Há uma idéia que é hoje consenso entre quase todos os teóricos da Filosofia Política. Todos chegaram a conclusão que o Socialismo, com sua proposta de estabelecer um modelo de relações econômicas entre as pessoas baseado na supressão da propriedade particular e de arranjos políticos fundamentados na igualdade política, acabou. E com isso, também entrou em
colapso a idéia de uma democracia igualitária. Somente dentro de algumas gerações, talvez, a humanidade encontrará energia para voltar a propor um modelo alternativo de pensamento político. O fato é que hoje, somente temos uma visão hegemônica para os arranjos políticos e econômicos. A democracia liberal, com sua proposta de economia de mercado e institucionalização da liberdade, venceu.
A hegemonia do pensamento liberal põe, entretanto, um grave problema para os intelectuais. Isto é, na falta de um pensamento alternativo, como fazer a crítica da democracia
liberal? De uma forma geral só nos resta como caminho, a via das críticas menores, das pequenas escaramuças, incursões ofensivas parciais e ficamos perdidos no chamado cinturão de proteção e nos ataques às teses secundárias que protegem o miolo, o ‘hard core’, do pensamento democrático liberal.
O debate na Filosofia Política, entretanto, não chegou ao seu fim. E a busca pela grande objeção capaz de acertar o centro do pensamento liberal se torna cada vez mais intensa. Nesse esforço, os intelectuais tem encontrado inspiração na retomada das grandes questões fundamentais do espírito humano.
O fato é que existem dois conceitos que, desde a origem da chamada civilização ocidental e cristã, estiveram na agenda das preocupações intelectuais das pessoas e foram objeto de muitas investigações. Trata-se das idéias de Verdade e Justiça. O que é a Verdade? Em que condições o nosso conhecimento pode ser considerado verdadeiro? E ainda, o que é a Justiça? Quando é que nossas ações podem ser consideradas como justas? Conhecer e Agir; idéias e ações; epistemologia e ética, parecem expressar duas dimensões importantes da existência humana.
O conceito de Justiça tornou-se particularmente importante desde o início do século XX. E os parâmetros do debate contemporâneo sobre Justiça foram estabelecidos por Hans Kelsen. Na sua obra "Teoria Pura do Direito", Kelsen alega que a discussão sobre a Justiça não pertence ao mundo das discussões da Ciência do Direito. Entretanto, ele constrói toda uma teoria da Justiça. Ocorre que, num primeiro momento, a "Teoria Pura do Direito" e as possibilidades de uma Ciência Positiva do Direito, ocupam os debates na Filosofia Política do início do Seculo XX. Posteriormente, as idéias de Kelsen sobre a Justiça ocupam o cenário dos debates, posto que não se consegue entender o Direito somente através de uma Ciência Pura do Direito. Nós precisamos da idéia de Justiça. Por outro lado, o conceito de Justiça pode ser entendido a partir de reflexões sobre o indivíduo, ou de considerações sobre a sociedade. Isto é, a Justiça pode se expressar na preservação da liberdade dos indivíduos, ou na construção das condições de uma vida social bem sucedida. É nesse sentido que vem o debate entre Liberais (Isaiah Berlin, John Rawls, Robert Nozick, R. Dworkin) e os Comunitaristas (M. Walzer, M. Sandel, J. Habermas e C. Taylor).

"Teorias da Justiça" e uma disciplina com a qual se pretende introduzir os alunos nesse debate.

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quinta-feira, 21 de julho de 2011

11. TEMA 8 - OS LIMITES DO LIBERALISMO

Caros Alunos,

Após ler o texto: "Justice and the Good", in "Liberalism and Its Critics", Sandel Michael J. (org.), New York, New York University Press,

disponível em:

http://www.4shared.com/get/XH_yDwlM/Michael_Sandel_-_Justice_and_t.html

e examinar os videos:



WHAT'S THE RIGHT THING TO DO EPISODE 1 : http://www.youtube.com/watch?v=kBdfcR-8hEY

WHAT'S THE RIGHT THING TO DO EPISODE 2: http://www.youtube.com/watch?v=0O2Rq4HJBxw

http://www.youtube.com/watch?v=GYgLvAMQHmo


elabore seus comentários e envie para o Blog. Vc. tem até o dia 30 de setembro, segunda feira,  as 24:00hs. para realizar essa tarefa.

(Observação: Para colocar legendas em português nos vídeos é simples, basta clicar em "cc" depois em "traduzir legenda". Escolha o idioma e bom divertimento. Apesar de não ser uma tradução tão boa, já há uma melhora significativa na compreensão do vídeo)


Grupos:

184 comentários:

  1. Ao meu Sandel se diferencia de todos outros filósofos em dois pontos,dificuldade de compreensão sendo que em suas aulas não apresenta uma teoria se limita a incentivar a reflexão,e o segundo ponto seria sua incrível didática onde questiona os valores utilitaristas, querendo estimular "Qual a coisa certa ao fazer" ainda que pareça não concordar com a ótica utilitarista, em suas aulas não deixa transparecer sua opnião ,apenas incentiva a reflexão de seus alunos sem propor alguma teoria como a correta deixando a decisão para seus alunos.
    Já as suas criticas a Rawls achei extremamente validas;na interpretação de Sandel a teoria de Rawls estipula um ser humano do qual possui uma excência que o precede já que independente da criação possuiria o seu senso de justiça coincidente com o de Rawls,também concebe uma moral não baseada em justiça mas sim em mera preferência arbitraria,já Sandel ao meu ver valoriza de forma exagerada as tradições,assim como MacIntyre o costume parece validar a justiça ,ideia da qual discordo, não acredito que exista uma justiça/verdade definitiva a ser alcançada mas tambem não concordo que tradição necessariamente tenha alguma relação com justiça ao meu ver a sociedade justa é advinda da reflexão e do debate, não de costumes seculares ou liberdade com limitações arbitrarias da qual a comunidade concorda.

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    1. MICHAEL SANDEL (1953-)



      1. Críticas a JOHN RALWS:

      1.1. A concepção de pessoa de Rawls é Metafísica, pois exclui as considerações sobre os fins que as pessoas elegem para viver e torna impossível a consideração de pessoas vinculadas aos seus fins. Essa concepção é uma falsa representação de nossa experiência moral;

      1.2. Rawls defende uma concepção de comunidade que tem finalidades anteriores aos “eus” individuais. Não fornece ingredientes para constituir a identidade dos indivíduos. Ao contrário, a concepção de comunidade de Rawls fornece possíveis finalidades para indivíduos que já se concebem como “eus” definidos e individualizados. A comunidade, assim, não é ingrediente da identidade das pessoas. A comunidade política torna-se um sistema bem ordenado de cooperação para vantagem mútua. Nesse sentido, os indivíduos são anteriores à comunidade. A concepção de comunidade de Rawls é uma posição de individualismo anti-social (‘the veil of ignorance allows us to become unencumbered selves’);

      1.3. Para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias. Isso contem uma visão subjetivista da moralidade;

      1.4. A Teoria de Rawls não deixa espaço para a ideia que os indivíduos estão constitutivamente ligados às suas comunidades e que podem adotar uma concepção de bem que não pode se alcançada pelos indivíduos, por si próprios;

      1.5. A Teoria de Rawls é um “Liberalismo Deontológico”. Há condições para se pensar o problema da Justiça nas sociedades. Uma dessas condições é que; “The right is prior to the good”. Isto é, a Justiça é a virtude primeira dos arranjos sociais e impõe condições indiscutíveis sobre todas as demais ideias de bem que possamos construir;

      1.6. Para Rawls, sendo a sociedade composta de uma pluralidade de pessoas, cada uma com seus próprios objetivos, interesses e concepções de bem, a melhor forma de organizá-la consiste em fazê-la governar por princípios que não pressuponham qualquer concepção particular de bem; aquilo que justifica esses princípios não é que eles contribuem para a maximização do bem estar social, ou que promovam o bem, mas em vez disso que eles coincidem com o conceito de justo, isto é, por uma categoria moral que é dada, antes mesmo da noção de bem e que é independente dela. Segundo Sandel, isso implica em uma concepção metafísica de indivíduo e uma concepção deontológica da moral.

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    2. MICHAEL SANDEL (1953-)



      1. Críticas a JOHN RALWS:

      1.1. A concepção de pessoa de Rawls é Metafísica, pois exclui as considerações sobre os fins que as pessoas elegem para viver e torna impossível a consideração de pessoas vinculadas aos seus fins. Essa concepção é uma falsa representação de nossa experiência moral;

      1.2. Rawls defende uma concepção de comunidade que tem finalidades anteriores aos “eus” individuais. Não fornece ingredientes para constituir a identidade dos indivíduos. Ao contrário, a concepção de comunidade de Rawls fornece possíveis finalidades para indivíduos que já se concebem como “eus” definidos e individualizados. A comunidade, assim, não é ingrediente da identidade das pessoas. A comunidade política torna-se um sistema bem ordenado de cooperação para vantagem mútua. Nesse sentido, os indivíduos são anteriores à comunidade. A concepção de comunidade de Rawls é uma posição de individualismo anti-social (‘the veil of ignorance allows us to become unencumbered selves’);

      1.3. Para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias. Isso contem uma visão subjetivista da moralidade;

      1.4. A Teoria de Rawls não deixa espaço para a ideia que os indivíduos estão constitutivamente ligados às suas comunidades e que podem adotar uma concepção de bem que não pode se alcançada pelos indivíduos, por si próprios;

      1.5. A Teoria de Rawls é um “Liberalismo Deontológico”. Há condições para se pensar o problema da Justiça nas sociedades. Uma dessas condições é que; “The right is prior to the good”. Isto é, a Justiça é a virtude primeira dos arranjos sociais e impõe condições indiscutíveis sobre todas as demais ideias de bem que possamos construir;

      1.6. Para Rawls, sendo a sociedade composta de uma pluralidade de pessoas, cada uma com seus próprios objetivos, interesses e concepções de bem, a melhor forma de organizá-la consiste em fazê-la governar por princípios que não pressuponham qualquer concepção particular de bem; aquilo que justifica esses princípios não é que eles contribuem para a maximização do bem estar social, ou que promovam o bem, mas em vez disso que eles coincidem com o conceito de justo, isto é, por uma categoria moral que é dada, antes mesmo da noção de bem e que é independente dela. Segundo Sandel, isso implica em uma concepção metafísica de indivíduo e uma concepção deontológica da moral.

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  2. O texto de Sandel é uma crítica à teoria de Rawls sobre a justiça. Sandel diz: “ o conceito de direito de Rawls não se estende a moralidade privada, nem o faz qualquer outro instrumento de distanciamento salvo o bem das implicações profundas nos desejos e anseios existentes do agente.”
    Sandel fala que a teoria de Rawls se coloca sobre um plano de fundo utilitarista, “ Onde a justiça com equidade rejeita o utilitarismo como base da moralidade social ou pública, não há argumento aparente contra o utilitarismo como base da moralidade individual ou privada”. Para ele, Rawls rejeita o utilitarismo apenas enquanto este é indiferente aos indivíduos, tomando-os como um todo, combinando os desejos de todas as pessoas em um sistema coerente de desejos. Dessa forma fundindo todas as pessoas em uma só. Nesse sentido, diferente do utilitarismo, a justiça com equidade de Rawls procura consertar essas deficiências ao distinguir as pessoas e separá-las do “sistema de desejos”.
    Há duas definições sobre o que seria um “sistema de desejos”; 1. “ é um arranjo de desejos ordenados de uma certa forma, arranjados em hierarquia de valores relativos ou conexão essencial com a identidade do agente” ou 2. é simplesmente uma concatenação de desejos arbitrariamente dispostos, distinguíveis apenas por suas intensidades relativas e locação acidental. Se é o segundo, então não está claro por que Rawls leva tão a sério moralmente e metafisicamente a separação deles. Se o primeiro, “então não seria mais justificável “fundir” desejos em pessoas do que entre pessoas, e o que é errado no utilitarismo também seria errado, a esse respeito pelo menos, na justiça com equidade.”
    Sandel questiona a primazia da justiça quando estamos na posição original. “ Onde a justiça dependia para sua virtude na existência de certas pré-condições empíricas, a virtude da justiça não era mais absoluta, como verdade às teorias, mas apenas condicional”. Ele cita que em Hume, a justiça aparece na falta de outras virtudes mais nobres e mais raras, como a benevolência. Porém em Rawls, a benevolência não vem antes da justiça e em alguns casos não pode suplantá-la. “A justiça deixa de ser meramente corretiva com respeito as “virtudes mais nobres”, pois sua virtude não depende mais da falta delas.” Daí a virtude ganha seu lugar como primeira, não é um mero sentimento ou sensação como as virtudes menores, mas uma moldura que constringe e regula as outras.

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  3. CONT


    Sandel diz: “Na medida em que a justiça depende para sua preminência na separação ou limites de pessoas em seu sentido cognitivo, sua prioridade diminuiria na medida em que a opacidade desvanece e essa comunidade se torna mais profunda.” O que significa uma comunidade para ele não é se um grande numero dos seus membros tem em seus vários desejos o desejo de se associar uns com os outros, “mas se essa sociedade é ela própria uma sociedade de certo tipo, ordenada de uma certa maneira, tal que essa comunidade descreve sua estrutura básica e não meramente a disposição das pessoas dentro da estrutura. Para uma sociedade ser uma comunidade em seu sentido forte, a comunidade deve ser constituinte do auto entendimento compartilhado pelos participantes e encarnado em seus arranjos institucionais, não simplesmente um atributo do plano de vida de certos participantes.” Se o utilitarismo falha ao não levar em conta nossas diferenças, Sandel acredita que, a justiça com equidade falha também, ao não levar em conta as nossas. Para ele, se o direito é anterior ao bem, então o sujeito é anterior aos seus fins.

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  4. “O problema com a teoria de Rawls, sobre o 'bom', reside tanto em alicerces morais quanto epistemológicos, o que leva a problemas com a conexão entre o 'bom' e o 'justo'. ”. A partir dessa sentença, é possível enxergar a crítica que Michael J. Sandel estabelece sobre a visão deontológica estabelecida nos pressupostos de Rawls e como isso trará problemas para a motivação comportamental dos indivíduos que estiverem sob a égide da mesma, onde, por exemplo, um indivíduo pode apresentar uma postura conseqüencialista e não, deontológica. Um dos fatores que motivam essa crítica, é aquele que alega não ser possível encontrar um sujeito que seja capaz de atingir o estado mental pretendido por Ralws, e os valores ou concepções do “bom” são meramente escolhas de preferências individuais. Sendo escolhas de preferências individuais, aonde está a dicotomia entre um sistema de justiça utilitarista e o sistema de justiça de Rawls? O sistema de justiça de Rawls é distinguível por ser adotada uma hierarquia de valores? Não parece ser suficiente para diferenciar o que há de “errado” no o utilitarismo, da justiça de Ralws. Ainda, nas palavras de Sandel: “Se uma coleção de desejos não significa nada além de uma coleção arbitrária de desejos aleatoriamente incorporados num particular ser humano, não está claro o por quê da integridade desse 'sistema' ser moralmente e metafisicamente válida.” Além disso, adotar uma postura individual numa construção social não parece ter tanto sentido, uma vez que é necessário abandonar valores individuais pare se estabelecer uma sistema de valores coletivos.
    De acordo com Sandel, se a concepção do “bom” é realmente um conjunto arbitrário de preferências, o “direito” deve “pesar mais que o 'bom' ”. E a justiça? Considerada por Ralws como a maior das virtudes morais, parece ser uma das maiores vítimas de concepções arbitrárias, o que é difícil de se compreender ou lidar.
    Sobre o problema epistemológico-moral da justiça de Rawls, o mesmo precisa de condições específicas para estabelecer as condições de justiça. Enxergo isso como um problema na justiça de Rawls quando pensamos que, ao estabelecer determinados pressupostos, alguns indivíduos são deixados “do lado de fora” da discussão sobre jstiça. No entanto, também compreender o esforço de Rawls em tentar apresentar um pensamento reflexivo para um debate através de seus exercícios mentais (que dependem de certos pressupostos). Realmente parece que a justiça de Rawls atribuiu absolutamente certos eventos, preferências, como “boas” e outras como “ruins”, o que deixa de lado aspectos do “comunalismo” que existe na sociedade.
    Sandel também argumenta sobre os problemas envolvidos com a visão deontológica do ser social e como existem contradições entre a justiça de Rawls e o funcionamento social. A visão deontológica coloca que um ser “obedece”, “tem suas ações geradas” a partir de um certo conjunto de virtudes. Ao mesmo tempo, é sugerido que esse conjunto de virtudes é compreendido apenas pelo ser que o detém e não pode ser compreendido, de fato, pelos outros que a rodeiam. O ponto de vista deontológico de Rawls, parece sugerir a visão individualista dessa maneira, mas, ao mesmo tempo, sugere agentes de escolha que não são exatamente escolhidos. Ainda sobre isso, acredito que o grande problema da justiça de Rawls esteja em presumir que são as virtudes, os valores, que determinam as ações dos sujeitos. Acredito que, na verdade, haja uma propensão muito maior aos sujeitos terem suas ações motivadas por seus desejos, onde a finalidade da ação acaba recebendo um papel preponderante aos “valores” concebidos.

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  5. Videos apresentados em aula:
    A caixa trailer: http://www.youtube.com/watch?v=9PhfIuP7Sh8

    Button, button da série Twilight zone: http://www.youtube.com/watch?v=p4SYhiYUoqo (parte 1)
    http://www.youtube.com/watch?v=qm3Za-SgaqY (parte 2)
    Caso do canibalismo (legendado):http://www.youtube.com/watch?v=t2gX_yk-xNU&feature=relmfu

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  6. Na aula apresentamos a ideia principal de button, button (adaptado em 2009 como “The box”) que consiste na decisão de apertar ou não um botão que matará alguém no mundo que você não conhece e com isso, ganhar um milhão de dólares. O que é certo a fazer? Parece claro que o correto é não apertar, já que matar alguém não é certo. No vídeo de Sandel há essa discussão em volta do caso real de canibalismo. Em um momento (23h46min), ele aponta que as duas pessoas sobreviventes tinham dependentes, família, já o outro, não. Não seria então melhor prezar pelo “bem maior”? No “The Box” a família passa dificuldades financeiras e tem um filho, se fosse trocar a vida (no sentido capitalista de melhorar a qualidade de vida) dos três por uma pessoa em estado terminal, por exemplo, não seria um pouco mais aceitável? Ele coloca essa reflexão com Bentham. Em button, button parte 1, Norma usa o argumento que milhares de pessoas morrem todos os dias no mundo ou que poderia ser alguém com câncer, com isso o marido pergunta se fosse o bebê de alguém. Essa questão a meu ver é complicada principalmente por não saber quem será a pessoa (mesmo que não a conheça). Sandel faz essa reflexão de quando um assassinato seria aceitável, no caso do canibalismo, se houvesse consentimento do garoto a morrer para que os outros sobrevivessem há um aumento de pessoas que aceitariam esse ato. Matar um homem em vez de cinco é aceitável, abortar em caso de estupro também, mas grosso modo, é morte do mesmo jeito. No fim da primeira página do texto "Justice and the Good", de Michael Sandel há a seguinte afirmação de Rawls: “Uma pessoa quase sempre age, pelo menos quando outros não são afetados, para atingir seu próprio bem maior, para atingir seus propósitos finais o mais distante possível... O principio para um indivíduo é atingir o mais longe possível seu próprio bem-estar, seu próprio sistema de desejos (1971, p.23).” e Hume segue essa linha em “Se cada homem tivesse uma consideração afetuosa pelo outro, ou se a natureza suprisse abundantemente todos os nossos desejos e anseios... a inveja do interesse, o que a justiça supõe, não poderia mais ter lugar” (p.4), ou seja, em grande parte das vezes pensamos mais no nosso bem estar do que do próximo. Para Hume a justiça não pode ser a primeira virtude das instituições sociais, e diz que “na medida em que a benevolência mútua e afeições ampliadas pudessem ser cultivadas mais amplamente, a necessidade pela “virtude cautelosa, invejosa da justiça” diminuiria em proporção, e os seres humanos seriam os melhores para isso”, seria inútil, não sendo assim uma virtude. E onde para Hume, nós necessitamos de justiça por que nós não amamos os outros o suficiente, para Rawls nós necessitamos de justiça por que nós não podemos conhecer uns aos outros bem o suficiente para o amor seja suficiente por si só.

