdade negativa seria a presente numa sociedade individualista, isto é, não existem obstáculos, barreiras, restrições ou interferências de outros para que o sujeito possa realizar suas vontades. Tal sociedade é pluralista, pois tolera os mais diferentes tipos de individualidades.

    Na liberdade positiva, existe uma ideia de coletivismo, e o sujeito tem sua liberdade garantida desde que esse viva em conforme aos limites da esfera normativa presentes naquela sociedade, podendo sofrer coação quando extrapolar os limites da esfera.

    Com a liberdade positiva, é, portanto possível que o tipo de sociedade se dirija para um regime autoritário, não se respeitando de fato as liberdades de sua população.
    A liberdade negativa parece, portanto, uma melhor maneira de se garantir uma sociedade mais livre, mas nota-se que partir desde princípio para impor este tipo de liberdade aos que não optaram por ela, é ir contra seus próprios pressupostos e caindo novamente numa forma autoritária de se entender a liberdade.

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  49. Na exposição de Berlin, vale ressaltar os conceitos de que: Liberdade negativa pode ser entendida como a não existência de uma coerção intencional por terceiros, isto é, quanto menor a interferência de terceiros na decisão dos indivíduos, mais livre ele será. Com isso, o ideal da liberdade negativa supõe a existência de um Estado limitado, que respeita a esfera privada das decisões pessoais, e cujo principal objetivo é garantir que a liberdade de uns não interfira na liberdade de outros. Entretanto a liberdade negativa não pode garantir que outros valores ou objetivos estimáveis sejam simultaneamente alcançados. Pessoas livres podem fazer decisões desconexas no que respeita às suas vidas pessoais, sendo igualmente livres perante a lei, podem ter entre si profundas desigualdades materiais ou econômicas. Com um Estado pequeno e limitado, que respeite a liberdade negativa dos cidadãos, há uma falta de legislação sobre muitos domínios que algumas pessoas, por vezes a maioria, poderiam preferir que fossem legisladas. Mas esses três problemas da Liberdade negativa são os principais fatos que levam ao outro conceito de liberdade positiva, que tem como argumento principal o fato de que o conceito negativo não é suficiente considerando que a liberdade não pode ser apenas ausência de coerção, mas também a garantia que a escolha que a liberdade negativa permite seja realizável. Sendo assim, se as opiniões da maioria não puderem ser soberanas sobre as limitações impostas ao poder político pelas garantias legais individuais, a liberdade negativa não faria sentido. E com isso, Isaiah Berlin coloca também que a possibilidade de uma pluralidade, com a ressalva de que uma harmonia é impossível.

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  50. Este comentário foi removido pelo autor.

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  51. I. Berlin Fala de dois conceitos distintos de liberdade. A liberdade positiva e a liberdade negativa.

    A Liberdade Negativa é aquela que já traz a esfera normativa (Deve-se dizer/ estabelecer o que é aceito ou não), aos indivíduos e esses devem se adequar a ela. A linha limítrofe é traçada e depois é mostrada aos indivíduos. É como uma liberdade que vem de fora para dentro. "Liberdade neste modelo, é a preocupação principal com a área de controle, e não com a sua fonte". Contudo, acreditava-se que mesmo dentro deste modelo algumas áreas/ partes de cada indivíduo deveriam permanecer livres da atmosfera de controle social. O indivíduo que negasse completamente a si, se aniquilaria. O indivíduo deve ao menos ter um mínimo da sua essência viva e não negada, para que se preserve vivo. Entretanto, este mínimo leva até hoje a uma discussão infinita.

    A Liberdade Positiva é aquela que segundo os adeptos da primeira, definem como forma de "disfarce capcioso de tirania brutal". Mas no sentido da palavra "positiva" trazem a idéia de ser o seu próprio mestre. Trata-se da liberdade que admite a pluralidade e traz a percepção de olhar para os indivíduos para daí sim traçar os seus limites/ construir a esfera normativa e não o contrário, como acontece na Liberdade Negativa. Trata-se de uma liberdade que vem de dentro para fora. O surgimento de novas pluralidades/ diversidades faz com que a linha limítrofe tenha que ser ampliada para abarcar este novo indivíduo

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  52. Após a leitura do material e participação em aula pude perceber que de certa forma tomamos o rumo errado nas discussões na classe. Direcionamos a conversa para responder à uma pergunta que Berlin não faz. Como funcionaria uma sociedade baseada na liberdade negativa? Passamos a maior parte do tempo tentando imaginar como seria uma sociedade na qual os indivíduos delimitam seus próprios limites de liberdade e achando "brechas" nesse "sisitema". Me parece que Berlin nos convida a pensar a Liberdade de outra forma, ou seja, é uma questão mais filosófica que prática, por assim dizer, é uma abordagem sobre como conceber a ideia de Liberdade ( isso foi dito em classe, mas não aprofundado) mais do que como ela é na prática, mais que alguns casos particulares e esporádicos.
    Pois bem, creio que as ideias do autor sobre Liberdade Negativa e Pluralismo são interessantes e "belas", são ideias que valorizam o indivíduo em detrimento de uma generalização dos desejos humanos. Apesar de atualmente, na sociedade em que vivo pelo menos, não conseguirmos " exercer" a Liberdade Negativa, devido ao Estado e suas leis e à mídia controladora, podemos, ao menos, "pensar" a liberdade dessa forma e difundir tais conceitos, isso já é um passo para quem sabe futuramente construirmos uma sociedade baseada numa liberdade livre e irrestrita.

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  53. Bom, nesse último texto somos apresentados a os dois conceitos de liberdade de Isaiah Berlin, que são separados em Liberdade Negativa e Liberdade Positiva.
    No texto, Berlin também levanta a possibilidade de questionar a obediência, como por exemplo, “Eu devo obedecer?”, “Porque eu deveria (ou qualquer um) deveria obedecer a alguém?”, por que nossa liberdade deve ser tão limitada? E esse limite é imposto principalmente pelas leis, que muitas vezes podem não expressar tanto a justiça e muito menos, satisfazer o sentimento de liberdade. E esse tipo de liberdade, é nomeado por Berlin como liberdade negativa.
    Já na liberdade positiva, encontramos uma situação totalmente diferente, onde podemos usar uma frase interessante para resumir “I am slave to no man”. Onde a liberdade não é regida pelas leis, mas as leis surgem dessa liberdade. Nessa liberdade, cada homem tem sua liberdade não limitada por isso, mas sim pelos limites impostos por nós mesmos, pela nossa moral, e essa liberdade é possível segundo Berlin, não é algo utópico.
    A principal idéia que Berlin tenta nos passar é de que não devemos fundamentar a liberdade de uma sociedade nas leis, mas sim, que as leis sejam criadas de liberdade já existente.

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  54. [Atrasado] Liberdade é liberdade, não é igualdade, ou equidade, ou justiça, ou cultura, ou felicidade humana, ou uma consciência tranquila". Isaiah Berlin em "Two Concepts of Liberty"

    Em sua obra ele desenvolve a Liberdade negativa e a Liberdade positiva;

    A primeira, Berlin classifica como a liberdade concedida pelos liberais clássicos, como Stuart Mill, por exemplo, e é entendida como ausência de coerção por outros, ou seja, as pessoas são consideradas mais livres quanto menos tiver uma interferência de outros nas suas decisões. Dentro da política, isto significa que pretende-se assim garantir que a liberdade uns não interfira nas de outros.

    Porem, esta concepção de liberdade, não garante que outros valores sejam alcançados e ainda implica que haja grandes desigualdades, visto que, é um Estado limitado.

    É então que Berlin desenvolve sua concepção de Liberdade positiva, onde o argumento principal é que apenas a liberdade negativa não basta; que a liberdade não pode ser simplesmente a ausência de coerção, ela tem que ser uma capacidade de efetivação da escolha que a liberdade dos antigos permite fazer.Por exemplo, do que adianta um morador de rua ter a liberdade de comprar coisas sendo que não condições básicas para conseguir dinheiro ou moradia.

    Parece então, que a liberdade em si, não é o único valor a ser desejado com veemência, ao passo que mesmo havendo muitos outros valores a serem melhor desenvolvidos, eles também não podem ser todos vinculados ou conciliados sem uma série de conflitos, perdas e governos totalitários, como vimos no documentário exposto por um dos grupos formados em sala de aula.

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  55. [Atrasado]O autor discorre sobre a liberdade em delimitação de sua amplitude e abrangência, fazendo a distinção em “Sentido positivo” para quem deve servir de referência de certo ou errado ou comandar, mandar e decidir bem como punir estes que não seguem o padrão aceito. O conceito negativo por sua vez refere-se a qual área as pessoas são livres para fazerem o que querem, para manterem sua preferência de modo de vida sem a interferência de outrem, este desde que não seja prejudicial aos outros.
    Temos em nossa sociedade a supervalorização do conceito de ser livre e que esse é um direito intocável e um bem de extrema importância como a vida. Quando crianças, desejamos ser livres e podermos fazer o que desejamos. Crescemos com os dizeres de que quando ficarmos maiores de idade poderemos fazer o que bem desejarmos. É ai que aparecem os entraves como fator dinheiro, tempo, locomoção, etc. Liberdade para se fazer existe, o que falta são condições para tal. Desta forma, pode-se falar em perda de liberdade individual por parte da sociedade, que devido seu frenesi nos impõem um modo de vida que exclui os demais. Porém, é inegável que são dadas duas vertentes: Adequar-se ao modo proposto ou arcar com as conseqüências, e essas variam em morrer de fome, ser excluído, julgado, etc, etc.
    Em sã consciência, acredita-se que ninguém preferia ficar preso a ter que pagar uma pensão ou trabalhar por exemplo. Em determinados casos, porém, há pessoas que preferem ficar presas, a morarem na rua ou morrerem de fome, uma vez que há alimentação, banho e um teto para dormir. A família do preso ainda recebe um auxílio financeiro enquanto o “Chefe da família” estiver preso, claro que sob algumas condições, entretanto de forma geral, chega a ser vantajoso estar recluso da sociedade e se abster da liberdade do que possuí-la e não poder viver.
    No decorrer do texto, o autor faz citação à perda de liberdade em nome da felicidade dos demais. É um tópico que propõem uma discussão reflexiva, uma vez que, até que ponto é moral ou justo que abramos mão de nossa liberdade para que outrem seja feliz? Bem, se pensarmos no âmbito familiar, temos isso frequentemente, uma vez que a partir do momento em que a mãe resolve ter o bebê, esta abre mão de sua liberdade para gerar outrem e pelo menos nos próximos 5 a 6 anos não poderá ser livre, pois possui responsabilidades para com a crianças. Na verdade, trata-se de uma perda de liberdade que dura até o fim da vida, ou até que a criança cresça e comece a ter sua própria vida, ganhando sua liberdade e a concedendo aos pais. Neste caso, os pais possuem o direito positivo de intervir e delimitar a liberdade dos filhos, estes por sua vez são livres para fazerem o que bem desejarem desde que não transgridam as regras pré-estabelecidas, e o direito negativo estaria ligado à área de abrangência destes mandamentos, por exemplo dentro do quarto do filho ninguém manda, apenas o indivíduo quem ali “reside”. A perda de liberdade então sai do âmbito familiar e vai para o social. Na escola, não pode-se sair a hora que se deseja, ou comer na hora em que há fome ou dormir quando há sono. É obrigado que se respeite as leis e que instintos aprendam a ser controlados e mais uma vez uma perda significativa da liberdade individual. Desde cedo somos condicionados a obedecermos e fazermos o que nos mandam. E nos ensinam que muito se lutou para garantirmos o direito de sermos livres, que houveram muitas lutas e guerras para a conquista deste. Porém, se por um lado nos incitam para sermos ativos e lutarmos, nos coagem e nos reprimem a obedecer e abrirmos mão em prol dos outros.

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  56. [continuação]Ficar discutindo a cerca das delimitações do que é liberdade, bem como sua abrangência e implicações sempre terá uma resposta diferente para cada ótica adotada, assim como a maior parte das discussões filosóficas e da vida. Não havendo uma certeza absoluta para nada nem apenas uma resposta certa, podemos conceber que a concepção de liberdade é válida e plausível, porém sua aplicação passa por diversos entraves e interpretações, tanto sociais, temporais, culturais e por aí vai. Vivemos em um mundo em que é impossível não haver interferência nos modos de viver, mesmo para aquelas longínquas civilizações, estas são influenciadas nem que seja pela natureza, não são impedidas de realizar seus desejos, mas as conseqüências implícitas são tão fortes que inviabilizam e coagem estes modos.
    A discussão pode ainda atravessar fronteiras e recair sobre o próprio destino, será que somos mesmo livres para tomarmos nossas decisões ou estas são previamente delimitadas e apenas somos fantoches ? Se a resposta for afirmativa, de nada vale liberdade de escolha, que não deixa de ser um tipo de liberdade e de modo de vida, de nada adianta lutarmos por termos direito a votar ou escolher em quem votar se estivermos condicionados a termos a vida que nos foi proposta. Talvez, a liberdade seja uma ilusão tão bem implantada que nos faz acreditar em sua existência com toda a veemência. Porém estes não são temas abordados por Berlin, por hora, restrinjamo-nos a refletir sobre a importância e os direitos condicionados à tão falada LIBERDADE.

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  57. COMENTÁRIO ATRASADO

    Segue abaixo, desculpem-me pelo atraso

    Quando Isaiah Berlin discute o conceito “Liberdade Negativa”, coloca, de maneira simples, que incorporar esse conceito de Liberdade, significa incorporar um mundo onde um homem pode agir de maneira desimpedida, sem obstrução de outrem. No entanto, Berlin também deixa claro que a concepção de que um indivíduo sofre alguma coerção, é uma concepção muito subjetiva, que depende da aceitabilidade que algum sujeito tenha frente algumas teorias. A teoria da opressão é a teoria colocada pelo autor, onde a “dimensão” das áreas de interferência, são inversamente proporcionais ao grau de liberdade alcançado.
    Então, é dado prosseguimento sobre a tal discussão de liberdade, onde, num mundo de liberdades absolutas e ilimitadas, de acordo com alguns filósofos ingleses, a interferência dum homem nos modos de vida de outro homem, é algo inevitável. Ao mesmo tempo, também é alegado que alguns libertários, expõem que há um grau de liberdade que não deve ser ultrapassado, pois, quando ultrapassado, é ainda mais difícil estabelecer-se limites entre a autoridade pública e vida privada.
    É também proposto pelo autor, uma segregação das ideias de equidade, igualdade, felicidade, etc, da ideia de liberdade. Um indivíduo pode abandonar um contexto de equidade, em prol de sua concepção subjetiva de liberdade e vice-versa. Ainda sobre esse debate de “confusão de conceitos”, Isaiah cita John Stuart Mill, e, o que acredita ser uma confusão de “consequências” gerada por Mill, no sentido que Isaiah alega que Mill propõe que apenas uma sociedade que tem seus “graus de liberdade” assegurados, pode dar vazão aos ápices intelectuais. Isaiah, se socorrendo da obra de James Stephen ( “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”), aponta que não há exatamente uma relação “empírica” entre graus de liberdade e ápices intelectuais.
    Então, Berlin encerra a introdução sobre Liberdade Negativa, propondo ainda que, não importa a forma de governo ou auto-governo que seja vigente, a discussão de Liberdade, nada tem a ver com a pergunta “Quem me governa”, mas sim, com a pergunta “Quão longe o governo interfere comigo?”.
    Logo após, Berlin inicia a discussão sobre “Liberdade Positiva”, propondo que essa tal Liberdade, consiste naquela em que o indivíduo é mestre de si mesmo e não é impedido de escolhas ou fazeres. Ainda sobre essa definição, o autor questiona se é realmente possível deixar de ser escravo de um sistema construído por homens e deixar de ser escravo de sua própria natureza – e se é que isso reflete algum tipo de escravidão.
    Há alguma maneira de modular a escolha de um indivíduo sem necessariamente usar de coação do indivíduo? Talvez exista. Berlin propõe que há uma grande diferença entre dizer que um determinado comportamento fará com que a vida de um sujeito seja melhor e, então, coagir o sujeito a realizar o tal comportamento e expôr uma alternativa comportamental para um indivíduo e deixar que o próprio indivíduo decida o que deve ser feito.
    Além de todos esses entraves comportamentais em busca de Liberdade, há ainda a seguinte proposição do autor: se realmente existem os conceitos de liberdade positiva e negativa, adotar a Liberdade Positiva, como um conceito absoluto, destrói a ideia de Liberdade Positiva e a transforma em Liberdade Negativa – o cenário que historicamente vêm se repetindo.

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  58. Pluralismo, liberdade positiva e liberdade negativa formam o tripé que sustenta a teoria de Isaiah Berlin. Pluralismo consiste na ideia de que cada sociedade possui características particulares que devem ser respeitadas, uma obra filosófica por exemplo é construída com base na sociedade em que seu autor vive e é influenciada pelas particularidades desta sociedade.

    Berlin afirma que o conceito de liberdade é muito ambíguo, ele pode possuir diversos significados, porém o autor apenas se propõe a descrever dois desses significados, o que é chamado de liberdade positiva e de liberdade negativa, que ele considera os dois principais.

    A liberdade negativa consiste na ideia de que cada um pode agir sem a interferência de ninguém, o indivíduo tem a liberdade de se autogovernar. Dentro deste conceito não existes meios coercitivos de determinar um modo de agir, acredito que este conceito se encaixa bem dentro do liberalismo.

    A liberdade positiva consiste na ideia de que é necessária uma intervenção do Estado, o indivíduo pode até ser autônomo mas para isso é necessário uma ação o Estado que permita o indivíduo a exercê-la. Vejo que este conceito se legitima a centralização do poder no Estado.

    Portanto Berlin trabalha com dois diferentes conceitos de liberdade, o positivo e o negativo. Não são conceitos de fácil compreensão, confesso que ainda estou confuso com os dois conceitos.

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  59. A leitura da obra de Berlim e seus questionamentos acerca de liberdade até mesmo de liberdade de escolha, livre de influencias da sociedade me fizeram questionar a minha própria concepção que eu tinha de liberdade.
    Pois o que eu conceituo como liberdade é resultado de que ouvi, li e vi e são em grande parte fatores externos, e que vindos de outras pessoas, não são livres como poderia ser, livres de influencia. Não exerço nesse conceito de liberdade tudo o que eu poderia. Porque ela não é fruto de mim, de todas as possibilidades de que eu, apenas eu movida pelos meus desejos e anseios cogito. Agora imagino a liberdade como algo quase que inatingível porque a imagino Pura. E inseridos na sociedade e tão moldados a normas e certos códigos de condutas que as vezes explícitos outros não, me indago como eu pensaria a liberdade, o que seria ser livre pra mim, sem esses fatores? Esses fatores externos podem ser as roupas, os cortes de cabelos, os impostos, qualquer coisa que não tenha sido “idéia minha”. Nós para a harmonia da sociedade estamos sendo na busca desse cumprimento e adaptação do que é proposto ou imposto. Está aqui aproximadamente, o que é para Berlim a Liberdade Positiva.

    A Liberdade Negativa é a liberdade pura, puramente você, sem influencias e intervenções do estado, de amigos, de família, da economia, da política, do mercado. A liberdade pode ser o que você quiser. Mas me questiono sobre sua validade e sua possibilidade. Ela pode ser real? Caso sim, ela é desejada? E se nessa liberdade os instintos humanos mais cruéis se revelassem e um possível caos se instalaria? Estou disposta a colocar minha segurança em risco para experimentar ser eu mesma, ao máximo, ao mesmo tempo em que muitas outras pessoas estariam vivendo a mesma experiência? E Se eu estiver e ela for real, vou precisar vestir o véu da ignorância de Rawls (RS) para poder ter o meu conceito de liberdade. E assim vive-la. Mas apesar de que eu duvide fortemente da Liberdade Negativa, é um convite delicioso a reflexão. O que você seria, ou o que seria ser livre, se ninguém tivesse te contado o que estar preso?

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  60. Berlim parte de dois conceitos que se deve levar em conta: liberdade positiva e liberdade negativa. Primeiramente, o contexto histórico dado para o raciocínio de Berlim é de extrema relevância. Dessa forma, a Guerra Fria era vista como uma disputa entre as ideias de liberais e socialistas. As duas linhas de pensamento, à priori, defendiam "liberdade". Berlim analisa a situação e concluía que o conceito de liberdade para estas duas correntes era muito fraco e não abrangia o conceito ideal. Assim, ela formulou o conceito de liberdade positiva e negativa.

    A positiva funciona como algo limitado por leis. Portanto o indivíduo é considerado "livre" desde que esteja dentro do limite destas leis (basta pensar em uma esfera, ele é livre dentro dela). Assim esta concepção de liberdade positiva, como pode-se notar, é bastante limitativa, e o indivíduo não atinge sua "plena liberdade", pois os indivíduos devem adaptar-se dentro da esfera dada. Dessa forma, no contexto histórico, a liberdade positiva seria uma parecida com a adotada na União Soviética.

    Já a liberdade negativa é dada na inclusão, em que os indivíduos são donos de sua própria concepção de liberdade, ou seja, eles são aptos a adotar seus próprios caminhos e fazer de acordo com suas tomadas de decisões. Assim, a esfera não "existe", já que não há limites para tal.

    Assim a liberdade parte para uma sociedade pluralista, em que todos os modos de vida de são aceitos, a variedade não é dada de forma a afetar outros. Portanto, tem-se uma estrutura mais "inclusiva".

    Como poderia aplicar a liberdade negativa, já que ela parece a ser a mais "correta" (na teoria) e ainda assim bastante complexa na prática? Novamente, em termos históricos, ela foi feita de diversas formas e com tentativas fracassadas, resultando em uma liberdade positiva, cuja limitações e imposições são vistas de forma aliada.

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  61. [Atrasado] Berlin discute dois tipos de liberdade, a positiva e a negativa.
    No primeiro tipo (positiva), Berlin diz que é a liberdade a que estamos acostumados, onde existem várias opções de modo de vida e podemos escolher entre eles, porém não devemos sair do padrão. É como o exemplo que o professor deu na aula, as opções estão dentro de uma bolha, quando uma tendência que não é comum nessa bolha começa a ser recorrente, o raio da bolha aumenta para que essa tendência seja absorvida pelos modos de vida aceitaveis.
    No segundo tipo (negativa), Berlin diz que é uma liberdade em que você pode, de fato, fazer o que quiser, independente dos modos de vida das outras pessoas.

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  62. AQUI INICIAM OS COMENTÁRIOS DOS ALUNOS MATRICULADOS EM 2013.

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  63. TWO CONCEPTS OF LIBERTY

    ISAIAH BERLIN – (1909-1992)

    I propose to examine no more than two of these senses - but they are central ones, with a great deal of human history behind them, and, I dare say, still to come. The first of these political senses of freedom or liberty (I shall use both words to mean the same), which (following much precedent) I shall call the 'negative' sense, is involved in the answer to the question 'What is the area within which the subject - a person or group of persons - is or should be left to do or be what he is able to do or be, without interference by other persons?' The second, which I shall call the 'positive' sense, is involved in the answer to the question 'What, or who, is the source of control or interference that can determine someone to do, or be, this rather than that?' The two questions are clearly different, even though the answers to them may overlap.


    NEGATIVE LIBERTY:

    It is only because I believe that my inability to get a given thing is due to the fact that other human beings have made arrangements whereby I am, whereas others are not, prevented from having enough money with which to pay for it, that I think myself a victim of coercion or slavery.


    The criterion of oppression is the part that I believe to be played by other human beings, directly or indirectly, with or without the intention of doing so, in frustrating my wishes. By being free in this sense I mean not being interfered with by others. The wider the area of non-interference the wider my freedom.

    But equally it is assumed, especially by such libertarians as Locke and Mill in
    England, and Constant and Tocqueville in France, that there ought to exist a certain minimum area of personal freedom which must on no account be violated; for if it is overstepped, the individual will find himself in an area too narrow for even that minimum development of his natural faculties which alone makes it possible to pursue, and even to conceive, the various ends which men hold good or right or sacred.

    to be continued

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  64. POSITIVE LIBERTY:

    The 'positive' sense of the word 'liberty' derives from the wish on the part of the individual to be his own master. I wish my life and decisions to depend on myself, not on external forces of whatever kind. I wish to be the instrument of my own, not of other men's, acts of will. I wish to be a subject, not an object; to be moved by reasons, by conscious purposes, which are my own, not by
    causes which affect me, as it were, from outside. I wish to be somebody, not nobody; a doer - deciding, not being decided for, self-directed and not acted upon by external nature or by other men as if I were a thing, or an animal, or a slave incapable of playing a human role, that is, of conceiving goals and policies of my own and realising them. This is at least part of what I mean when I say that I am rational, and that it is my reason that distinguishes me as a human being from the rest of the world. I wish, above all, to be conscious of myself as a thinking, willing, active being, bearing responsibility for my choices and able to explain them by reference to my own ideas and purposes. I feel free to the degree that I believe this to be true, and enslaved to the degree that I am made to realise that it is not.

    The consequences of distinguishing between two selves will become even clearer if one considers the two major forms which the desire to be self-directed - directed by one's 'true' self – has historically taken: the first, that of self-abnegation in order to attain independence; the second, that of self-realisation, or total self-identification with a specific principle or ideal in order to attain the
    selfsame end.

    One belief, more than any other, is responsible for the slaughter of individuals on the altars of the great historical ideals - justice or progress or the happiness of future generations, or the sacred mission or emancipation of a nation or race or class, or even liberty itself, which demands the sacrifice of individuals for the freedom of society. This is the belief that somewhere, in the past or in the future, in divine revelation or in the mind of an individual thinker, in the pronouncements of history or science, or in the simple heart of an uncorrupted good man, there is a final solution.


    It may be that the ideal of freedom to choose ends without claiming eternal validity for them, and the pluralism of values connected with this, is only the late fruit of our declining capitalist civilisation: an ideal which remote ages and primitive societies have not recognised, and one which posterity will regard with curiosity, even sympathy, but little comprehension.


    END

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  65. Para Isaiah Berlin, existen dos interpretaciones de libertad que se relacionan una con otra. La primera la define como la negativa, que se encuentra dentro de un marco que da las pautas a lo que se puede y no se puede hacer, es decir, se establecen límites y dentro de ellos las personas pueden ejercer su “libertad”. Y el segundo es el positivo, aquí surge la interrogante de quien es ó que es, aquello que tiene la facultad para decidir hasta dónde puede llegar la libertad de las personas, se puede decir que aquí se cuestiona al poder y se pretende ampliar el marco de libertad y disminuir el de la coerción. Para Berlin estas interpretaciones no están separadas, si no que se relacionan y son constitutivas del concepto general de libertad.
    Entonces la libertad positiva parece una mejor manera de asegurar una sociedad más libre, pero el costo que tendrían los individuos por esta libertad sería el de su seguridad, por tanto entre más libres sean las personas, menos seguridad les va a ofrecer el Estado y mientras “menos libertad” le dé a la sociedad el Estado, mayor seguridad le ofrece.

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  66. Jonatas Silveira de Souza

    RA: 21040912

    O texto começa com algumas considerações sobre os grandes pensadores da virada do século XIX para o XX, ressaltando algumas ideias e posições teóricas – geralmente relatando as correntes que se contrapunham. Percebemos, desde essa primeira parte, e mais ainda na segunda parte do texto, que essa análise história do pensamento, ou da filosofia, será um dos pontos de apoio para Berlin. O mesmo ressalta, algumas vezes que, independente das questões, dos posicionamentos no mundo existem “questões a serem respondidas, tem problemas para serem solucionados”, e podemos usar racionalidade para resolver os mesmos.

    Explicita duas formas de uso da história (ou filosofia da História), uma como uma “força”, carregando os atos humanos de entidades impessoais, ou como o mesmo chama de “forças” ou podemos ver a história de “maneira pessoal”, no sentido em que um agente poderá influenciar muitos outros (os atos dos grandes líderes seria um exemplo). De qualquer maneira o uso da historia sera de grande importância para o respaldo de suas hipóteses. Como aparece no texto e na sua entrevista, Berlin crítica a primeira visão impessoal da história, sendo guiada por forças, cerceando e determinando o futuro do ser no mundo, essa ideia de que a História seria como uma sequência de atos, uma obra de teatro. A vida não é previsível, é escrita constantemente por nós. Podemos criar hipóteses mas não desvendaremos o futuro, não somos “Cassandras”.

    Essa visão da história do pensamento dialético dos séculos passados, com o embate as visões “individualistas humanitárias”(liberalistas/EUA) ou “nacionalista romântica” (socialista/URSS) vem muito a calhar com o seu contexto histórico, o final da segunda guerra mundial, o período em que as ideologias dominavam o cenário mundial. A sua ideologia determinava os muitos modos de agir, desde a sua forma de governo e mais ainda, o espaço que o cidadão tem para agir, ou seja a sua liberdade em cada um desses sistemas de pensamento.

    (...)

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    Respostas
    1. (...)

      A partir de então o autor vem para o pensamento contemporâneo (do mundo da ciência) com um novo conflito dialético entre o Determinismo e o Relativismo. Considera a primeira teoria represente do “universo como uma prisão” e a última cai em uma análise falaciosa da experiência. Mas em última instância o seu pensamento cai também em uma relativismo, sendo assim questionado pela sua própria teoria. Podemos tomar esse seu ‘relativismo’ com uma nova tipologia, que vemos no segundo artigo da Folha de SP. Esse relativismo seria, na verdade, a ideia de uma ‘pluralidade’ e podendo evitar esse problemática ao estudarmos o conceito de liberdade.

      Liberdade esta entendida como positiva e negativa. Sendo cada uma representada na realidade pelos países no pós-guerra, em um polo os países que sofriam a interferência dos EUA teriam a “liberdade positiva”, enquanto a URSS e as suas áreas de influências teriam uma “liberdade negativa”. Este conceitos das liberdades - positivas e (ou) negativas – tem uma ambiguidade, pois existe uma indissociabilidade de ambas. Por mais que a que é mais defendida é a liberdade positiva, para os países chegarem a mesma precisam passar pela negativa primeiro, e em ultimo caso, para que tenhamos essa liberdade positiva é necessario que o mundo seja guiado por essa mesma ideia. Vemos ai uma grande semelhança com a teoria marxista, desde esse modelo de passagem de um sistema para outro (da ditadura do proletariado para um comunismo), assim como a ideia de que, para que este sistema vigore, todos precisam legitimá-lo.
      De certa maneira Berlin acredita em uma Internalização dos sistemas, podendo, as pessoas saírem de uma liberdade negativa para um positiva, ou seja, sair do mais fechado para o mais liberal. Não explicito os conceitos de liberdade positiva e negativa pois o mesmo já está bem descrito pelos colegas, mas acho que a sua ideia, por mais que seja um tanto quanto utópica, é uma ideia “vencedora”, pois vemos os países com maior desenvolvimento, seja ele tecnologico, cientifico, etc, são países liberais, de democracias abertas. Eu discordo, plenamente da necessidade de mudar os sistemas de liberdade negativa para positivas e essa certa imposição do mesmo para sistemas mais fechados. Até porque, por mais que ele diga que em um sistema liberal havera essa pluralidade de ideias, hoje, videndo em uma pais que é liberal me parece que esse ideal de pluralidade está cada vez mais em decadencia, a busca por identidades cada vez mais gerais me assombra e prefiro acreditar em um parágrafo do texto que se aproxima da teoria Granmsiniana, onde houver um sistema hegêmonico seja ele liberal ou autoritário, sempre haverá uma contra hegemonia.

      Excluir
  67. Isaiah Berlim foi senador britânico, no entanto, nasceu na Rússia. (Essa informação é relevante para a análise das ideias de Berlim).

    Berlim, de alguma forma, voltou esforços para o entendimento dos acontecimentos que ocorriam na URSS e isso foi refletido em suas obras. A tese de Berlim é esclarecedora do que estava acontecendo no mundo durante a guerra fria e após ela. Segundo Henry Hard, (na entrevista disponibilizada pelo professor Peluso - disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u573985.shtml).

    “Conceitos como "pluralismo", "liberdade negativa" e "liberdade positiva" passaram a ser aplicados para explicar a conjuntura política internacional imediata, como os totalitarismos do Leste Europeu --de onde, aliás, provinha Berlin (ele era letão).”.

    Durante a leitura do texto de Berlim senti certo incômodo. O assunto abordado por ele é constantemente estudado por nós, ou seja, é um assunto presente no nosso dia a da, no entanto, por mais que temos a impressão de dominar o assunto, ao ler o texto de Berlim, percebi que muitas outras discussões sobre a liberdade poderiam existir (e que não dominamos o assunto).

    Berlim nos diz que não há solução para o modelo de mundo a que estamos inseridos. Isso se dá por conta das duas dimensões da liberdade. Nós escolhemos reger as relações sociais tomando por base um conceito “falho”. A própria ideia de liberdade possui um problema, segundo Berlim. (E não há como escapar dele).

    De acordo com Berlim, o conceito de liberdade possui duas dimensões: A liberdade positiva e a liberdade negativa. Dessa forma, existem “dois mundos”. Um seguindo e buscando a ideia positiva da liberdade e outro seguindo e buscando a ideia negativa da liberdade. (Vale ressaltar que, segundo Berlim, as liberdades coexistem em um “mesmo mundo”, ou seja, os dois aspectos da liberdade existem nas duas realidades, embora haja ênfase em apenas uma).

    A liberdade positiva está relacionada à “diminuição da coerção”. De acordo com ela, temos que identificar quem é o agente coercitivo para encolher tal ação coerciva. (Normalmente o agente coercitivo é tido como o Estado). Já a liberdade negativa está relacionada às possibilidades de ação em um espaço garantido. Dessa forma, ser livre seria equivalente a ter um espaço de ação. Esse espaço, por sua vez, seria delimitado por um sistema de coerção justificado.

    Podemos dizer que com o final da guerra fria, o modelo que se impôs no mundo foi aquele baseado na liberdade positiva. No entanto, sem a segurança do Estado forte, algumas condições sociais, econômicas e políticas ficaram piores do que em períodos anteriores (Como o ocorrido da Rússia – de acordo com o vídeo abordado em sala de aula pelo grupo responsável pelo seminário de Berlim).

    Dessa forma é válido afirmar que se o Estado – tido como agente coercitivo – for de fato retirado por completo da sociedade, as circunstâncias econômicas, sociais e políticas podem “impedir” a sobreposição da liberdade positiva sobre a liberdade negativa.

    Tomando os acontecimentos Russos mostrados no vídeo como exemplo, como implementar a liberdade positiva em uma sociedade que não quer mais a liberdade “de fato”? Berlim responde essa pergunta dizendo que a Liberdade negativa tem que aparecer para dar garantia às pessoas, fazendo assim as duas liberdades coexistirem. (Mas havendo ênfase na liberdade positiva - Democracia Neoliberal).

    Dessa maneira aparece uma ambiguidade na democracia. A democracia positiva terá que implementar políticas da democracia negativa. Para esse problema de ambiguidade ser “sanado”, Berlim dá uma sugestão:

    (CONTINUA)

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    1. (CONTINUAÇÃO)

      “It may be that the ideal of freedom to choose ends without claiming eternal validity for them, and the pluralism of values connected with this, is only the late fruit of our declining capitalist civilisation: an ideal which remote ages and primitive societies have not recognised, and one which posterity will regard with curiosity, even sympathy, but little comprehension.”.

      Ou seja, para “resolver” o problema e a liberdade positiva poder dominar efetivamente, o único que poderia ser feito, na visão de Berlim, é não acreditar em alguma das duas dimensões como verdade absoluta.

      Lendo a entrevista de Berlim disponível no link http://serbal.pntic.mec.es/~cmunoz11/berlin70.pdf, encontrei uma resposta dada por Berlim que converge precisamente ao parágrafo da obra dele que transcrevi nesse comentário. Durante a entrevista, Berlim diz que vê com bons olhos o fim das ideologias, visto que, calcados nelas, os indivíduos cometem crimes sem classifica-los como tal. (E podemos dizer que Berlim, no parágrafo transcrito, deixa claro que ideologias não sanam o problema. A “não certeza” é a sugestão apresentada por ele). Além disso, em outra resposta, Berlim diz que o nacionalismo é um grande perigo para a humanidade. (Devemos lembrar que Berlim é defensor do Liberalismo).

      (Mas... se não acreditarmos em algum dos dois conceitos como verdade absoluta, como iremos fazer valer tal dimensão para que essa regule as relações sociais?).

      Dessa maneira, Berlim nos mostra, de acordo com seu pensamento, que o modelo a que estamos inseridos está fadado ao fracasso e que não há solução, já que o próprio conceito que regula as relações sociais é ambíguo.

      Ingrid Desihiê Antoniori
      RA: 21004712

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  68. Berlim é um filósofo que ve a liberdade como constituinte da justiça, porém ao analisar a liberdade pra entender seu funcionamento e suas implicações, depara-se com um paradoxo sobre o conceito de liberdade, tal paradoxo que pode ser observado nos sistemas que estão em constante disputa, o capitalismo e o socialismo.

    Berlim apresenta a liberdade com duas faces, mutuamente excludentes, porém ambas presentes no conceito de liberdade. Há a liberdade positiva que consiste no espaço de possibilidades que os indivíduos tem para exercer sua liberdade, onde a liberdade consiste em definir e garantir tal espaço e as ações cabíveis neste espaço. Há a coerção do espaço da liberdade individual, para que se garanta a liberdade e igualdade para todos, não questiona-se quem coage e sim prevalece a ideia de que esse espaço deve ser igual para todos, garantindo assim a liberdade justa. De outro lado, há a liberdade negativa que consiste em questionar quem define os limites das liberdades individuais. Esse aspecto da liberdade vê que o que mais importa é o espaço de possibilidades de expressões livres dos indivíduos, não deve haver coação que limite a liberdade individual, há uma maior possibilidade de estilos de vidas aceitáveis, porém não há garantia de que todos poderão desfrutar dessa liberdade, apenas que são livres para te-la.

    Essa visão exposta por Berlim nos conduz há um paradoxo, visto que nenhum sistema possui apenas uma visão de liberdade - liberdade positiva X liberdade negativa - ja que ambas as faces estão presentes no conceito 'liberdade', desse modo nenhum sistema atual, seja o capitalismo ou o socialismo russo ou o cubano por exemplo, conseguem resolver definitivamente qual a melhor abordagem da liberdade. Mesmo que se defenda e que se concorde mais com o aspecto negativo da liberdade, o positivo ainda reside no mesmo conceito que se defende, não há escapatória, e vice-versa.

    Esse fato é exposto por Berlim e causa uma profunda reflexão sobre a saída diante desse paradoxo da liberdade como orientadora dos sistemas mundiais. Aparentemente até o momento não há resposta ou proposta de um novo modelo que substitua a liberdade como valor de justiça e possa orientar a justiça humana.

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  69. Isaiah Berlin foi um importante filósofo liberalista do século XX. No centro de suas ideias estava a liberdade individual e como proceder a fim de protege-la e assegura-la.
    O termo liberdade é ambíguo e possui vários significados. Segundo Berlin, os dois sentidos mais importantes de liberdade eram a ideia de Liberdade Positiva e a de Liberdade Negativa.
    A Liberdade Positiva seria a liberdade tida pelo indivíduo para se fazer alguma coisa. Este conceito de liberdade teve origem na época da Revolução Francesa e é caracterizado pelo fato de haver a liberdade para se tornar algo novo, revolucionar.Neste tipo de liberdade se tem que somente as pessoas mais esclarecidas, os líderes do movimento, saberiam quais as características deste tipo de liberdade, e como fazer para alcança-lo. O problema é que essa “centralização do saber”, essa ideia de que somente alguns tinham o conhecimento de como as pessoas poderiam proceder a fim de ser livres, acabava, por vezes, levando a um regime autoritário, onde os líderes utilizavam da coerção para obrigar as pessoas a serem livres.
    A Liberdade Negativa representa a ideia de que o individuo seria livre para fazer o que quisesse. Desta maneira, a existência do Estado seria necessária apenas para regular as interações pessoais dos indivíduos a fim de que as liberdades individuais de uns não interferissem nas liberdades individuais dos outros. Este Estado seria o Estado Liberal, e desta maneira, influenciaria muito pouco na vida das pessoas, o mínimo possível apenas para garantir que a liberdade de todos fosse assegurada. Este tipo de liberdade também pode se tornar perigoso quando se acredita que este é o único meio verdadeiro de se alcançar a liberdade e a partir daí se utilizam métodos de coerção para assegurar que todos sigam o mesmo modelo. Foi isso que aconteceu quando os americanos neoconservadores interviram na Nicarágua a fim de levar a Democracia e os ideais liberais até o país, pois coagiram as pessoas a aceitarem seu ideal de liberdade. Neste sentido tanto a liberdade positiva quanto a liberdade negativa se assemelham, pois ambas podem levar à práticas autoritárias.
    Uma questão importante a ser ressaltada com relação a isso é o fato dos dois tipos de liberdade coexistirem num mesmo sistema. Por mais que em certos momentos a Liberdade Positiva possa se sobrepor à Negativa ou vice-versa, isso não significa que se tenha uma única liberdade vigente em certa sociedade.

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  70. Em sua teoria, Isaiah Berlin apresenta duas concepções para o conceito de Liberdade, sendo a Liberdade Positiva e a Liberdade Negativa.
    A Liberdade Positiva aponta quem é ou o que é que limita o "espectro" da Liberdade. Visa ampliar os modos de vida nessa Liberdade.
    A Liberdade Negativa aponta o "tamanho" desse espectro de Liberdade, sem questionar ou apontar o que a limita, preocupando-se em garantir isso para todos os indivíduos.
    Apesar da atribuição do nome Liberdade Negativa, Berlin defende que essa seja a ideal, a qual é justamente a "Liberdade" presente na sociedade atual. No entanto, existe um grande problema nessa definição, pois uma sociedade que não impõe limites individuais acarretaria conflitos, tendo em vista que os cidadãos teriam a liberdade de agir e viver da forma que bem entendem, onde, consequentemente, os indivíduos acabariam "invadindo" e interferindo na liberdade alheia.
    Vale lembrar que, apesar das duas visões (positiva e negativa), não há uma "separação total" entre elas. Afinal, trata-se de apenas um conceito: Liberdade. Ou seja, as duas concepções se mesclam e formam uma espécie de círculo vicioso, onde uma se torna consequência da outra.
    Após a discussão em sala de aula, um colega de classe levantou uma grande dúvida: Será que a Liberdade realmente existe ou ela é apenas um ideal que nunca poderá, de fato, ser alcançado?
    De qualquer forma, acredito que nunca alcançaremos a liberdade plena, pois estaremos sempre envolvidos nesse "círculo vicioso", até que se substitua o modelo atual.

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  72. De origem russa,mudou-se ainda pequeno para Inglaterra,mas mesmo com certa distância Berlin acompanhou as mudanças que ocorriam na Rússia,seguindo o clima político da época ele escreveu “Two Concepts of Libert” (Duas Concepções de Liberdade),baseando-se Guerra Fria e na divisão de “dois mundos” capitalistas e socialistas.
    No texto indicado Berlin refere-se a democracia liberal como uma armadilha,na qual após entrar nesse regime não consegue se minimizar as perdas que ele acarreta ou mesmo mudar o regime.
    Berlin quer demonstrar que o conceito de liberdade que conhecemos baseados no senso comum,pode não estar totalmente correto,já que segundo ele não existe mais de uma liberdade,mas sim uma liberdade vista de pontos de vista diferente.
    Lembrando que ele é contemporâneo da guerra fria,ele percebeu que tanto os EUA quanto a URSS prometiam liberdade e igualdade, e então concluiu que ambas buscavam as mesmas coisas porém com pontos de vista diferentes.
    Berlin divide a liberdade em duas concepções :liberdade negativa e a liberdade positiva.
    Na liberdade negativa o indivíduo é o mais livre quanto mais o Estado deixar de regular a sua vida. A falta de restrições é, portanto, diretamente proporcional ao exercício da liberdade negativa,já a liberdade positiva é definida como ter o poder e os recursos para cumprir suas próprias potencialidades e para controlar e determinar suas próprias ações e destino. É a noção de liberdade como auto-realização.

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  73. Os dois pontos centrais da teoria da Berlin são a Liberdade e o Pluralismo.
    Assim como Rawls, Berlin também acredita num pluralismo. Mas enquanto Rawls acredita num pluralismo do conceito de bem, Berlin acredita num pluralismo ético; na idéia de que há diferentes conjuntos de valores nas diferentes sociedades, ou seja, que cada nação reconhecerá diferentes valores.

    Desse modo, Berlin diz que há duas interpretações para o conceito de liberdade, a saber:

    a) Liberdade Positiva: Espaço destinado às ações dos indivíduos, onde a Liberdade consiste em definir o limite desse espaço e garanti-lo a todos.
    Na liberdade Positiva há interferência do Estado, como meio coercivo, para que o individuo possa exercer a sua autonomia. Não há preocupação em questionar a coerção; o importante é a garantia desse espaço para exercer a liberdades individuais.

    b)Liberdade Negativa: Questionamento sobre quem delimita o espaço de ação do individuo. Há preocupação de questionar a coerção, uma vez que essa face da Liberdade acredita que para haver liberdade a coerção deve ser mínima. Ou seja, a Liberdade consiste na expansão do espaço de ação e na diminuição da coerção.
    Nessa segunda face da liberdade há mais possibilidades de modos de vida. Entretanto, uma vez que não há um sistema de coerção que interfira para assegure as liberdades, não há garantias. Ou seja, embora haja a liberdade de se viver segundo o seu modo de vida, não há garantia de se conseguir viver segundo esse modo.

    A questão que Berlin coloca é que não há um sistema democrático (capitalismo ou socialismo) que se fixe em apenas uma das liberdades, ainda que dê preferência a uma delas. Berlin diz que para expandir a Liberdade Negativa é preciso que a Liberdade Positiva também esteja presente. E com isso expõe que há uma contradição na democracia baseada na liberdade, contradição essa que não encontra solução nos dois mais fortes modelos democráticos.

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  74. Pelas leituras de Berlin vê-se que o conceito de liberdade é ambíguo e constituído por duas dimensões: Liberdade Positiva e Liberdade Negativa. A "realidade da liberdade" então admite duas interpretações diferentes, mas que se mesclam.
    Enquanto o sentido negativo busca responder à pergunta "What is the area withim which the subject - a person or group of persons - is or should be left to do or be what he is able to do or be, without interference by other persons?", o sentido positivo busca responder à pergunta "What, or who, is the source of control, or interference, that can determine someone to do, or be, this rather than that?".
    Permito-me "pegar emprestada" a explicação do próprio autor sobre o conceito de liberdade negativa:
    "I am normally said to be free to the degree to which no man or body of men interferes with my activity. Political liberty in this sense is simply the area within which a man can act unobstructed by others."
    Seremos livres apenas se ninguém ou nenhum grupo de indivíduo interferir e restringir nossas ações. A essa colocação segue-se a descrição de Coerção, que para o autor implica a interferência deliberada de terceiros na área em que o sujeito poderia agir da maneira como queira."Coagir um homem é privá-lo de liberdade", diz ele. A coerção é má, mas às vezes pode ser necessária para evitar males maiores.
    Quanto à liberdade positiva, Berlin sugere: "The 'positive' sense of the word 'liberty' derives from the wish on the part of the individual to be his own master.".
    Dessa maneira, a ideia de liberdade sempre gerará conflitos, porque é ambígua, tem dois sentidos (duas dimensões) que coexistem mas são mutuamente excludentes.