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  7. CONTINUAÇÃO

    Voltando ao button, button, depois de Norma ter apertado o botão, o misterioso homem deixa a maleta com o dinheiro, diz que pegará a caixa de volta e fará oferta a outra pessoa, ela o questiona sobre isso, então ele deixa bem claro na frase final “Posso lhe assegurar que será uma pessoa que você NÃO conhece” que você poderá ser a próxima vítima. Na história original parece que dias depois o marido de Norma é empurrado na frente de um trem, ela de alguma forma pergunta o porquê desse ato e o homem que o matou responde: “Você realmente conhecia o seu marido?”. No enredo de “The box” a história tem um desenrolar bem diferente, até por que é ficção, mas o que eu queria refletir é que tudo parece mudar completamente quando nós que seremos os prejudicados. No caso hipotético de ter a escolha de empurrar um homem gordo no bonde para salvar aquelas cinco pessoas ou sendo o maquinista escolher matar somente um, poucas pessoas manifestaram que tomariam a primeira decisão, mas a maioria disse que faria a segunda. Daí novamente a questão de qual diferença faria a morte em ambos os casos. Para finalizar, em “The box” o misterioso homem diz que isso é uma espécie de experimento para ver o quão egoísta é a humanidade e que as mortes parariam quando uma quantidade considerável de pessoas não apertassem mais o botão, ou seja, até o momento que “the right is prior to the good”.

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  8. Sandel se filia à corrente de pensamento comumente denominada comunistarismo. Os filósofos comunitaristas contestam o liberalismo por acreditarem que os valores que fazem parte da cultura de um grupo social, suas tradições, não podem simplesmente ser desprezados na hora de se estabelecer seu ordenamento jurídico. No texto estudado, Sandel faz uma crítica a John Rawls.
    Para Sandel, o grande erro de Rawls está na formulação da posição original. Segundo ele, a crença de que é possível criar um regramento justo a partir da posição original é incorreta e que a descrição de Rawls não é a de um acordo, propriamente. Pois se todas as partes são propositadamente destituídas de tudo aquilo que lhes é particular (convicções, posições sociais etc), está-se falando não de uma comunidade de vários indivíduos, mas de um único. E, assim, não há “acordo”.
    Em seu livro, ao atacar a posição original, o autor diz que Rawls teria criado uma situação falsa, em que pessoas que não podem existir no mundo real (aquelas por trás do véu da ignorância) chegam a um acordo prevendo o Estado neutro como a melhor solução para que cada um possa seguir seu plano de vida sem interferências externas. A concepção de pessoa em Rawls seria abstrata, mas na vida as pessoas são concretas. Com isso, ao autor quis dizer que essa visão de abstração é limitada, ela não dá conta do ser humano concreto. E mais, quando se trabalha com abstrações, propriedades de abstrações são levadas em conta. Por isso, Sandel chega à conclusão de que é impossível considerar o véu da ignorância, que também é abstrato, pois não é possível esquecer os valores pessoais (self) para analisar fatos.
    Além disso, para Sandel, um Estado neutro não é algo a que se chegue racionalmente por meio de um acordo entre partes. Mas, sim, o único resultado possível de uma situação falsa criada para esse fim. Para Sandel, a falha da teoria de Rawls está na crença de que um homem pode se separar de seus fins, de seus objetivos, de suas convicções.
    Outro ponto da crítica é que Rawls toma a individualidade antes da comunidade ao se falar de justiça. Sandel diz que todo e qualquer indivíduo está inserido em uma comunidade, por menor que ela seja. E então, a justiça deve ser comunitária. E Rawls não considera essa visão em nenhum momento. Ele não conseguiria ver que as comunidades muitas vezes adotam uma concepção de bem que os indivíduos não alcançam por si próprios. Na visão do filósofo contemporâneo, dizer que o individuo é mais importante que a comunidade é dizer que o abstrato é mais importante que o real.
    Em Sandel, o “justo” não pode estar sempre à frente do “bom”. A justiça, diz
    ele, é relativa ao bem e depende dele. Descobrir o que é bom, portanto, é necessário para saber qual caminho seguir. O autor sustenta ummodelo ético que prioriza o direito sobre o bem: o liberalismo deontológico. O Liberalismo Deontológico é definido por Sandel como uma teoria da justiça entre idéias morais e políticas. Sua tese principal poderia ser expressa nos seguintes termos: a sociedade, composta por uma pluralidade de pessoas, cada qual com suas próprias vontades, interesses, objetivos e concepções de bem, é melhor arranjada quando governada por princípios que não levam em consideração uma concepção específica de bem. O que justifica tais princípios não é a maximização do bem-estar social ou a promoção do bem, mas é a conformidade com o conceito de direito, uma categoria moral anterior ao bem e independente dele.

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  9. Postagem atrasada:
    Após assistir os vídeos das aulas e os filmes propostos pelos grupos, fica claro que - apesar do incessante esforço para encontrar alguma justificativa para um homicídio em todos os casos apresentados valendo-se de diferentes situações inerentes ao ato como: consentimento; votação; desconhecimento sobre a vítima ou salvação de um número maior de vidas - um crime nunca poderá ser considerado uma atitude moral independentemente de quaisquer relações que tal ato envolva. É bastante sensato preferir salvar cinco vidas em detrimento de uma, mas esta preferência não altera em nada o direito à vida que estes seis indivíduos gozam igualmente. Acredito que a autopreservação seja a única maneira de justificar um homicídio, mas esta alegação só pode ser levada em conta quando a vítima realmente ameaçava a vida daquele que praticou o ato. Matar alguém que não oferece riscos à vida simplesmente para manter-se vivo é condenável independentemente da necessidade. Pensando no caso dos navegantes, o mais jovem que já estava debilitado foi morto para que os outros aumentassem a possibilidade de retornar à terra natal onde o homicídio é condenável. O resgate ocorreu e o objetivo deles foi alcançado. Então esta sociedade não deveria de modo algum absolvê-los, pois eles não hesitaram em realizar um ato conscientemente ilegal para tentar voltar justamente para a sociedade que os coagiu a não realizá-lo. Enfim, a absolvição dos náufragos resgatados me pareceu muito incoerente, dadas estas circunstâncias.

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  11. Michael Sandel faz parte da categoria dos comunitaristas da filosofia, e explicita sua posição ao rejeitar a concepção liberal-individualista, e recomendar uma sociedade onde os temas polêmicos e importantes para seu harmonioso funcionamento sejam discutidos em grupo, em debates, de forma que a tomada de decisão seja efetivamente democrática, levando-se em conta múltiplas opiniões.
    Sandel preocupa-se em negar a ideia que Rawls dissemina, baseando-se nela para construir suas ideias, de que há direitos individuais que são mais importantes que o bem-estar geral. As críticas está no fato da concepção metafísica da pessoa, pois o véu da ignorância em si é uma abstração pois você não consegue deixar de ser você mesmo, para fazer uma análise imparcial do que é justo ou injusto. Sandel elabora um conceito comunitário, a comunidade que constrói, self é comunitário, os direitos são comunitários, a comunidade o define.
    A negociação seria, portanto, fator decisivo em uma discussão para que seus resultados fossem mais justos. A partir do momento que se assume que debates levariam a uma melhor tomada de decisão, devido à mescla de opiniões, é inevitável assumir que não existe apenas uma resolução correta ou coerente acerca das interrogações que nos perseguem.
    Rawls não deixa espaço em sua teoria para a ideia que os indivíduos estão constitutivamente ligados à suas comunidades e que podem adotar uma concepção de bem que não pode ser alcançada pelos indivíduos por si próprios

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  12. Segundo Sandel, Rawls elabora um contrato social em condições que seriam ideias, portanto abstratas. Ele partiria do conceito de que as pessoas sob o véu da ignorância não saberiam suas posições originais, porém Sandel nos diz que essa abstração é praticamente impossível pois as abstrações possuem características que não existem no mundo real. O conceito de indivíduo para Rawls antecede o conceito de comunidade (o indivíduo vem antes da comunidade). No equilíbrio reflexivo a discussão (em comumidade) acaba por ignorar as individualidades de cada um, o "self" de cada um. Pra Rawls o direito acaba sendo algo inegociável, tornando assim os modos de vida negociáveis para que se obtenha a justiça.

    Sandel ainda nos diz que a escolha entre um ou outro motivo no equilíbrio reflexivo acaba sendo arbitrária, pois dão-se apenas dois motivos que acabam sendo ou teleológico (ação pratica para se alcançar o "desejo") ou deontológico (ação como manifetação do "desejo"). Diz que a teoria de Rawls se aplica apenas a quem é liberal e por se basear em algo abstrato se torna uma ética evanescente, que se se desmancha.

    Deste modo, Sandel propôe inverter o olhar de Rawls e buscar um eu que seja comunitário. Ele nos diz isso pois declara que são as práticas comunitárias que nos definem, são as comunidades que nos circundam que nos identificam. Assim, a ética teria que ser baseada na tradição e entender como cada tradição se comporta em cada comunidade que está inserida. Através do debate para ver como cada tradição entende e traduz determinado assunto. E com a construção desse debate ver o que mais se aproxima da perfeição. Rawls estava preocupado em pensar uma sociedade justa, portanto suas teorias são abstratas, Sandel se preocupa com as ações dentro da comunidade que também levariam a uma sociedade justa.

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  13. No texto de Michael J. Sandel, “Justice and the Good” é possível notar várias referências que o autor faz à Rawls. Sua discussão inicia-se com a questão da concepção de justiça e que a dificuldade com a teoria de Rawls do bom é epistemológica e moral. É introduzida uma indagação a respeito de que se a minha concepção do bom é simplesmente um produto das minhas necessidades e desejos imediatos, logo não há razão para supor que este ponto de vista crítico seja mais válido que os desejos que procuram se avaliar. Outro autor já estudado na disciplina que também é comentado no texto é Dworkin, através da passagem “...Dworkin defends what he calls an ‘anti-utilitarian concept of right’...”(pág.160).

    A justiça como equidade visa corrigir essas deficiências através da ênfase na distinção entre pessoas e pela separação daqueles diversos ‘sistemas de desejos’ que o utilitarismo conflita. Na concepção do Rawls para cada ser humano existe exatamente um ‘sistema de desejos’, na qual sua definição é posteriormente dada através de uma pergunta: “Um sistema de desejos é um conjunto de desejos ordenados de certo modo, arranjados numa hierarquia de relativo valor ou uma conexão essencial com a identidade do agente, ou é simplesmente a concatenação de desejos arbitrariamente dispostos e distinguíveis apenas pela sua intensidade e localização acidental?”.

    Dessa forma a discussão do bom traz de volta a questão da justiça e a afirmação da sua prioridade, que retorna às circunstâncias da justiça na sua posição original, concepção a qual já havia sido abordada anteriormente na teoria de Rawls. Prosseguindo no texto, Sandel afirma que para Hume, a justiça não pode ser a primeira virtude das instituições sociais, ele dá o exemplo da família, que os laços afetivos podem ser aumentados de tal forma que quase não é envolvida a justiça, muito menos como “a primeira virtude”. Retornando a ideia de Rawls temos que o desinteresse mútuo possui diferentes significados para esse autor, uma vez que isso não implica que os seres humanos são tipicamente governados por egoísmo e generosidade limitada/restrita, de fato isso não significa uma afirmação das motivações humanas como um todo.

    A natureza do indivíduo que Rawls concebe é a de que a justiça não é meramente um sentimento ou sensação como outra, mas acima de um quadro que restringe essas virtudes e é um “regulador” destes. Assim, Sandel explica o porquê na teoria do indivíduo de Rawls, tais virtudes como também a benevolência e até mesmo o amor não são ideais morais auto-suficientes, mas que devem aguardar por justiça em sua conclusão, sendo que para Rawls as conseqüências de levar a sério a distinção entre as pessoas não são diretamente morais, mas sim epistemológicos.

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  14. Uma passagem que ilustra claramente a distinção dos pontos de vistas entre Rawls e Hume é “...for Hume, we need justice because we do not love each other well enough, for Rawls we need justice because we cannot know each other well enough for even love to serve alone.”(pág.166). Assim Rawls escreve que embora nós chamemos as atitudes das pessoas de justas ou injustas, para a justiça como equidade o “objeto principal da justiça é a estrutura básica da sociedade.”

    Posteriormente Sandel aborda o termo deontologia, que ao contrário das concepções gregas ou do cristianismo medieval, o universo da moral deontológica é um local desprovido de significados inerentes, é um mundo “desencantado” como na frase de Max Weber, um mundo sem ordem moral objetiva. Similarmente à Kant, a lei moral não é uma descoberta da razão teórica, mas uma libertação da razão prática, o produto da vontade pura. Afirma-se que como habitantes de um mundo sem “telos”, nós somos livres para construir princípios de justiça natural por uma ordem de valores dados antecedentemente. Somos livres para escolher nossos objetivos seja pela ordem, por costumes, tradições ou status herdado; cidadãos governados pela justiça são assim capazes de realizar o projeto libertador da deontologia- para exercitar suas capacidades como “self-originating sources of valid claims.”, entretanto a visão deontológica é falha, tanto dentro dos seus próprios termos como um relato de nossas experiências morais.

    A última seção abordada no texto se chama “Character, self-knowledge, and friendship” que é iniciado retomando aspectos da seção anterior sobre deontologia e posteriormente trata a questão da amizade que é marcada pela mútua compreensão bem como os sentimentos, sendo que a amizade é ligada a certos sentimentos, já que nós gostamos de nossos amigos, nós temos afeto por eles e os desejamos o bem. Por fim Sandel conclui o texto com a frase “And it forgets the possibility that when politics goes well, we can know a good in common that we cannot know alone.” (pág.176).

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  15. Sandel, famoso comunitarista, opõem-se ao Liberalismo e faz uma intensa crítica à teoria de Rawls, baseando-se nos conceitos de que a concepção de pessoa de Rawls é metafísica uma vez que não há como as pessoas adotarem a "posição original" e o "véu da ignorância". Segue-se a premissa de Rawls que coloca a concepção de comunidade posterior a concepção de indivíduo, porém, Sandel considera que o indivíduo é resultado da comunidade, e não o inverso. Sandel também coloca que, para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias, porém isso não pode ser tido como verdade já que elas são, na verdade, resultados da influência da sociedade em que se vive.
    Em conclusão, não se pode relevar o fato de que os indivíduos estão inseridos na comunidade e são resultado dela, admitir-se que todos possuirão um mesmo conceito de justiça, ou até mesmo que o possuirão, e que esse conceito será bom para todos.
    Para Rawls, o certo (direito) está acima do bem. Sandel critica essa posição já que isso implica que os conceitos estabelecidos de justiça estejam sobrepostos ao bem estar do indivíduo.
    Sandel nos lembra que a sociedade é formada por uma pluralidade de pessoas, que possuem conceitos de bem e estilos de vida diferentes, e que a concepção liberalista não faz com que se possa exerce-las, ao contrário, impõe um conceito de o que certo/justo e submete as pessoas a se encaixarem neste conceito. Um modelo ideal construiria as concepções de justiça e moral a partir da congruência das concepções dos indivíduos que fazem parte da sociedade, ao invés de fazê-los se adaptar a conceitos pré-estabelecidos.

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  16. Michael Sandel é um autor comunitarista que faz uma critica intensa àRawls em sua obra. Rawls acredita que se pode alcançar a justiça a partir da elaboração de um contrato social, onde as pessoas adotariam a posição original, e estariam munidos do véu de ignorância e do equilíbrio reflexivo, abrindo mão de seu modo de vida e e suas concepções pessoais. Sandel acredita que essa concepção do indivíduo, capaz de se livrar de suas concepções pessoais, é abstrata e insuficiente, uma vez que admite o indivíduo como inferior à sociedade, e não como resultado das interações sociais, como deveria ser. Essas interações sociais criam características nos indivíduos que não devem ser deixadas de lado, como propõe Rawls.
    Além disso, Sandel critica o liberalismo deontológico de Rawls, que afirma que a justiça vem antes do bem. Ele se preocupa com os motivos anteriores às ações dos indivíduos, sem relação com a ação e com suas consequências, como por exemplo, o compromisso moral com a verdade. Sandel, ao contrário, adota uma postura teleológica, que se preocupa com as consequências das ações, como por exemplo, o compromisso com o bem estar. Ao contrário do que defende Rawls, Sandel acredita que as pessoas escolhem seus modos de vida pelo bem estar, e não pelo justo.
    Sandel afirma que a sociedade é formada por uma pluralidade de modos de vida e de concepções, e que é possível escolher modos de vida que não dependam só do indivíduo. A adoção de diferentes modos de vida não tem necessidade de um “self” anterior, esse “self” é resultado da vida em sociedade. O autor acredita que a justiça está em encontrar estratégias para fazer com que diferentes modos de vida convivam entre si.

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  17. Michael Sandel, autor comunitarista, apesar do mesmo não se denotar dessa maneira, é assim comumente denotado por causa de suas criticas ao liberalismo e as idéias de Rawls.

    Sandel critica a teoria de Rawls dizendo que, em sua teoria Rawls faz muitas abstrações ao self e que essas abstrações não se aplicam ao mundo real. Como por exemplo, o véu da ignorância, segundo Sandel, ninguém poderia se abstrair totalmente de sua raça, credo, cultura e até mesmo posição social. Tornado-se inviável a aplicação do mesmo.

    Para Rawls todos nós temos um senso de justiça inato. Sandel critica essa visão, dizendo que, nosso senso de justiça se dá de acordo com as tradições em que nos encontramos. A comunidade define o self, você se torna algo segundo as tradições dessa comunidade. Isso não quer dizer, entretanto, que todos habitantes de uma comunidade, e participantes de uma mesma tradição sejam portadores do mesmo self, só quer dizer que essa comunidade e essa tradição serão responsáveis por definir esse self. O autor coloca também que nossas tradições são mutáveis, portanto nosso senso de justiça também se torna mutável. Colocação essa que se levada ao extremo, beira o relativismo.