    Destaco agora um trecho que li em artigo (para o qual deixo o link no final deste mesmo comentário) que destaca a defesa da primazia da liberdade negativa: "Isaiah Berlin não parece ter o propósito de afirmar a importância e o valor intrínseco da liberdade negativa para a autonomia individual, mas sim o de conformar a autonomia do indivíduo aos limites da concepção negativa de liberdade. Para ele, qualquer maneira de entender esse bem de maneira mais ampla e generosa seria uma armadilha, pois a força da concepção negativa residiria justamente em sua precisão. "Confundir a liberdade com suas irmãs, a igualdade e a fraternidade, leva a conclusões iliberais" (BERLIN, 2002a, p. 257). Com isso pretendia responder aos críticos da liberdade entendida como esfera de não-interferência e aos democratas radicais, com sua insistência em que a liberdade fosse considerada do ponto de vista de sua efetividade, levando-se em conta as condições materiais para seu usufruto. Desse modo, Berlin empenha-se, com suas intervenções políticas e acadêmicas, em provar a superioridade moral da liberdade negativa, ao mesmo tempo em que adverte seus leitores sobre os perigos da liberdade positiva para a autonomia individual."

    * Pluralismo de valores: A vida humana não pode ser regida, explicada ou guiada por um único princípio, um único valor, uma única doutrina. a principal idéia por trás do conceito de pluralismo é uma difusa noção de incomensurabilidade entre os grandes valores humanos, como "liberdade", "igualdade", ou "justiça"."O pluralismo, com a dose de liberdade 'negativa' que acarreta, parece-me um ideal mais verdadeiro e mais humano do que as metas daqueles que buscam nas grandes estruturas disciplinadas e autoritárias o ideal de autodomínio 'positivo' por parte de classes, povos ou de toda a humanidade" (BERLIN, 2002a, p. 272).

    * Link para o artigo de Casarin: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-44782008000100017&script=sci_arttext

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  75. Isaiah Berlin (1909-1997), letão, formou-se em Oxford, onde foi professor de filosofia nas áreas de teoria social e política.

    A época em que se forma é determinante na formação e para a compreensão de seu pensamento. Ao vivenciar as duas Guerras Mundiais, e por enfrentar a bipolaridade mundial, Berlin se deparou com muitos conceitos e diferentes modos de se ver o mundo e de se definir como as pessoas deveriam viver. A discussão sobre o pluralismo é com certeza importante.

    Na análise da história, Berlin tenta entender as diferentes concepções e modos de vida diante da pretensão universal da moralidade. Como diferentes modos de vida podem se relacionar com essa universalidade? Berlin afirmará que duas sociedades diferentes, devido às suas histórias e culturas diferentes terão, logicamente, duas visões distintas sobre o que deveria ser o modo de se viver.

    Berlin identificará, também, dois sentidos da palavra liberdade, dividindo-os em POSITIVO e NEGATIVO, não como adjetivos, mas para que pudesse diferenciá-los. Essa diferença entre positivo e negativo estava presente no mundo, na concepção do autor, e ela refletia muito do cenário pós-Guerra e da bipolaridade do mundo nesta época.
    A Liberdade Negativa é aquela que permite ao indivíduo agir livremente, ou em outras palavras, a ausência de qualquer modo de coerção. Na Positiva, então, o papel do Estado não é o de coagir as pessoas, mas definir um espaço para que as pessoas possam agir livremente. Aqui há espaço para um pluralismo de modos de vida, que, teoricamente, poderiam coexistir.
    Enquanto a Liberdade Positiva seria aquela que, através da Lei, determina o que pode ou não ser feito. Ela acredita em uma única resposta para o que pode ou não ser feito, de modo que, se todos seguissem os mesmos preceitos, não haveria de fato disputas e todos seriam “livres”, mas livres de acordo com as determinações de uma determinada autoridade.

    Às duas visões põem-se duas questões.

    À Liberdade Negativa, questiona-se “Qual espaço é deixado para que os indivíduos possam agir?”. A coexistência de vários modos de vida é permissiva, mas cabe se perguntar até onde ela pode e/ou deve permitir todos os modos de vida. O ideal liberal é o de que os indivíduos possam escolher o melhor para si, mas aceitar uma cultura que afirme a necessidade de exclusão de outras culturas, por mais que liberal que seja, parece ser uma medida errada.

    Já à Liberdade Positiva, questiona-se “Quem ou o que pode determinar e definir o melhor modo das pessoas exercerem suas liberdades?”. E de fato, ao se determinar que um modo de vida deve ser seguido, todos os outros podem acabar por serem excluídos. O que parece ser na verdade antiliberal e muito opressor, característica atribuída ao autoritarismo, e não ao sistema liberal.

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    1. Ambos os conceitos são, então, inseparáveis. A construção de um sistema liberal parece prescindir de uma espécie de coerção. Mas a coerção não é tolerável para a liberdade. Parece haver um círculo vicioso, pois a cada vez que se questiona a possibilidade de um, depara-se com a necessidade do outro, que exclui o outro.

      Acredito que a resposta para essa questão esteja no campo moral. Existem vários modos de se viver e é importante que eles existam, pois as pessoas e os povos são distintos, e a pluralidade cultural agrega mais positivamente do que negativamente à vida de todos. Mas a aceitação de uma pluralidade moral me parece por demais complicada. Quando se afirma que possam existir diferentes modos de se determinar o que é moral, aceita-se que existam diferentes modos de se falar o que é o Bem. E, sim, existem muitos “Bens”. Mas parece existir um limite claro para esse bem. Aqui me lembro de Hume e da afirmação do ‘senso mural’ intrínseco à natureza humana. Os homens parecem estar dotados desse senso moral, que os compele à benevolência.

      Diante da violência no mundo, dos conflitos entre os indivíduos, entre as classes e as diferentes nações, esse argumento parece inválido, e aqui ainda vale algo que parece faltar a teoria humeana, de que existe ainda um teor social, que muito influi na atitude e decisão a ser tomada pelas pessoas.

      Acredito que se não houvesse impedimentos à livre execução dos anseios individuais e que junto disso não houvesse, também, a desigualdade entre as pessoas, não veríamos muitas das atitudes que reprovamos, como por exemplo, a violência.

      A solução parece estar mais numa questão de deixar que o homem pudesse agir de acordo com a sua vontade, sem se revoltar e rebelar com imposições e restrições (im)postas pela sociedade à sua vida e às suas escolhas.

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  76. Ao explorar a teoria de Isaiah Berlin nos enquadramos agora com um teórico liberalista e preocupado com a garantia dos direitos e potencialidades individuais.

    Em sua obra ele fará considerações sobre a história do pensamento filosófico no final do século XIX e começo do XX. Expõe independente das vertentes ideológicas existem problemáticas insolutas onde a racionalidade entraria como solução a isso.

    Ao falar de "uso da história" mostra no que boa parte de sua teoria estará apoiada: em fatores do uso da mesma para praticar e criar "forças" influentes de toda a constituição de sociedades e mecanismos sociais. Berlin baseia sua crítica no uso "impessoal" da história. que diz a vida sendo não previsível, e temos o poder de escrevê-la. E isso ditou boa parte do período pós-grandes guerras, onde as ideologias estavam puramente expostas, e o modo de vida baseado na história escrita pelos Estados erá necessária e aceita.

    Em seu conceito de liberdade, ele a propõe como podendo ser positiva ou negativa. Sua exemplificação trabalha com os países pós-guerra, onde, na dinâmica da guerra fria, existiriam os países passivos à influência dos EUA e a URSS, onde sofreriam uma injeção de liberadade positiva e liberdade negativa respectivamente. A ambiguidade reside aqui, pois há uma interdependência de ambas, sendo indissociáveis e sempre presentes juntamente em qualquer sociedade. Seguiria assim a lógica de ação estatal direta em toda a sociedade como sendo negativa, e um estado liberal sendo positivo.

    Berlin crê num movimento positivo por parte das liberdades encontradas nas nações, sendo que é natural a ida – rumo ao desenvolvimento conjunto – à uma liberdade positiva e por isso mais plural, e democraticamente aberta.

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  77. Acho pertinente a posição de Berlim quando ele traça os problemas do relativismo e do determinismo, principalmente quando ele critica o primeiro, ao falar que é uma representação falaciosa da experiência, e isto caracteriza uma grande crítica de Berlim já que para ele, a história nos leva ao compreendimento dos conceitos que queremos abordar, e a partir deste ponto ele ilustra a dicotomia entre a liberdade positiva e negativa no cenário pós 2°Guerra Mundial, onde o mundo se dividia entre Capitalistas(liderado pelos EUA) e os Socialistas(liderado pela URSS).
    A liberdade positiva é característica de países liberais, onde a liberdade individual é atribuída como um direito natural, para que se possa buscar os mais varíados estilos de vida e assim viver da melhor forma como queira, contudo esta liberdade não dá garantias de nenhum modo de vida e além disso atribui muitos estilos de vida para um grupo muito pequeno de pessoas, já que estamos situados em um mundo de maioria liberal, e a desigualdade vem aumentando, vemos nessa semana o Real Madrid tentando gastando 100 milhões de euros na contratação de um jogador de futebol enquanto mais de um quarto da população da Espanha está desempregada.
    Em contrapartida a liberdade negativa é aquela que restringe os estilos de vida, impõe uma presença mais forte do Estado na vida das pessoas para garantir que todas pessoas estejam garantidas quanto a seus direitos naturais(direitos estes, só concebidos neste tipo de liberdade).E para Berlim, elas são fundamentalmente diferentes já que divergem do próprio conceito de liberdade e portanto do próprio fim, e também da própria natureza do homem, sendo assim não há como se chegar em resultados ao menos parecidos.
    No entanto, me parece que Berlim não quer tomar posicionamento entre estes extremos, somente deixa aberta a discussão sobre até onde estas liberdades podem ir.

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  78. Arthur El Reda Martins
    RA: 11002610
    Email: art.erms@gmail.com

    Berlin nos apresenta dois conceitos de liberdade, a Positiva e a Negativa. A primeira acontece quando temos uma sociedade limitada por uma fronteira que define até onde vai essa liberdade. Dentro dessa fronteira existem vários tipos de hábitos, ideais, culturas e etc. Com a expansão dessa fronteira aumenta a liberdade da sociedade pois ela começa a abranger mais tipos de hábitos diferentes. Quem se encontra fora da fronteira não age de acordo com o padrão então deve ser penalizado.
    Um exemplo prático é a nossa sociedade, vivemos de tal forma e nossa fronteira são nossas leis, nossa Constituição. Nota-se que a justificativa para esse tipo de liberdade ser limitada por uma fronteira é a de que, caso essa fronteira não existisse não haveria limites para determinar até quando a liberdade de um homem não prejudica a liberdade do outro.

    Já a liberdade Negativa é a liberdade do indivíduo per se, ele é livre para agir como quiser, pensar o que quiser sem influência nem regimento de qualquer lei que o contenha. O papel regulador do Estado não existiria, seria apenas um fornecedor de espaço para que as pessoas pudessem exercer sua liberdade. O autor não discorre sobre uma aplicação de fato desse tipo de liberdade, é uma situação ideal. O problema claro desse conceito está no fato de que muitas vezes quando se tenta aplicar esse tipo de liberdade sempre há algum tipo de coerção aos indivíduos, ou de uma sociedade que a exerce e passa a coagir a outra. Na maioria das vezes a liberdade Negativa acaba se tornando Positiva mesmo que não intencionalmente.

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  79. Isaiah Berlin (1909 – 1992) possui uma teoria bastante influenciada pela época em que viveu. Presenciou guerras e um mundo dividido e governado por ideologias. Sua teoria apoia-se muito no conceito de liberdade e pluralismo.
    Para ele, a ideia de liberdade em si admite duas interpretações:
    1. Liberdade negativa – possibilidades de ação que podem ser executadas por todos os indivíduos e isso é garantido para todos. Ações previstas sob espectro do que é permitido, dentro do poder coercitivo que algo ou alguém possui. Há, portanto, certo limite e, dentro dele, sua liberdade é garantida. “Sou livre na medida em que ninguém ou nenhum grupo de indivíduos interfere com as minhas atividades. A liberdade política, nesse sentido, é simplesmente a área em que posso agir sem sofrer limitações de terceiros. Ao contrário, coerção significa a interferência deliberada de outros seres humanos na área em que eu poderia, de outra forma, agir. Não se possui liberdade política quando se está sendo impedido por outros de alcançar um objetivo.”
    2. Liberdade positiva – eliminação ou diminuição desse poder coercitivo, permitindo, assim, que novas ações sejam praticadas. Começa-se a questionar o poder de coerção, começa-se a ver maneiras de minimizá-lo. O limite da sua liberdade, então, torna-se diferente. O seu “eu-interior”, por exemplo, pode se tornar responsável por ditar até onde suas ações irão. “O sentido “positivo” da palavra “liberdade” tem origem no desejo do indivíduo de ser seu próprio amo e senhor — o desejo de se autogovernar. A liberdade que consiste em ser seu próprio senhor e a liberdade que consiste em não ser impedido de fazer minhas próprias escolhas por terceiros podem parecer conceitos não muito distintos entre si. No entanto, as noções “positiva” e “negativa” de liberdade percorreram historicamente caminhos distintos, até que entraram em conflito.”
    O autor, então, defende um projeto de mundo que tem uma ideia ambígua de liberdade, mas que ambos os aspectos são constitutivos da mesma.

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  80. Isaiah Berlin conviveu com a ambiguidade de valores que imperava durante a Guerra Fria, e sua teoria explicita o que ele entende como duas concepções de liberdade, como norma política, presentes no mundo: liberdade negativa e positiva.
    Na concepção positiva, entende-se que existe um limite de espectro de ações que podem ser aplicadas a todos os indivíduos, e garantidas, e os indivíduos que passarem deste limite estarão sujeitos a coerção. Pratica-se aquilo que é permitido.

    Já na concepção negativa de liberdade, seria a ausência de coerção de terceiros, permitindo aos cidadãos decidirem aquilo que querem ser. Entende-se a ideia de Estado mínimo, onde este possuiria o papel de gestão de limites das liberdades de uns perante os outros.

    Entre essas duas concepções, Berlin demonstra que as duas fazem-se presentes na sociedade e são indissociáveis. No caso da concepção negativa, fica a questão de que pode haver aqueles que escolham modos de vida sem possuir condições para tal; pessoas são igualmente livres perante a lei, mas não perante questões sociais e econômicas. E também, quando é intolerante em relação a outros modos de liberdade positiva, pode aproximar-se da própria liberdade positiva. A partir daí, Isaiah Berlin demonstra através de sua teoria a impossibilidade em canalizar todos os valores de forma única, mesmo dentro de uma concepção negativa. Sendo assim, propõe uma saída, o pluralismo. Aceita a pluralidade de valores, e de que não é possível harmonizá-los por completo. Sempre haverá de se abrir mão de alguma coisa quando um acordo.

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  81. No texto “Two concepts of Liberty” de Isaiah Berlin é demonstrado que dentro do conceito de liberdade existem duas vertentes, uma denominada Liberdade Positiva e outra denominada Liberdade Negativa, ou melhor, a liberdade que acredita Berlin acredita ser do mundo antigo e a nova, respectivamente.

    A concepção de liberdade para Berlin é definida pela constatação de que não há restrições.

    A liberdade positiva é caracterizada por uma liberdade restritiva e exclusiva, para o autor a sociedade é moldada por leis e por instituições, estas instituições dariam um certo tipo de liberdade aos que fizessem parte do modelo ali determinado e excluía os demais. Para facilitar o entendimento, a liberdade positiva é aquela constituída dentro de uma moldura, que tenta organizar a sociedade com os modos compatíveis de vida das pessoas. Quanto mais alargarmos essa moldura, maior é o espaço que se tem de liberdade, isto é, mais liberal é a sociedade, pois ela abrange mais meios de vidas e condutas distintas. Caso alguém tenha uma conduta diferente a essa moldura, o individuo de alguma forma será punido.

    Já a liberdade negativa seria a liberdade do “ Eu”. A sociedade baseada nessa liberdade, daria aos indivíduos a liberdade de se fazer o que quisesse e seria uma sociedade mais inclusiva do que exclusiva, pois aceita todos os seus “eus” existentes. As leis e as instituições apenas garantiriam as ações individuais, portanto, não interferiam na liberdade do individuo.

    Berlin nos mostra também que a liberdade negativa tem que aparecer para dar garantir as pessoas e assim fazer com que as duas liberdades coexistam, ou seja, para a liberdade negativa se expandir, deve existir a liberdade positiva.

    Esse texto foi escrito no período da Guerra Fria e com base nesse fato histórico, Berlin determinou que o modelo de liberdade positiva, era próximo o que era exercida pela URSS e a liberdade negativa exercida pelo EUA.

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  82. Isaiah Berlin intelectual letão, se estabeleceu na Inglaterra desde muito cedo, mas, trouxe em seu espírito a marca indelével da infância passada sob a influencia do regime socialista.
    Berlin nos apresenta a sua teoria sobre liberdade, em que duas concepções sobre o mesmo tema coexistem e se complementam, são eles os conceitos de liberdade positiva e o seu contraponto a liberdade negativa.
    Na liberdade positiva, os membros da sociedade têm sua liberdade mais flexível, podendo sempre ser ampliada e tem sua representação no estilo de vida dos países democráticos.
    Já na liberdade negativa, esta seria limitada pelo Estado (caso dos países que formaram o bloco soviético onde as liberdades eram limitadas pelo poder público, que, em contrapartida, cuidava de suprir as necessidades mais básicas dos indivíduos).
    Na medida em que na liberdade positiva não existem limites rigidamente estabelecidos, cada indivíduo tem a possibilidade de ampliar a sua liberdade, nesse caso corre-se o risco de invadir o espaço reservado para a liberdade alheia.
    Já a liberdade negativa, funciona na base da coerção, os indivíduos se submetem aos limites impostos para, em troca, desfrutarem da segurança de serem conduzidos e mantidos pelo poder público.
    Com o fim da guerra fria, a divisão entre os dois tipos de liberdade mencionados, deixou de ser tão evidente, nos colocando na situação de viver em dadas circunstancias sob a influencia da liberdade positiva, e em outras da liberdade negativa.
    O autor destaca que que não devemos tomar nenhuma das duas liberdades, como absoluta , pois são duas formas que se equilibram.
    Para nosso desanimo, Berlin declara que o modelo em que estamos confortávelmente estabelecidos, está condenado ao fracasso pela própria ambiguidade do conceito que organiza as relações sociais.

    Alexandra Saphyre de Oliveira RA 21072812

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  83. Na análise do material proposto para a analise e reflexão do tema, vemos que a linha que define o que é justo dentro do liberalismo se confunde de certa maneira com os conceitos de justiça encontrados no comunismo teórico.
    Na síntese de ambas as correntes, vemos que ambas procuram como fim um ordenamento social que permita a todos condições de vida que fujam da miséria. O comunismo, procura isto através da redistribuição de renda de forma igualitária entre todos os entes sociais, conseguindo como resultado, uma espécie de estado natural definido entre as pessoas sem a necessidade da constituição de instituições. Já o Liberalismo, está ligado à visão racionalista de que o mercado e os sujeitos de uma sociedade providos de toda liberdade para se desenvolverem são capazes por si só de gerar uma sociedade justa e livre de misérias pela competição natural gerada.
    A problemática de ambas as correntes surge justamente quando observamos as dificuldades encontradas para implementar ambos os sistemas. O liberalismo encontra como principal entrave as diferenças pré constituídas que são fatores próprios de desigualdade. É difícil, dentro da solução proposta no sistema, imaginar uma competição livre e justa quando levamos em conta que existem diferenças estabelecidas de oportunidades entre diferentes indivíduos recorrentes de processos históricos. Já o comunismo, encontra a sua prática abalada devido aos governos autoritários que surgiram na tentativa de implantá-lo, que levaram à experiências extremamente danosas em quesito de desenvolvimento e bem estar aos países que adotaram estes regimes.
    A liberdade também é um tema recorrente em ambas as correntes. No liberalismo, encontramos a liberdade positiva que sugere que o individuo é livre para realizar tudo aquilo que a lei não proíba, tendo conotação expansiva em relação á um núcleo centra, já o comunismo determina que o sujeito é livre para agir de acordo com o que o núcleo central determina como correto. O principal problema que encontramos no liberalismo na sua conceituação de liberdade é que, no seu limite, ele acaba por cercear a liberdade daqueles que não querem seguir os seus ideais de liberdade (comunismo), gerando conflitos em sua própria síntese estrutural e questionamentos sobre a liberdade proposta em seu núcleo.

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  84. Em "Quatro Ensaios da Liberdade", Berlin assume que o apelo à racionalidade seria a solução para os problemas individuais. Essas soluções, já que são racionais, não podem conflitar entre si, para prevalecer a pura verdade.
    É citado dois tipos de liberdade, a positiva como a liberdade antes da lei, delimitada por entidades como a Igreja e o Estado, os quais o sujeito se submeteu. Nesse contexto, o indivíduo tem a liberdade de fazer tudo aquilo o que deseja, desde que esteja dentro dos parâmetros oferecidos pela instituição, sujeito a punição caso ultrapasse algum limite estabelecido. A liberdade negativa é dita quando cada um é livre para decidir o seu destino da maneira que lhe convier, assim como a sua vida, escolher de acordo com seus sonhos e vontades. A negativa seria a liberdade de escolhas do indivíduo, não precisa de instituições para delimitar sua liberdade, dizendo o que pode ou o que não pode fazer. É preciso ter uma visão racional e pluralista, que permitam ações individuais, desde que não interfiram a liberdade de terceiros.

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  85. Para entender o pensamento de Isaiah Berlin é importante ressaltar o período em que ele viveu, ainda jovem presenciou os horrores da segunda guerra mundial e em decorrência desta, a guerra fria. Berlin argumenta que havia dois projetos de liberdade e estruturação política que estavam sendo implementados e pretendiam guiar o mundo para uma nova era, vale lembrar que não era um embate entre libertários e opressores, pois ambos os lados consideravam o seu modelo o que mais oferecia liberdade, mesmo tendo algumas políticas violentas.
    A liberdade positiva é garantida e defendida pelo estado, que atua como um limite, há um espectro de atividades que o individuo tem possibilidade de fazer, dentro deste espectro a sua liberdade é garantida. Caso este limite se expanda e englobe outro grupo de indivíduos, aceitando seus hábitos pode-se dizer que a sociedade esta mais livre, caso este grupo de indivíduos esteja fora da fronteira ele é punido.
    A liberdade negativa é mais individual, cada um decide qual a sua liberdade e quais os limites dela, é tida como uma liberdade mais inclusiva, pois aceita diversos modos de vida. O estado deve ser mínimo e usado para garantir as liberdades individuais.
    Mesmo que a URSS tenha se aproximado mais da liberdade positiva enquanto os EUA da liberdade negativa, é fundamental destacar que eles não estavam totalmente inclusos em um tipo de liberdade, tendo aspectos de cada uma, e que no presente mesmo com os EUA querendo impor o seu modelo de liberdade individual e respeito ao individuo o faz por meios de intervenção e forte, e violenta, presença do estado.

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  86. Isaiah Berlin faz a proposta de examinar dois sentidos de liberdade, sentidos esses que não se excluem, mas se complementam. O primeiro deles é a chamada "liberdade negativa", e ela tenta responder à pergunta "qual é a área dentro da qual uma pessoa está ou deveria estar para ser ou fazer o que esta pessoa está apta a ser ou fazer?". O segundo sentido, chamado de "liberdade positiva" pretende responder a outra pergunta: "O que, ou quem é a fonte de controle ou de interferência que pode determinar alguém a ser ou fazer uma coisa ao invés de outra?".

    A liberdade negativa é sintetizada na frase do autor "Ser livre neste sentido (de liberdade) é não sofrer interferência dos outros. Quanto maior a área de não interferência, maior a minha liberdade.". Ou seja, nesse sentido de liberdade o sujeito só é livre quando ele não sofre interferência externa alguma, o que é impossível pois qualquer ação de um indivíduo afeta a outras pessoas, seja a simples ação de respirar ou de cometer um crime.
    A liberdade positiva deriva do desejo do indivíduo de ser seu próprio mestre, no desejo de que a vida e as decisões do indivíduo dependam somente dele, sem a interferência de externos.
    A diferença entre as duas liberdades se dá da seguinte forma: em uma sociedade em que haja a liberdade negativa, todos os indivíduos podem fazer o que quiserem, sem invadir a liberdade do outro, pois não há essa liberdade do outro. É como um conjunto de ovelhas em um cercado. Já a liberdade positiva em uma sociedade isso não é possível, pois há um aparato jurídico que punirá aqueles que invadirem a liberdade do outro. Seria como um conjunto de ovelhas em um cercado também, mas desta vez as ovelhas estariam envoltas em uma espécie de bolha.

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  87. Berlin propõe um conceito de liberdade baseado em dois tipos da mesma. Liberdade positiva e liberdade negativa. Para Berlin a liberdade positiva oferece alguns modos de vida, de direitos e liberdades um pouco reduzidos, porém lhe garante que estes serão preservados e possíveis de serem vividos por todos nesta sociedade, pelo bom funcionamento deste sistema é aceito a repressão violenta. A liberdade negativa tem como ideal preservar e defender todos os modos de vida, esta liberdade tem como meta englobar todos os tipos de liberdades individuais. Como pudemos observar no documentário da BBC, um caso de sociedade em que se fez presente a liberdade positiva foi a antiga União Soviética e um dos casos mais emblemáticos de sociedade negativa seria os EUA. Berlin defendia que a liberdade negativa era a ideal a ser seguida, porém com ressalvas, pois as ferramentas para se executar a liberdade negativa poderiam resultar em repressões violentas, assim como na liberdade positiva. Cita ainda que quando se tem certeza que um ideal é único e correto, absoluto, a coação torna-se aceita, em prol deste bem maior. Neste ponto é que as duas liberdades se confundem. Um bom exemplo disto é como os EUA interferem e coagem determinados tipos de sociedade a aderir este modo de liberdade.

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  88. Isaiah Berlin diferencia a liberdade em liberdade positiva e liberdade negativa, sendo que a liberdade propriamente dita é quando não existe nenhum tipo de restrição. A liberdade positiva é a liberdade na qual atualmente vivemos, as pessoas são livres dentro de um sistema de regras seja ela ditada pelo Estado ou outra entidade, isso abre a questão se somos de fato livres. Já a liberdade negativa é a liberdade na qual o ser humano pode viver segundo os seus próprios desejos e preferências, a pessoa é livre para poder fazer o que quiser sem qualquer tipo de interferência.

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  89. Berlin fundamenta liberdade em um conceito ambíguo, estabelece a ideia de liberdade através de dois pilares principais, os quais ele nomeia por liberdade positiva e liberdade negativa, crê que a liberdade possui dois conteúdos próprios e diferentes. Na época do desenvolvimento de sua obra, ocorria a Guerra Fria e, portanto usou a bipolarização do Mundo como relação para seu trabalho.

    A liberdade negativa representa o formato caracterizado por diferentes possibilidades de ações possíveis de serem praticadas e garantidas para todos os indivíduos, através de medidas de coerção, normalmente ordenadas pelo Estado. O que se busca saber é o espaço que é deixado aos indivíduos para praticarem as ações supostamente livres, baseadas no livre arbítrio, até o limite.

    A liberdade positiva por sua vez caracteriza-se pelo estabelecimento do horizonte e a devida justificativa para esses limites de coerção sob a conduta das pessoas. Nessa ideia, liberdade tem a ver com a extinção de coerção do Estado ou entre indivíduos. Permite novas maneiras de viver de diferentes pessoas em busca da ampliação da liberdade.

    Todavia, essas definições de liberdades não são opostas, ambas revelam conceitos da própria liberdade; Podemos até pontuar problemas como o fato de que mesmo que a liberdade negativa seja limitadora ao passo que há as medidas de coerção para supostas atitudes, elas garantem direitos mínimos que não são assegurados no modelo de liberdade positivo.

    Para Berlin, não há possibilidade de considerar a concretização da liberdade se a mesma não estiver presentes em todos os cantos do planeta.

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  90. O autor inicia com algumas vertentes teóricas, apontando contraposições, seguindo por uma linha histórica, sendo muio importante para o pensador, já que sua função é ser um tipo de auxílio, mostrando os atos da humanidade, (ou, 'força'), e também , pode ser usada de forma a influencias outros (forma 'pessoal').
    Berlin acredita a sociedade possui questões que necessitam de soluções, dadas a partir de nossa racionalidade. Crê que a história humana não é obra do acaso, mas, consequências de nossas ações.
    Logo, não há um caminho 'pré-concebido', e a história ajuda a criar pressupostos, porém,  nunca, certezas.

    O conceito de Liberdade, para Berlin, é entendido como Liberdade 'Positiva' e Liberdade 'Negativa', guiadas por dois modos de pensamento: de um lado, temos a ideologia guiada pelos EUA (positiva), enquanto, no Oriente, temos os conceitos URSS (negativa).

    Essa ideologia é  ambígua, pois tem caráter 'complementar': para chegar à positiva, precisa-se passar, primeiramente, pela fase negativa. Ainda, essa ideologia deve ser legitimada, já que só a o 'negativo' se existir o 'positivo' como oposto.

    Berlin difunde a ideia de que as pessoas possam sair do estado 'negativo' para o 'positivo'. Sair de um sistema enclausurado para algo com mais... liberdade.
    Vemos essa ideologia um tanto quanto difundida no mundo contemporâneo. Porém, acredito que o sistema vigente torna-se fechado a medida em que se torna hegêmonico, já que isso acarreta um certo monopólio de comportamentos, do qual é difícil desvencilhar-se.

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  91. Berlin tinha a ideia de que a liberdade poderia adquirir dois conceitos, duas interpretações, uma chamada de 'liberdade positiva' e a outra de 'liberdade negativa'. As teses surgem durante um período de grande instabilidade da humanidade, o período pós-Segunda Guerra Mundial, período conhecido como Guerra Fria.

    Os dois tipos de liberdades não se separariam, a possibilidade de um, não era excludente da outra, não existindo tipo certo ou errado. A liberdade positiva garantiria a possibilidade de muitas condutas ou meios de vida, enquanto a negativa limitaria esse número de condutas possíveis, para isso existiria um sistema coercitivo, impedindo que cruzassem esse limite.

    A grande questão que surge em torno da liberdade positiva é até que ponto essas inúmeras maneiras de conviver podem conviver simultaneamente, não existiria um ponto de conflito entre essas pluralidades. Atualmente presenciamos um sistema 'liberal' hegemônico, no qual existe um autoritarismo e intervenções na tentativa de 'reeducar' quem fosse contra alguns princípios do sistema hegemônico.

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  92. Como podemos ver em seus textos, Isaiah Berlin foi um liberal que adotou parte dos princípios do iluminismo mas também o criticou. Um dos pontos mais importante que ele escreveu, foi durante o período do iluminismo acerca do pluralismo. Para ele, diferente de Weber, ele diz que diferentes sociedades reconhecem determinados valores com mais prioridades que outras, podendo partir de vários quesitos para tal escolha, seja cultural ou não.
    Tendo vivido na época das grandes guerras, incluindo até mesmo a guerra fria, pode ver de perto as duas polaridades políticas que se firmaram e propôs então duas liberdades que julgou como positiva e negativa.
    Utilizando os regimes políticos, digo que a liberdade positiva seria uma liberdade ‘’parcial”, pois teria intermediação do Estado como órgão de ordem ou coercitivo que regeria a sociedade cívica visando o social ao invés do indivíduo, privando-o de certa autonomia. No meu entendimento tal liberdade se compara ao fascismo e outros regimes de extrema direita que propagaram pelo mundo naquela época, ou se formos mais a fundo, lembra a postura conservadora, de intervenção do estado em diversos aspectos, como a economia, no caso brasileiro atual.
    Já a liberdade negativa, visa o direito individual em prol da autonomia máxima perante a sociedade, fazendo que o poder do Estado seja mínimo apenas para manter a ordem e impedir a libertinagem ou a guerra de todos contra todos(tomando as palavras de Hobbes). Incluindo portanto a valorização do eu, proposta do humanismo de valorização do ser humano em si, permitindo a ação do indivíduo das mais variadas formas. Tal forma de pensar nos remete ao comunismo, que tende a diminuir a máquina do Estado aos poucos, passando por estágios como o socialismo até chegar no ápice da real democracia, onde todos seriam governados por si próprios. Tal postura também pôde ser encontrada nos tempos do neoliberalismo do século passado no Brasil pós-ditadura militar.
    A partir dessas diferentes liberdades, de certo a forma de julgar qual das duas é melhor é impossível, pois ambas partem de concepções diferentes, mediante ao pluralismo de valores de cada ser humano; dessa forma constata-se que ambas precisam estar unidas, completando-se mesmo que de forma muito contraditória mas coordenando-se no plano real da sociedade.

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  93. Em sua obra, Berlin classifica a liberdade em dois aspectos: positiva e negativa. Ambas dão a ideia da existência de impedimentos para os indivíduos, algo crucial para a liberdade.

    A respeito dos dois tipos, explica-se que na liberdade positiva há o respeito das decisões individuais seguindo determinados critérios e normas, como as leis do Estado ou qualquer outra instituição que se faça presente e que garanta que a liberdade de uns não interfira a de outros.

    Já a negativa deduz-se que o ser humano — o indivíduo — pode viver e tomar decisões de acordo com seus gostos, sem restrições, obstáculos, impedimentos. Ele toma decisões respeitando apenas a si mesmo.

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  94. Isaiah Berlin vê a Liberdade como constituinte da justiça e no centro de suas ideias estava a liberdade individual, o termo liberdade possui vários significados, por esse motivo Berlin se depara com um paradoxo quanto o conceito de Liberdade. Em seu texto “Two Concepts of Liberty” Berlin desenvolve dois conceitos de Liberdade, a Liberdade Positiva e a Liberdade Negativa.

    A Liberdade Positiva consiste no espaço de possibilidades que os indivíduos têm para exercer sua liberdade, onde tal Liberdade define e garante os espaços e as ações cabíveis neste espaço. Ou seja, tal liberdade seria uma liberdade restritiva e exclusiva, pois a sociedade seria moldada por leis e por instituições que dariam certo tipo de liberdade àqueles que fizessem parte e que se enquadrasse em tal modelo. Na Liberdade Positiva não se questiona quem coage, mas prevalece a ideia de que esse espaço deve ser igual para todos, garantindo assim a liberdade justa.

    A Liberdade Negativa consiste em questionar quem define os limites das liberdades individuais, tal liberdade representa a ideia de que o indivíduo seja livre para fazer o que quiser, seria uma sociedade que incluiria ao invés de excluir, uma liberdade plural, que aceitaria todos os existentes dela, onde as leis e as instituições não interfeririam na liberdade do indivíduo, somente garantiriam as ações individuais. No entanto não há garantia de que todos poderão desfrutar dessa liberdade.

    Para Berlin não há um sistema que utilize apenas uma das liberdades, segundo ele, para se expandir a Liberdade negativa é preciso que a Liberdade Positiva também coexista, ou seja, não há uma separação entre elas, afinal trata-se apenas de um conceito, a liberdade.

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  95. A teoria de Isaiah Berlin nos remete a liberdade como um conceito bipolar, na qual ela apresenta duas concepções, a liberdade positiva e a liberdade negativa, e que posteriormente elas se mesclariam em um mesmo conceito.

    A liberdade negativa seria aquela em que um individuo poderia exercer livremente sua liberdade, de forma que suas atitudes poderiam influenciar diretamente a liberdade do próximo, sem que ele fosse coagido. Já a liberdade positiva seria aquela em que haveria um Estado regulador, que forneceria ao individuo suas necessidades básicas, porém limitando sua liberdade de modo que esta não atrapalhasse na liberdade do próximo.

    Porém ambos os conceitos se encaminhariam a conflitos, então de certa forma eles estariam unidos,formando uma espécie de circulo vicioso, onde em um momento as pessoas poderiam colocar suas necessidades básicas em segundo plano com o intuito de obter a liberdade plena, porém em uma outra instância poderiam estar dispostas a abrir mão desta liberdade em pró de suas necessidades básicas.

    O contexto da guerra fria exemplifica de forma clara estes conceitos, podemos tomar o caso da URSS que sofre com diversos conflitos e gera esse ciclo, como pode ser observado no documentário The Trap.

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  96. Isaiah Berlin, destaca dois pontos da liberdade, a liberdade positiva e a liberdade negativa. O liberalismo de Berlin questionou alguns preceitos liberais como a universalidade de valores que considerou incompatível.
    A liberdade, disse Berlin, não é seguramente o único valor estimável. Existem muitos outros. Mas a ideia monista de que é possível reconciliar todos os valores num todo harmonioso, sem conflito entre eles, é uma ideia errada. Visa alcançar o paraíso na terra. Em regra, gera infernos totalitários. ‘Liberdade é liberdade, não é igualdade, ou equidade, ou justiça, ou cultura, ou felicidade humana, ou uma consciência tranquila".

    Liberdade Negativa - É a liberdade entendida como ausênciade coerção intencional por terceiros.

    Liberdade Positiva - A liberdade não pode ser apenas ausência de coerção. Tem de ser tambémcapacidade para tornar efetiva a escolha que a liberdade negativa permite fazer.

    O conhecimento da Humanidade e o respeito pelos nossos semelhantes constitui, para Berlin, uma forma de aprendizagem do nosso presente e de nós próprios. Com este propósito, Berlin tentou perceber e justificar o seu presente através do recuo no tempo e da incursão por muitos nomes da filosofia e do pensamento político que, para o bem ou para o mal, influenciaram o curso das ideias e, consequentemente, da História
    Berlin acredita em alguns valores morais universais, o mínimo liberal para que as sociedades decentes possam existir. Por decência, Berlin refere-se às sociedades que distinguem o bem do mal, que não cerceiam a liberdade individual e que cultivam a tolerância

    João Lucas

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  97. Isaiah Berlin concebe a Justiça como constituinte da Liberdade, porém analisa tal liberdade inserida entre os dos sistemas em disputa Capitalismo e Socialismo.Mostra que existe uma diferencia ente a definição de liberdade no mundo capitalista e no mundo socialista.O que vem a chamar de Liberdade Positiva, e Liberdade Negativa, respectivamente.

    Berlim apresenta a liberdade com duas faces, mutuamente excludentes,e que podem ou não viver no mesmo sistema, porém ambas presentes no conceito de liberdade. Há a liberdade positiva que se preocupa com a ampliação do espaço de liberdade, mesmo que essa não garanta o mesmo espaço a todos de uma sociedade, e nesse sentido liberdade tem haver com a diminuição do poder de coerção (interferência do Estado). De outro lado, há a liberdade negativa que consiste em questionar quem define os limites das liberdades individuais. Esse aspecto da liberdade vê que o que importa e ter um espaço de liberdade, é que este espaço mesmo que limitado seja oferecido a todos e com a maior possibilidade de estilos de vida aceitáveis.

    Tal teoria traz um paradoxo, visto que nenhum sistema possuía apenas um sentido e conceito de liberdade - liberdade positiva X liberdade negativa - já que ambas estão inseridas em conceitos de liberdade, nós colocando em uma rua sem saída onde temos que viver em ambos os sistemas, e definições de liberdade.

    Desse modo temos que escolher o nosso modo de vida como quiser, já que teremos que conviver com as contradições do mundo.

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  98. Carolina Fátima de Oliveira e Marques Paula
    RA 21006412

    O tema quatro “A concepção liberal de justiça” aborda as ideias do filósofo político britânico Isaiah Berlin. Nascido na Rússia, e tendo se estabelecido na Inglaterra, Berlin foi um defensor do liberalismo e criticava a União Soviética.

    Sua principal ideia gira em torno dos conceitos de liberdade negativa e positiva. A liberdade negativa representa a ausência de quaisquer obstáculos e barreiras na vida das pessoas. Assim, relaciona-se a agentes pessoais e aos fatores externos a esse agente. A liberdade positiva representa nossa capacidade de controlar nossas próprias vidas e fazer tudo o que desejamos. Assim, relaciona-se a coletividades ou indivíduos situados em grupos. Como é dito no texto da Enciclopédia de Filosofia de Stanford, a liberdade positiva “muitas vezes se sobrepõe ao trabalho da natureza da autonomia”. A liberdade positiva relaciona-se a fatores internos ao agente, exigindo autocontrole, autodeterminação e autorrealização.

    Surge então uma questão de difícil análise: É possível ao Estado promover a liberdade positiva aos cidadãos? Essa questão é amplamente é estudada no documentário da BBC “A armadilha: o que aconteceu com o nosso sonho de liberdade?”. A ideia principal que se retira do documentário é que, ao decorrer da História, muitos governos buscaram através da liberdade positiva alcançar a liberdade negativa. Contudo, conforme Isaiah Berlin havia advertido todas as tentativas de mudar o mundo para melhor levam à tirania. A busca incessante pela liberdade acaba fazendo com que nos tornemos ditadores. A intervenção dos EUA no Iraque e no Camboja são exemplos dessa situação. Para alcançar a liberdade, a democracia, o governo estadunidense não hesitou em inventar mentiras que fizessem com que sua população apoiasse seus atos. Para os EUA e muitos outros países, “os fins justificam os meios”.

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  99. Isaiah Berlin nos mostra que a liberdade seria então um pergunta referente a questionamentos políticos, que muitos filósofos desdenham, assim mostra que a liberdade se condiciona ao “tipo” de subordinação que será realizada. Assim, assume que no contexto que o certa, que os sistemas capitalista e socialista tem como finalidade a Liberdade, mas obtêm métodos econômicos-sociais e muitos outros meios diferentes para que a liberdade seja um atenuante de seus sistemas. E também que apesar das diversas opiniões de sistema econômicos diferentes, pensadores reacionários, entusiastas ou pessimistas, todos tem noção de que o mundo é regido por leis. Berlin posiciona seus pensamentos baseados em dois conceitos de liberdade: o negativo e o positivo.
    A liberdade negativa se dá quando um indivíduo só se sente livre quando nenhum homem ou grupo interfere em suas ações. Caso haja interferência é possível chama-la de coerção, quando um homem ou grupo interfere em ‘espaços’ que um indivíduo possa atuar. Esse sentido negativo era a maneira como os filósofos políticos ingleses entendiam o conceito de liberdade, porém existia a ideia de que os ‘espaços privados’ deveriam ser determinados por lei, surgindo assim uma diferença entre a área da vida privada e a autoridade pública. Entretanto, existem duas medidas que são capazes de fazer com que tal liberdade seja difícil de ser executada. A primeira se refere as atitudes humanas e que não são harmonizadas, havendo então interferência de outros. A segunda se refere a outras virtudes, como a segurança, igualdade, justiça e felicidade que são colocadas como prioridade para os indivíduos, negligenciando e restringindo a liberdade em função deles. A liberdade negativa se conecta ao limite de interferência que um órgão superior pode ter em relação ao espaço ‘privado’ do indivíduo, porém esse “órgão” não se limita somente ao Estado e nem está correlacionado com a democracia. Entendo que a liberdade negativa de Berlin seja mais parecida com a “tolerância”, uma vez que um Estado laico, por exemplo, não obriga a todos os cidadãos a seguirem determinada religião. A liberdade negativa estaria, para mim, relacionada ao modo um governo liberal adota, deixando os cidadãos livre em determinadas áreas privadas de sua vida, não interferindo nas opções que os cidadãos possam ter.
    A liberdade positiva seria entendida como a vontade de se autogovernar de cada indivíduo. Tal liberdade se faz como oposição a contestação externa da liberdade negativa, uma vez que a finalidade da liberdade seria a auto-realização. Berlin nos apresenta uma liberdade positiva com o constrangimento interno, através da dissociação da razão e dos desejos incontroláveis. A razão seria o ‘componente’ de coerção, que acredita ser maior do que“ser” e pode coagir a outros acreditando estar tentando trazer à tona a ‘liberdade’, inserido num contexto social, onde todos os indivíduos se sintam parte de uma coletividade, nação, tribo e etc. Assim, a razão é a dominante sob os desejos incontroláveis que agem por impulso.
    As ideias de liberdade positiva X liberdade negativa de Berlin acaba por desencadear um paradoxo e questionamentos. É difícil a observação da liberdade positiva ou negativa numa sociedade, dando margem para que elas coexistam dentro de um mesmo sistema. O fato exposto por Berlin desencadeia uma reflexão profunda, promovendo um debate de ideias sobre como encontrar uma “saída” para o paradoxo, porém ainda não há uma resposta para ele.
    O relativismo, para Berlin, é explicado como uma “interpretação falaciosa da experiência”. Ou seja, ignora que as experiências individuais e fatos que ao longo do tempo foram se mostrando ineficiente. O determinismo, por sua vez, mostra-se como um libertador dos sentidos humanos, entretanto acaba por representar o mundo como uma prisão. Apesar disso as duas doutrinas acabam por negligenciar as experiências humanas.

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  100. O trabalho de Isaiah Berlin sobre o conceito de liberdade pode ser visto a partir de dois pontos, definidos pelo próprio autor: liberdade positiva e liberdade negativa. Liberdade positiva seria aquela na qual os indivíduos tem suas escolhas e direitos limitados por um sistema na qual estão inseridas e, portanto, devem atuar dentro de um certo limite. Caberia ao Estado, através da coerção e da lei, definir esses limites para a atuação do ser humano, porem, o mesmo Estado que limita é o que garante que certas condições mínimas serão respeitadas para todos. Esse conceito poder ser interpretado um tanto quanto paradoxal. Já a liberdade negativa é aquela que de fato os indivíduos têm a liberdade de escolher a melhor forma de viver que julguem mais apropriadas, dando espaço para todos os modos de vida, sem interferência da coerção. Essa liberdade, porem, não garantiria condições mínimas como ocorre na positiva. Um exemplo pratico de ambas seria o caso da bipolarização do mundo após a Segunda Guerra Mundial na qual a URSS representaria o conceito de liberdade positiva através do socialismo e os EUA representariam a liberdade positiva através do capitalismo.