    Bom ao meu ver, a principal diferença entre as idéias liberais de Rawls e as idéias comunitaristas de Sandel se dá pelo fato de que, segundo os liberais os ideais de justiça devem ser afixados e seguidos por todos, ideais esses que seriam definidos segundo o senso de justiça inato que há em todos nós. Já segundo os comunitaristas, como Sandel, o ideal de justiça é construído com o tempo, podendo ser modificado, e esses ideais se dariam de acordo com as comunidades e tradições que as pessoas se encontram.

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  18. O comunitarista Michael Sandel critica a visão liberal que desconsidera o papel da comunidade, das tradições, da cultura na elaboração do "contrato social".
    Ele critica Rawls, por não considerar na sua teoria o papel que a comunidade tem na concepção dos valores dos indivíduos. Para ele a ideia de se criar um contrato social baseado no indivíduo, que é colocado na sua posição original sob o véu de ignorância, é inconcebível. Primeiramente porque não se pode pensar em um contrato social baseado no individualismo, excluindo modos de vida; é necessário levar em consideração toda a comunidade, não um indivíduo, com seu modo de vida particular. Dessa forma, não há contrato social, sem considerar a sociedade como todo. E também porque essa concepção de posição original é abstrata, não leva em consideração a posição concreta dos indivíduos.
    Para Sandel, a concepção de pessoa para Rawls é metafísica, por considerar que os indivíduos são anteriores à comunidade, porém, todo indivíduo já nasce inserido em uma comunidade, ainda que pequena. Assim, a concepção liberal de indivíduo é insuficiente, pois a posição original e o véu de ignorância pressupõe um "indivíduo abstrato", que só pode ser pensado idealmente, quando na realidade, o indivíduo é "concreto". E esse indivíduo concreto, para Sandel, tem sua essência inserida na comunidade. Portanto, ele defende que a reflexão moral é uma reflexão comunitária. Pois as tradições, a cultura, os costumes, podem levar os indivíduos a adotarem posições que talvez não adotariam sozinhos.
    O autor também é contrário a visão de Rawls, de que "o direito é anterior ao bem". Essa visão Deontológica de Rawls, de que os indivíduos analisam seus valores morais antes de suas ações, assim, a verdade, o certo, o bom, é sempre anterior ao que o indivíduo faz. Sandel critica essa posição, de que os indivíduos devem sempre ter compromisso com seus valores fundamentais, pois para os indivíduos analisam primeiramente os fins das suas ações. Dessa forma, ele adota uma postura teleológica, defendendo que os indivíduos nem sempre se comprometem com a verdade, mas sim com as consequências que resultarão da sua ação. Ou seja, a noção do que é bom não é a mesma em todas as situações. Descobrir o que é bom, em determinada situação, é que guia os indivíduos a seguirem determinado caminho.
    Sandel considera que não é possível acreditar que exista somente uma concepção de bem, pois os indivíduos são influenciados por diferentes concepções de bem e por diferentes modos de vida. Assim, é preciso encontrar uma concepção de direito que seja capaz de encontrar uma maneira para que diferentes modos de vida convivam entre si.

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  19. Thalita Trintinalia
    Sandel faz parte do comunitarismo, grupo que contesta o liberalismo, por crer que a cultura, costumes e valores que as compõe não podem ser descartados no momento em que se constrói uma jurisdição.
    Segundo a visão de Sandel no texto estudado, Rawls e sua teoria não se estendem a moralidade privada, tendo base utilitarista. O utilitarismo para Sandel só é deixado de lado por Rawls, quando este se faz indiferente aos indivíduos combinando de forma coerente os desejos de todas as pessoas e tomando-os como um todo levando em conta todas pessoas como uma fusão, como um só. Pois dentro de sua concepção de posição original, os participantes se desprendem de suas convicções pessoais, de tudo que lhes é particular, assim fala-se de uma comunidade não de vários indivíduos e valores, mas de um só, não podendo ser considerado assim um acordo.
    Existem duas formas de definir um sistema de desejos, a primeira seria defini-lo como um arranjo dos desejos, colocando-os em hierarquia de valores relativos ou conexão essencial com a identidade ou agente, suas preferências, necessidades e valores; e a segundo seria um encadeamento de desejos ao acaso, onde se diferenciam tão somente por suas intensidades e locação acidental, destituídas de cunho pessoal.
    Se Rawls leva em conta a primeira definição, não se faz justificável fundir desejos em pessoas do que entre pessoas, errando da mesma forma que o utilitarismo, ao menos neste ponto, na justiça com equidade. Caso seja levado em consideração a segunda definição, não fica claro então por que seria tão importante uma separação dos desejos.
    Critica ideias abstratas, por considerá-las limitantes. A noção de um véu da ignorância é criticada por Sandels por ser uma ideia abstrata e considerar impossível se despir completamente de seus valores pessoais para julgar os fatos, não se pode separar um homem de seus fins, convicções e desejos, este é para Sandels o maior erro de Raes.
    Para Sandels se considerarmos o utilitarismo como falho, por não levar em conta as diferenças entre os individuos, seus anseios e necessidades, a justiça com equidade também será falha, por não levar em conta as nossas diferenças. O direito é anterior ao bem, logo o sujeito é anterior aos fins para Sandels o justo não pode estar acima do bom, a justiça depende do bem, definir o que é o bem é necessário para dar as diretrizes ao modelo, a sociedade seria composta de pessoas (indivíduos) individuais em suas ideias, vontades, anseiosm noções de bem, e é governada de forma mais eficiente quando tem em sua base, princípios que não levam em consideração uma exclusiva visão de bem, buscando uma conciliação das diversas visões de bem e diferentes modos de vida, para que esses coexistam.

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  20. O ponto de Sandel se inicia de uma critica ás ideias de Rawls. Primeiro vemos em Rawls um homem coberto por um véu de ignorância que não sabe onde está inserido no mundo e assim deve decidir como a sociedade deve se comportar. Essa ideia apesar de ter sentido explicada pelos seus defensores perde o nexo ao ser colocada em outras palavras, isso se deve ao seu caráter abstrato e é nesse ponto que Sandel ataca. Uma pessoa que não sabe o que é na sociedade não existe, sendo assim não podemos dizer que a justiça é feita por pessoas que não existem. Tentar cobrir pessoas que existem com um véu de ignorância é como jogar um lençol em um assaltante que tenha entrado em sua casa, ele vai continuar existindo e te assaltando. Aqui coloco uma pergunta que não é de Sandel, mas que me surge em todo momento que penso no véu de Rawls ”Será que pessoas na situação descrita pelos mesmos seriam capazes de dialogar?”
    Com as críticas devidamente feitas, devemos abordar a questão por outro ângulo, do concreto, do que existe e o que existe são pessoas vivendo em sociedade e sendo fortemente moldadas por elas. Então o estudo da justiça é o estudo das sociedades, já que estas sintetizam e agrupam os indivíduos.
    Para analisar as comunidades devemos ver suas tradições e ver o que é “bom” para elas, a partir daí podemos extrair o justo para aquela comunidade e só ela. O processo deve se repetir para cada uma das outras comunidades, para se definir o justo.
    Com isso nasce a ideia que para alguns é assustadora de algo ser justo em uma comunidade e inconcebível em outra, esse é um debate que existe e é feito pelos críticos de Sandel e dos comunitaristas como um todo.

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  21. Sandel é crítico de Rawls e o liberalismo por sua concepção de justiça ser baseada no indivíduo e não na sociedade. Ele acredita que o conceito de Rawls é abstrato e fazendo abstrações, os resultados não são concretos para a vida real. Somos seres comunitários, somos resultado da comunidade em que vivemos e das tradições com que fomos criados, essa é a grande crítica de Sandel porque o conceito de justiça tem que levar em conta as tradições dos grupos. O conceito de Rawls de contrato sendo esse feito numa posição original de véu de ignorância não seria justo porque estaria dando prioridade ao indivíduo que estaria ali na mesa de discussão e não estaria levando em conta o que seria justo para a comunidade.
    Outra questão de Sandel é a desigualdade entre ricos e pobres que vem a ser uma das questões centrais de justiça porque se for muito grande essa desigualdade será muito mais difícil sustentar uma noção de comunidade. Sandel questiona o que é o certo a se fazer ele instiga à reflexão do que seria uma sociedade justa.

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  22. Sandel contesta sobre o liberalismo a partir de uma perspectiva estritamente filosófica e como confessou, abstrata. E portanto, através do comunitarismo, não baseado no marjoritarismo, mas que acredita nos valores que fazem parte da cultura de um grupo social, seus valores pessoais e tradições, concepções morais e religiosas, não permitindo que simplesmente sejam desprezados, e critica a teoria de John Rawls.

    A concepção de pessoa em Rawls é abstrata, segundo o autor, pois ao se escolher com imparcialidade, ao fazer uma escolha de tamanha importância por simples preferência não é cabível à uma solução eficaz, com fatos particulares desconhecidos sobre cada um, trataria-se de um argumento racional e lógico do qual devem derivar os princípios de justiça, e assim, sendo imparciais e equitativos na formação de uma nova organização, não se refere à uma comunidade de vários indivíduos, mas sim de um único, resultando nas desavenças.

    Os liberais defendem incondicionalmente tanto a liberdade de expressão, quanto a liberdade religiosa. Então priorizando o direito sobre o bem: o liberalismo deontológico - composto por uma quantidade de pessoas, cada qual com seus próprios interesses, objetivos, e vontades, sendo melhor governada quando não levam há uma concepção específica de bem. Portanto, o que justifica tal princípio é a conformidade com o conceito de direito, uma categoria moral anterior ao bem e independente dele.

    Para Sandel e a maioria dos comunitaristas, a justiça é relativa e depende do bem. E assim para alcançar a real justiça pode-se dizer que os princípios da justiça também dependem do valor moral ou essencial aos princípios que servem, ou seja, completamente contrária à tese dos liberais. O autor cita que todo e qualquer indivíduo está inserido em uma comunidade, por menor que seja, pois estas muitas vezes adotam uma concepção de bem que os indivíduos não alcançam por si próprios. E assim, a visão do filósofo contemporâneo John Rawls, designa-se que o indivíduo é mais importante que a comunidade é afirmar que o abstrato é mais importante que o real.

    Entretanto uma comunidade não deve limitar seus desejos individuais, pois não possuem a mesma benevolência, objetivos ou metas, porém acredita em que a parte sombria das pessoas vai ficando mais aparente a ponto de quase toda opacidade individual sumir, sem que desapareça completamente à medida que a comunidade passe a ser mais profunda, definida e intrínseca. Portanto, a justiça não deve ser feita através de uma ação individual limitada, todavia deve ser integrada sem limites na estrutura da sociedade, da comunidade para que esta aconteça.

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  23. Michael Sandel é conhecido por suas críticas ao liberalismo e em especial aos conceitos propostos por Rawls. Uns desses conceitos seria a adoção da "posição original", "véu da ignorância" e "equilíbrio reflexivo". Sandel bate no ponto principal da teoria de Rawls: para ele um indivíduo tende a ser incapaz de se livrar de todos os seus pensamentos sobre algo. Isso se daria na própria natureza do ser humano. O indivíduo seguiria da interação social, algo essencial e defendido por Rawls.

    Outra crítica segue da relação justiça e bem. Sandel possui um viés mais teológico, onde que a consequência das ações insere-se em um contexto de bem estar. Ele mostra que esse bem estar advém da escolha das pessoas por seus modos de vidas preferenciais, não pelo justo. Em outras palavras, bem estar seria a razão pela escolha.

    O utilitarismo, por uma ótica em que não funciona na prática para ele, se dá pelo fato da diferença entre todos os indivíduos da sociedade. E assim, a justiça também "quebra", pois não consegue agrupar essas diferenças e inserir uma justiça. Portanto caso seja feita alguma análise das tradições pelo mundo, deve ser feito de modo que privilegie somente e especificamente o objetivo de estudo. Sandel conclui que a ideia de justo pode ser concebível para uma e totalmente falho em outra.

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  24. Sandel desenvolve em seu texto um contraponto quanto à teoria da justiça como equidade do Rawls, problematizando alguns aspectos do pensamento liberal. Sandel vai criticar a ideia abstrata de pessoa como consequência do modelo de representação da posição original sob o véu da ignorância, na formação da distinção entre a pessoa e suas concepções de bem. Para Sandel, não é possível que a pessoa possua realidade de forma independente de uma concepção de bem, devido ao fato de ela ser formada pela identidade pessoal, impossibilitante um julgamento imparcial. A crítica ao Ralws decorre da concepção de sujeito moral como um agente completamente dissociado de suas experiências contingentes. Para Sandel, pessoas com essas características não seriam capazes de realizar escolhas morais, devido ao fato de que faltaria a experiência e a motivação, logo sua capacidade de escolha seria insustentável. A ideia de pessoa que está presente na posição original não consegue inserir referências ao mundo empírico, apresentando uma concepção de sujeito abstrata e incapaz de identificar as motivações necessárias. A partir disso, Sandel desenvolve um conceito comunitário, onde, baseado no debate e negociação para a tomada de decisões, com diversidade de opiniões, em um direito comunitário.

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  25. (desculpe o atraso)

    Sandel critica o pensamento rawlsiano, construindo seu pensamento e suas críticas sobre o texto de Rawls, “Justiça como Equidade”.

    Rawls propõe que uma sociedade justa é aquela que é governada por princípios que não pressupõem nenhuma concepção particular de bem. Tais princípios seriam obtidos quando indivíduos debatessem sobre a forma justa de governar a sociedade na qual estão inseridos, envoltos por um véu de ignorância – sem possuir preferências classes sociais, ou qualquer outra característica que possa influenciar sua decisão. Através deste método, chegariam aos três princípios da justiça: liberdade igual, diferença e oportunidade justa.

    Estes princípios regeriam a sociedade, pois foram obtidos de forma imparcial – estavam todos envoltos num véu de ignorância -, ou seja, é independente de concepções de bem, respeitam a pluralidade de indivíduos (e interesses e fins) que compõe a sociedade, por isso são justos. Logo, na concepção de justiça rawlsiana, “the right is prior to the good”.

    Neste ponto, Sandel argumenta que a posição original é impraticável e, além disto, a procura de Rawls por um conceito imparcial de justiça é equivocada.

    Não existe um sujeito que faça escolhas sem levar em consideração o seu “self”, e isto é construído através da vida do indivíduo em comunidade, não é algo dado, individual – como acredita Rawls. Dado que a sociedade não é uma simples soma de indivíduos vivendo em um mesmo espaço físico, mas sim um conjunto de indivíduos que não só partilham crenças, mas as constroem nesta convivência, sendo que cada sociedade possui uma construção particular, é impossível que uma organização deontológica da justiça seja, de fato, justa.

    No pensamento de Sandel, portanto, a organização da justiça deve se dar em um processo em que indivíduos debatam sobre os temas relacionados a ela sem abrir mão de nenhuma das suas características pessoais – de seus selfs -, mas sim considerando-as, para que então estes indivíduos cheguem aos consensos necessários para estabelecer o que é justo e o que não é justo em sua sociedade.

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  26. O texto de Sandel faz uma critica á teoria de Rawls sobre a justiça pois este desconsidera o papel da comunidade,tradições e cultura na elaboração do "contrato social". A ideia de criar um contrato social baseado no individuo que está na posição original sob o véu da ignorância, é inaceitável. Outra critica que Sandel faz a Rawls é a do senso de justiça inato que para Sandel nosso senso de justiça se relaciona com as tradiçoes de cada um, no qual a comunidade que define o self fazendo com que cada individuo se torne algo segundo a essas tradiçoes de sua comunidade. Sandel fala que nossas tradiçoes são variavéis portanto nosso senso de justiça também é variavel. O autor critica o liberalismo deontológico de Rawls, que diz que a justiça vem antes do bem, sendo contrário pois adota uma postura teleológica, se preocupando com as consequências das ações. Diferente ao que Rawls defende, ele acredita que o individuo escolhe seu modo de vida pelo bem estar e não pelo justo. Sandel também afirma que a sociedade tem uma formação plural de modos de vida e de concepções, sendo possivel decidir por diferentes modos de vida que não dependam de um único individuo. Não sendo necessário um self antecedente já que esse self resulta da vida em sociedade. Para Sandel é preciso que haja maneiras para que diferentes meios de vidas possam coexistir entre si.



    Para quem tiver interesse: https://itunes.apple.com/br/course/justice/id566636297?ls=1 Aula de Justiça de Harvard, Sandel.

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  27. Sandel se posiciona contra o liberalismo, entretanto, não o considera impossível já que afirma ser esta a concepção de justiça dominante na humanidade. O liberalismo criticado por Sandel é aquele inspirado em Kant, o liberalismo deontológico.
    Para Rawls o direito antecede o bem, pois, há direitos que nem o bem-estar geral pode suprimir, e a justiça não depende de uma concepção de vida boa para ser justificada. É deste argumento, segundo Sandel, que partem os equívocos do liberalismo.
    Sandel aceita a noção de que a justiça é relativa ao bem e dele depende, entretanto, é uma noção que deve ser clarificada, pois há dois modos de entender a justiça quando esta é relativa ao bem.
    No primeiro os princípios da justiça têm sua força moral derivada de valores comuns a uma certa comunidade, valores estes que constituem o bem. Já no segundo, os princípios da justiça dependem do valor moral intrínseco dos fins aos quais aqueles princípios servem. Este último Sandel considera mais satisfatório, pois, acredita que o primeiro não implica em justiça, mas demonstra a falha do liberalismo.
    Outra crítica feita a Rawls é o fato de sua teoria ser uma abstração, se distanciando muito da realidade, o que dificulta a reflexão acerca da justiça.

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  28. (Desculpe o atraso)

    Sandel pode ser considerado um comunitarista, embora o mesmo não atribua esse rótulo a si mesmo.O comunitarismo executado por Sandel concentra seus esforços em desconstruir o liberalismo, com ênfase no liberalismo defendido por John Rawls.

    A crítica tem como base três pontos principais, são eles:
    1) A concepção de pessoa de Rawls é metafísica;
    2) A concepção de comunidade de Rawls é posterior à concepção de indivíduo;
    3)As escolhas morais para Rawls são expressões de preferências arbitrárias.

    Rawls defende que a maneira para se obter a justiça era a elaboração de um contrato, no qual os negociantes desse contrato, ao sentarem à mesa de negociações, vistam o véu da ignorância, ou seja, deixem de lado suas preferências, suas paixões, seus objetivos e as influências que receberam da sociedade.

    Os conceitos de véu da ignorância e posição original (o indivíduo vai para a mesa, como se não soubesse em que estrato social ele estaria) tornam a teoria da justiça de Rawls metafísica, na medida em que essas condições necessárias aos indivíduos para que eles possam sentar-se na mesa de negociação, não podem ser alcançadas, são irreais. Portanto, a elaboração do contrato social proposto por Ralws só serve como um exercício mental, na medida em que as pessoas capazes de negociar são abstratas, não existindo na realidade.

    Sandel também critica a postura deontológica que Ralws adota, a qual afirma que a justiça vem antes do bem. A postura deontológica defende que as escolhas são baseadas em critérios pré-definidos. Sandel adota uma postura teleológica, que em sua base, afirma que as escolhas por determinadas ações levam em conta os fins. Sandel acredita que os indivíduos escolhem os seus modos de vida movidos pela busca do bem-estar.