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  101. Isaiah Berlin usa em seu livro dois conceitos, a liberdade e o pluralismo, esses conceitos ocorrem dentro de um contexto filosófico político social. Berlin acredita que para que ocorra a justiça tem que existir liberdade, dividindo a liberdade em duas, a liberdade positiva e a liberdade negativa.
    Liberdade positiva é aquela que tem a possibilidade do indivíduo agir para atingir seu objetivo. Essa liberdade é conhecida como posterior às leis, pois nessa liberdade você tem o estado que interfere como meio de criar as leis, delimitando o espaço.Assim as nossas escolhas estão inseridas na sociedade e por isso são limitadas, obedecendo às leis impostas.
    Já a liberdade negativa é a “ausência de impedimentos à ação do indivíduo”, ou seja, não possui obstáculos, não há nada que seja uma barreira para você agir. A liberdade negativa vem antes das leis, pois não possui nada que torne o meio coercivo.
    Tanto a liberdade positiva quanto à liberdade negativa fazem parte do liberalismo político.

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  102. Podemos classificar Berlin como um filósofo moderno, seus conceitos podem ser visualizados facilmente ao longo da história e na atualidade. Berlin atribui um valor significativo à ideias e coloca que grandes transformações sociais se deram por elas.
    Apesar de distinguir os (dois) conceitos de liberdade em sua obra, Berlin deixa claro que não há como separá-los e isso se dá pois um é consequência do outro, como um ciclo vicioso em que a busca pela liberdade te leva a uma “nova forma de liberdade” e assim por diante, sendo que toda “forma de liberdade” adotada é uma mescla das duas dimensões de liberdade que Berlin conceituou e para diferenciar os conceitos, Berlin os classificou como Liberdade Positiva e Liberdade Negativa.
    Ambas as liberdades são utópicas e impossíveis de se tornarem reais distintamente pois sempre haverá uma dificuldade que te priva da “liberdade total”.
    A Liberdade Positiva é uma ilusão pois é limitada. Todos os seres possuem a liberdade dentro de regras determinadas, ou seja, a liberdade é igualitária e por isso ninguém invade o “espaço” alheio. É importante ressaltar que a liberdade positiva é variável, existem regimes governamentais e doutrinas diversas que limitam a liberdade.
    A Liberdade Negativa é a liberdade ideal caso a harmonia fosse atingível. Na dimensão da Liberdade Negativa todos possuem liberdade imensurável, podendo invadir a liberdade de outro e ter total controle da sua. O indivíduo é excluído de qualquer tipo de coerção.
    O Pluralismo consegue expor o porquê é tão complexo atingir uma liberdade sem regimes autoritários pois, ao deparar-se com escolhas e ter que priorizar valores e questões igualmente fundamentais para uma boa vivencia, o ser humano deixa a liberdade em “segundo plano” pois ao deparar-se com precariedade nas áreas da saúde, educação, segurança, etc. – mas com total liberdade – o ser humano percebe a necessidade e começa a priorizar outros fundamentos no lugar da liberdade. Da mesma forma o contrário acontece, se caso haja uma repressão muito grande fazendo com que a sociedade sinta-se totalmente não-livre, inicia-se a priorização da liberdade no lugar de outros valores.


    Larissa de Cássia Cruvinel - 21038211

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  103. Isaiah Berlin diz que não há apenas uma verdade, uma resposta para cada pergunta. O autor é favorável ao pluralismo de ideias e de liberdades. Nessa obra, Berlin tem como principal objetivo explanar sobre dois (principais, de acordo com ele) conceitos de liberdade, e fala também de suas aplicações.

    A primeira delas é a Liberdade Negativa. É a liberdade de todos os indivíduos de fazerem o que quiserem. Existe uma espécie de esfera, previamente delimitada, dentro da qual pode ser feito o que quiser.

    A outra é a Liberdade Positiva. Como diz o autor, o sentido 'positivo' dessa liberdade vem do desejo do indivíduo de ser seu próprio mestre. Nesse conceito de liberdade, há a diminuição do poder coercitivo do Estado. Os limites, nesse caso, são mais flexíveis.

    As ideias de Berlin se tornam ainda mais interessantes pela facilidade com que podemos inseri-las no contexto histórico, como é bem mostrado no documentário da BBC, o que traz mais interesse e maior capacidade de compreensão a elas.

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  104. Isaiah Berlin nasceu em 1909 na Letônia, parte do Império Russo na época. Passar sua infância em um país pertencente à união soviética e vivenciar a Guerra Fria foram alguns dos fatores que acabaram influenciando o seu pensamento.

    Em seu texto “Quatro ensaios sobre a liberdade”, Berlin defende que a liberdade possui duas dimensões: Liberdade Positiva e Liberdade Negativa. Entendemos como liberdade positiva aquela em que os indivíduos possuem certa liberdade, mas esta deve permanecer dentro da esfera que o conjunto de leis vigentes cria. Este sentido de liberdade, segundo Berlin, é exclusivo e típico de governos autoritários ou opressores (o filósofo utiliza a União Soviética como exemplo para esta dimensão de liberdade), e deve responder a pergunta “o que, ou quem, é a fonte de controle ou interferência que pode determinar alguém a fazer, ou ser, isso ao invés daquilo?”. Já a liberdade negativa pode ser considerada inclusiva, pois procura garantir a liberdade dos indivíduos sem que esta seja limitada por terceiros, ou seja, o Estado pouco interfere na liberdade das pessoas, como é o caso dos Estados Liberais. Neste segundo sentido, a pergunta que se busca responder é “qual é a área dentro da qual o sujeito – uma pessoa ou um grupo de pessoas – é deixado ou deveria ser deixado para fazer ou ser o que ele é capaz de fazer ou ser, sem a interferência de outras pessoas?”. Vale reforçar que liberdade positiva e liberdade negativa são dois pontos de vista diferentes de um mesmo conceito, e não dois conceitos diferentes.

    No entanto, Berlin acredita que a liberdade negativa (vista muitas vezes como a melhor das duas dimensões) acaba contradizendo suas próprias ideias. Quando um Estado liberal tenta aplicar a liberdade negativa em certo local acaba sempre utilizando mecanismos opressores, e “cria” uma sociedade também repressiva em certo aspecto. Esta ideologia em que estamos inseridos é para Berlin um problema presente no mundo atual que sem dúvida em algum momento irá fracassar, mas até o momento não existem opções para substituí-la.

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  105. Berlin irá começar seu texto dizendo que suas ideias tem impacto forte sobre a realidade social, da discussão teórica surgem novas soluções, conceitos e estilos de vida.
    Ele irá conceituar a liberdade como positiva e negativa.
    Sendo elas respectivamente: é definida como ter o poder e os recursos para cumprir suas próprias potencialidades e para controlar e determinar suas próprias ações e destino. É a noção de liberdade como auto-realização, em oposição a liberdade negativa, que é a liberdade de contenção externa. Na liberdade positiva existe o respeito das decisões pessoais dentro de uma moldura de condições, com o Estado ou até mesmo outra entidade, garantindo que a liberdade de alguns não interfiram na liberdade dos outros, seria uma liberdade democrática. Ela não abrange todos da sociedade, apenas o que se enquadram dentro desta moldura.
    Sendo que a negativa é entendida como a não-interferência do poder do Estado sobre as ações individuais: o indivíduo é o mais livre quanto mais o Estado deixar de regular a sua vida. A falta de restrições é, portanto, diretamente proporcional ao exercício da liberdade negativa.
    A Liberdade Negativa, segundo Berlin seria a liberdade do “self”. Uma sociedade baseada na liberdade negativa daria a seus indivíduos a liberdade para ser e fazer o que quisessem, seria uma sociedade que incluiria ao invés de excluir, uma liberdade plural, que aceitaria todos os “eus” existente nela. As leis e instituições não interfeririam na liberdade do individuo, somente garantiriam as ações individuais.
    Analisando esses dois tipos de liberdade, encontramos um impasse: A aparente incapacidade de se aplicar a liberdade negativa. Foi mostrado que durante o processo histórico diversas tentativas de adotar a concepção negativa foram frustradas, na medida em que foram utilizadas medidas repressivas para tentar alcançar tal concepção, processo que acabava conduzindo novamente à implementação da liberdade positiva.

    Fernanda A. Nascimento - RA 21071312

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  106. Isaiah Berlin consolida três conceitos importantes em sua produção teórica: os conceitos de liberdade positiva, de liberdade negativa e de pluralismo.

    A liberdade possui um significado ambíguo, apresentando-se em duas dimensões.

    Na primeira delas, a negativa, considera-se a existência de uma “área” na qual um indivíduo pode agir sem interferência de outros; sua liberdade é tão extensa quanto a extensão dessa área: “the wider the area of non-interference, the wider my freedom”.
    “What’s the area within which the subject – a person or a group of persons – is or should be left to do or be what he is able to do or be, without interference by any other persons?” Seria possível sabê-la? As pessoas possuem objetivos e atividades diferentes, bem como valorações diferentes. É por isso que se supõe a existência de um órgão controlador, que garanta a autonomia desses indivíduos dentro de suas liberdades de forma igualitária: o Estado. Aqui, admite-se que haja um encolhimento da liberdade de alguns (assim como um alargamento de outros), mesmo que a ideia de coerção seja justamente essa limitação da liberdade individual, sob a condição que essa área individual seja garantida igualmente a todos.

    A segunda delas, a positiva, advém do desejo do sujeito de “ser seu próprio senhor”, de se autogerir: “I wish to be a subject, not an object”. A pergunta “What, or who, is the source of control or interference that can determine someone to do, or be, this rather than that?” ilustra essa questão. Valoriza-se a individualidade, a capacidade individual de cada pessoa. Aqui, há uma presença menor de uma força coercitiva (atribuída em grande parte ao Estado) e admite-se que talvez não haja uma igualdade entre as liberdades das pessoas, nem algo que a garanta a elas necessariamente.

    Podemos associar cada uma delas aos polos nos quais o mundo dividia-se na época em que Berlin vivia, durante a Guerra Fria: Rússia e EUA, associando-os também a divisão política do século anterior trazida logo no início do texto estudado, o “nacionalismo romântico” e o “individualismo humanitário”. Entretanto, essas dimensões não são fundamentalmente opostas, podendo misturar-se e ser componentes de um mesmo sistema político, por mais que uma apareça mais claramente que a outra, e é esse o problema encontrado por Berlin, que não vê saída para resolvê-lo, pois sobre essa ambiguidade é que a sociedade como um todo se firmou.

    Em relação ao pluralismo, o autor defende a existência de verdades diversas, de valores diferentes, de uma diversidade em oposição a restringir-se a uma verdade única, a um monismo. Na reportagem da Folha, que traz três acadêmicos comentando sobre Berlin, um deles chama atenção a própria trajetória plural do autor.

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  107. Berlin segue a ideia de que a justiça e a liberdade tem uma relação entre si. A liberdade é tida por ele como uma constituinte da justiça.
    Ele divide a liberdade em positiva e negativa, assim vou me apoiar nesses dois conceitos:
    Liberdade positiva são as atitudes que podem ser tomadas pelos indivíduos dentro dos limites estipulados pelas leis. Qualquer atividade que esteja dentro desse limite é permitida e aceita. Essa liberdade pode ser vista como limitada, pois quem define até onde ela vai são as leis da sociedade. É uma liberdade que deve ser justa, ou seja, igual para todos.
    Liberdade negativa segue no caminho de que os indivíduos devem ser livres para tomar as atitudes que sejam de seus interesses, não é limitada por regras e assim não excluiria ninguém. O problema esta no fato de, por não existirem regras estipuladas por um governo, não há segurança de que essa liberdade seja praticada por todos, pois as atitudes de uns podem interferir na vida de outros.
    Guilherme Noronha de Arruda Melo
    R.A. 21050512

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  108. Lívia Maria Cianciulli
    RA 21012612


    Essa é minha primeira postagem do quadrimestre. Foi um pouco dificil, Berlin pode soar um pouco simples quando se ouve falar sobre sua teoria, entretanto, existe uma complexidade que vai além daquilo que se encontra na linguagem do texto, um embate pessoal, eu diria. A parte mais dificil de se entender, ou tentar entender o que berlin tem a dizer sobre a Liberdade é que ela não é absoluta, sequer ilimitada. Paradoxalmente, só se goza de Liberdade quem conhece limites. Berlin explica.
    Na obra “Quarto Ensaios Sobre a Liberdade”, o autor faz um retrospecto das principais teorias so século XIX apontando suas berrantes diferenças e pontos em comum. Pincela um pouco sobre a origem das diferenças entre essas teorias. Em suma, essas teorias e suas diferenças derivam das diferentes concepções sobre a natureza do Ser Humano. Citando o texto ”Vale a a pena repetir: havia um aspecto sinistro, dificil de perceber, que negava o primado da razåo individual na escolha dos fins.``. Esse pode ser um ponto chave para entender a visão do autor sobre as teorias tão difundidas e motivo de tanta discussão até nos dias atuais. Berlin nasceu no Letão, viu a segunda Guerra mundial, vivenciou a aplicação das teorias que sustentavam os sistemas politicos do pós Guerra, e portanto, desenvolveu opiniões que iam contra as premissas que justificavam aquelas teorias pouco suficientes de seu tempo. Teorias essas que quando maximizadas, culminaram com um período de conformismo politico e ideológico que durou quase todo seculo XX, fruto da supressão de alternativas através de consensos extremamente limitantes sobre os aspectos humanos.
    A bagagem pessoal de Berlin dificilmente permitiria que ele tivesse uma opinião conivente a essas teorias, as quais só podem ser admitidas caso se aceite uma única e suprema influencia do “todo” sobre o indivíduo. Berlin não formularia uma teoria determinista segundo seu histórico pessoal e não a formulou.
    O pensamento contemporâneo é marcado por duas frentes que apresentam deficiencias igualmente limitantes. Existem tendências profundamente Relativistas e tendências profundamente deterministas dentro das criações teóricas atuais. As primeiras sofrem dos males da interpretação falaciosa das experiência, ou seja, muitas vezes as “interpretações” não passam de descrições bem construidas, uma vez que relativizando, não se constroem afirmações que tenham caráter amplo. As segundas admitem o Universo, em suma como uma prisão, fazendo com que avaliar responsabilidades e atribuir consequências`a livre decisão seja sem sentido.
    berlin notou essa lacuna nas teorias vigentes e buscou construir algo que, em certa medida, uniu e definiu conceitos elementares que, até então, pareciam totalmente opostos e excludentes. A chave de sua obra é a conceituação e discussão de Liberdade.

    continua...

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  109. A Liberdade é tanto positiva quanto negativa. Sinteticamente explicando, quando negativa, define-se por estar inserida num intervalo de ações que podem ser praticadas livremente sem a interferencia de outros. A Liberdade positiva, se define por sermos livres para controlar nosso destino e escolher nossos objetivos, ou seja, ela trata das fontes de controle pelos quais individuos/grupos de individuos escolhem suas ações. Esta última garante a possibilidade de se questionar as justificativas dos limites da liberdade. Ela investiga, limita ou ausenta a coerção para que o espectro da Liberdade se expanda.
    Esses dois conceitos não competem, eles se completam, tornam a liberdade dependente dos dois para que seja definida e compreendida numa totalidade. São inseparáveis porque o modelo positivo cria o negativo. Só se faz possivel a definição de Liberdade pressupondo-se que ela terá certas limitaçoes, mas essas limitações só serão dadas através de um sistema que julgará as coerções que determinados estilos de vida poderá enfrentar em função de seus conteúdos. Tanto mais modos de vida um sistema adotar, tanto mais liberal ele será.
    Ampliar as Liberdades exige maiores areas de não interferencia. Existe uma discordância teórica nestes pontos, visto que, para alguns estudiosos, outros objetos devem se sobrepor `a individualidade que esse tipo de conceito de Liberdade traduz. Alguns filosofos diriam que a liberdade idividual que esse tipo de sistema traz `a sociedade deveria ser diminuída em função desses outros objetos , ou seja, nem sempre as liberdades individuais serao as maiores necessidades sociais.
    Não é dificil ir a fundo com as ideias de Berlin e concluir que a liberdade, seguindo este sentido, é compateivel a autocracias e ausencias de governos. A Liberdade negativa infere sobre areas de controle, e não sobre quem controla essas areas. Concluir um Estado mínimo por falta de necessidade adotando-se um conceito de liberdade como tal.




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  110. Isaiah Berlin pontua duas dimensões para a liberdade (dando a ela um caráter ambíguo): a Liberdade Positiva e Liberdade Negativa. Ele consolida, também, o conceito de Pluralismo.

    Segundo Berlin, o conceito de Liberdade negativa vem incorporado na resposta à pergunta “Qual é a área em que o sujeito — um indivíduo ou um grupo de indivíduos — está livre, ou se deveria permitir que fosse, da interferência dos outros?” . Sendo assim, Berlin coloca a Liberdade Negativa como a ausência de obstáculos, barreiras ou restrições, demonstrando que um indivíduo é livre na medida em que ninguém ou nenhum grupo de indivíduos interfere com as suas atividades. A liberdade política, nesse sentido, é simplesmente a área em que este indivíduo pode agir sem sofrer limitações de terceiros. Ao contrário, coerção significa a interferência de liberdade de outros seres humanos na área em que este indivíduo poderia, de outra forma, agir. “Não se possui liberdade política quando se está sendo impedido por outros de alcançar um objetivo” – disse Berlin.

    Já o conceito de Liberdade Positiva, por sua vez, vem incorporado na resposta à pergunta “O que ou quem é a fonte de controle ou de interferência que pode determinar que alguém faça, ou seja, uma coisa e não outra?”. Para Berlin, o sentido “positivo” da palavra “liberdade” tem origem no desejo do indivíduo de ser seu próprio amo e senhor — o desejo de se autogovernar.

    Liberdade positiva é a possibilidade de agir - ou o fato de agir - de tal forma a assumir o controle da própria vida e perceber que uma de propósitos fundamentais. Enquanto a liberdade negativa é geralmente atribuída a agentes individuais, a liberdade positiva é muitas vezes atribuída a coletividades ou indivíduos considerados principalmente como membros de determinadas coletividades.

    Por fim, em relação ao pluralismo, Isaiah Berlin aponta para a existência de diferentes valores e de verdades diversas, expondo uma diversidade em oposição a restringir-se a uma verdade única, a um monismo.

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  111. Isaiah Berlin formulou sua teoria acerca do conceito de liberdade notoriamente influenciado pelo contexto histórico em que se situava. Em plena guerra fria, Berlin procurava solucionar como dois modelos políticos antagônicos foram formados a partir da conceituação de liberdade.
    Dentro disto, Berlin afirma que o conceito de liberdade admite duas conceituações/dimensões possíveis, e não apenas uma como se colocava nos debates antagônicos da época a respeito de qual seria considerado. Ele via a questão dividida nos conceitos nomeados por ele como liberdade positiva e negativa. Uma liberdade negativa seria a dimensão utilizada pela URSS como forma de legitimação de seu governo, onde um poder coercitivo provindo do aparelho estatal delimitaria e garantiria ações individuais dentro deste espaço , porém reprimiria toda contestação e fuga do que foi delimitado. Desta forma, se esperava garantir a todos que as visões e ações que teriam dentro deste sistema não fosse conflituosa com a de outros neste contexto. Ao meu ver, buscavam uma homogeneização dos indivíduos a partir de uma ordenação de valores realizada por este mesmo estado, poder coercitivo.
    Porém, como vimos em Kelsen, valores em sua natureza nunca são absolutos, sempre são subjetivos, relativos, e dentro disto, uma vez que se instaura o questionamento desta forca coercitiva, outra dimensão acerca da liberdade acaba se formando, que é a liberdade positiva, onde através do questionamento a forca coercitiva é “afrouxada” na medida em que se tornam possíveis mais modos de vida e ações individuais dentro do sistema. Mais escolhas para o indivíduo, porém menos garantias, uma vez que estes modos de vida podem agora entrarem em conflito contra outros, como exemplificado em sala de aula no contexto do homem bomba dentro de uma sala.
    Berlin, ao exibir estas duas dimensões de liberdade, esclarecia em partes o verdadeiro debate e contraste presente na época da guerra fria, porém, outras questões vem a tona ao abordar a prática nestas duas dimensões, como por exemplo o papel do governo e do mercado dentro de uma liberdade positiva, que podem agir como uma forca coercitiva tal como na dimensão negativa. Em nenhuma das duas dimensões podemos excluir uma forca sobre o sistema, onde em uma se residiria no estado e em outra se residiria no mercado, um confluindo sobre o outro e dando rédeas a sociedade, de tal forma que uma liberdade plena, do jeito mais simples de interpretar, nunca será alcançada, sendo justamente esta liberdade vaga o que impulsiona e “legitima” ações desta forca mundialmente.

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  112. Coagir alguém é privá-lo de sua liberdade, mas o que seria essa “liberdade”? Ao longo da obra, Berlin propõe-se a analisar “dois sentidos” dessa ideia.

    O primeiro deles, que Berlin vem a chamar de “liberdade negativa” responde à seguinte questão: qual é o espaço no qual o indivíduo, ou um grupo de indivíduos, pode ser e agir sem a interferência de outros? A liberdade política seria o agir dentro de uma área preestabelecida, e qualquer ato que ultrapasse seus limites sujeitaria o indivíduo à coerção. Ser livre, portanto, seria agir sem a interferência de uma força coercitiva. Quanto maior a área de possibilidade de atuação sem intervenção, maior a liberdade do indivíduo.

    Já o segundo, denominado “liberdade positiva”, responde: o que ou quem são as ferramentas de controle que podem determinar o que um indivíduo seja ou faça? Nesse sentido, a liberdade deriva do desejo de as decisões e a vida dos indivíduos dependerem deles mesmos, e não de forças externas. “I wish to be somebody, not nobody; a doer – deciding, not being decided for, self-directed and not acted upon by external nature or by other men as if I were a thing, or an animal, or a slave incapable of playing a human role (…).” (BERLIN, 1958)

    É importante ressaltar que mesmo respondendo questões bastante diferentes, Berlin mostra que esses dois significados de liberdade não são antagônicos, e sim ideias que se sobrepõem e entram em conflito.

    Ao longo de “Two Concepts of Liberty”, Berlin afirma que é necessário garantir uma proteção às liberdades individuais, representando, assim, a limitação do poder estatal e dos outros indivíduos, de maneira que nem o primeiro nem o segundo estariam permitidos a interferir ou ultrapassar as fronteiras das liberdades individuais. Estabelece-se aqui um dilema, afinal, segundo Berlin, os modelos políticos democráticos até então não teriam se mostrado capazes dessa proteção às liberdades individuais.

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  113. Quando as liberdades estão nuas,uma pessoa pode ser livre para fazer o que quiser, mas os outros têm a mesma liberdade para interferir com suas ações.
    Direitos são conceitos que definem um domínio dentro do qual as pessoas devem ter a liberdade ou seja ser livre para fazer o que quiserem livre de interferência de outro. Neste sentido,
    A concepção liberal da justiça é o respeito dos direitos. Alguns direitos são naturais na medida em que os domínios que define são pré-requisitos para a busca da felicidade , paz e prosperidade à luz da natureza das pessoas e do mundo em que vivem. Resolver o problema generalizado de conhecimento requer uma ordem de ações que é atingido por dois componentes: jurisdições descentralizadas e transferências consensuais de jurisdição.É necessária uma estrutura de liberdade para facilitar a liberdade de ação e também para restringi-lo . Na próxima seção , eu explico como os direitos reconhecidos pela concepção liberal de justiça facilitar as liberdades descritas por estes dois componentes. O direitos também fornecem restrições sobre as ações que as pessoas podem " legalmente " tomar. No entanto, o caso de reconhecimento desses direitos não depende exclusivamente de sua capacidade de lidar com o problema de primeira ordem também são necessários os mesmos direitos para resolver os problemas difusos de interesse e poder.

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  114. Isaiah Berlin se direciona a entender o real sentido da liberdade na sociedade em sua obra, ele tem como suporte sistemas políticos e fatos históricos para apresentar seu pensamento acerca do assunto. Em suas palavras descreve a liberdade como sendo fundamentalmente ela mesma e não a correlaciona com a equidade e a igualdade de que Rawls nos apresenta em sua teoria.
    "Liberdade é liberdade, não é igualdade, ou equidade, ou justiça, ou cultura, ou felicidade humana, ou uma consciência tranquila"; dessa forma então que Berlin descreve tal conceito.
    Ele separa a liberdade em duas, sendo elas a positiva e a negativa:
    .A liberdade positiva seria estabelecida por líderes, o que estes considerassem justo, fariam e aplicariam condições as pessoas e quem os contrariasse seria devidamente oprimido;
    .Já a liberdade negativa consiste na ausência de ações coercitivas de pessoas ou instituições, nessa liberdade como dito no documentário A Armadilha, disponível no link http://www.youtube.com/watch?v=BWNZHJsR0Sc, "TODOS TEM A LIBERDADE DE AGIR COMO QUISER, O PODER SERIA OPRIMIDO" pelas pessoas.
    Com base nesses conceitos, Berlin tem sido constantemente lembrado na academia e é tema de discussão até hoje, pois a liberdade querendo ou não é um tabu nas sociedades, tanto do passado quanto do presente, pois como o próprio documentário já citado acima retrata, ela sempre foi "escondida desde os primórdios", sempre tivemos interferências pra dizer o que e como devem ser feitas nossas ações. E, apesar desse esforço para torná-la escondida, inevitavelmente ela nos direciona a uma grande fascinação e nos faz gerar inúmeras questões, das quais muitas vezes não temos respostas.

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  115. Berlim vivia em uma época em que dois conceitos de liberdade estavam se chocando. Gerando assim duas formas de ideologias sociais. O comunismo e a economia liberal. Porém, Berlin mostra que as “liberdades” defendidas tanto pelo comunismo, como pela economia liberal não eram coerentes com a ideia real de liberdade, que deveria garantir a vontade do povo individualmente.
    A diferença entre os dois tipos de liberdade foi exposto por Berlin, que argumentou que eles são compatíveis, mas podem e frequentemente estão em conflito. Ele também argumentou que, historicamente, a utopia de liberdade positiva, especialmente em regimes caracterizados por totalitarismo, tem sido frequentemente usada como uma desculpa para suprimir as liberdades negativas dos cidadãos.
    A palavra liberdade pode se referir a muitas coisas, mas Isaiah Berlin reconheceu os dois tipos principais de liberdade. Berlin descreveu uma declaração como "Eu não sou escravo de nenhum homem" como uma das liberdade negativa, isto é, livre de interferência direta de um outro indivíduo. Em contraste uma declaração de liberdade positiva seria "Eu sou o meu próprio patrão", que reivindica a liberdade de escolher uma de atividades próprias da vida.

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  116. Para entendermos os escritos de Berlin precisamos ter a consciência de que período da história ele está inserido. De 1945 a 1991 encontra-se no cenário mundial a Guerra Fria, na qual o mundo encontrava-se dividido entre duas grandes potências: Estados Unidos e União Soviética, as quais defendiam ideologias totalmente diferentes (capitalismo X socialismo, respectivamente).
    É mais ou menos assim que também se divide a teoria de Berlin, sua cisão está marcada em sua definição de Liberdade, podendo existir a positiva e a negativa.
    A liberdade positiva caracteriza-se pelo “self”, pois esse “eu” interior ganha força, e será ele o responsável por suas decisões, ele que controlará seus atos e determinará seu modo de vida. Essa ideia é bem presente nos países liberais / inclusivos, como Estados Unidos, onde a ideia de liberdade, de escolher seu próprio caminho é muito forte.
    Já a liberdade negativa é moldada pelo aspecto exclusivista, em oposição ao “self” da liberdade positiva, aqui alguém ou algo irá limitar, ou determinar suas liberdades, seu modo de vida. O indivíduo não terá controle assim sobre suas decisões, pois o governo, nesse caso o da URSS torna-se compatível na visão de Berlin, interverá e ditará quais as liberdades possíveis e quais os modos de vida que os indivíduos inseridos nessa sociedade deverão seguir.
    Dessa maneira consegue-se visualizar como o mundo e as ideologias estavam divididos, de um lado os países onde “tudo” era possível, que você seria o senhor do seu destino, do outro lado os países onde as regras de conduta já estão determinadas, e o indivíduo não possui escolha se não segui-las. Porém Berlin não descarta a hipótese de que essas sociedades podem transitar entre as liberdades, podendo tanto sair da negativa e ir para a positiva como o fluxo contrário também é possível.

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  117. Segundo os textos “Quatro ensaios sobre liberdade” e “Liberdade positiva e negativa”, Berlin nos apresenta duas concepções diferentes de liberdade: positiva e negativa. Em uma sociedade baseada na liberdade positiva, sendo considerada como aquela criada após a existência da Lei, o individuo tem a sua autonomia restrita e sua liberdade é direcionada segundo as instituições, governos e leis. Ele sofre a coerção do Estado para seguir os trilhos delimitados pelo mesmo para a garantia do funcionamento e manutenção desta liberdade. O uso de força e restrições contra o direito do individuo são aceitos para a estabilidade da liberdade do coletivo. Considerando o período vivido por Berlin, uma analogia é feita deste tipo de sociedade com a aplicada na União Soviética.

    Por outro lado, em uma sociedade baseada na liberdade negativa, sendo considerada como aquela existente anteriormente ao advento da Lei, o individuo se encontra livre para se gerenciar e satisfizer as suas vontades. O Estado teria uma importância reduzida, não cabendo mais o uso de coerção e restrições aos direitos individuais. Entretanto, quem delimitaria a extrapolação do direito de um individuo sobre o de outro? No período da Guerra Fria, seguindo novamente com as analogias e comparações, este tipo de liberdade estaria atrelada aos países ocidentais encabeçados pelos EUA.

    Outro conceito descrito por Berlin foi o do pluralismo. Sendo este aplicável em liberdades negativas, ele mostra que existem diversos valores na sociedade a serem seguidos e adotados, sendo que a harmonia completa entre eles não é possível. Embora conflitantes, estes diferentes modos de vida não podem ser punidos, mesmo que causassem a desestabilidade da sociedade.

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  118. Isaiah Berlin viveu em uma época em que o mundo estava todo dividido, praticamente, em dois grandes blocos, capitalista e socialista. Nesse contexto, Berlin desenvolve dois conceitos de liberdade, que são inseparáveis: a liberdade positiva e a liberdade negativa.
    A liberdade negativa é a possibilidade de ações dentro de um limite de coerção, esse limite é determinado pelo Estado. Nesse sistema, a liberdade é garantida para todos, o que gera um pluralismo.
    A liberdade positiva é a possibilidade de ações independente de um limite de coerção, o limite é pessoal, determinado pelo próprio indivíduo. Nesse sistema há mais liberdade, numa questão individual, pois não é uma força externa que determina o que se pode e o que não se pode fazer, mas, em contrapartida, essa liberdade não é garantida para todos.

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  119. Isaiah Berlin, além de filósofo também era considerado um “historiador de ideias”. Após ler seus textos me parece fácil compreender a razão: ele não apenas expõe suas ideias sobre liberdade, ele as insere em todo o contexto social da época. Não se contenta apenas em apresentar sua teoria, mas também a contextualiza: Berlin viveu no mundo dividido do século XX: de um lado as ideias comunistas e socialistas e de outro, as ideias capitalistas liberais.

    Não simpatizante das ideias de conformismo político e ideológico correntes na época, propunha que se deveria voltar à “questão central da política”, sendo essa a da obediência e da coação, que afetam diretamente a liberdade do indivíduo. E é ai que entra sua teoria: os dois sentidos de liberdade – positiva e negativa, que na verdade são inseparáveis por natureza.

    Segundo Berlin, a liberdade negativa é aquela que diz respeito à área de atuação do indivíduo – qual é o espaço em que este pode ser de fato livre sem que sofra interferência ou interfira na liberdade do próximo. Aqui, o Estado interfere o mínimo possível, apenas como garantia de que todos têm espaço de liberdade igual.

    A liberdade positiva, por outro lado, é aquela que é limitada e controlada por alguém (Estado), dando ao indivíduo o poder de escolher seu próprio modo de vida e garantia de que esta escolha seja assegurada, mas não tomada como absoluta.
    Agora, a questão é: não parece possível que haja um sentido isolado do outro. Se tomarmos apenas a liberdade negativa, que seria o ideal de liberdade, estaremos supondo que todos os indivíduos colocam a liberdade como prioridade – o que claramente não é verdade, como o próprio Berlin diz: “os indivíduos estão dispostos a restringir a própria liberdade em favor de outros valores”. Por outro lado, na liberdade positiva ao garantir os todos os outros direitos, a liberdade acaba sendo limitada... E chegamos a um beco sem saída! Seu eu tenho minha liberdade assegurada, mas não tenho o que comer, certamente trocaria o direito a liberdade pelo direito ao alimento e se tenho todos meus direitos assegurados e não sou livre, quero minha liberdade.

    “A liberdade é ambígua”, diz Berlin e após percebermos que é impossível se separar um sentido do outro e também é impossível que se chegue a um consenso sobre qual seria o tipo de liberdade preferível e aplicável em uma sociedade, é fácil entender o que ele quis dizer. E também, é fácil entender o porque a discussão continua ainda hoje.

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  120. Acredito que o contexto da época da Guerra Fria sem dúvidas influenciou Berlin e sua concepção de liberdade, contudo, sem dúvidas o autor também inspirou-se em diversas passagens históricas importantes, como, por exemplo, a Revolução Francesa e o Iluminismo para elaborar seus dois conceitos de liberdade.
    O conceito de liberdade "negativa" está intimamente relacionado à problemática da interferência de indivíduos às minhas ações e atividades. Ou seja, a questão da minha área de atuação é um ponto central de tal liberdade (em que medida esta área é limitada por terceiros), e justamente por isso a liberdade negativa não é passível de ser afetada por escolhas pessoais - porque somente a interferência de terceiros pode afetá-la.
    De acordo com Berlin, esta liberdade está ligada aos pensadores com uma visão otimista da natureza humana (como Locke, Adam Smith e Mill) e com a crença na possibilidade de harmonização dos interesses humanos.
    Por outro lado, a liberdade "positiva" relaciona-se com o desejo do indivíduo de ser seu próprio amo e senhor - o desejo de se autogovernar. De acordo com esta concepção de liberdade, há um ego 'dividido' entre o ego real (algo maior que o indivíduo, um 'todo' social do qual o indivíduo constitui um elemento ou um aspecto) e o ego 'verdadeiro' (que impõe sua própria vontade coletiva ou 'orgânica' sobre os "membros" e consegue sua própria liberdade "superior"). Logo, parece haver uma 'verdade transcendental', e somente alguns poucos conseguem compreende-la: a vontade deste 'ego verdadeiro' muitas vezes pode não ser compreendida pelos indivíduos, porém é esta vontade (e, portanto, a liberdade desta) que deve ser buscada, pois somente ela é idêntica à liberdade (e não os desejos individuais das pessoas 'ignorantes'). Neste sentido que, segundo Berlin, tal concepção de liberdade é muito mais utilizada por governos autoritários: pois estes acreditam ser conhecedores (ou até mesmo representantes diretos) deste 'ego verdadeiro', e os limites impostos às liberdades individuais dos membros destas sociedades são justificáveis pela busca da' verdadeira liberdade' (que é desconhecida pelos membros 'ignorantes', e, deste modo, tal governo está na realidade fazendo um favor às pessoas).

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  122. Não é difícil notar que o núcleo dos principais conceitos elaborados por Berlim consiste na dicotomia de liberdade positiva e negativa, e na noção de ‘pluralismo’. Embora alguns acadêmicos defendam que a ideia de ‘pluralismo’ é supostamente a mais importante de Berlim, certamente os pontos que mais chamam a atenção na obra “Quatro ensaios sobre liberdade” são naturalmente o “yang yng” entre a perspectiva positiva e a negativa de liberdade.


    É interessante notar que, embora aparentemente opostas, há quem defenda que elas são mutualmente nulas em determinadas situações e claramente complementares e, ainda, e talvez mais estranhamente, Berlin teria se tendenciado a apoiar-se mais no conceito negativo de liberdade do que como poderia se esperar, na sua vertente positiva.


    Entretanto, em geral, como é mostrado por Berlin, a liberdade negativa e positiva podem eventualmente ser vistas como interpretações incompatíveis do ideal político de liberdade. Genericamente, pode-se considerar a liberdade negativa como a defendida pelos partidários da ideologia liberalista, os quais afirmam veementemente que todo indivíduo deve ter a oportunidade de agir e realizar escolhas sem restrições de nenhuma natureza e que, naturalmente, fortes limitações devem ser estabelecidas sobre as atividades do Estado. Deve, dessa forma, haver ausência de obstáculos, barreiras, restrições ou interferência de qualquer natureza, seja ela estatal, religiosa ou ainda proveniente de determinados grupos/segmentos sociais.


    Os defensores do conceito de liberdade positiva – naturalmente, sempre segundo Berlin – enquadram-se, por sua vez, nos críticos ao liberalismo e apoiadores do papel do Estado como regulador de determinas deficiências apresentadas pelas sociedades: eles argumentam que a busca da realização individual pode vir a exigir a intervenção e controle estatais, não comumente permitida pelos chamados liberais.
    Berlin levanta questões importantes, não meramente filosóficas mas efetivamente empíricas: seriam os Indivíduos ou grupos realmente capazes de alcançar a liberdade positiva – aquela que permite a intervenção estatal – através da ação política? Será sequer possível para o Estado promover a liberdade positiva dos cidadãos em seu nome? E, se assim for, é também sequer desejável para o Estado fazê-lo? Berlin diz que os textos clássicos da história do pensamento político ocidental estão divididos basicamente em duas correntes, relacionadas à como questões de tal natureza podem ser respondidas: há os teóricos da tradição liberal clássica, tais como Constant, Humboldt, Spencer e Mill, que normalmente respondem “não" à tais hipóteses levantadas e, portanto, podem ser “enquadrados” como defensores de um conceito negativo da liberdade política; por sua vez, existem outros teóricos que seguem outra vertente de pensamento, aquela que comumente endossaria tais hipóteses como possíveis e verdadeiras: Rousseau, Hegel, Marx e TH Green, defensores, consequentemente, do conceito positivo de liberdade política, através da ótica de Berlin.


    Podemos ainda dizer que a liberdade positiva tem sido muitas vezes vista como necessariamente conquistada através de uma “coletividade”. Berlin nos mostra que talvez o caso mais claro seja o da teoria da liberdade de Rousseau, segundo a qual a liberdade individual é conseguida através da participação no processo pelo qual “a própria comunidade exerce um controle coletivo sobre os seus próprios assuntos, de acordo com a vontade geral”. Como é de se supor, o conceito negativo de liberdade, por outro lado, é mais comumente relacionado com liberdades individuais que envolvem a liberdade de movimento, de religião e de expressão, assim como a defesa do direito à propriedade privada em uma amálgama de argumentos contra o paternalismo e a intervenção estatal moralista.

    (continua)

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    1. Entretanto, nem de tudo positiva consiste a noção ‘positiva’ da liberdade. Segundo muitos teóricos – e inclusive para Berlin -, pode surgir a preocupação de que demasiada intervenção estatal traga consigo o perigo do autoritarismo, geralmente opressor de determinadas minorias. O próprio Berlin, naturalmente um pensador liberal (britânico, diga-se de passagem) que escreveu nada menos do que durante a guerra fria, claramente preocupou-se com a distorção ocorrida do ideal em ditaduras totalitárias durante o século XX – tanto nas correntes de direita, fundamentalmente nazifascistas, quanto nas de esquerda, socialistas (mais notadamente na União Soviética).


      Para os defensores da liberdade positiva – sem que haja distorção da motivação para regimes totalitários – o controle vertical, quando equilibrado, torna-se importante no sentido de estabelecer limites para determinados comportamentos considerados imorais ou prejudiciais pela sociedade em questão: um bom exemplo é dado através da alegoria de um fumante, que em uma sociedade liberal, acredita ser livre mas prende-se ao seu vício prejudicial à sua saúde. Contudo, vale ressaltar nesse ponto que – e muito possivelmente o ideal principal defendido pelo segmento liberal – dificilmente é possível realizar uma hierarquização de valores, como já mesmo dizia Kelsen, no sentido de que é sempre complicado estabelecer quais comportamentos são mais ou menos prejudiciais e inclusive importantes, exatamente para “quem” e, nesse mesmo sentido, qual deveria ser o limite que um grupo selecionado de indivíduos deveria ter para impor certos comportamentos em detrimento de outros, quando está claro que mesmo nas melhores democracias, importantes decisões não passam pelo juízo público, embora possam ser em certa medida contestadas.


      Ainda, vale notar que para alguns defensores da liberdade positiva o ser humano – como no caso do fumante – deve ser capaz de agir racionalmente ao invés de ceder ao seus desejos/paixões indevidos (não entrando no mérito, entretanto, da legitimização do conceito de “devido” ou ‘indevido”) – sendo, dessa maneira, um ser “superior”, alcançado claramente, para os não-liberais, através da intervenção e controle estatais. Para eles, ainda, o grupo de indivíduos responsável por este controle seria considerado de alguma maneira “superior”, como aponta Berlin: “os indivíduos podem e devem ser coagidos a cumprir esses interesses, pois não iria resistir a coerção se fossem tão racionais e sábios como seus coercedores”.


      Os liberais do campo negativo tentam, por sua vez, cortar essa linha de raciocínio, negando haver qualquer relação necessária entre a sua liberdade e os seus desejos. Para eles, cada indivíduo deve ser livre para fazer o que deseja fazer, independentemente de julgamentos verticais, uma vez que o conceito de “felicidade” e “desejos benéficos” pode ser efetivamente relativo, amórfico, mutante. Como é exemplificado, um escravo eventualmente contente é perfeitamente livre para realizar todos os seus desejos. No entanto, temos a tendência de pensar a escravidão como o oposto da liberdade. Contudo, para Berlin, a liberdade não deve ser confundida com a felicidade, pois logicamente não há nada que impeça uma pessoa livre de ser infeliz assim como não há nada que impeça uma pessoa sem liberdade de ser feliz. E isso porquê uma pessoa feliz “pode sentir-se livre, mas se eles são [efetivamente] livres isto já é outra questão”.


      Os principais críticos do conceito de liberdade positiva (com destaque para John Christman, 1991) focam seus esforços em argumentar que a liberdade positiva (com interferência) diz respeito aos modos em que os desejos são formados – sendo um resultado da reflexão racional em todas as opções disponíveis ou ainda um resultado da pressão, manipulação ou ignorância.

      (continua)

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    2. O que este conceito não considera, segundo os críticos, é o conteúdo dos desejos de um indivíduo a partir do momento que os “força” a determinados comportamentos. Para os liberais, toda pessoa só é considerada livre, se ela chegou ao seu desejo tendo “pesado” todas as outras opções razoáveis de forma racional.


      Novamente, os “conservadores” defendem-se afirmando que deve ser permitido um espaço considerável para a intervenção de carácter informativo e educacional, através do subsídio de algumas atividades (no sentido de incentivar a pluralidade de opções reais) e financiamento destas atividades, através dos impostos – são, contudo e naturalmente, criticados pelo liberais no sentido de que cada indivíduo deveria ter o direito de investir sua renda da melhor maneira que julgar e de escolher a educação de seus filhos.


      O filósofo americano Gerald MacCallum (1967) apresentou a seguinte opinião: não há, de fato, apenas um conceito básico ou uma dicotomia sobre liberdade, mas na realidade um grande número de diferentes interpretações possíveis. Para ele, a liberdade é, portanto, uma tripla relação: uma relação entre três coisas: um agente, certas condições que impeçam este agente, e certos acontecimentos do agente. Berlin, de fato, parece também ter implicitamente admitido em certo momento que um determinado número de autores clássicos não pode ser colocado dentro de um ou outro campo.


      Ainda, conforme Berlin, para os liberais, restrições consideradas “não intencionais”, tais como restrições econômicas, recessão, a pobreza e o desemprego, não são problemáticas para a liberdade individual. Entretanto, naturalmente há os que criticam essa visão (como Amartya Sen), os quais endossam uma concepção mais ampla das restrições à liberdade que inclui não apenas os obstáculos intencionalmente impostos, mas também os obstáculos não intencionais, que claramente responsabilizam moralmente os grupos que os impõem à maioria.


      E é neste ponto que talvez jaza a diferença mais crucial entre os que defendem a interferência estatal (liberdade positiva) e os liberais (liberdade negativa): socialistas e igualitários (o primeiro grupo) tendem a afirmar que os pobres em uma sociedade capitalista não são livres, ou que eles são menos livres do que os ricos, devido ao que eles chamam da distribuição injusta de oportunidades para desenvolver determinadas “habilidades” (ou como diria Amartya Sen, “capacidades”); os libertários, por suas vezes, tendem a afirmar que esse fato não constitui sequer um problema.

      (continua)

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    3. Por fim, independentemente de qual vertente da liberdade segundo o viés berlinano seja a melhor, a grande maioria dos especialistas da área arriscam dizer que se há uma forma de organização sociopolítica que conseguiu unir os valores que as duas concepções afirmam, esta é claramente a social-democracia. Isso porquê há, por um lado, os direitos civis e políticos garantidos conforme o liberalismo político, mas, além disso, há o estímulo da capacidade de cada um de ter iniciativa no âmbito do mercado. Dessa maneira, “[...] o compromisso com o mercado como espaço de iniciativa particular de cada um no plano econômico é fundamental, mas, por outro lado, você tem a afirmação de um componente de solidariedade, de um componente atento para a igualdade – que é um componente trazido pelo estímulo da ação do Estado. Na perspectiva social-democrata, você tem uma busca de neutralidade: em vez de o Estado ficar fora do jogo, ele trata de criar condições para que o jogo seja jogado de maneira mais competitiva, em condições mais igualitárias.”


      O Estado seria importante – e não somente em Estados de Bem-Estar Social -, para compensar as desigualdades de oportunidades com que cada indivíduo nasce (uma realidade inegável), buscando neutralizar os elementos de desigualdades que vem da estrutura socioeconômica dada. O Estado Liberal Democrático de Direito está, dessa maneira, relacionado com ambas concepções de liberdade que, como dito no início do texto, acabam por anular-se em determinados momentos mas são acima de tudo COMPLEMENTARES. A social-democracia pode ser a organização política que melhor soluciona alguns impasses, sendo capaz de construir um “caminho intermediário” entre os extremos do totalitarismo e do estado mínimo dos liberais clássicos; caminho este através do qual a liberdade existe em equilíbrio com os conceitos negativo e positivo de Isaiah Berlin.