    Adotar uma pré-definição do que é justo, e fazer com que as pessoas se enquadrem nessa moldura, exclui as pessoas com concepções diferentes. Portanto, a justiça pode ser alcançada, com um debate das diferentes preferências, tentando se chegar a um senso, garantindo que diferentes modos de vida possam coexistir.

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  29. Michael Sandel é um dos filósofos mais populares da atualidade, suas aulas são dadas em auditórios lotados e seus vídeos na internet têm milhares de acessos. Suas aulas geralmente começam com a exposição de uma situação problemática que exige uma escolha no final e a partir dela ele questiona qual a coisa certa a se fazer, assim nasce um debate onde opiniões opostas entram em confronto.O debate muitas vezes acontece devido as divergências entre posições deontológicas onde o um princípio deve ser obedecido e teleológicas onde deve se pensar na finalidade da situação.

    Sandel é um crítico do liberalismo deontológico de Rawls que estabelece princípios que devem ser obedecidos sem pensar nas consequências, na finalidade. O problema deste liberalismo deontológico é que ideias não movem ações, não basta dizer que só dirá a verdade para passar a dizer só a verdade. Sandel defende a posição teleológica, onde sempre devemos pensar na finalidade da situação, para tomarmos uma atitude devemos medir suas consequências. O autor diferencia o conceito de “right” do conceito de “good”, “right” é o justo e “good” é escolher o seu modo de vida, é procurar viver bem, e ele dá preferência ao “good” enquanto Rawls prefere o “right”.

    “Às vezes pensamos no raciocínio moral como uma forma de persuadir os outros. Mas é como uma forma de resolver nossas convicções morais, de descobrir aquilo em que acreditamos e por que” (SANDEL, 2011), com essas palavras o autor nos mostra que quando ele estabelece o debate não é com a intenção de obter um vencedor no final mas é para construir algo, para que cada um pense por si próprio e busque refinar a sua moral, pois é esta que vai permitir ao indivíduo fazer a escolha certa e também definir o seu modo de vida. Trago estas palavras de Sandel pois acredito que elas podem dar uma grande contribuição para as nossas aulas e enriquecer nossos debates.

    Sandel em muitos pontos critica a teoria de justiça construída por Rawls, mas acredito que a principal oposição acontece entre as posições deontológica e teleológica. Portanto, o autor busca a construção de uma teoria de justiça teleológica onde o indivíduo pense sobre a consequência de suas ações buscando um bem no final, assim o indivíduo poderá definir seu modo de vida que o permitirá viver bem.

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  31. Sandel, “Em Liberalismo e os limites da justiça”, crítica a “Teoria da Justiça de Rawls”, principalmente o véu da ignorância e a posição inicial, que segundo Rawls seriam maneiras de, hipoteticamente, um grupo de indivíduos conseguirem construir um contrato social baseados nas liberdades básicas e nas diferenças entre as pessoas na sociedade sem levar e consideração a posição de quem faz o contrato. Sandel crê não ser possível que o sujeito que esteja formalizando o contrato consiga subtrair suas concepções pessoais para que não interfiram de modo a favorecer a si ou a um grupo específico de pessoas, pois o indivíduo tem características das relações sociais que não podem ser deixadas de serem levadas em consideração. Diferentemente de Rawls, Sandel acredita que o senso de justiça, as concepções dos indivíduos são formadas pelas relações sociais, pelas comunidades e são mutáveis e que as pessoas escolhem a maneira de viver suas vidas pelo que melhor lhes trará um bem estar, e não por seu conceito de justiça.

    Sandel acredita, ainda, ser necessário que haja um debate entre os indivíduos para que se chegue a um consenso de justiça sem que nenhum indivíduo abra mão de suas concepções, até mesmo por dizer ser impraticável que isso ocorra, e que considerando essas diferentes maneiras de se pensar se chegue ao objetivo desejado.

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  32. Michael Sandel nos apresenta uma crítica à filosofia política de John Rawls que, segundo pensa, identifica o que está errado no liberalismo em geral. A essência do argumento de Sandel é esta: Para os liberais como Rawls a justiça é a primeira virtude das instituições sociais.

    Os liberais como Rawls persistem em que nos libertemos para que possamos identificar os princípios através dos quais organizamos a nossa sociedade e defendem que devemos julgar essa sociedade com princípios justos. Ao fazer isso, vivemos de acordo com uma moral que escolhemos e por isso somos livres. Porém, para Sandel, essa pretensão não faz sentido porque implica em uma capacidade que não possuímos... A de escolher uma moral sem autoconhecimento, ou sem experiência moral.

    Os argumentos de Rawls que apoiam a prioridade da justiça fundamentam-se numa percepção do eu que não faz sentido e que, por isso, não pode fornecer os alicerces para ponderar as nossas instituições sociais. Para Sandel, quando Rawls defende a primazia da justiça, ele defende a prioridade do justo sobre o bom. As relações entre os indivíduos e as pessoas que perseguem diversos fins devem ser reguladas por uma visão de justo ou de justiça. Implicitamente está a ideia de que existe verdadeiramente “eus” que antecedem seus “fins”, acerca disso Sandel comenta: “A prioridade do eu sobre os fins significa que não me limito a ser o receptáculo passivo de objetivos, atributos ou propósitos acumulados, produtos da experiência, nem simplesmente um produto de caprichos das circunstâncias, mas sempre e irredutivelmente um ator ativo, voluntário, distinto do que me rodeia e capaz de escolher.” (Sandel, 1982, 19.)

    O problema apontado por Sandel é o da inadequação da percepção de Rawls de um sujeito moral como um eu inteiramente desligado de suas características que vem da experiência. Tal concepção de pessoa equivaleria a nada mais ser do que uma abstração... um sujeito desincorporado. Um sujeito assim não seria capaz de realizar escolhas racionais. Sem todas as suas experiências, faltaria motivação e o mesmo não teria capacidade para decidir.

    Sandel acredita que isso sugere uma abordagem bem diferente da filosofia moral. A nossa preocupação não deve ser a de nos isolarmos das nossas circunstâncias para tentarmos julgar as nossas praticas morais a partir de qualquer ponto de vista independente ou imparcial. O objetivo do raciocínio moral não é o juízo, mas a compreensão e a autodescoberta.

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  33. Michael Sandel estabelece uma crítica ao modo deontológico liberal de se pensar justiça, ou seja, o tipo de pensamento que acaba priorizando o direito sobre o bem. Pode-se dizer que o autor apresenta uma teoria comunitarista sobre justiça, na medida em que questiona se os direitos estabelecidos em sociedade são suficientemente neutros em relação à concepção moral de cada indivíduo, respeitando assim a priorização do conceito de vida boa e a ideia de que a justiça é dependente do bem e não o contrário.

    John Rawls possuía uma visão de que os princípios da justiça deveriam ser construídos através de um contrato social que seria elaborado por pessoas que estariam minimamente preparadas e cientes dos valores comuns que são uninamidade entre os indivíduos, mas com a condição de que estivessem sob um véu de ignorância, em que não poderiam saber em quais posições se encontrariam nessa sociedade assim que os direitos a serem elaborados fossem estabelecidos.

    A crítica de Sandel vai diretamente ao encontro destas ideias, pois mostra que os direitos devem ser justificados pelos fins aos quais servem e não estabelecidos primeiramente em um contrato que definirá a comunidade antes definir os indivíduos. Esta última ideia, na visão do autor, demonstra que a concepção liberal Rawlsiana é metafísica e não pode levar as praticas da sociedade a um nível de justiça satisfatório, já que desconsidera as diferenças específicas de cada sujeito, inviabilizando a reflexão própria sobre o que é certo ou errado; não há pluralidade.

    A defesa do modelo teleológico de justiça (pensarmos no fim das ações para medirmos a aplicação destas) feita por Sandel é o principal ponto de discussão que o rodeia o autor, porque vai de encontro ao pensamento liberal e levanta uma questão importante para pensarmos sobre a justiça: tendo em vista que é interessante a existência da pluralidade das concepções individuais sobre justiça e o debate destas, as comunidades, hoje em dia, geram espaços para que os indivíduos alcancem por si próprios uma concepção de bem que seja diferente daquela estabelecida pela própria comunidade?

    *Desculpe o atraso

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  34. *ATRASADO

    Sandel, influenciado por ideias comunitaristas se opõe diretamente a John Ralws. Onde na opnião de Ralws a justiça parte do ponto de que o indivíduo se sobrepõe sobre a sociedade e Sandel acredita que a comunidade se sobrepõe ao indivíduo.Dessa forma a justiça de uma determinada sociedade e dada a partir das concepções morais desta sociedade, e assim como em outros comunitaristas ao se relacionar duas comunidades diferentes, é necessário que tenha uma espécie de debates, destacando pontos em comum entre sociedades e promovendo argumentos afim de chegar a uma espécie de rearranjo que satisfaça até certo ponto as necessidades dessas comunidades.

    Sandel vai se opor ao utilitarismo principalmente de Ralws argumentando contra a concepção de indivíduo metafísico e também contra a base Deontológica do utilitarismo de Rawls, nas aulas em que ministra e tem disponível na internet ele confronta opiniões, e com resultado ele apresenta conceitos importantes de serem discutidos no âmbito da justiça. Uma das ideias expostas se refere justamente a deontologia, ele expõe uma ação em que algumas decisões são baseadas em finalidades e outras que pelo que entendi são baseadas em uma espécie de essência da ação. Onde por exemplo, com a finalidade de salvar muitas pessoas você age sacrificando poucos e considera isso certo, mas que na essência sacrificar alguém pode ser moralmente duvidoso. Essas decisões baseadas neste tipo de finalidade( salvar muitos em sacrifício de poucos) é basicamente a ideia de utilitarismo, onde maximizar a utilidade seria aumentar o prazer de muitos as custas do sofrimento de poucos.

    Existe um caso onde justamente, onde o liberalismo com esta ideia de utilitarismo demonstra algumas incoerências, é no caso de um grupo neonazistas que queriam o direito de fazer um protesto, segundo a liberdade de expressão que o liberalismo tanto defende, eles deveriam ter o direito de fazer o protesto, porém, o fato de fazerem este protesto faria com que as pessoas descendente de judeus se sentiriam desrespeitados.Sendo assim, uma situação dessa gera algumas questões como por exemplo, se todos tem direito de expressão os neonazistas também tem, só que se eles são minoria, então, o bem da maioria aumentaria a utilidade, então, com base no utilitarismo seriam proibidos, então, qual seria respeitado, o direito de liberdade de expressão, ou o bem-estar da maioria?

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  35. (Desculpe o atraso)

    Achei muito válida as críticas de Sandel em relação a teoria de Rawls, que foi uma das que mais me chamou atenção. Primeiro em colocar como metafísica, algo que não é acessível a investigação empírica, e necessita do uso da razão para compreender essas questões. Se encaixando no grupo dos comunitaristas, Sandel ao se enquadrar na corrente de pensamento comunitarista afirma que a concepção de Rawls coloca o conceito de indivíduo anterior ao de sociedade, não atribuindo a devida importância necessária aos valores e costumes típicos de um grupo social.

    A crítica de Sandel reside no Liberalismo Deontológico de Rawls, que prioriza o direito e a justiça como antecessores do bem, além de admitir que é intrínseco do indivíduo praticar a justiça da forma que ele propõe como correta e adequada e não de outra.

    Para Sandel, a concepção proposta por Rawls de um indivíduo que adota o véu da ignorância como medida para uma neutralidade e através do equilíbrio reflexivo estabelece princípios justos a concepção de Rawls é incompatível com o individuo concreto, real. Sandel procura evitar a abstração que reside no indivíduo definido pelo pensamento liberalista.

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  36. Perdão pelo atraso.
    Michael Sandel é um filósofo comunitarista que critica fortemente o liberalismo deontológico de John Rawls, principalmente no que se refere à concepção de indivíduo que Rawls expõe.
    Sandel desenvolve sua crítica a Rawls em três pontos: primeiro diz que a concepção de indivíduo sugerida por Rawls é extremamente abstrata, isto é, deixa o significado de indivíduo na sua forma tão pura que chega ser irreal, alegando que o indivíduo vem antes da concepção de comunidade, o que é algo impossível a Sandel, pelo fato da pessoa já nascer inserida em uma sociedade e estar totalmente imersa nas tradições e costumes desta sociedade, chegando aqui ao segundo ponto: a ideia de indivíduo antes da sociedade; no terceiro ponto diz que um senso de justiça se sobrepõe ao outro, deixando claro que um modo de vida é melhor que o outro, o que é condenável para Sandel, pois os modos de vidas são diferentes uns dos outros e não melhores ou piores que os outros. Todos estes três pontos evidenciam uma grande crítica ao Véu da Ignorância exposto por Rawls.
    A ética deontológica de Rawls é rebatida por Sandel, porque para o primeiro a justiça é algo inegociável, havendo distinção do “rigth” (certo) com “good” (bom), porém Sandel argumenta que os diferentes modos de vida escolhidos satisfazem quem os escolheu, sendo bom aos seus olhos, entretanto podem não ser corretos na sociedade em que fazem parte e ferir assim a justiça dela.

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  37. [Comentário atrasado]

    Sandel vai fazer a crítica de Rawls, dizendo seu escopo de reflexão é muito limitado. O problema em Rawls é epistemológico e sua crítica se dá em 3 pontos:
    1. Abstrações não condizem com a realidade. Refere-se aqui ao véu da ignorância pois considera-o inaplicável na realidade.
    2. Não existe um indivíduo abstrato antes do indivíduo inserido na comunidade. Essa crítica é de um comunitarista à um liberal, dizendo que a concepção abstrata de indivíduo dos liberais não existe.
    3. Não existe um senso de justiça único, pelo contrário, são tão variados quanto são as comunidades e tão conflitantes quanto elas.
    Sandel vai utilizar uma postura mais teleológica e por isso faz uma crítica feroz ao deontologismo de Rawls. Para Sandel, a ação é baseada na consequência e esta depende do contexto social.
    Sandel acusa Rawls de usar uma ética deontológia, mas coloca a seguinte questão: quais são esses valores e quem os coloca?

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  38. [Atrasado] Sandel tece sua crítica acerca do liberalismo deontológico Rawlseano, pois para o autor o bem deve preceder o conceito de justiça. A justiça para Sandel não pode ser deontológica, não é possível ser justo em uma sociedade onde as leis criadas não se pautam nas individualidades de seus cidadãos a fim de buscar o bem comum.
    No texto lido ressalta-se as divergências entre Liberais e Comunitaristas. O primeiro grupo defende os limites do Estado ante a liberdade individual dos cidadãos, também acreditam que os direitos podem ser identificados e justificados sem pressupor qualquer concepção particular. Defesa dos direitos humanos universais, assumindo uma posição de neutralidade ante a pluralidade de valores sociais diferenciados nas sociedades democráticas. Ao passo que o segundo prefere os valores da comunidade e a impossibilidade de julgar valores que formam diferentes culturas ou tradições, pois valores diferenciados devem produzir direitos também diferenciados.
    Os comunitaristas acreditam na dependência da justiça em relação ao bem. Para isso ocorrem duas possibilidades de afirmação da justiça como derivada do bem:
    1º: constituir em torno dos valores de uma comunidade, determinando e definindo o que é justo ou injusto.
    Para Rawls é importante que o contrato seja feito de foma a permitir que todos os modos de vida sejam atendidos, ainda que as diferenças do estilo de vida não estejam em estudo e o contrato não visa apontar os estilos de vida, apenas permitir que esses se desenvolvam.
    Sandel diz que a teoria de Rawls é muito metafísica e a partir deste ponto passa a “dever” para a realidade, tendo em vista que nenhum cidadão conseguiria se “vestir do véu da ignorância” para julgar um comportamento, pois nossos valores morais nos constroem como seres que somos
    2º: os principios da justiça dependem para sua justificação do valor moral ou bem intrínseco dos fins aos quais aqueles próprios servem.

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  39. Cotas sociais. Esse tema é objeto de infindáveis debates, principalmente nos últimos anos. Diversos fóruns, encontros, seminários, enfim, eventos foram, são e ainda serão feitos para discuti-las. E os mais diversos atores dos âmbitos político e social se envolvem nisso, sendo cada um deles pertencente a uma determinada classe social, gênero, raça, religião, identidade e cultura.

    Quando se discute a questão sobre a necessidade de execução das cotas sociais para, por exemplo, o ingresso de estudantes no ensino superior público ou privado brasileiro, um dos primeiros requisitos exigidos, pelo menos moral e subjetivamente, é tentar ser o mais justo possível para com todos que venham a ser beneficiados com tal política, não se levando em conta suas opiniões próprias. Em outras palavras, tem-se que discutir as cotas como se fosse algo que lhe beneficiasse também mesmo não sendo.

    O burocrata do Estado que vai para o debate pertence à burguesia e não será contemplado diretamente com a adoção das cotas sociais, pois seu filho pode ingressar na universidade sem esse recurso, mas quando ele se propõe a discutir tem que assumir a postura de que ele pode sim ser beneficiado com tal política.

    Será que isso realmente ocorre no mundo real? Não ocorrendo, será que deve ocorrer? As decisões políticas e mesmo quaisquer outras decisões são tomadas levando-se em conta condições de impessoalidade total?

    Eu diria que não. Em qualquer discussão sobre justiça, é quase que recorrente e automático as pessoas levarem em consideração muitas de suas maiores características, anseios e desejos pessoais. Não sabem ou não conseguem desconsiderar o seu “eu” próprio.

    Numa discussão sobre prioridade entre a implantação de cotas sociais ou implantação de cotas raciais para o ingresso nas universidades, uma pessoa negra de classe alta muito provavelmente vai se engajar na luta pelas cotas raciais, pois não lhe serviriam as cotas sociais, mesmo que sua implantação seja, numa suposição para esse exemplo, mais efetiva para reparação de déficits históricos e sociais do que as raciais.

    É muita abstração e idealismo pensar que uma pessoa não vai considerar suas posições sociais, econômicas, familiares, escolares e outras diversas tantas na discussão sobre a Justiça. É como se você como pessoa que é se descaracterizasse totalmente, excluindo seus pensamentos, desejos, órgãos e tudo o mais que lhe faz parte para se tornar outra pessoa sem qualquer motivação e influência externa de si mesma ou de seu conjunto social.

    Diria eu que é impossível esse tipo de exercício, pois mesmo que você considere e diga que está discutindo Justiça sem qualquer influência de seu “eu” ou de sua sociedade, pelo simples fato de mencionar A e não B ou C já fica caracterizado um tipo de influência que pode comprometer todo o exercício da impessoalidade, da posição original e da ignorância para a elaboração de um contrato social plenamente justo - se é que isso existe.

    Enfim, discutamos Justiça com o que nos é palpável e possível de ser realizado. Levemos em consideração nosso “eu” sim. Não é qualquer pecado fazê-lo, afinal, somos e construímos o nosso “eu” próprio com influência de nosso círculo social. A Justiça, mesmo que não totalmente plena - até porque duvido que ela exista ou possa existir - pode ser e é alcançada quando levamos em consideração sim nossos mais intrínsecos costumes e tradições.