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  123. Berlin coloca a liberdade não mais como um conceito único e absoluto, mas sim como um conceito dependente de perspectivas dos atos gerados pela moral. Sendo assim, Berlin coloca a "liberdade" dentro de 2 concepções, de forma que uma é oposta a outra, de maneira que uma seja contrapositiva, mas ao mesmo tempo complementar a outra. Assim, o autor coloca a ideia d eliberdade como desvinculada da coerção do estado sob o indivíduo, ou seja, a liberdade individual é delimitada por instituições coercitivas, sendo necessária a redução dessa coerção e ampliação dos direitos de liberdade individual, para que haja maior pluralidade de pensamentos e que os indivíduos tenham respeitados os seus direitos de natureza, entre eles, a liberdade. Porém, a desigualdade de favorecimentos, segundo Berlin, é a consequência de uma ordem natural, ou seja, para o Liberalismo, a pobreza e o estado de necessidade faz parte de uma seleção natural dos indivíduos de uma sociedade, e assim, é uma escolha dos pobres ser pobres, e assim se mantém a essência do Liberalismo clássico.
    A coerção do estado seria reduzida através da inplantação de um estado não intervencionista na vida pessoal dos elementos sociais, de maneira que fosse possível dar maior liberdade ao fluxo de ideias plurais. Claro que sendo levado para um lado político e econômico, o liberalismo gera tantas diferenças que acaba sendo um grave problema na criação de elites e de massas populacionais "injustiçadas" por não ter igual oportunidade cedida pelo estado não intervencionista.

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  124. Em sua obra “Two concepts of Liberty”, Berlin afirma que dentro do conceito de liberdade existem duas opções, a Liberdade Positiva e outra denominada Liberdade Negativa, esta última refletida nos dias de hoje enquanto que a primeira foi vista durante o período da Guerra Fria na União Soviética, hoje este tipo de liberdade remanesce em Cuba e talvez, Coreia do Norte.
    Para Isiah, liberdade é definida pela constatação de que não há restrições à sociedade.

    A liberdade restritiva e exclusiva, em que a sociedade é moldada por leis e instituições, estas responsáveis em dar liberdade aos que fizessem parte do modelo determinado e excluía os demais é exposta como a liberdade positiva. Ou seja, a liberdade positiva é a que tenta organizar a sociedade com os modos compatíveis de vida das pessoas, dentro de uma moldura que tange os limites da liberdade.

    Quanto mais aberta essa moldura se torna, maior o espaço de liberdade para as pessoas, ou seja, mais liberal a sociedade se torna, pois abrange meios de vida e condutas distintas ao invés de tentar impor um único modo de vida. Dentro da liberdade positiva, caso alguém saia fora do modelo imposto, será punido de alguma maneira.

    Já a liberdade negativa pode ser exemplificada como a liberdade do indivíduo. A sociedade que se baseia nesse tipo de liberdade dá aos seus indivíduos a liberdade de se fazer o que quiser, tornando-se assim, uma sociedade mais inclusiva em relação às sociedades que adotam o tipo de liberdade positiva, que são exclusivas.

    As leis e instituições nesse tipo de liberdade tem a finalidade de somente garantir que as ações individuais não interfiram na liberdade de outro indivíduo.

    O autor também explica que não há uma dicotomia, e para que a liberdade negativa se desenvolva, é necessário que exista a liberdade positiva. Quando há o desenvolvimento da liberdade negativa surgem as garantias individuais.

    Por ter sido escrito durante a Guerra Fria, Isiah Berlin determinou que o modelo de liberdade positiva era similar ao aplicado na extinta URSS, enquanto que a liberdade negativa é refletida na sociedade norte-americana.

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  125. Comentário atrasado devido a motivo explicado ao professor (assalto).

    Isaiah Berlin traz para o debate três importantes conceitos sendo eles, liberdade negativa, liberdade positiva e o pluralismo.

    De um lado, temos a liberdade negativa. É a liberdade entendida como ausência de impedimnetos por um Estado . Significa que um indivíduo será tanto mais livre quanto menor for a interferência de terceiros no seu âmbito de decisão. Em termos políticos, o ideal da liberdade negativa supõe a existência de um Estado limitado, que respeita as decisões pessoais de cada indivíduo, e cujo principal objectivo é garantir que a liberdade de uns não interfira na liberdade de outros.

    Do outro lado temos o conceito positivo de liberdade que consiste em dizer que o conceito negativo não basta. A liberdade não pode ser apenas ausência de coerção. Tem de ser também a capacidade para realizar a escolha que a liberdade negativa permite fazer. De que serve a liberdade (negativa) de comprar e vender ao mendigo que vive debaixo da ponte e não tem habitação nem dinheiro para a adquirir? Nesse tipo de liberdade o Estado impõe algumas regras de convivência (leis), essas tem como função garantir a liberdade para que todos possam possui-la de uma forma igual.

    Porém para Berlin um tipo de liberdade não consegue existir sem o outro e aí entramos na idéia do pluralismo pois a existência de diferentes tipos de valores resulta em conflitos portanto a liberdade negativa só pode funcionar se existir um limite, mesmo que esse seja bastante abrangente, onde a liberdade de um indivíduo não entre em conflito com a do outro . E também do outro lado a liberdade positiva só irá funcionar quando o limite imposto pelo estado não fira o conceito de liberdade individual de cada um. Pois se isso acontecer o que ocorre é um estado totalitário onde apenas um modo de vida é "correto".

    Analisando o cenário mundial em que Berlin estava envolvido (Guerra Fria), percebemos uma grande semelhança entre o estilo de governo imposto pela URSS e a liberdade positiva e uma semelhança entre a liberdade negativa e o governo imposto pelo estado E.U.A..

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  126. Isaiah Berlin é definido por muitos como um "históriador de ideias" fato que fica claro após a leitura de seus textos, uma vez que além de inserir conceitos em momentos históricos, a linha do tempo de Isaiah Berlin parece ser mais formada por ideias do que por fatos em si, dessa forma, ele nos leva a compreender os fatos através das ideias, ao invés do caminho contrário.
    Em seu texto "Two Concepts of Liberty", Berlin expõe que a palavra liberdade tem inúmeros significados, no entanto, no contexto do século XX, do liberalismo, capitalismo e comunismo, seria interessante focar em duas aplicabilidades da liberdade, chamadas negativa e positiva, sentidos esses que são inseparáveis e ao passo que tentamos evitar um, chegamos invitavelmente ao outro.
    A liberdade negativa diz respeito à area de atuação de um indivíduo, são todas as coisas que um indivíduo pode fazer e usufruir e que caso lhe sejam tiradas, o indivíduo estaria sofrendo de coação. A aplicação da liberdade negativa vem da necessidade de se garantir a liberdade de todos os indivíduos a partir do reconhecimento de que a liberdade dos mais poderosos certamente há de interferir na liberdade das camadas mais baixas.
    A liberdade positiva nos fala sobre quem deve delimitar esse espaço de liberdade. Nesse caso, o Estado limita e controla a liberdade do indivíduo, buscando garantir que cada um possa exercer suas liberdades individuais e exercer seus modos de vida sem que essa interfira em outras liberdades. Nesse modelo, o Estado busca, acima de tudo, garantir que os indivíduos tenham as mesmas condições para que exerçam suas liberdades igualmente. Berlin coloca que, na liberdade positiva, o Estado faz aquilo que os próprios indivíduos fariam se fossem mais esclarecidos, no entanto não o são, dessa forma, é necessário que os indivíduos sejam "educados" em suas liberdades, para que quando a liderança for afrouxada e a área de atuação de cada indivíduo for maior, tenha-se conhecimento suficiente para que as liberdades se harmonizem de forma que não interfiram gravemente umas nas outras, a ponto de um indivíduo gozar de muita liberdade e outro de quase nenhuma.
    No entanto, um Estado que garanta acima de tudo a liberdade, não é necessariamente desejável pelos indivíduos, já que há outras necessidades que podem ser consideradas prioritárias, como educação, alimentação, habitação e trabalho.
    Tomando pela liberdade negativa, onde a liberdade de fato é o bem maior e os direitos básicos não são necessariamente atendidos, segundo Berlin, muitos indivíduos limitariam suas liberdades em nome de tais direitos. Já na liberdade positiva, onde esses direitos são atendidos, muitos passariam a lutar pela liberdade. Dessa forma Berlin expõe que no atual sistema liberalista, é extremamente improvável que o homem possa viver a gozar de liberdades e direitos em mesmas proporções.
    Isaiah Berlin nos leva a refletir sobre o nível de liberdade do sistema liberalista. Em um sistema em que ter liberdade de se fazer algo não garante que se realmente possa fazê-lo, chegamos à conclusão de que não somos realmente livres.

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  127. Berlin trabalha com a liberdade de duas formas diferentes:

    A negativa é aquela que se institui na liberdade do indivíduo para fazer o que quiser, dentro do âmbito dela mesma. Ou seja, a liberdade que existe até o limite onde, ultrapassá-lo, significa causar danos a liberdade de outro indivíduo. O clássico contrato social que Hobbes institui para romper com o estado de natureza onde os homens podem causar danos uns aos outros.

    Já a liberdade positiva é a liberdade onde o indivíduo é o seu proprio senhor e como indivíduo toma suas proprias decisões na vida.

    As duas liberdades se complementam como podem ver. Enquanto uma é a liberdade que assegura que as pessoas não causem danos uns aos outros, a outra é o que dá o poder ao indivíduo.

    Dentro deste cenário, Berlin institui o pluralismo. Que para ele é diversidade natural de ideologias e personalidades dentro da sociedade. E que não é possível de ser mudado. Dentro disso, Berlin entende que a lógica liberal "calibrou" a sociedade e distribuiu entre aqueles que se esforçaram mais e menos.

    Neste cenário, o poder do Estado é para assegurar as liberdades que já estão instituídas e a coerção vai inibir que o Estado intervenha de modo a impedir que ele mude o fluxo do liberalismo e mude a caracteristica do pluralismo.

    Para mim, os problemas das teorias liberais é a incapacidade de enxergar que a sociedade está além do indivíduo. Berlin praticamente repete o argumento liberal de forma a não perceber que o coletivo, a classe social, o que quer que seja é superior ao homem. Pois o homem constitui o espírito que integra a sociedade. Ele é inserido em uma comunidade, quer queira, quer não. E suas ações terão um impacto de acordo com a situação política que ele enfrenta. E mesmo que o indivíduo esteja buscando um retorno financeiro, que no fim pode ser unicamente seu, ele precisa de pessoas que o ajudem nisso.

    Neste sentido, as pessoas que estão mais pobres vão se esforçar e ainda depender da boa vontade das pessoas que estão no poder para obter sucesso. E para mim, aí entra o papel do Estado. Garantir o pluralismo é na realidade garantir que o indivíduo tenha condições econômicos e de oportunidade iguais para que ele possa ser ele mesmo.

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  128. Berlim é um dos autores que foca a discussão a certa da justiça a partir do um conceito que ao longo da história o homem sempre procurou satisfazer: o conceito de liberdade. O autor, ao analisar o conceito, o divide em dois, tendo então a ideia de liberdade positiva e liberdade negativa.

    No que se refere a liberdade positiva, a definição é a partir de um mecanismo onde qualquer indivíduo é livre para agir desde que esteja dentro de determinadas regras. O conceito de liberdade aqui, então, é definido por leis e não pelo próprio indivíduo, conforme pode ser visto em governos autoritários. Já a liberdade negativa, o conceito de liberdade vai a partir de onde cada indivíduo decide qual é a sua liberdade e os limites dela, e as decisões em relação a liberdade dependem apenas do próprio indivíduo. O indivíduo possui, então, controle sobre a própria vida. Esse sistema de liberdade é tido como inclusivo, já que se adapta aos mais diversos conceitos de liberdade, visto em regimes onde não haveria um Estado.

    A grande questão em Berlim se dá no que o autor considera que ambas as ideias acabam por não mostrar, e nem nos dar uma boa base, para acreditarmos o que seja uma boa noção de liberdade, uma vez que nenhuma das duas abarca um sentido que nos levaria a um consenso sobre a questão já que a uma ligação intrínseca as duas noções, levando-nos a não encontrarmos uma “verdadeira liberdade”

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  129. Isaiah Berlin em seu texto apresenta duas visões de um mesmo conceito, sendo este a liberdade. Berlin nos apresenta a visão da liberdade negativa na qual não existem impedimentos para que o indivíduo exerça sua liberdade da forma que entender.
    Também nos apresenta o conceito de liberdade positiva, onde existem condições barreiras que impedem os indivíduos de viverem em plena liberdade.

    A liberdade positiva, como dito anteriormente, é aquela na qual o indivíduo não pode exercer sua liberdade de maneira plena. Ela é delimitada por um poder maior, no caso o Estado e se um indivíduo que viva sob o poder deste Estado e tenha uma visão de liberdade diferente daquela já imposta ele será repreendido e impedido de seguir sua própria visão.

    A liberdade negativa é o oposto da positiva. Neste caso o próprio indivíduo que delimita seus padrões e até onde sua liberdade poderia chegar, não sendo necessário um Estado autoritário e opressor para fazer esta delimitação.

    Julgo a liberdade negativa como mais coerente, porém muito mais difícil de ser alcançada. Sempre que há uma tentativa de implementação do conceito de liberdade negativo não da certo e acaba recaindo na liberdade positiva, onde tudo é regulamentado por um Estado.

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  130. Isaiah Berlin foi um filósofo da corrente liberalista durante século XX. Em sua obra “"Two Concepts of Liberty", Berlin busca refletir sobre o conceito de liberdade, pontuando duas concepções desta: a positiva e a negativa e, a partir destas, argumentar sobre a ideia de pluralismo.

    O autor revela a ambiguidade no entendimento sobre o que seria liberdade e que haveria uma diversidade de significados destes. Devido ao contexto histórico vivenciado pelo autor, em que o capitalismo e socialismo disputavam diferentes visões de mundo, as duas ideias de liberdades (Positiva e Negativa) foram discutidas.

    A liberdade negativa está relacionada à possibilidade de expressão de um indivíduo, podendo ele ser capaz de praticar o que de fato lhe é permitido. Essa liberdade refere-se à liberdade de todos os cidadãos individualmente, podendo ser praticar ações livres de forma a garantir um sistema de liberdades a todos.

    A liberdade positiva diz repeito ao panorama em que essa liberdade é exercida, delimitando um espectro de ações possíveis. Nesse aspecto, o Estado tem papel importante no poder de estabelecer uma certa ordem que possibilite a garantia de que cada um exerça suas liberdades individuais de modo que não interfira na do outro.

    Entretanto, o que Berlin vai defender é que essas duas linhas de pensamento são inseparáveis. Liberdade é onde se permite todos os modos de viver. Isso acontece porque algumas pessoas preferem abdicar de sua própria liberdade em troca de outros desejos. Um exemplo claro é o da União Soviética. O que adianta você ter liberdade se você não pode exercê-la? Assim, não se pode pensar em um modelo positivo de forma única, uma vez que há indivíduos que preferem outras coisas mais do que a própria liberdade. Nesse caso, haveria a necessidade de se reeducar àqueles contrários ao modelo positivo.

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  132. Isaiah Berlin entra no debate corrente do século XX sobre justiça distinguindo a liberdade segundo dois conceitos. São eles: a liberdade negativa e a liberdade positiva.

    Sua contribuição para esta discussão reside no fato de ter proporcionado a ela um novo modo de perceber o problema da justiça, focando na contradição, ou melhor, no dilema que há entre estes dois conceitos existentes entre os homens acerca da liberdade.

    Vale lembrar que Berlin era um estudioso da história das ideias que viveu no contexto da Guerra Fria vendo este conflito principalmente como um embate entre esses dois conceitos de liberdade:
    Liberais/Capitalistas (Defensores do conceito da Liberdade Positiva) versus Socialistas (Defensores do conceito da Liberdade Negativa)

    O conceito de liberdade negativa diz respeito a um espaço, determinado externamente ao indivíduo, dentro do qual este é permitido a agir livremente. Nesse sentido, o adjetivo "negativo" se refere à NÃO interferência de terceiros no espaço de liberdade de um indivíduo É a liberdade "de" fazer algo.

    O conceito de liberdade positiva, por seu turno, diz respeito ao desejo que o indivíduo tem de ser o seu próprio senhor, de decidir pelas escolhas que faz e ser totalmente responsável por isso. É a liberdade "para" fazer algo, isto é, a liberdade que o indivíduo tem para escolher e levar o modo de vida que bem entender.

    Este conflito consiste num dilema precisamente porque por mais que se tente afirmar somente um desses conceitos de liberdade, o outro, por sua vez, nunca deixará de existir e de ter igual importância. A coação, que é a privação da liberdade de um indivíduo, é evitada, por um lado, maximizando-se o espaço de LIVRE AÇÃO do homem, de modo que este não se depare com obstáculos que o impeçam de perseguir seus objetivos, quaisquer que sejam eles (liberdade positiva); e, por outro, delimitando-se um espaço de não interferência da AÇÃO de outros indivíduos na vida deste homem (liberdade negativa).

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  133. Berlin nos apresenta, primeiramente, o dilema da liberdade: os seus conceitos positivo e negativo, duas faces da mesma moeda, duas questões inseparáveis a ser respondidas quando surge a questão: o que é liberdade? Para o autor, ambas as respostas partem dos indivíduos para a sociedade.

    O sentido negativo trata exatamente de uma 'negação da coerção', uma ausência de controle violento sobre a ação de cada indivíduo, apresentando a questão "Qual é a área em que o sujeito é ou deve ser deixado para fazer ou ser o que ele é capaz de fazer ou ser sem a interferência de outras pessoas?". O sentido positivo, envolve, opostamente, o limite da ação individual e meios de controle para tal: "Qual ou quem é a referência de controle e interferência que pode determinar alguém a fazer ou ser isso ao invés daquilo?"

    O autor faz questão de deixar bem clara a distinção entre 'coerção' e 'incapacidade'. Coerção não cobre toda a forma de inabilidade: "Coerção implica na interferência deliberada de outros seres humanos em uma área em que eu agiria de outra forma". "Tudo é o que é: liberdade é liberdade, não igualdade ou equidade ou justiça ou cultura ou felicidade humana ou consciência tranquila".

    Não há uma verdade absoluta de valores. Por isso, é necessário relativizar as 'verdades'. Ideologias são perigosas e a certeza de uma 'verdade' imposta socialmente ligada à liberdade positiva leva a governos ditatoriais, segundo o autor. Se alguém emprega uma ação que não quer empregar, ou que não conhece ou aprova as consequências dessa ação, está exercendo sua liberdade de errar, de prender-se em si mesmo até, e isso é necessário. A possibilidade de conflito não é eliminável da sociedade.

    As críticas ao autor vêm na direção de que nem sempre a total liberdade individual desligada da ideia de capacidade leva a liberdade desejada pela maioria dos indivíduos, pois alguns têm menos possibilidade de 'ser o que são' (não sei se posso falar assim) e, portanto, acabam não manifestando suas vontades de forma igual. As pessoas tem prioridades, e às vezes a prioridade pode não ser o individualismo, mas sim a ordem. A teoria de Berlin apresenta muito bem esse dilema, mas sua inclinação é, sem dúvida, para o aumento da liberdade negativa.

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  134. Em sua teoria, Berlin pretende mostrar as duas formas de entender e aplicar a liberdade política ao desenvolver seus dois principais conceitos sobre a liberdade.

    O primeiro se trata da Liberdade Positiva, restringida por regimes governamentais, restritiva e exclusiva. Ou seja, o indivíduo possui sua liberdade até certo ponto, de acordo com o governo e sua doutrina, qualquer comportamento ou atitude fora do padrão estabelecido tende a ser excluído. Um exemplo onde Berlin vê na prática este tipo de liberdade é no governo socialista da URSS.

    O segundo é a Liberdade Negativa, a qual, ao invés de excluir, incluiria todo tipo de atitude e comportamento. É aquela liberdade em que o indivíduo tem o poder de fazer o que bem entender, onde o governo e as leis somente garantiriam as suas ações. Entretanto, Berlin diz que a liberdade negativa é um caminho para a liberdade positiva.

    O conceito de liberdade positiva, por ser relacionado à forma de governo existente e seus dogmas, tende a levar a uma sociedade regida por um governo autoritario e, a liberdade negativa, sendo caminho para a positiva, gera um ciclo entre ambas as liberdades, onde as quais levam ao mesmo fim ditatorial.

    Pelo fato de a teoria de Isaiah Berlin ter sido desenvolvida, principalmente, durante a Guerra Fria, ela não se aplica perfeitamente aos dias atuais. É algo que apenas fez sentido em um quadro de grandes divergências políticas, como a situação em que o mundo se encontrava quando esta foi criada.

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  135. Em seu texto é mostrado dois conceitos de liberdade - chamados de liberdade negativa e liberdade positiva - não como conceitos opostos, pois não se competem. Eles buscam se complementar e mostrar as ambiguidades em que consiste a liberdade do modo como a vemos atualmente.

    Podemos pensar a liberdade negativa onde há um poder de coerção, como o poder do Estado ou os limites são dados por questões de moralidade. Todos possuem ações garantidas dentro desse limite.

    Na liberdade positiva não há poder de coerção, todos estão por sua conta da concepção do Bem e do Mal. Sempre haverá inclusões sobre modos de vida, e a liberdade preterida do indivíduo não está garantida, ele deverá consegui-la.

    De modo geral, ser livre é poder agir como lhe interessar, mas dentro dos limites morais ou das leis. Mas é imprescindível que haja a possibilidade de questionar os limites propostos que coagem os seres.

    Um dos problemas da liberdade está no próprio liberalismo, onde governos destroem outros governos em nome da liberdade e do pluralismo. Outro problema se encontra na concepção do pluralismo, pois há uma contradição se admitirmos que todos os modos de vida são absolutos, uma vez que se é absoluto não pode ser variável. Porém, há outro modo de enxergar o pluralismo, e aceitar todos os modos de vida a partir da aceitação de que não conhecemos o melhor possível, ou seja, o absoluto.

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  136. Com uma enorme contribuição para a discursão, Isaiah Berlin dedicou-se a discutir sobre a liberdade. Em meio a guerras e um mundo dividido por ideologias, suas teorias se apoiavam nos conceitos de liberdade e pluralismo. Suas teorias influenciaram todas as discussões posteriores. Berlin em seu texto nos mostra o grande poder que as ideias têm, podendo afetar a realidade e transformá-la. Entretanto pra que isso ocorra é necessário que seja bem desenvolvida e proposta de forma convincente. Assim feita ela tem o poder de mudar a realidade e de transformar as situações do presente. O autor propõem dois tipos de liberdade, a liberdade positiva e a liberdade negativa. A liberdade positiva é limitada pelos poderes aos qual o individuo se submete, tento a liberdade mínima garantida a todos. A liberdade Negativa cada individuo toma suas próprias decisões e é livre para fazer o que é melhor pra si, dessa forma não precisa de instituições para decidir o que é melhor pra ele, não tendo a interferência de ninguém, essa liberdade não é garantida a todos. No entanto o autor não nos mostra uma forma mais prática de estabelecermos uma liberdade mais livre, propiciando uma discussão futura de uma aplicação prática dessa liberdade.

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  137. A teoria de Berlin surge em um momento em que muitas guerras estouravam e muitas ideias vinham sendo difundidas ao redor do mundo, nesse período se passava a Guerra Fria, o que claramente produziu grande influência em sua obra, principalmente pelo conceito de bipolarização do mundo.

    Isaiah Berlin divide o conceito de liberdade em dois, entretanto, essa divisão tem como objetivo criar duas visões que complementam para criar o ideal de liberdade.

    A liberdade negativa consiste na idéia de que existam possibilidades diversas de ações e que sejam garantidas para todos os indivíduos, porém existem limites a serem respeitados, sendo assim, nossa liberdade será garantida no caso de nossas atitudes respeitarem estes limites.

    Por outro lado vemos a liberdade positiva que vida a eliminação ou diminuição do poder coercitivo exercido pelo Estado ou pelos próprios indivíduos. Permitindo um leque maior de possibilidades para cada indivíduo.