    *Este comentário foi feito fora do prazo. Peço desculpas pelo atraso.

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  40. [Atrasado] Rawls desenvolveu em sua teoria de justiça um modelo representativo de uma situação fictícia (“véu de ignorância”) que corresponde à um acordo social na qual as pessoas sem terem conhecimento de sua posição na sociedade, terão que realizar uma escolha racional, ao fazer isto, Rawls faz uma idealização do que seria uma sociedade justa.

    E por conta da amplitude que toma suas teorias, elas passam a ser também o ponto teórico de discussão de sua validade e efetividade por uma série de críticos em todo o mundo, particularmente sob a visão dos comunitaristas, dentre os quais se destaca Michael Sandel.

    Sandel diz que não se pode levar uma teoria de justiça a frente de forma a manter neutro os valores individuais e que a teoria de justiça de Rawls é muito abstrata para ser colocada em prática, faz também critica ao liberalismo deontologico de Rawls, pois na posição original, sob o véu da ignorância, as pessoas que escolhem os princípios de justiça para dar suporte a estrutura social possuem convicções sobre a justiça que já são ponderadas, pressupostas, restando agora a teoria da justiça definir a regra que de uma efetivação a teoria de justiça formulada por Rawls. Para Sandel, a concepção deontologica da moral deve fracassar porque a justiça vista primordialmente, nesta concepção, quer que as pessoas se autoconsiderem, de modo, coerente, como o tipo de ser humano que a moral deotontologica exige, seja rawlseana ou kantiana.

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  41. [Atrasado]
    Michael Sandel, através de ideias comunitaristas, basea sua teoria descontruindo o ideal criado por John Rawls e pelos pensadores liberalistas sobre as questões de justiça e sua aplicação na sociedade.
    Segundo Sandel, a ideia da discussão para uma sociedade mais justa, usando o véu da ignorância, acaba não sendo possível. Isso porque esta "ferramenta" não existe no mundo real, ela até faz sentido em um contexto teórico, mas deixa a desejar na prática. Ou seja, ele construiu algo muito teórico, quase impossível de se aplicar, em que Sandel diz que os indivíduos estão ligados as suas comunidades e que acabam por adotar certos tipos de culturas e que têm uma ideia de justiça que pode ser diferente do que é justo para outras pessoas. Ele também considera que a concepção do indivíduo, feita por Rawls, é muito metafísica e que sua ideia de comunidade é posterior ao indivíduo.
    Com isso é possível perceber que Sandel descontrói o pensamento liberalista se valendo de uma crítica comunitarista, dizendo que o indivíduo não está livre de "amarras socias" e que não possui uma visão clara sobre si mesmo. Ele critica as estruturas do liberalismo, também, falando sobre as falhas das abstrações provindas das ideias do sujeito transcedental kantiano e da posição original sugerida por Rawls. Diante disso ficaria claro que o pensamento liberalista parte de dois pressupostos muito frágeis para a compreensão da realidade, contribuindo mais para abstrações e idealizações.

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  42. * Comentário atrasado 2 *

    Michael Sandel é considerado um comunitarista, embora ele não goste muito desse rótulo. Sandel critica o liberalismo e seu excesso de individualismo e de abstração na construção da moral. Um exemplo da crítica de de Sandel é a desconstrução da ideia de véu de ignorância, proposta por Rawls. Para Sandel a neutralidade defendida por Rawls não é possível pois um indivíduo estará sempre tendo em mente suas particularidades e seu papel na comunidade, bem como sua concepção da comunidade como um todo, e uma tentativa de neutralidade resulta na presença implícita dessas considerações. Além de ser impossível, essa abstração é indesejável pois empobrece o debate, segundo Sandel.
    O que diferencia Sandel dos comunitaristas?
    Sandel não é defensor do relativismo moral implícito ou explicito nas teorias comunitarianistas, pois não defende que o consenso da comunidade constrói a verdade. Para Sandel muitas vezes a maioria simplesmente erra, e nós devemos sempre insistir no debate moral, sempre tentando encontrar a moral.
    Sandel também defende a importância da filosofia moral na vida do indivíduos. Como exemplo, em um de seus vídeos ele diz que no debate entre os defensores e opositores do casamento homossexual, não se pretende simplesmente obter benefícios, mas sim definir a moralidade da homossexualidade, e há inclusive um debate teleológico sobre qual é afinal o propósito da instituição matrimonial.
    Me agrada bastante o pensamento de Sandel. Eu não acredito que nós devemos procurar a moral em um abstrato impessoal como o véu da ignorância, mas a discussão filosófica e abstrata é importante sim na vida de todo sujeito, pois o lado racional afeta o lado subjetivo e instintivo tanto quanto o contrário, e quando refinamos nossas concepções filosóficas nós nos relacionamos melhor com os outros e levamos uma vida mais nobre, lúcida e vigorosa. O meio por excelência para esse refinamento é , sem duvida alguma, o debate constante.

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  43. [ATRASADO]
    Nessa obra, Sandel rebate a tese exposta por John Rawls, que estabelecia um exercício de Posição Original, para determinar o que era justiça. Filiado a corrente de pensamento liberal, Rawls tentou, através do exercício proposto, formar uma ideia justiça anterior ao que o indivíduo é em si mesmo, de suas características e condições enquanto cidadão. Sandel coloca que esta visão de Rawls sobre o indivíduo é abstrata e não pode ser aplicada no plano real, uma vez que, na visão de Sandel, não é possível o individuo distanciar-se completamente daquilo que é, para estabelecer o debate sobre a justiça. Sandel alerta para a dificuldade de um debate originado da Posição Original, uma vez que toma o individuo com um nuance do metafísico, e torna impossível a discussão de justiça no plano concreto, uma vez que as abstrações alcançadas pela Posição Original interfeririam no que é o individuo real.
    Rawls considera a individualidade do direito antes do bem da comunidade, ao discutir uma justiça debatida por indivíduos retirados de suas convicções, estas formadas pelas comunidades onde vivem. Como outros filósofos da corrente comunitarista, pela qual Sandel é influenciado, ele crê que a justiça deve ser debatida e é alcançada quando se leva em consideração a comunidade. Os costumes de cada comunidade, bem como seus ideais devem ser levados em conta em um debate que pretende estabelecer o que será justiça naquela comunidade.

    Filosofos liberais, como Rawls, tendem a defender um liberalismo deontológico, que aceita uma condição utilitária do bem. Um bem maximizado, alcançado individualmente, e que leva em consideração anseios próprios de cada um. Logo, não há um bem específico. O individuo tem seu bem garantido por si próprio, da forma que lhe aprouver, mas com a noção de direito anterior a este bem, e independente deste. Sandel não concorda com esta designação. Para ele, direito, justiça e bem são intrínsecos uns aos outros. A justiça é relativa, dependente do bem estabelecido em cada comunidade. Rawls defende uma justiça com equidade, e para Sandel “se o utilitarismo falha a levar a sério nossas distinções, a justiça com equidade falha a levar a sério nossa semelhança”.
    Sandel defende uma justiça que leve em conta tanto as distinções, quanto as semelhanças entre os indivíduos. Assim, defende uma justiça que leve em conta a comunidade, desejos e anseios que partam do principio comum estabelecido pelos indivíduos que ali vivem. Sandel acredita que a comunidade forma uma concepção de bem, que os indivíduos nem sempre conseguem alcançar individualmente. Para ele, quando Rawls coloca o individuo como superior a comunidade, estabelece que o abstrato é mais importante que o real. Assim, Sandel diz de uma justiça comunitária, que deixe de lado o individual, em prol de beneficiar a comunidade em sua totalidade.

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    1. [Atrasado]

      A crítica principal de Michael Sandel é acerca do liberalismo deontológico de Rawls, especialmente por Rawls acreditar que a concepção de pessoa é metafórica, e as escolhas morais são expressões de preferências abstratas. Sandel repudia tais premissas, pois para ele, não se pode haver justiça em uma sociedade que não considera a pluralidade das pessoas e suas diferentes concepções de Bem, além do fato de que as abstrações não são a realidade, tal como acontece na teoria Rawlseana através do véu da ignorância.

      Por considerar as individualidades, Sandel, acredita que o conceito de Bem deve ser construído através da discussão, o que podemos ver claramente nos vídeos, onde dicute com os alunos sobre o que é ser justo, mostrando que tal concepção varia de acordo com o individuo.

      Particularmente, achei muito interessante quando Sandel contra argumenta um aluno, no caso do barco à deriva com os tripulantes famintos, que diz ser correto matar um dos tripulantes para alimentar os demais perguntando se seria justo matar um homem saudável para salvar a vida de outras cinco pessoas acidentadas que precisam urgente de transplantes. Sandel, inteligentemente, utilizou-se de uma suposição similar para dizer nas entrelinhas “Como você pode afirmar que a vida de alguém vale menos do que a de outrem?”.

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  47. Sandel é mais um dos vários críticos de Rawls, mas como todos, apresentou argumentos fortemente fundamentados e muito bem construídos. Algumas das críticas feitas a Rawls são que primeiramente sua concepção de pessoa é muito metafísica, ou seja, uma visão que acaba saindo da realidade.
    Outra crítica feita é que Rawls potencializa a questão do indívidualismo na comunidade, destacando o indíviduo da sociedade e quebrando qualquer ligação que ele tenha com ela, o que é visto como errado, já que o indíviduo é fortemente ligado a comunidade em que vive.
    E mais uma crítica feita contra Rawls é baseada no fato de que ele tem uma visão de que a pessoa é anterior a sociedade, e que algumas formações suas, como a concepção de bem, é independente de concepção social.
    E todas essas concepções abrodadas por Rawls, na visão de Sandel sofrem de um problema parecido, são muito metafísicas e pouco realistas, não que exista algo de ruim na metafísica, mas suas concepções acabam caindo muito no irreal.

    *Desculpe pelo atraso!*

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  48. * Professor, desculpe o atraso

    Sandel pertence à corrente de pensamento denominada comunitarismo. Os filósofos ligados a essa corrente contestam o liberalismo por acreditarem que os valores que fazem parte da cultura de um grupo social não podem simplesmente ser desprezados na hora de se estabelecer seu ordenamento jurídico.
    Para Sandel, o grande erro de Rawls está na formulação da posição original, mais especificamente, na crença de que é possível criar um ordenamento justo a partir do mesmo. Em seu livro, ao atacar a posição original, Sandel propõe discutir a ideia de um Estado neutro frente ao bem. O raciocínio é de que John Rawls teria criado uma situação falsa (a posição original), em que pessoas que não podem existir no mundo real (aquelas por trás do véu da ignorância) chegam a um acordo (segundo ele, falso) prevendo o Estado neutro como a melhor solução para que cada um possa seguir seu plano de vida sem interferências externas.
    Sua teoria é a de que o Estado neutro não é algo a que se chegue racionalmente por meio de um acordo entre partes, mas, sim, o único resultado possível de uma situação falsa criada para esse fim. Para Sandel, a falha da teoria de Rawls está no fato de exigir um homem ideal que possa se separar de seus egoísmos, de suas convicções, pois só esse homem optaria pelo Estado neutro, esse homem, porém, não existe.
    Sandel, deixa claro que, do ponto de vista dos comunitaristas, não há como separar os valores do indivíduo e de seu grupo da decisão que deve ser tomada. A definição, assim, poderia inclusive ser tomada caso a caso, dependendo da cultura de cada país ou região. Assim, ao invés de nos guiar para uma discussão com base na “razão pura” ou no liberalismo de Rawls, deveríamos levar em conta fatos práticos sobre a cultura local. Para Sandel, o justo não pode estar sempre à frente do bom. A justiça, diz ele, não é a primeira entre as virtudes de uma sociedade, como dizia Rawls. Descobrir o que é bom, portanto, é necessário para saber qual caminho seguir na discussão de justiça.

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  49. (atrasado)
    Sandel como um comunitarista faz duras críticas aos ideais propostos por Rawls que propunha o véu da ignorância e que a patir daí é que poderíamos construir uma justiça igualitária e para todos. Sandel diz que tudo isso não poderia ser feito na realidade pois ninguém conseguiria vestir tal véu e se fosse tentado o homem não conseguiria se livrar dos costumes e cultura que ele tem e viu, assim as ideias de Rawls são metafísicas sendo possíveis apenas na imaginação e não na realidade. Além disso as pessoas possuem diferentes culturas e a pluralidade das ideias faz com que a justiça de um não sirva para outro.Outra crrítica comunitarista a Rawls é que ele diz que o indivíduo vem antes da sociedade o que Sandel discorda

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  50. [ATRASADO] - Peço desculpas pelo atraso.
    Michael Sandel não formula uma teoria propriamente dita, mas sim critica a forma de pensamento liberalista, mais diretamente questiona a teoria de justiça proposta por John Rawls, em que o individuo é seu ponto de partida,o mesmo se mune de um véu da ignorância , o qual serve como um ‘’apagador de memórias, de identidade cultural, de sentimentos’’, fazendo com que o individuo seja imparcial em suas decisões.

    Michael Sandel vê essa concepção de pessoa, posta por Rawls, como sendo um ser metafísico e abstrato, algo que só é concebido idealmente, outros pontos que Sandel coloca em questão é o papel secundário e de posterioridade que a comunidade tem diante do individuo, e também que as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias, ou seja, de preferências impostas.

    Através desta analise, Sandel examina a teoria Rawlsiana como sendo liberal deontológica, em outras palavras, se dá uma prioridade para as escolhas que são feitas antes da ação/do resultado, os critérios são pré-determinados, analisam-se, prioritariamente, os meios, os valores, os motivos. Contrariamente esta lógica deontológica, hà a lógica teleológica, a qual Sandel se faz adepto, ela elucida a análise dos fins, o compromisso com o atingir os objetivos, os desejos, os resultados, se faz o exame da relação que uma ação tem com as consequências e as consequências com o objetivo próprio, assim se dá como uma lógica consequencialista.

    Para ilustrar melhor a diferença destas correntes de pensamento, a deontológica e a teleologica, se faz a suposição de uma situação na qual um indivíduo ‘‘deontológico’’, tem o compromisso com o valor da verdade, a verdade é soberana e independe da conseqüência que ao dizê-la possa causar, já do outro lado se tem um individuo “teleológico” que pra ele o importante é a conseqüência, e a mesma não depende de dizer a verdade ou não, assim se ambos são colocados em uma situação, na qual uma pessoa colou em uma prova e ambos os indivíduos viram, e a consquencia de colar, colocada pelo Professor, seria a reprovação do aluno na disciplina, o individuo “deontológico” por meio do seu compromisso com a verdade falaria com o professor sobre o aluno que colou, já o individuo “teleológico” analisaria as possíveis conseqüências, e se tivesse como objetivo não querer que o aluno fosse reprovado, ele não falaria nada para o professor.

    Por fim, para Sandel, uma teoria da justiça teria que considerar as distinções de sensos de justiça nas diferentes comunidades, e não impor uma estratégia para se formar um senso universal, e para o mesmo a ética deontológica, não imprimi uma consistência ao meio, uma vez que, segundo Sandel, é necessário mais que idéias, mais que valores para realmente nos portamos melhor, são necessários objetivos e ações de fato, e não a determinação de valores para se formar uma moralidade, para ser justo. E levar em consideração a bagagem dos indivíduos para que possamos alcançar o justo, o debate moral de justiça, o debate , no qual o self é comunitário, e que possibilite a convivência dos diferentes modos de vida, o “Good”, e não impor o “Right”, o justo, o correto, como sendo a justiça em si, como Rawls faz.

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  51. [[ATRASADO]]

    Sandel é um critico das concepções de J. Rawls a respeito do conceito de justiça e sua teoria; para entender Sandel é preciso entender como ele tenta se afastar de Rawls. Diz que Rawls não cuida das concepções dos indivíduos que adotam um bem para si, no sentido de modo de vida. Justiça tem a ver com estratégia de como conviver com diferentes modos de vida. Não se trata da divisão das riquezas, de forma a se atuar sobre os indivíduos para se obter justiça e sim de construir debates mais comunitaristas visando à possibilidade de que todos tenham acessos às mesmas oportunidades e modos de vida. O estilo de vida que leva a riqueza não é ilegítimo só porque têm acessos a mais recursos do que os pobres, é uma consequência dos modos de vida que o individuo escolhe e das oportunidades dos quais lhe é oferecidas que o levará a este fim.
    Para Sandel, a visão que o Rawls tem da argumentação moral, do debate sobre justiça, é uma proposta que traz um debate arbitrário, pois não considera as distinções quanto aos sensos de justiça dentre comunidades. Há arbitrariedade ao adotar um modelo que defina universalmente os critérios da moralidade. O compromisso com a ética deontológica não traz consistência com o meio. A concepção de Rawls de individuo toma um nível abstrato, é uma construção metafísica que não condiz a pessoas concretas, à realidade; é uma definição que prescinde a essência, o conteúdo da própria comunidade ao trabalhar com abstrações. Não há problemas em discorrer sobre concepções metafísicas, ainda que elas tenham custos quanto à acidade dos fatos.
    A concepção de individuo que o pensamento liberal tem, é uma concepção insuficiente, pois concebe o indivíduo como algo que contraria a concepção da comunidade que o abriga. Tudo aquilo que determinado indivíduo pensa, age, sente etc. é espelho das relações realizadas dentro da sua comunidade. Sandel mostra que é levando em conta a bagagem dos indivíduos concretos que podemos chegar ao justo; é o debate moral a favor da justiça.

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  52. Michael Sandel é hoje um dos pensadores que encabeça as discussões sobre justiça. Seus livros são best-sellers e sua aulas, espetáculos dados em auditórios lotados.

    A obra por nós estudada já começa com uma menção a John Rawls, outro grande pensador que já estudamos no curso, e a base do livro é a crítica as ideias deste filósofo.

    Michael Sandel é um crítico do liberalismo e por isso é enquadrado como um comunitarista, apesar de não se denominar um. Suas críticas a Rawls são basicamente em relação a concepção de pessoa, a concepção de comunidade e indivíduo e o motivo de uma escolha moral.

    Rawls defendia a tomada da posição original e o uso do véu da ignorância, posturas essenciais para a construção do contrato social que regiria a vida social. Sandel é contra tal ideia, e afirma que essa pessoa "criada" por Rawls não existe, é apenas hipotética, pois acredita que as pessoas não podem ser retiradas de seu contexto de vida, sociedade, cultura e tradições.

    Rawls dizia qua a justiça era primordial e vinha antes do bem, sendo as escolhas das pessoas, para alcançar e funcionar dentro da justiça, baseadas em critérios já estabelecidos. Sandel não acredita nisso e diz que as ações de um indivíduo são guiadas por um fim, a escolha por um modo de vida e não outro é em função do bem estar. Nessas diferentes escolhas por modos de vidas se evidenciam as diferentes preferências e concepções das pessoas, assim para haver um debate correto sobre justiça essas diferenças devem ser consideradas para que a convivência se torne possível.

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  53. Sandel faz uma crítica a teoria de Ralws, a mesma feita por mim no comentário correspondente a tal, pois classifica o individuo que Rawls trabalho como Metafisico, porque empiricamente não é possível se vestir do véu da ignorância para se tratar da Justiça.
    Apesar de considerar que Rawls iniciou uma questão filosófica de justiça ainda critica o liberalismo deontológico de Rawls. Para Sandel "se o certo é mais importante do que o que é bom, então os meios são mais importantes que os fins"
    Sandel é considerado um comunitarista por conceber que para coexistir diversos modos de vidas e preciso considerar as discussoes e aceita los como presentes/existentes, buscar maneiras que eles possam coexistir é mais importante que a igualdade material entre eles

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  54. (ATRASADO)Sandel critica o ponto de vista de Rawls o que diz respeito a sua idéia de personalidade do individuo, pois Sandel diz que os pensamentos de Rawls são muitos fora da realidade. Outro ponto de desacordo entre os autores é a relação individuo sociedade em que para Rawls as pessoas são muito mais egoístas e para Sandel a sociedade e os indivíduos possuem uma ligação fortíssima.
    Para Sandel os indivíduos sempre agiriam visando como fim o bem estar comum e por isso os legisladores usariam as leis como instrumentos sociais para atingirem uma justiça e devido a isso seguir as leis seria a certeza de justiça.

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  55. Sandel segue uma linha comunitarista de argumentação no
    textoJustiça: Qual é a coisa certa a fazer. Mas segundo Coval, Fabiano Stein (A CRÍTICA DE MICHAEL SANDEL AO
    LIBERALISMO: EXPOSIÇÃO DE ALGUNS ELEMENTOS DA OBRA LIBERALISM AND THE LIMITS OF JUSTICE)o próprio Sandel é relutante a aceitar este rótulo.
    Para Sandel, o liberalismo deontológico de Rawls é um erro, pois ser imparcial/ neutro é impossível. Não há como usar o véu da ignorância e ficar "fora de tudo".Também diz que isso é uma abstração e que nenhuma abstração está adequada à realidade. Além disso, é inconcebível criar um código jurídico baseado somente no indivíduo.
    Sandel diz que em uma sociedade formada por indivíduos, cada qual com seus próprios desejos e vontades, é melhor disposta quando comandada por princípios onde, deve-se levar em conta, todos os valores envolvidos daquela comunidade para se criar bases de justiça.

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  56. Sandel faz uma crítica clara, concisa e muito convincente da percepção do eu na teoria da justiça de Rawls. Ele contesta a idéia de que o eu é antes de suas extremidades, e mostra por que ele não pode ser assim. Ele rapidamente expõe as falhas na teoria de que os atributos pessoais dos indivíduos jamais poderia ser considerado como bens comuns deve ser dividido para o bem da comunidade. E o mais interessante, Sandel traz à tona aspectos significativos da teoria de Rawls que contradizem a si mesmos e parecem mostrar como até mesmo Rawls não consegue convencer-se da validade da sua posição.
    Para Sandel, o principal problema com a concepção de Rawls do Ser está na sua luta para mostrar que "o eu é antes de as extremidades que são confirmadas por ele. Onde Rawls questão não é dado como "Quem sou eu?" mas "o que acaba devo escolher?", Sandel insiste que a questão de "o que acaba devo escolher?" já foi dado, e a questão mais importante é de fato é como descobrir o que é meu,. Isso significa que, para compreender tanto a teoria, devemos descobrir como é separado, e conectado, suas extremidades. .
    Rawls tenta afirmar que não há razão para que as pessoas devam merecer todos os benefícios que fluem de seus talentos e atributos naturais.. Quaisquer benefícios que resultam devem ser divididos para o bem dos menos afortunados, de acordo com princípio da diferença de Rawls. Ele ainda argumenta que qualquer ativo uma pessoa ganha através de seu próprio esforço não são o seu deserto, pois a afirmação de que um homem merece o caráter superior que lhe permite fazer um esforço para cultivar suas habilidades é igualmente problemático, pois o seu caráter depende, em grande parte sobre família feliz e circunstâncias sociais para a qual ele não pode reivindicar crédito.

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  57. Sandel critica principalmente la tesis de la prioridad del derecho sobre el bien y la concepción de sujeto que implica. Sostiene que la afirmación de Rawls que la justicia es la virtud primordial de las instituciones sociales, es porque su liberalismo deontológico exige una concepción de la justicia que no presupone ninguna concepción particular del bien, a fin de que pueda servir de marco para que en su interior sean posibles diferentes concepciones del bien.
    Argumenta que en la concepción deontológica, la primacía de la justicia no describe solamente una prioridad moral sino también una forma privilegiada de justificación de modo que el derecho es anterior al bien, no sólo porque sus exigencias tienen prioridad, sino porque sus principios se derivan de manera independiente.
    Pero para que el derecho sea anterior al bien sería necesario que el sujeto existiera independientemente de sus intenciones y de sus fines. Para el autor semejante concepción requiere de un sujeto que pueda tener una identidad definida anteriormente a los valores y a los objetivos que va elegir, ya que es la capacidad de elegir (y -no las elecciones que realiza) la que define semejante sujeto. Si no, no pueden existir jamás, fines que sean constitutivos de la identidad del sujeto, se le niega así la posibilidad de participar en una comunidad donde la definición misma de lo que él es está en juego.
    De acuerdo con Sandel, en la problemática de Rawls, semejante tipo de comunidad constitutiva es impensable, y la comunidad sólo puede ser concebida como simple cooperación entre individuos cuyos intereses están dados de antemano y que éstos se reúnen a, fin de defenderlos y hacerlos progresar .
    Su tesis central es que la concepción de Rawls del sujeto, incapaz de compromisos constitutivos, es necesaria para que el derecho pueda tener prioridad sobre el bien y, a la vez, es contradictoria con los principios de justicia que Rawls pretende sustentar.
    Como el principio de diferencia, planteado por Rawls, es un principio de repartición, que refleja la idea que la inequidad es sólo justificada si permite la ventaja de los más desposeídos, presupone la existencia de un lazo moral entre aquéllos que van a repartir los bienes sociales; por lo tanto, supone una comunidad constitutiva cuyas exigencias se reconocen.
    Precisamente este tipo de comunidad, declara Sandel, está excluído por la concepción de Rawls del sujeto sin ataduras y definido con anterioridad a los fines que escoge. En consecuencia, el proyecto de Rawls fracasa porque "no podemos ser al mismo tiempo personas para quienes la justicia es primordial y personas para quienes el principio de diferencia es un principio de justicia".

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  58. Michael Sandel faz sua crítica a Teoria da Justiça formulada por John Rawls, em que Rawls parte da idéia de uma abstração onde a justiça seria formulada por pessoas isentas de seus preconceitos, dando assim isenção na concepção do que é justo.
    Essa ideia de Rawls, apresentada como um véu da ignorância, que separaria a pessoa dos seus preconceitos, tornando a pessoa imparcial nas suas decisôes, é rejeitada por Sandel, pois na sua opinião isto não seria possível e tampouco razoável.
    Para Sandel não é possível separar a pessoa de seus conceitos anteriores sobre os verdadeiros valores da vida, como ética, religião, valores morais e a própria percepção da vida, quanto ao que é bom ou que é reto para si e ainda não necessariamente para as demais pessoas.
    Sandel defende a ideia de que uma Teoria da Justiça para ser verdadeira, deve considerar a realidade dos grupos que ela vai representar. Esta Teoria da Justiça deve compor com os valores morais, éticos e religiosos da comunidade de tal modo que seja o mais ampla possível, abrangendo o maior número de opiniões e conceitos. Esta Teoria da Justiça precisa levar em consideração o conhecimento anterior do indivíduo quanto ao que é bom e não impor simplesmente o que é justo, e ainda, permitir a convivência dos diferentes modos de viver sua própria vida.

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  59. Sandel faz uma critica à Ralws e suas idéias expostas na obra “Justiça como Equidade”.
    Rawls propõe que, uma sociedade, para estar sob justiça, deve ser governada por princípios que não pressuponham uma concepção de bem, pois, estes
    valores deveriam ser estabelecidos a partir de uma debate dos indivíduos - que, cobertos pelo véu da ignorância, não teriam preferências -, discutindo qual seria a forma justa de governar. Dessa discussão, chegaria, a três princípios básicos da justiça, a OPORTUNIDADE, DIFERENÇA, E LIBERDADE IGUAL, que encaminhariam a sociedade, de forma independente da concepção do bem; respeitando a pluralidade de cada indivíduo, seus interesses e objetivos. Portanto, a idéia de que the right is prior to the good”.

    Exatamente neste aspecto, Sandel se opõe a idéia rawlsiana, pois a considera impossível de ser praticada, onde Ralws teria uma idéia errônea sobre imparcial no âmbito da justiça.
    Sandel crê que todos os indivíduos considerem seus próprios desejos no momento de suas escolhas, e que, tal característica é desenvolvida de forma social, e não de forma individual.
    O autor, comunitarista, acredita que a sociedade é um conjunto de indivíduos, os quais partilham crenças e criam caracteristicas a partir da convivência. Portanto, cada comunidade teria, além das caracteristicas de cada indivíduo que a compõe, caracteristicas de sua propria construção particular, o que geraria uma impossibilidade de organizar um conceito de justiça que seja, verdadeiramente, justa.
    Então, para Sandel, a justiça deve ser organizada por um debate sobre temas relacionados ao tema, de indivíduos que considerem seus desejos e aspirações, sim; para que, assim, se cheguei a um consenso para estabelecer-se o conceito de justiça e injustiça para a Sociedade.

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  60. Sandel critica Rawls em sua obra. Sandel parte da crítica ao estado neutro defendido por Rawls.

    Rawls acredita no contrato social como meio de alcance da justiça, e isso para Sandel não é válido, já que Rawls coloca o indivíduo não como um resultado das interações sociais, mas sim como sendo inferior à sociedade. O autor também critica o liberalismo deontológico de Rawls, que afirma que o bem é precedido pela justiça, Sandel afirma que a justiça não é independente do bem, mas sim relativa ao bem, e indaga o que significaria que a liberdade tenha prioridade sobre o bem. Ele acredita que a justiça está em encontrar estratégias para fazer com que diferentes modos de vida convivam entre si, ou seja, para ele, uma sociedade justa é aquela que tem as leis pautadas nas individualidades de seus cidadãos, buscando o bem comum.

    Ele fala que a sociedade é formada por uma pluralidade de modos de vida e de concepções, e diz que as pessoas podem escolher modos de vidas que podem independer somente do indivíduo.

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  61. Michael Sandel, em seu texto "Justice and the Good", faz uma crítica à "teoria do bom" de Rawls, que é epistemológica tanto quanto moral e isso prejudica a conexão com o conceito de direito. Para Sandel, bom não é apenas um produto dos desejos imediatos. Sandel também critica o liberalismo deontológico e o utilitarismo, assim como Dworkin.
    A discussão do que é o bom traz de volta a questão de justiça e a reivindicação de sua prioridade, e que retorna às circunstâncias da justiça na posição original, conceito de Rawls que Sandel também discorda, por enfraquecer a primazia da justiça em várias maneiras.
    Na última seção do texto, “Character, self-knowledge, and friendship”, Michael diz: "But we cannot regard ourselves as independent it this way without great cost to those loyalties and convictions whose moral force consists partly in the fact that living by them is inseparable from undestanding ourselves as the particular person we are" (...) "But for persons presumed incapable of constitutive attachments, acts of friendship such as these face a powerful constraint. However much I might hope for the good of a friend and stand ready to advance it, only the friend himself can know what the good is." E termina o texto dizendo: “And it forgets the possibility that when politics goes well, we can know a good in common that we cannot know alone.”

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  62. Sandel pode não ter tantos elementos inovadores em sua teoria, porém sua habilidade em proporcionar e direcionar o debate é notável. Sua obra é basicamente uma critica incisiva a teoria de Rawls, na qual traria uma visão metafísica do ser humano. Tratando-a como superficial, Sandel estabelece que as vontades e preferencias dos indivíduos não são levadas em conta, e que cada um teria uma concepção e escolha de estilo de vida.

    Considerado comunitarista, o autor tem dificuldade de aceitar este rótulo. De forma que sua teoria propõem que para estabelecermos um debate ético, é necessário que ambos os lados sejam ouvidos, diferente do conceito de justiça que Rawls apresenta.

    Este debate fica evidente nas aulas propostas pelo autor, que estabelece temas polêmicos como: assassinato,canibalismo e estabelecimento de preço a vida humana. Sempre promovendo a discussão de um jeito que as diferentes opiniões sobre o incidente sejam levadas em conta, assim estabelecendo uma troca de argumentos.

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  63. Michael Sandel é um comunitarista, mesmo não se classificando como um, mas posiciona-se como um crítico ao liberalismo, e sua ideia principal de individualização da pessoa.
    Ele resgata e baseia suas críticas em sua maioria a John Rawls, quanto a sua concepção de pessoa, como essa pessoa se relaciona com a comunidade e como ela baseia suas escolhas morais.
    Johns Rawls diz que é necessário criar um contrato social, formado através de um “véu da ignorância” que os indivíduos deveriam utilizar para criar as regras, estabelecendo o que é justo ou não, sem serem influenciados pelo meio externo a que estão inseridos.
    Porém para Sandel essa ideia é somente hipotética, e não consegue realmente ser colocada em prática, pois os indivíduos estão vinculados e interligados com as comunidades, as suas crenças e tradições, ou seja, os indivíduos são influenciados e agem de acordo com os contextos aos quais estão vinculados.
    As pessoas são guiadas por seus objetivos, ou seja, pela busca de um modo de vida, e não pela busca do bem estar como dizia Ralws, pois os indivíduos diferem entre si. Então os indivíduos sempre analisarão os fins, ou seja, seus objetivos, seus desejos e principalmente seus resultados. As consequências são os aspectos importantes nas tomadas de decisão.
    O senso de justiça a ser criado não será universal, as diferenças dos indivíduos e comunidade serão levadas em consideração, e serão essas diferenças que estabelecerão um debate para se estabelecer uma convivência harmônica. O certo/ justo não deve ser imposto, é necessário sua construção baseado nas diferenças, o debate moral e dos conceitos de justiças são essenciais.

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  64. De acordo com Sandel, Rawls teoriza um contrato social em condições que seriam ideiais, logo, abstratas. Ele partiria do conceito de que as pessoas sob o véu da ignorância não saberiam suas posições originais. Ao contrário disso, Sandel nos diz que essa abstração é praticamente impossível pois tais abstrações possuem características que não existem no mundo real. O conceito de indivíduo para Rawls antecede o conceito de comunidade. No equilíbrio reflexivo a discussão acaba por ignorar as individualidades de cada um. Para Rawls, o direito acaba sendo algo inegociável, tornando assim os modos de vida negociáveis para que se obtenha a justiça.


    Sandel também aborda o termo deontologia, que ao contrário das concepções gregas ou do cristianismo medieval, o universo da moral deontológica é um local desprovido de significados inerentes, é um mundo “desencantado” como na frase de Max Weber, um mundo sem ordem nem moral objetiva. Similarmente à Kant, a lei moral não é uma descoberta da razão teórica, mas uma libertação da razão prática, o produto da vontade pura. Afirma-se que como habitantes de um mundo sem “telos”, nós somos livres para construir princípios de justiça natural por uma ordem de valores dados antecedentemente. Somos livres para escolher nossos objetivos seja pela ordem, por costumes, tradições ou status herdado; cidadãos governados pela justiça são assim capazes de realizar o projeto libertador da deontologia para exercitar suas capacidades como “self-originating sources of valid claims.”, entretanto a visão deontológica é falha, tanto dentro dos seus próprios termos como um relato de nossas experiências morais.

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  65. Sandel certamente é um astro pop do mundo filosófico, ficando em destaque até mesmo em um universo com diversas mentes consagradas, a Universidade de Harvard. Tal fama é contestada pelas não tão originais ideias, com princípios pertinentes a outros autores, como por exemplo Taylor. Entretanto, é inegável sua qualidade de retórica, conduzindo os debates morais e satisfazendo a gana pela discussão de temas cotidianos.

    Sandel é um forte crítico as teorias de John Rawls, críticas que provém do fato de a concepção de Rawls ser metafísica, além de definir o véu da ignorância como 'posição de individualismo anti-social'. Essa visão de Sandel advém do fato de Rawls definir a posição original como um estado em que os indivíduos deixam de lado suas convicções, certezas, deixam de lado seu fenótipo, baseado em uma suposta racionalidade e um senso moral natural. Claramente um estado que não é concreto. Para Sandel, só é possível debater moralidade das condutas em situações concretas, através dos grandes debates e entre as diferentes visões de moral (construídas pelas tradições e convicções da comunidade que se está inserido, além de mutáveis conforme período), sem uma garantia de resposta absoluta ou de atingir um conceito de perfeição moral e nas condutas.

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  66. Sandel é considerado comunitarista embora não se sinta confortável em assumir esta posição. É contra a linha liberal da teoria da justiça e faz diversas criticas ao Rawls.

    Sua primeira crítica se refere a posição original e ao véu de ignorância, que são posições que não corresponde a realidade, é uma concepção de pessoa abstrata, metafísica e que não da conta de abarcar o homem concreto, por isso não se pode aceitar o véu de ignorância que também é abstrato, pois não tem como as pessoas serem totalmente neutras para poder construir um acordo ou definir um código moral.

    Outra critica diz respeito ao individuo e a comunidade, para Sandel o individuo está inserido na comunidade, por isso a justiça deve partir dali, do comunitário. Por isso em suas palestras parte de diversas situações como o do trem e os trabalhadores para trabalhar a ideia de justiça através do debate. Rawls considera o individuo antes da comunidade, mais uma vez colocando a abstração acima do real.

    Por fim, Sandel critica a postura deontológica da moral assumida por Rawls, que é assumir um conceito de justiça que não é dada pelas concepções de bem, interesses e objetivos de cada um, é uma categoria moral que é dada antes da noção de bem, o que mais uma vez segundo Sandel é uma concepção metafísica do individuo.