    Marina Müller Gonçalves
    R.A.: 21082512

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  138. Isaiah Berlin foi um teórico liberalista guiado pelo conceito de liberdade e pluralismo, além de abordar questões como a potencialidade individual e direitos garantidos. Muito influenciado pela situação política em que viveu – período da Guerra Fria – enxergava a liberdade como passível de adquirir dois conceitos (que se mesclam), dividindo-se em:

    > “Negativa” – a qual se refere a ações (garantidas) que podem ser executadas por todas as pessoas, dentro do que é permitido diante do poder coercitivo predominante: ação direta estatal, por exemplo; > “Positiva” – a qual se refere à diminuição ou eliminação dessa coerção, possibilitando a concretização de novas ações: estado liberal.

    No entanto, os conceitos aqui expostos trabalham de maneira ambígua, já que são interdependentes, indissociáveis e presentes em todas as sociedades, ou seja, funcionam de maneira complementar. Baseando sua explicação na exemplificação encontrada nas nações, Berlin afirma que é natural uma tendência a se sair do estado negativo em direção a uma liberdade positiva, mais aberta e democrática.

    Paula Endriukaitis

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  139. Eu tenho notado, nos comentários, uma confusão. Sinceramente, não me lembro se essa confusão apareceu já em sala de aula ou não, ou se apareceu em algum momento na própria exposição do professor Peluso. De qualquer modo, a confusão é esta: as pessoas têm invertido os conceitos de liberdade negativa e positiva.
    Para Berlin, a liberdade negativa consiste simplesmente na ausência de coação; é, em outros termos, a liberdade para fazer tudo o que não é proibido. A liberdade positiva, por sua vez, consiste sobretudo na ativa capacitação dos indivíduos para que governem a si mesmos (mas não, necessariamente, para que se governem enquanto indivíduos: pois o governo de si mesmo, segundo essa concepção, pode carecer da intermediação de uma comunidade, e de leis que conduzam os membros da comunidade à plena realização de suas capacidades). O conceito de liberdade positiva, como se pode notar, é um tanto mais complexo que o de liberdade negativa, pois admite a possibilidade de que a plena realização dos desejos de um indivíduo não implique a plena realização de sua liberdade, se esses desejos constituam obstáculos que o impeçam de desenvolver plenamente suas capacidades propriamente humanas.
    Convém apontar que essas noções não são invenção de Berlin, mas remontam a, pelo menos, Benjamin Constant e suas noções de liberdade dos antigos e liberdade dos modernos (que corresponderiam, respectivamente, à liberdade positiva e à negativa de Berlin).

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  140. Berlin pauta sua teoria baseado em dois conceitos de liberdade: a positiva e a negativa. Ambas podem ser explicadas individualmente, no entanto, suas "aplicabilidades"(e reconhecimento) na sociedade são indistinguíveis no sentido de pureza, isto é, elas atuam de maneira cíclica, constituindo a base da sociedade em nossos dias.

    O conceito de liberdade negativa, pura, tem sua origem na revolução francesa, da qual os líderes revolucionários buscavam uma liberdade da qual o Estado não interferiria na sociedade, garantindo somente que a liberdade individual fosse exercida e que não interferisse às demais, e todo indivíduo seria o único responsável por seus atos.

    No entanto, para se levar a este estado superior da vida humana, os líderes revolucionários tendiam a agir - justificando os fins pelos meios, vale ressaltar - de forma a atingir o ideal. É neste ponto que encontra-se a essência da liberdade positiva, ou seja, uma ação direta de indivíduos ou governos a fim de se atingir o conceito até então intangíveis ao homem comum. Neste sentido, o Estado seria o responsável por impor uma limitação à liberdade nas ações de cada indivíduo, que estaria englobado a uma esfera maior de liberdade.

    Berlin estudou ambos os conceitos influenciado principalmente pelo ambiente político na Inglaterra e no mundo pós 2ª guerra mundial, ou seja, a Guerra Fria. Em uma exemplificação simplista, poderíamos incumbir os Estados Unidos (ou sua propaganda liberalista) no papel da liberdade negativa, já que pregava uma liberdade baseada em tal conceito. A URSS seria incumbida do papel da liberdade positiva da qual o Estado buscava garantir que cada indivíduo exercesse sua liberdade sob a ação de líderes responsáveis por esta função. Porém, ao se analisar esta exemplificação sucinta - e superficial, veremos que os EUA agiam de modo contraditório, onde sua propaganda seria "pregar" o conceito de liberdade negativa, porém sua atuação demonstrava o contrário, isto é, uma ação direta sobre países e indivíduos no sentido de levá-los à liberdade - o conceito de liberdade positiva.

    Para Berlin, ambos os conceitos estão intrinsecamente relacionados e desde então, atualmente vivemos este dilema: a não existência de outra saída aos dois conceitos até então expostos.

    Cleiton A. Arantes

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  141. Segundo Berlin entender os movimentos históricos significa entender as ideias ou atitudes relacionadas com a vida neles implícita, e que, sozinhas, fazem de tais movimentos parte da história humana e não simples eventos naturais. A questão central da política, obediência e coerção, causa uma guerra aberta travada entre dois sistemas de ideias, que fornecem respostas conflitantes. A partir disso, o filósofo examina os diferentes sentidos de liberdade.
    Primeiramente é apresentado o conceito de liberdade “Negativa”, um indivíduo só é livre na medida em que nenhum outro homem, ou grupo, interfira em suas atividades. Coerção: deliberada interferência de outros seres humanos na área em que eu poderia atuar. Liberdade política é a área em que um homem pode agir sem sofrer obstrução de outros. Se tal área é limitada por outros homens, pode ser dito que o indivíduo está sendo coagido ou, provavelmente, escravizado. Os homens são interdependentes – a liberdade de alguns precisa depender da limitação de outros, porém, um aspecto importante de ser avaliado está nas necessidades básicas de liberdade, (entre seu maior e menor grau), são as mesmas para um camponês egípcio, ou para, professores, artistas, e milionários. Liberdade, para Berlin, é liberdade, diferente dos conceitos de igualdade, justiça, cultura, imparcialidade; “a liberdade individual não é a necessidade primária para todo mundo”. E se a liberdade de um indivíduo dependa da infelicidade de um grande número de pessoas o sistema é injusto e imoral. Por outro lado, se alguém dispõe de sua liberdade, para reduzir a desigualdade, e assim não amplia a liberdade dos outros, ocorre uma perca de liberdade. A grande questão passa a ser qual a fronteira entre a área da vida privada e da vida pública.
    Em segundo lugar o sentido “positivo” traduz o desejo do indivíduo de ser seu próprio amo e senhor. Ser dono de si mesmo seria não ser escravo de ninguém? Mas não seria escravo da natureza? A liberdade positiva se relaciona com a visão orgânica. Essa, segundo Berlin, seria dizer que se o sujeito for impedido até mesmo pela força, torna-o mais saudável para desempenhar seu papel de cidadão, portanto mais livre. A sociedade e o Estado comparado a um corpo. O bom funcionamento do Estado tem haver com um bom funcionamento de um organismo. Todos os membros são igualmente importantes para o Estado. Não há esfera privada de Direitos, interferência direta do Estado.. Simplificando, é como se dissesse que para o próprio bem, o indivíduo não está sendo coagido, pois ele desejou, estando consciente ou não, sendo assim, “verdadeiramente livre” mesmo o corpo recuse, e lutem com desespero. Por fim, o ego da liberdade negativa não deve sofrer influências. Em contrapartida, o ego “positivamente” livre pode alcançar um nível superpessoal, como um Estado, uma classe, uma nação, a liberdade como autodomínio.

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  142. Isaiah Berlin nasceu em 1909 e viveu no contexto da guerra fria o que influenciou o seu pensamento.

    Segundo Berlin, coagir um individuo é priva-lo de liberdade, mas qual liberdade? ciente da ambiguidade do termo liberdade, ele trabalha com dois sentidos de liberdade.

    O primeiro sentido politico de liberdade que ele examina é o que é chamado de liberdade "negativa", aqui não há nenhuma interferência de terceiros, todos tem a liberdade de fazer o que quiser: "“liberdade” nesse sentido significa liberdade de: ou seja, ausência de interferência além da linha traçada."
    Nesse caso deve haver um Estado apenas para defender a liberdade e garantir que as ações individuais não interfiram na liberdade de outras pessoas, mas além disso, o poder deve ser reprimido.

    O segundo sentido é o sentido "positivo" de "liberdade", diz respeito ao desejo de se autogovernar. É uma liberdade que não é "liberdade de" mas sim "liberdade para" alguma coisa.

    Dentro deste conceito é aceitável coagir pessoas em nome de algum objetivo que beneficiassem a todos como a saúde pública por exemplo. Para Berlin essa liberdade, a liberdade positiva sempre falhava pois partia do principio de que havia apenas uma resposta verdadeira para os males.
    Além de tudo é uma liberdade exclusiva, pois nessa sociedade teriam leis que dariam um certo tipo de liberdade, mas somente para aqueles que fizessem parte do modelo estabelecido, o que torna a sociedade repressiva e restritiva.

    Ambas as liberdades são impossíveis, pois sempre haverá barreiras que te separa da liberdade total.

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  143. Isaiah Berlin desenvolve dois conceitos de liberdade, a saber, liberdade positiva e liberdade negativa.
    Liberdade positiva é aquela relacionado ao que é possível escolher fazer dentre as possibilidades que um Estado impõe. Disso decorre uma certa homogeinização dos indivíduos, que são vistos como pessoas de vontades iguais, o que é já é razoavelmente questionavel uma vez que essa superstrutura molda e regula a vida dessas pessoas uma boa ação, uma ação livre é aquela senão em conformidade com essa estrutura. Ou seja, a moldura que ele fala é esse perímetro do qual a vontade individual se desenvolve quando em conformidade com a estrutura.
    Liberdade negativa é aquela que está fora dessa moldura e portanto pode não estar em conformidade com o modelo contido na superestrutura. Tal concepção de liberdade precoriza que o indivíduo tem vontades possíveis, benéficas ou simplesmente pessoais que não estão abarcadas dentro da "moldura". Percebemos que essa concepção de liberdade registra uma acepção de pessoa num sentido individualista, algo não contemplado pela liberdade positiva.
    Podemos, antes, nos perguntarmos se ser livre é realmente fazer o que se tem vontade, se for, parece que para as duas concepções de liberdade de Isaiah encontramos restrições seja institucionais para a primeira, sejam éticas e físicas para a segunda.

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  144. Isaiah Berlin desenvolve dois conceitos de liberdade, a saber, liberdade positiva e liberdade negativa.
    Liberdade positiva é aquela relacionado ao que é possível escolher fazer dentre as possibilidades que um Estado impõe. Disso decorre uma certa homogeinização dos indivíduos, que são vistos como pessoas de vontades iguais, o que é já é razoavelmente questionavel uma vez que essa superstrutura molda e regula a vida dessas pessoas uma boa ação, uma ação livre é aquela senão em conformidade com essa estrutura. Ou seja, a moldura que ele fala é esse perímetro do qual a vontade individual se desenvolve quando em conformidade com a estrutura.
    Liberdade negativa é aquela que está fora dessa moldura e portanto pode não estar em conformidade com o modelo contido na superestrutura. Tal concepção de liberdade precoriza que o indivíduo tem vontades possíveis, benéficas ou simplesmente pessoais que não estão abarcadas dentro da "moldura". Percebemos que essa concepção de liberdade registra uma acepção de pessoa num sentido individualista, algo não contemplado pela liberdade positiva.
    Podemos, antes, nos perguntarmos se ser livre é realmente fazer o que se tem vontade, se for, parece que para as duas concepções de liberdade de Isaiah encontramos restrições seja institucionais para a primeira, sejam éticas e físicas para a segunda.

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  145. A teoria de Isaiah Berlin tem três conceitos:
    *PLuralismo ético
    *Liberdade Positiva
    * Liberdade Negativa

    Berlin expõe o pluralismo ético, ou seja, a tolerância, desenho político institucionalizado com o intuito de proteger garantias individuas, que evitaria a potencial existência de conflitos, ou divergências de visões e valores.
    Embora a liberdade é dos valores relevantes mas não o fimabsoluto das sociedades, mesmo as mais liberais, visar o pluralismo é melhor que impor uma única visão, e o fato de uma regra não ser eterna não é uma refutação e nem abre caminho para o ceticismo. O autor afirma que o conceito de liberdade é ambíguo, possuindo diversos significados, e o divide em positivo e negativo, considerando os dois principais.
    O conceito de liberdade positiva é quando um indivíduo é considerado livre desde que esteja dentro do limite das leis, porém esta concepção é bastante limitativa e não atinge a plena liberdade do indivíduo. Já a liberdade negativa é dada na inclusão, em que os indivíduos são donos de suas próprias concepções de liberdade, aptos para adotar seus caminhos e desejos de acordo com as tomadas de suas próprias decisões, já não havendo mais limites para tal.

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  146. Berlin escreveu “Quatro ensaios sobre a Liberdade” analisando o contexto histórico-político do momento (Período da Guerra Fria – EUA x URSS). Ele propõe dois tipos de liberdade, uma sendo a Liberdade Positiva e a outra a Liberdade Negativa, não estando preocupado em chegar a uma liberdade absoluta.

    Na liberdade positiva (exclusiva) o respeito às decisões pessoais são feitos dentro de um limite, dentro de uma “moldura” de condições, onde o Estado (ou outra entidade) garante que a liberdade de alguns não interfira na liberdade dos outros (uma liberdade democrática). Ela tenta organizar a sociedade de acordo com os diferentes tipos de vida existentes, e se um indivíduo não tiver a conduta imposta pelo limite, ele sofrerá alguma punição. Uma sociedade é mais liberal quando se tem uma expansão dos limites, ou seja, possui uma quantidade maior de meios de vida diferentes.

    Já a Liberdade Negativa é tolerante aos vários modos de vida existentes. Seria uma liberdade que de alguma forma tenta incluir os diferentes modos de vida das pessoas. O papel das leis e das instituições é garantir as ações individuais sem interferir na liberdade do individuo. O ser humano pode viver de acordo com suas preferências, isto é, o indivíduo é quem origina e impõe o limite de sua liberdade, e não um governo. O homem é dono de si e toma suas decisões de acordo com a sua vontade. Uma sociedade baseada na Liberdade Negativa seria mais inclusiva do que exclusiva, ao contrário da Positiva.

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  147. Em seus quatro ensaios sobre a liberdade, Berlin problematiza a questão da liberdade. Para melhor entender este conceito, ele divide-a em duas: liberdade positiva e liberdade negativa.
    Na liberdade positiva há uma espécie de esfera que limita as liberdades dos indivíduos, que condiciona a maneira como os indivíduos devem agir. Para que os indivíduos ajam de acordo com o que está delimitado nessa esfera, é exercida uma coerção sobre eles. Isso pode ser exemplificado pelas leis, pelo Estado, que pretendem garantir que os indivíduos tenham condutas baseadas na liberdades já definidas por eles. Assim, o autor coloca que a liberdade positiva, onde os indivíduos não têm total liberdade para escolherem seus modos de vida, resulta em regimes autoritários.
    Na liberdade negativa, os indivíduos têm liberdade para serem e fazerem o que quiserem. Não há esfera que limite as suas ações. Assim, o Estado não deve interferir na liberdade dos indivíduos. Dessa forma, a liberdade negativa, na qual cada um escolhe seu modo de vida, resulta em um pluralismo, ou seja, ao invés de existir uma esfera que exclui as ações dos indivíduos, há uma esfera inclusiva que considera todos os modos de vida da melhor maneira possível.
    A questão da liberdade positiva é: "Qual ou quem é a referência de controle e interferência que pode determinar alguém a fazer ou ser isso ao invés daquilo?"
    A questão da liberdade negativa é: "Qual é a área em que o sujeito deve ser deixado para fazer ou ser o que ele é capaz de fazer ou ser sem interferência de outras pessoas?"
    Diante disto, o autor discute alguns conceitos que aplicados a realidade revelariam a verdadeira face da liberdade positiva. Esta teria nascido da ideia de ego. Cada indivíduo teria um ego superior (racional) e um ego inferior (vontades irracionais). Agir de acordo com seu ego superior é ter liberdade. No entanto, ideologias e grupos sociais como tribos, religiões e etc., também possuem um ego superior. Já que teoricamente os indivíduos possuem a liberdade de escolher o seu próprio ego superior, estes são facilmente persuadidos de que o ego superior das ideologias e grupos sociais é o mesmo que o seu próprio. Assim, Berlin conclui que a liberdade positiva leva a tirania e opressão e ele ainda acrescenta que "Pode-se manipular as definições de indivíduo e de liberdade com o objetivo de que signifique o que o manipulador deseja".

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  148. Comentarei os conceitos de liberdade positiva e de liberdade negativa
    e também a conceituação de pluralismo moral desenvolvida por Isaiah Berlin. A liberdade negativa é a ausência de barreiras, obstáculos ou restrições. Liberdade positiva é a possibilidade de assumir o controle da própria vida, enquanto a liberdade positiva é geralmente atribuída ao individuo a liberdade positiva geralmente atribui-se a comunidade ou agrupamentos. Ao buscar ampliar as suas liberdades individuais rompendo com os controles comunitários e estatais o individuo procura aumentar suas liberdades, no ponto de vista liberal , busca-se assim diminuir ao máximo a interfrência estatal na vida e nas liberdades individuais. É preciso encontrar posições equidistantes para avaliar a presença estatal nas relações do dia a dia, um estado intervencionista que pretende presença permanente em todos as atividades dos indivíduos, acaba por ingressar as iniciativas empreendedoras individuais e prejudicando o amplo desenvolvimento dos indivíduos. Por outro lado o estado não pode ficar ausente em atuações como a administração da
    justiça ou no estabelecimento de controles sócio econômicos que assegurem aos menos providos de recursos, e a população de forma geral
    medidas protetivas que universalize o acesso a saúde, educação, segurança e amplie o acesso as oportunidades de fazer valer seus interesses.Na questão ética-moral, bastante interessante a visão pluralista de Berlin que ao mesmo tempo que foge do relativismo de aceitar que qualquer moral pode ser válida em função das desigualdades e particularidades locais, garantindo princípios éticos maiúsculos, permite o diálogo entre as conceituações culturais e comunitárias. Assim através de pesos e contrapesos é possível fazer com que de forma conjunta e respeitando-se as diferenças todos possam avançar.

    Josias.

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  149. Isaiah Berlin nascido na Rússia filho de judeus encontrou asilo na Inglaterra, onde formou sua carreira acadêmica. Berlin, no meio do conflito das ideologias liberal e comunista, lançou seu ensaio “dois conceitos de liberdade” trazendo para discussão os conceitos de liberdade que permeavam essas formas de governo.

    Basicamente a liberdade negativa se refere ao espaço em que o indivíduo está livre de interferência. A liberdade positiva, por sua vez, refere-se ao exercício do poder político, quem controla ou manda. As duas formas de liberdade são se distanciam muito, são formas distintas de decidir a mesma coisa.

    O tipo de obstáculo que a liberdade negativa considera importante de eliminar não é físico, mas humano, ou seja, ser livre é não ser importunado por outros. Antes que se pergunte sobre essa ilimitada forma de liberdade, liberais clássicos já haviam separado a liberdade entre duas esferas: a pública e a privada. Com isso as liberdades dos homens não se chocariam uma nas outras, respeitando a esfera pública e privada criando a ideia de liberdade individual. Esse tipo de liberdade é um ideal recente na história da humanidade que está circunscrita ao Ocidente.

    A liberdade negativa, individual, é um valor em si mesmo, distinto e de difícil ligação a um sistema e responde, basicamente, ao desejo de ter um espaço livre de qualquer interferência, e uma necessidade humana.

    O sentido positivo da palavra liberdade provém do desejo do indivíduo de ser seu próprio mestre. Essa forma desenvolve duas visões sobre o desejo de autogoverno que tomaram a historia: “a primeira é a da autonegação (disposição de deixar o direito individual em favor dos outros); e a segunda é a autorrealização (tendência de um organismo de desenvolver todas as suas possibilidades de crescimento) ou autoidentificação total com um princípio ou ideal particular para atingir o mesmo fim”.

    Se as formas de liberdades são parecidas e parecem caminhar para o mesmo fim, onde está o problema? Para Berlin, a questão não é procurar determinar se os conceitos, negativo e positivo, de liberdade podem ser separados analiticamente. Mas perceber como esses conceitos se desenrolam historicamente em sentidos divergentes entrando em conflito direto.

    O desenvolvimento histórico da segunda forma de liberdade positiva, a autorrealização, é essencial, pois se trata da base de todo despotismo formulado em nome da liberdade. Segundo esta lógica de liberdade entender o mundo é se emancipar “entender por que as coisas têm que ser assim equivale ao desejo de que seja assim” o que Berlin denominou como a doutrina positiva da emancipação pela razão, que se encontra no seio de muitas crenças nacionalistas, comunistas ou totalitárias de nossos dias.

    A imposição da liberdade não parece ser algo muito livre. Muitas nações, porém, como os Estados Unidos ou a Inglaterra do final do século XX disseminam a ideia da democracia, da liberdade, através de imposições, de guerras, de violência e recebem respostas semelhantes causando mais destruição. Berlin, antes de tudo, é adepto do pluralismo que parece a ele o ideal mais verdadeiro e mais humano. “É mais verdadeiro porque reconhece o fato de que os fins humanos são múltiplos, são em parte incomensuráveis e estão em permanente conflito. É mais humano porque não priva os homens do que tem sido feito indispensável para sua vida”, portanto não valoriza as ideologias produzidas pela forma de liberdade positiva e ao mesmo tempo alerta os adeptos da liberdade negativa para não caírem em tentação e acabarem agindo de forma igual às ideologias que se transformavam em tiranias.

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  150. Para entendermos melhor os pensamentos formulados por Isaiah Berlin, a cerca de liberdades, história e justiça, temos de ressaltar qual o período histórico em que este vive, sendo esta o período histórico qual dá contexto e diacronia a sua obra. Isaiah Berlin, após ter vivenciado os terrores da Segunda Grande Guerra, escreve sua obra num contexto que sucede esse período histórico, que fica conhecido como Guerra Fria. A Guerra Fria nada mais é do que o período pós guerra onde o munda se configurava de uma forma onde o espaço era dividido e disputado por duas ideologia vigentes e dominantes.
    Estas duas ideologias disputavam entre si os espaços e áreas de influencia pelo mundo, na tentativa de demonstrar qual seria a melhor maneira, ou seja, aquela qual deveria vigorar por todo o mundo, de se viver e governar. Estas duas ideologias são, o Capitalismo Liberal de um lado e o Comunismo Socialista de outro. Configura-se então no mundo o cenário da Bipolaridade. Esse contexto de embate e discussão sobre como se ver o mundo e tratá-lo, além de como se definir como deveriam viver as pessoas, é oque alimenta o debate e construção do pensamento do autor que tratamos agora. Discutir sobre qual dos projetos das duas ideologias esta mais alinhado a qual forma e como pensar-se o pluralismo é o cerne do pensamento.
    Berlin elenca uma análise histórica para tentar entender as diferentes concepções de pretensões de modos de vida na tentativa que deve-se viver da melhor forma (eticamente). Ao vermos essa colocação notamos qual a metodologia qual Berlin usa para respaldar seus argumentos, a análise histórica, numa crítica "impessoal", qual é a que por so só influi no comportamento e criação de sociedades e mecanismos sociais. Começa-se então, ao analisar a história e como esta se comporta, a pensar como poderia-se pensar as formas que os diferen