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  67. Arthur El Reda Martins
    RA: 11002610
    Email: art.erms@gmail.com


    Sandel claramente se opõe ao ideal de justiça defendido, como vimos em aula, por Rawls e também por Hume. “Uma pessoa quase sempre age, pelo menos quando outros não são afetados, para atingir seu próprio bem maior, para atingir seus propósitos finais o mais distante possível[...] O princípio para um indivíduo é atingir o mais longe possível seu próprio bem-estar, seu próprio sistema de desejos”, diria Rawls. A instituição social na qual vivemos é apoiada pela Justiça como sua primeira virtude, e Hume discorda fortemente desse ponto. A diferença é que Hume defende o uso da justiça apenas necessário porque não amamos uns aos outros de forma suficiente, enquanto Rawls diria que não podemos conhecer uns aos outros para que possamos amar uns aos outros de forma que a justiça se mostre desnecessária.
    Voltando a Sandel, vemos que se trata de um pensador crítico ao liberalismo e seu pensamento individual, podendo encaixá-lo dentro da ideologia comunitarista. De acordo com ela, o liberalismo prejudica e contamina nossas análises de questões polêmicas como o aborto, a liberdade de expressão e etc. Vivemos numa sociedade cujo ideal de justiça é fortemente apoiado em ideias liberalistas. O que chamamos de justiça é um conceito criado por um único indivíduo ou por um grupo de pouquíssimos indivíduos e que destituiu todo o resto da comunidade de suas crenças, posições ideológicas, sociais, convicções, entre outros. Não foi uma justiça criada em comunidade, sendo esse um dos pontos da ideologia comunitarista. A sociedade é plural, composta por uma variedade imensa de pessoas e de suas consequentes bagagens ideológicas, como se pode estabelecer que algo é ‘bom’, ‘justo’ e ainda colocar ordens arbitrariamente a esses conceitos (no caso do liberalismo, ‘justo’ sempre a frente do ‘bom’) sendo que a definição de ‘bom’ e ‘justo’ é mutável de acordo com cada comunidade?
    Uma das alternativas propostas pelo autor é a adoção do chamado Liberalismo Deontológico. Esqueçamos o ‘bem’. Pensemos num conceito de direito que traga conformidade a quem está inserido na comunidade, pois já que a comunidade por ser plural e possuir diversos conceitos de ‘bem’ nunca chegará a um consenso de justiça apoiado em ideais discrepantes, então é necessário abandonar a justiça embasada no bem x mal e elevá-la a uma categoria moral anterior a esse conflito.
    Apenas para concluir: os vídeos são muito interessantes. É curioso reparar como baseamos nossos julgamentos sobre o ‘certo’ o ‘errado’ o ‘justo’ em concepções morais intrínsecas às nossas crenças e personalidade. Sandel em sua aula diversas vezes faz com que os alunos caiam em contradição expondo situações diferentes, como no caso do trem e da situação com o homem gordo. O que ele nos leva a concluir é que detalhes na mudança da situação nos fazem abandonar nossas convicções mesmo sem que pensemos nisso, certas situações são apenas amenizadas e mesmo assim não percebemos que se trata da mesma reflexão, do mesmo impacto com a mesma gravidade. Muitas pessoas na sala não empurrariam o gordo da ponte porque isso seria ‘assassinato’, mas escolheriam matar a pessoa no trilho alternativo. É algo para se refletir.

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  68. Segundo Sandel a formulação da posição original é falsa pois as pessoas deixam de ser pessoas. Elas são destituídas daquilo que lhe é particular e portanto não existem individualmente, mas sim um grande corpo. Dessa forma é fácil estabelecer um acordo, por que as partes são fundamentalmente concordantes - foi lhes tirado tudo que podia criar desacordos. Para Sandel a criação de um estado onde as pessoas velariam sua pessoalidade é demasiada abstrata e irreal, funciona como abstração mas não tem serventia para o mundo real, é um erro pensar que o homem pode se separar de suas convicções, de sua história mesmo que quisesse.
    Sandel critica nesse contexto a ideia liberal de que ao se estabelecer um ordenamento jurídico sejam desprezadas suas tradições. Pensar que o indíviduo veio antes de uma sociedade também é abstrato, pois segundo o autor todos os indivíduos estavam inseridos em algum tipo de comunidade, por menor que ela seja.
    Nessa observação às comunidades, Sandel vê que o que se entende por justo é sempre relativo ao o que é bom, essa posição é chamada de deontológica. Cada indivíduo entende o bem de determinada forma, assim o que é justo deve preceder a ideia de bem e se firmar através de uma categoria moral anterior a de bem: o direito.

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  69. Michael J. Sandel apresenta uma grande habilidade em gerar debates, da mesma forma que os direciona facilmente com o afinco de acerrá-los e causar reflexão. Em seu livro “Justice and the Good”, Michael Sandel inicia com uma crítica a John Rawls. O autor aponta um “utilitarian background” na teoria de justiça de Rawls, principalmente na sua concepção de moral individual. De certa forma Rawls estabelece o justo como prioridade sobre o bem, colocando o utilitarismo numa posição parecida com sua proposta, já que o "bem" utilitarista estabelece o mesmo como a satisfação de desejos parciais e individuais.

    Para Rawls, essa necessidade de sobrepor o justo sobre o bem só caberia pelas contingências do mundo, tornando sua proposta ética deontológica, pois infere a existência de um mundo definido. Para Sandel, não há tal indivíduo abstrato influenciado por pespectivas de justiça já estabelecidas, pois de certa forma isso é subjetivo à sociedade ou comunidade que ele faz parte. Rawls propõe, portanto, um indivíduo anterior a formação de tais dinâmicas sociais, o que propriamente se torna impossível de se considerar.

    Sandel é rotulado como um teórico comunitarista por conta disso, mas a qual o mesmo discorda. Sua principal inovação cabe ao propor que, para estabelecermos um debate ético, se torna prioritário que ambas as partes sejam consideradas, fato a qual já o torna muito diferente de Rawls.

    O debate fica claro em seus seminários, onde sempre propõe temas controversos, e promove a discussão dando espaço para as diferentes opiniões. Nas situações propostas por Sandel percebemos a necessidade de sempre equiparar o número de vidas as quais consideremos mais justificáveis de se salvar. Dessa maneira entramos num grande embate reflexivo: como podemos ditar o que é mais justo? O que importa mais? Poderíamos considerar o que essas pessoas fazem com suas vidas, se são boas pessoas ou más? Colocarmos numa balança sua relevância pro mundo? Isso serveria de modo suficiente pra agirmos? Segundo Rawls, não. Já que sempre devemos considerar os quesitos, como posição original e véu da ignorância. Mas são casos concretos e reais, os propostos por Sandel, e exigem ações imediatas, e não há como desconsiderarmos essas perspectivas ideológicas, conceituais e formadoras de caráter de cada um. Principalmente no modo que estamos inseridos em nossas sociedades.

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  70. Pessoalmente, considero Sandel uma figura menor no debate acerca das teorias da justiça -- e, isto, não apenas porque suas melhores ideias seriam, em última observação, versões de teses de Charles Taylor, mas porque me parece também que sua crítica a Rawls é equivocada.
    Sandel tem razão quando observa (repetindo Taylor) que a concepção rawlsiana da racionalidade envolvida em certo âmbito de juízos morais seria demasiado abstrata e não corresponderia rigorosamente à racionalidade de fato dos indivíduos em discussões morais reais. No entanto, julgo que esse é um defeito (se é que é um defeito) menor da teoria da justiça rawlsiana, por duas razões.
    A primeira é que, como Taylor já observara, o debate moral se dá sempre sobre um fundo de ontologias morais; e essas ontologias morais, nas sociedades "pós-tradicionais" (para usar de um termo que, se não é engano, é de Habermas), também são passíveis de discussão e contestação: e, nesse sentido, as teorias filosóficas, sendo ontologias morais ou, ao menos, tentativas de articulação da ontologias morais vigentes (a questão do exato estatuto das teorias filosóficas é complexa, e não cabe aqui) não adentrariam o debate moral na forma de posições morais particulares, mas sim em outra forma e, portanto, num nível distinto do debate. A consequência disso, para a objeção de Sandel a Rawls, é que a simples observação de que seria falsa a concepção de ser humano implícita na teoria rawlsiana não seria, ainda, razão suficiente para abandoná-la: pois a teoria rawlsiana é normativa, e, sendo normativa, nada impede que já a concepção de homem em que ela se funda o seja. (Mas isso, por óbvio, não eximiria Rawls de justificar a pertinência dessa concepção.)
    A outra razão que me leva a receber a crítica sandeliana como menor é que, a rigor, Rawls sequer propõe sua versão do raciocínio moral como universal, mas apenas como cabível no caso da eleição dos princípios de justiça que regerão a instalação de um arranjo social justo -- e Rawls não precisaria se comprometer com mais que isso, para sustentar sua teoria. Nada o impediria, portanto, de conceder a Sandel que, em todos os outros casos, o raciocínio moral não seria esse, mas sim aquele que as pessoas de fato exercitam no dia-a-dia: pois o debate moral real raramente almeja a eleição de princípios que regerão o todo social, mas sim a solução de conflitos dados no interior de arranjos sociais também dados.
    A meu ver, a conclusão inevitável da objeção de Sandel, se ele a quisesse sustentar até as últimas consequências, seria a de que o próprio empreendimento de uma teoria abrangente da justiça seria descabido, e que deveríamos nos contentar com soluções pontuais de problemas pontuais. Esse, no entanto, me parece um prognóstico bastante frustrante.

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  71. Nesse sentido, Taylor é (como de costume) mais acertado. O problema com a teoria rawlsiana (ou nozickiana, ou...) não é que ela é falsa (ou verdadeira), mas sim que ela é falsificadora de si mesma, ao ter por consequência a negação implícita de algumas das próprias condições de possibilidade do debate no qual ela mesma estaria envolvida. (Mas isso, note-se, não exclui por si só a pertinência da teoria rawlsiana da justiça, ao menos enquanto ideal normativo. O que exclui essa pertinência é, antes, o fato de que a concepção do bom que interessa à vivência liberal não é a de um bom estritamente individual -- única espécie de bom reconhecida pela teoria. A teoria rawlsiana falharia, enfim, simplesmente por não atingir seu objetivo. Nesse sentido, aliás, mais uma vez Sandel não vai além de Taylor.)

    [Fica este comentário como comentário ao Taylor também.]

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  72. Assim como MacIntyre, Michael Sandel, em seu texto “Justice and Good”, tem ideias contrárias a Rawls, filiando-se (involuntariamente) à corrente comunitarista. Assim como disse no comentário sobre MacIntyre, as ideias comunitaristas de Sandel parecem menos utópicas. E essa é uma das críticas que Sandel faz a Rawls, a improbabilidade de que um indivíduo se separe de suas convicções, de sua história de vida (que formaram sua moral), como proposto por Rawls (o “véu da ignorância” e a “posição inicial”). Ele coloca ainda que as preferências e vontades pessoais não são levadas em conta na teoria de seu colega.

    A leitura de Sandel, se seguida da leitura de MacIntyre, parece redundante, já que o segundo tem ideias similares às do primeiro, apenas focando mais na crítica às ideias de Rawls.

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  73. Sandel, apesar de não introduzir muita ao debate da teoria da justiça em termos de originalidade de conteúdo, inova no modo de explanação seguindo o pensamento de Taylor, em que o homem deve ser analisado em sua relaidade concreta, diante de seus pressupostos porque seus problemas morais advém desta mesma realidade e não como Rawls pensa a moralidade, em uma posição abstrata e portanto hipotética que pode dizer muitas coisas, mas de fato não diz nada sobre os problemas morais de fato.
    Apesar de eu ter tido feito um comentário bastante favorável a Rawls, considero sua teoria muito hipotética, e prefiro a visão dos chamados comunitaristas, por mais que as vezes eles não se institulem como tal; e o fato de não concordar com Rawls, claramente não tira sua importância perante este debate.
    Sandel não deve ser desprazado pela lógica de que por possuir grandes públicos não possua assunto pertinente o bastante para questões centrais da moral.Acredito que a diversidade de estilos dos autores deste tema só incrementa este debate e lhe dá mais perspectiva de como encarar este difícil tema.
    Em relação ao fato de Sandel não hierarquizar valores, e a moral depender de como cada pessoa a encara, não vejo como problema, salvo aos casos extremos como por exemplo algumas práticas de fundamentalistas islâmicos, pois acredito que temos sempre que decidir nossa vida com valores muita vezes contraditórios entre si nos sendo apresentados, mas que ambos se apresentam como valores pertinentes a vida como os valores do repouso e da disciplina; da privacidade e da transparência.
    Contudo, talvez o problema a ser superado em Sandel é não se deixar cair no relativismo cultural ao ponto de permitir os casos extremos que atentam a vida das pessoas.

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  74. Michael Sandel é um autor comunitarista, em seu trabalho ele faz uma grande crítica ao Liberalismo e também às ideias propostas por John Rawls. Para Sandel, a teoria feita por Rawls é insuficiente e bastante abstrata e que não são aplicáveis na prática, pois a idéia de se liberar de suas próprias concepções pessoais, como por exemplo o véu da ignorância como propõe Rawls, seria muito improvável de ser aplicado. Sandel critica a idéia de Rawls que o senso de justiça das pessoas é inata, e acredita que a justiça é vinda através das tradições de uma sociedade, ela é quem define o “self” fazendo com que cada indivíduo se torne algo segundo as tradições da comunidade, ao contrário do que Rawls afirma. E Sandel também critica a postura liberalista deontológica de Rawls que defende o conceito de que a justiça antecede o bem, sendo assim Sandel adota uma postura teleológica em que se preocupa com as consequências das ações. O autor afirma que nossas tradições são variáveis, logo o senso de justiça também é variável. Uma sociedade é formada por diferentes modos de vida e concepções, abrindo a possibilidade de decidir por outros modos de vida que não sejam dependentes de apenas um único indivíduo, portanto não há a necessidade de um “self” anterior, uma vez que o “self” é resultante da vida em sociedade. Para o autor, não existe a possibilidade de que haja apenas uma única concepção de bem, já que os indivíduos são influenciados por diferentes concepções de bem e por diferentes modos de vida, o desafio é buscar soluções que sejam capazes de encontrar uma maneira para que diferentes modos de vida possam conviver entre si.

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  75. Em sua obra, Sandel critica o autor Rawls sobre sua visão perante a justiça. Acredita que esse último tende a utilizar como fator preponderante para o alcance da justiça. Para ele, Rawls faz uso de artifícios que não são reais e passíveis de utilização no mundo real, como por exemplo o chamado “véu da ignorância” , isso porque segundo Michael Sandel, não há possibilidades de se abstrair totalmente de suas condições e formações, como sua cultura, religião e, claro, posição social.

    Para Sandel, não há como se estruturar um juízo único, ou seja, um juízo categórico. Isso porque o chamado juízo categórico parece imoral em alguns casos. Sandel não nos proporciona uma verdade absoluta sobre as questões. Mostra seu trabalho através de análise de casos e o mais importante para ele não se faz através da conclusão, mas sim da discussão e consequentemente seus respectivos argumentos e reflexões, essas baseadas em nossas formações, experiências e bagagens emocionais e históricas. Sendo nossos argumentos em relação a um determinado caso baseado em fatores relativos, teremos como consequência o fato de que o nosso senso de justiça também terá valor variável.

    Olhando a questão da variação dos critérios de acordo com os casos, se dá a necessidade de não haver uma regra absoluta como colocado em sala pelo meu grupo durante o debate. Você agir de forma errada para beneficiar a si mesmo ou um grupo foi considerado aceitável ou não dependendo do “background” que oferecemos, ou seja, a maioria da sala assumiu que aceitaria o gabarito furtado do professor considerado injusto, mas não aceitaria a propina no senado. Durante a aula percebemos a ideia de Sandel de que precisamos de casos para que sua ideia e opinião sejam confirmadas, sem que haja uma conclusão definitiva sobre a questão em si.

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  76. Michael Sandel, disputado professor da Universidade de Harvard, instiga, em um primeiro momento, uma dicotomia, dualidade ou dilema presentes no cerne do debate ético:

     Utilitaristas/teleológicos/consequencialistas – “o bem sobre o justo” (alguns representantes como Bentham, Mill): justificam um ato (que geralmente seria considerado imoral, como o sacrifício de uma minoria, o roubo, a morte) em nome do benefício da maioria, da maximização do prazer. Geralmente associado à contextualização social adotada pelos filósofos comunitaristas;

     Deontológicos – “o justo sobre o bem” (Kant é um importante expoente): ações consideradas juridicamente imorais não são justificáveis em hipótese alguma; o imperativo categórico é obedecer aquilo que é considerado como valor ético “universal”, como uma verdade única e universal. Geralmente associado à moral liberalista.

    Nesse sentido, Sandel expõe em algumas de suas aulas em Harvard o seguinte ponto de cruzamento: será que determinados atos são justificáveis em determinadas situações, enquanto em outras não? Se sim, por que em outras não? Os atos devem ser absolutos – como dizem os deontológicos – ou relativos ao contexto? É moral relativizar o contexto, e assim acabar por perder a determinação absoluta de um conjunto de valores? Esses valores podem ser hierarquizados, como era debatido em Kelsen? É correto o liberalismo atual considerar as “lady gagas”- ou seja, o pluralismo de valores, aceitáveis ou não dependendo da situação específica – como moral? Não deveria haver uma especificação/disposição absoluta aliada à hierarquização dos valores, para determinar o certo e o errado, categoricamente?

    Pode-se dizer que o debate sobre a Justiça gira em torno de três ideias principais: aumentar o bem-estar, respeitar a liberdade e promover a virtude. Cada uma dessas ideias aponta para uma forma diferente de pensar sobre Justiça. Sandel, por sua vez, é realista quanto à sua análise do tema. Defensor de uma ética comunitária que se choca com a liberdade incondicional do mercado ou a liberdade incondicional das escolhas individuais, ele define da seguinte maneira o que considera justiça: "Não é só a maneira certa de distribuir coisas. É também a maneira certa de valorizar as coisas."

    Sendo assim, Sandel critica a concepção de Justiça de Rawls: para ele, a dificuldade com a teoria de Rawls sobre o bem é não somente moral, mas também epistemológica. Para Rawls, os valores e princípios morais seriam (ou sequer podem ser) melhor criados na circunstância do véu da ignorância, no momento da posição original: momento em que os indivíduos não seriam conhecedores de suas habilidades ou posicionamentos sociais, estando livres de seus preconceitos e interesses e podendo assim escolher com equidade. Entretanto, para Sandel tal concepção é demasiada abstrata e surreal – simplesmente não condiz não somente com a realidade contemporânea, mas também com a essência social dos seres humanos. Ele critica o argumento que Rawls defende de que as pessoas “escolhem” seus fins, seus objetivos de vida. De acordo com Sandel, justiça é fazer o que é certo, e o certo é pensar o ser em comunidade. A justiça para Sandel é algo inserido necessariamente no conjunto social, nesse sentido a teoria rawlseana simplesmente não condiz com a noção de que as pessoas são "reais" e estão inseridas em seus contextos políticos e culturais, estando assim ligadas a comunidades.

    (continua)

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    1. Sandel defende que a prioridade da justiça, como a prioridade do caráter, deriva em grande medida das eventualidades e acidentes do mundo. Isto surge consideravelmente da discussão acerca do certo e do caráter. Sandel critica a tendência da “benevolência e do amor” como ideais morais abordados por Rawls, sendo mais formas de sentimentos do que de discernimento - mais formas de sentir do que de conhecer.

      Em termos jurídicos, Sandel busca defender que para se obter a justiça como “a virtude primordial”, os indivíduos devem manter certa distância sobre algumas circunstâncias. Para ele, a concepção de liberalismo falha a partir do momento em que é colocada em evidência a possibilidade de “escolha voluntária dos fins”, o que impede a capacidade de percepção e compreensão ética e política dos indivíduos.

      Como já citado, o maior problema de Sandel em relação ao que foi conceituado por Rawls é a posição original. Isto porque o “privilegiado” que está nessa posição original pode selecionar os pontos de partida de justiça, sem agir através da razão. O problema consiste em que essa suposta compreensão do “ser ético” não inclui a percepção do indivíduo nas relações subjetivas. Apesar de toda essa contradição, o interesse de Sandel vai certamente além de uma reformulação dos fatores deontológicos - o “justo sobre o bem” - encontrados em Rawls. Nesse sentido, seu principal objetivo é o de criar uma compreensão sobre o significado de Justiça a partir da consideração das perspectivas das práticas sociais – do indivíduo necessariamente inserido na comunidade, pois segundo ele é impossível que um grupo de políticos – na posição original – possa de alguma forma identificar e especificar os interesses e necessidades particulares de outros sujeitos, desconsiderando os aspectos histórico e social desta construção.

      Por fim, fica claro que Sandel desconstrói o liberalismo defendendo uma construção comunitarista da moral e da Justiça, muitas vezes pautada sobre aspectos utilitaristas – inserida em determinados contextos histórico-sociais específicos. Para ele, a Justiça não está livre da identidade comunitária, uma vez que a moral não se forma somente individualmente, mas sim diretamente e necessariamente pelo convívio social e por interesses relacionados a momentos de contextos específicos e, algumas vezes, até contraditórios e mutantes. Os valores se formam em uma relação reflexiva, recíproca, de fornecimento e recebimento, assim como o faz a Justiça: “comunidades de vários tipos distintos poderiam contar como ‘sistema de desejos', desde que eles fossem identificáveis, em parte por uma ordem ou estrutura de valor compartilhado, em parte constitutiva de uma identidade comum de forma de vida”. Para Michael Sandel, a justiça não é absoluta, enquanto virtude ou verdade para teorias, mas tão somente condicional.


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  77. Sandel é um filósofo contemporâneo, que não apresenta na verdade uma proposta de teoria da justiça, ele na verdade critica fortemente a proposição rawlsiana de ‘véu da ignorância’ como primeiro estágio para que se faça o exercício moral e chegue-se à uma concepção de justiça.

    A critica à Rawls refere-se ao fato de que a visão de humano proposta por esse autor é totalmente desligada da realidade, na medida em que, destituí do indivíduo toda sua bagagem emocional, cultural, suas crenças, em suma, sua identidade, durante o exercício moral. Na teoria de Rawls é imperativa, uma vez que constrói-se uma concepção de justiça e essa é imposta à comunidade, onde os modos de vida e as ações são julgadas como justas ou injustas a partir desse parâmetro já estabelecido, desconsidera que as ações morais são circunstanciais e não dá espaço para que os modos de vida se defendam como justos.

    Na visão de Sandel o exercício moral resulta do diálogo sobre as formas de vida. Ele entende que em comunidade, há uma pluralidade de identidades refletidas em uma pluralidade de formas de vida e racionalidades, portanto a discussão sobre as definições de bem, derivada das relações entre diversas subjetividades, faz parte da constituição da justiça.

    Sandel, em seu curso, propõe-se a implementar sua concepção de dialogo entre as subjetividades em suas aulas, quando ao colocar seus alunos diante de uma escolha e faze-los justificar sua escolha, faz com que diante das colocações e contraposições, os argumento vão se refinando e chegando à sua essência onde entende-se qual é o ponto de partida da concepção de justiça que o proponente está defendendo. Esse exercício faz com que os participantes se conheçam também e conheçam seus conceitos de justiça diante das mais diversas situações.

    Sandel não tem por objetivo propor uma construção do que é composta a justiça, seu objetivo é que a partir do dialogo em que os participantes defendem seu modo de vida e sua noção de bem, a comunidade tenha a possibilidade de estar em contato com diversas subjetividades e assim possa construir seu conceito de justiça. Esse é um ponto crucial para Sandel, a comunidade, não se pode tomar os indivíduos como isolados e apáticos à suas relações sociais, eles são na verdade sujeitos dentro de uma comunidade e, além de imprimirem suas visões nessa comunidade, a comunidade também lhe fornece concepções, e é a partir da aceitação dessas condições que é possível que se tenha um exercício moral de diálogo em que se chegue à uma noção de justo.

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  78. Sandel é um filósofo da atualidade que não propõe uma nova teoria da justiça, mas que critica a teoria da justiça de rawlsiana. Nesse sentido, ele critica fortemente o ‘Véu da Ignorância’, por entender que é uma situação abstrata, que não representa a realidade. Além disso, diz que à medida que Rawls ignora que as pessoas escolhem modos de viver, acaba por retirar a identidade do individuo, tornando-o, então, um individuo abstrato.

    Para Rawls, ética é o exercício de comparar os modos de viver dos indivíduos com a idéia de justiça - uma vez que a concepção de justo é superior e é nessa concepção que se analisa os modos de viver. Dessa forma, Sandel diz que a teoria de Rawls é metafísica, porque quando ignora que os indivíduos escolhem modos de viver e quando julga os modos de vida como justos ou injustos baseando-se em uma concepção superior de justiça, a teoria pretende ser obrigatória a toda comunidade.

    Sandel vê ainda como impossível a idéia de Rawls de que o individuo pode sozinho chegar à idéia de justiça, satisfazendo por si mesmo os pressupostos necessários.

    Para Sandel, ética se refere a saber se as condutas de um individuo estão adequadas à maneira de viver que ele adotou, ou seja, ética tem a ver com a argumentação sobre os porquês que fazem o individuo adotar determinadas condutas. Dessa forma, o exercício moral, através do qual uma comunidade constrói seu conceito de justiça, se dá a partir do diálogo sobre as formas de vida adotadas pelos indivíduos; porque quando os indivíduos argumentam para defender seus modos de vida, eles expressam suas subjetividades, como, por exemplo, suas noções de bem e outras concepções derivadas de suas crenças e das associações das quais fazem parte.

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  79. Sande constrói uma teoria de critica ao modelo proposto por rawls uns argumentos usados por ele são que Ralws repudia o utilitarismo por acreditar que todos devem ser livres, não podendo essa liberdade ser deixada em vista de uma maioria. Também ignora a teoria libertária, por achar que é dever das classes abastardas ajudar os membros das bases sociais, a fim de cumprir o estabelecido no contrato social
    A forma de agir da moral, que provem de posições sociais historicamente estabelecidas e de recursos naturais que tornam diferentes os indivíduos, são rejeitadas pelo autor, desde que aqueles que têm esses benefícios os compartilhem com todos. Logo, o autor não acha que justa a posição social conquistada pelo livre mercado, ou mesmo através da meritocracia. Ambosos tipos de sociedade utilizam de arbitrariedades morais. E sociedade igualitária proveniente do princípio da diferença (que distribui arbitrariedades morais entre os membros da sociedade) é aquela que melhor esboça o fenômeno da justiça.

    João Lucas

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  80. Michael Sandel é um autor comunitarista (apesar de não gostar de se limitar a esta denominação) norte-americano. É crítico das ideias de John Rawls.
    Segundo Sandel, o problema principal na obra de Rawls estaria relacionado ao seu conceito de véu de ignorância. Sandel acredita que nossas decisões morais dependem sim das circunstâncias nas quais estamos inseridos, pois enquanto indivíduos, adotamos certos valores morais como base para as nossas vidas. Dessa forma, sem o desejo intrínseco de ser perfeito, não há moralidade, e sem moralidade não há ética.
    Para Rawls, há algo que se sobrepõe às vontades das pessoas. Há uma ideia de justiça pré-definida, e com base nisso, as pessoas agem de maneira moral quando obedecem a essas normas. O indivíduo não é livre para escolher sua maneira de viver, muito pelo contrário, é coagido a agir da maneira “correta” difundida pela sociedade. Sandel critica esta postura de Rawls, pois discorda com esta concepção na qual o indivíduo seja menos importante do que a sociedade, visto que o mesmo é fruto das relações sociais.
    Reforçando sua postura comunitarista, Sandel critica a teoria de Rawls no que concerne a possibilidade que se tem de formular uma teoria da justiça subjetivamente, desde que todas as condições necessárias para tal (como por exemplo posição original, véu de ignorância) sejam satisfeitas. Para Sandel há a necessidade da comunidade para se formular qualquer teoria da justiça válida, pois é necessária a aprovação dos demais.
    Um aspecto interessante observado nas palestras de Sandel é a maneira que ele conduz suas dinâmicas. Em momento nenhum ele expõe categoricamente sua posição com relação aos dilemas morais, mas incita os estudantes a pensarem por si próprios e chegarem às conclusões por meio de suas próprias reflexões. Esse aspecto é muito interessante, e eu acredito que este seja o melhor caminho para estimular as pessoas a pensarem filosoficamente. Com base nessas reflexões, se torna uma tarefa mais fácil e até mesmo prazerosa analisar as diversas teorias da justiça e se identificar com a que mais se assemelha com o seu modo de ver o mundo.

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  81. Sandel acredita que é prejudicial uma lacuna muito grande entre ricos e pobres, pois prejudica noção de comunidade pelos diferentes grupos, dificulta que eles percebam a vida social como uma questão de cidadania compartilhada, Atualmente a uma falta de sentimento de dever público, o cargo público é uma função para a sociedade e tem sua dignidade e importância.
    Os temas de moralidade, questões espirituais ligados a religiões para Sandel deveriam estar incluídas no debate político, por mais que haja muita discordância em relação a estes assuntos a política não pode ser feita de modo neutro, pois estes são pontos importantes da sociedade, ele cita como exemplo a taxa percentual de imposto, para este debate deve ser ouvido pessoas de diferentes religiões , etnias etc. Ao trazer o debate espiritual e moral para o debate público você os deixa mais forte e consistente, não apenas na mão de religiosos conservadores.
    Sandel pode ser associado à corrente de pensamento comumente denominada comunitarismo, mesmo não concordando com todos os pressupostos desta corrente . Os filósofos ligados a essa tendência têm tido papel importante na contestação do liberalismo por acreditarem que os valores que fazem parte da cultura de um grupo social não podem simplesmente ser desprezados na hora de se estabelecer seu ordenamento jurídico. Para Sandel, o grande erro de Rawls está na formulação da posição original e, mais especificamente, na crença de que é possível criar um regramento justo a partir de um procedimento como este. Segundo ele, a descrição de Rawls não é a de um acordo propriamente, pois se todas as partes são propositadamente destituídas de tudo aquilo que lhes é particular (convicções, posições sociais etc), está-se falando não de vários indivíduos, mas de um único.

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  82. Este comentário foi removido pelo autor.

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  83. A partir da leitura indicada e do que foi exposto percebo que Sandel caracteriza-se como um autor comunitarista, o qual ressalta a importância dos debates e das discussões conjuntas como melhor forma de lidar com os assuntos, tornando as decisões de fato democráticas. Sua linha de pensamento vai contra, principalmente, as ideias de Rawls. Tal autor defendia a importância das liberdades individuais em detrimento do bem estar geral. No trabalho de Rawls, Sandel faz uma critica ao Véu da Ignorância, pois considera o fato do sujeito abstrair o que é por natureza, uma ideia um tanto quanto utópica, sendo por tanto, constantemente influenciado no que tange seu processo de tomada de decisões. Para Sandel, a melhor maneira de abordar as diversas questões presentes na sociedade seria o debate conjunto e a soma de ideias, dessa forma as soluções encontradas seriam mais justas. A comunidade para Sandel é muito mais importante que o individuo, pois este lhe é derivado e recebe total influencia, não podendo ter papel mais importante do que o todo.

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  84. Sandel é um dos filósofos contemporâneos que mais discorda e critica a vertente rawsiana sobre o conceito de justiça. De acordo com a perspectiva de Sandel, a concepção de Rawls sobre os indivíduos é insuficiente e idealista, uma vez que este último desconsidera as singularidades e diversidades que existem entre as pessoas.
    Sandel acredita que para que possa haver uma teoria da justiça que contemple a todos não é possível universalizar o conceito de pessoas desconsiderando seus valores e o contexto em que estão inseridas, pelo contrário, é imprescindível para que a justiça abranja todas as diversas concepções de bem que sejam concebidas a pluralidade entre as pessoas.
    O autor considera isso como algo crucial pois para ele os indivíduos não podem e não conseguem se afastar de suas essências, tornando inviável que se estabeleça um conceito comum e que favoreça a todos em suas particularidades.
    Sandel é adepto de que para se chegar à justiça, os princípios, costumes e ideais dos indivíduos devem ser discutidos para que o bem-estar da comunidade na qual ele está inserido, seja alcançado de forma plena através de seus próprios instrumentos de justiça.

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  85. Michael Sandel argumenta seus pensamentos com base na crítica a John Rawls. Para Sandel, é necessário observar como as pessoas discutem o tema “ética” para entender de fato o seu significado. Nesse sentido, discute sobre “uma teoria da Justiça” de Rawls, nela é afirmado que a justiça seria o princípio, não daria para se discutir sem a considera-la como prioritária, ou seja, esta seria imprescindível a nós, sendo condição básica e primordial para um debate racional.

    Desse modo, Sandel irá opor-se a concepção metafísica de pessoa proposto por Rawls, ou seja, na sua visão, não há como o ser humano abstrair-se de sua situação concreta; sempre estaremos inundados de valores e informações a respeito do nosso modo de viver. A forma como Rawls posiciona o homem através do véu da ignorância, a partir da exclusão das considerações do indivíduo torna falsa a representação de nossa experiência moral para Sandel, que confirma justamente o contrário: a moralidade é trabalhada a partir de determinadas ações de cada um, esta moralidade está relacionada a analises do comportamento de cada pessoa.

    Rawls defende o indivíduo antes de considerar a comunidade, não considerando a sociedade como responsável pela formação da identidade dos homens. “Para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias”, a sociedade não tem importância para os debates éticos. Assim, Sandel apresenta a teoria de Rawls como de caráter deontológico liberal.

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  86. Sandel adota aqui a ideologia comunitarista. Esta busca se impor ante a eminente consolidação do modelo teórico e prático liberal.

    Crítica a Rawls:

    Segundo Sandel, John Rawls em sua obra “Uma Teoria da Justiça” revela uma visão igualitária liberal inovando o pensamento político de sua época. Sandel critica principalmente os conceitos de véu de ignorância e de posição original, defendidos na teoria de Rawls. Para Sandel, a falha da teoria de Rawls está em sua análise antropológica, no sentido de que não existe um homem que possa se separar de suas crenças, de suas convicções, comunidade, cultura e história. Por conseguinte, somente um homem absolutamente aculturado sem família ou qualquer pré-concepção social e moral optaria pelo Estado neutro. Seria isso possível? Eu também acho que não.

    Cito trecho de uma resenha de André Maluf (“Justiça ‘O que é fazer a coisa certa’ de Michael J. Sandel à luz da ideologia comunitarista”):
    “Conclui-se que para teoria de justiça de Rawls, o justo tem primazia sobre o bom, e
    os princípios que norteiam a justiça devem ser imparciais no que tange às diferentes
    concepções de vida boa. Para conceber a justiça, devemos formulá-la através de um “véu de ignorância”. A concepção rawlsiana visa eximir o Estado de deliberar sobre questões polêmicas que envolvam justiça, todavia, para Sandel, tal política se mostra impraticável, em decorrência da indissolubilidade entre justiça e moral.”

    O que me parece interessante na proposta do livro e do curso de Sandel é que parecem surgir mais dúvidas do que respostas às questões que ele nos coloca.Isso é um alerta, advertindo o problema de tomarmos partidos radicais de forma simplista sobre esse tipo de questão. É por isso que foi até mesmo conversado em aula: Ética tem muito a ver com a maneira como as pessoas debatem sobre ética.

    Giovana Cavaggioni Bigliazzi
    (R.A.: 21010512)

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  87. Sandel é contra a concepção liberal-individualista, defendida por Rawls, o qual o faz através da criação de uma situação em que um grupo de pessoas estariam em condições ideais para a criação de um contrato social. Nestas condições as pessoas estariam no que ele chama de sob um véu de ignorância, em que elas não conheceriam quais seriam suas situações dentro da comunidade, e participariam na elaboração de um contrato apenas como um ser racional munido de um senso ético.
    No entanto ao fazer isso, segundo Sandel, Rawls estaria abstraindo a uma condição impossível de ser criada, e colocando assim a justiça como primeiro princípio a ser considerado, e também, assim, colocando a concepção de comunidade posterior a do individuo. Portanto os modos de vida deveriam se adequar a este conceito de justiça obtido por estas pessoas.
    Já segundo Sandel, o individuo seria definido pela comunidade e seu senso de justiça viria da tradição à qual faz parte, assim, como nossas tradições, nosso senso de justiça é mutável. Assim se da a importância do debate, para que possamos através deste construir uma concepção de justiça que mais se aproxime da perfeição, já com Rawls, pelo contrario, seria possível chegar ao que seria justo sozinho.

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  88. Sandel é um ‘pupilo’ de Taylor, e muito do que apresenta é uma simples repetição dos termos utilizados por Taylor. Ao mesmo tempo, Sandel é um grande crítico das ideias de Rawls. Há um esforço grande por parte do autor por demonstrar a incoerência das ideias rawlsianas.

    O véu da ignorância e a posição original são duas ideias inconcebíveis para Sandel. Ele aponta a inviabilidade de se desprender de seus anseios e desejos e afirma que uma pessoa não poderia realizar esse exercício sem levar consigo seus preconceitos e anseios. Além disso, o autor aponta a dificuldade de se criar um sistema da justiça concreto, mas que se baseia numa experiência inteiramente metafísica. Experiência essa que também é subjetiva – o que levará Sandel a afirmar que qualquer um poderia realizar o exercício sozinho e chegar às conclusões sobre o que é ou não justo na sociedade.

    Essa liberdade dada aos indivíduos de chegar às conclusões sobre o justo a partir de suas experiências pessoais torna as ideias de Rawls inviáveis. Para que isso fosse possível, teria de haver um ser humano ‘aculturado’. Ou seja, um ser humano que não tivesse contato com qualquer cultura ou sistema moral, para criar aquilo que é justo. Mas as ideias de Taylor já nos alertam sobre isso, quando falam da linguagem e da possibilidade de debate e formulação de ideias apenas quando se está inserido em uma linguagem. Em outras palavras, não há homem sem cultura, e, portanto, não é possível se transportar à ‘posição original’ ou vestir o ‘véu da ignorância’.

    Se não é possível fazê-lo, como construir um sistema justo? Sandel não trará uma resposta definitiva para o problema. Pelo contrário, ele provoca questionamentos e nos traz para a reflexão. Em suas palestras, ele aponta a dificuldade de estabelecer critérios sobre o que é o certo a se fazer. Princípios e consequências são muitas vezes conflitantes, pois muitas vezes, o princípio que se adota em um caso, parece ser inviável e extremamente injusto em outro. E quando nos pautamos apenas pelas consequências, justificamos princípios que não gostaríamos de defender – como o sacrifício de uma minoria em prol da comunidade.

    Esse dualismo, sem solução nas ideias de Sandel, é o problema que ele nos expõe. Vejo nas ideias de Sandel uma tentativa de mostrar que a ética e o justo são muitas vezes ambíguos e que existe muita dificuldade em se definir o que é realmente certo. O moral, nas ideias apresentadas por Sandel, parece se definir pelo debate e pelo contexto da situação. Isso pode até gerar um certo relativismo, mas o relativismo – nesse caso – evita muitos problemas. Não é o relativismo de aceitar ideias opostas, mas o relativismo de se analisar o background da situação. Quais motivações e o que leva um indivíduo a realizar determinada situação? Muitas vezes o agente não reflete sobre um princípio e nem considera as consequências de suas ações, ele simplesmente age.

    Se há espaço para que ele se justifique. Se se analisa, além de sua história – que não passa de uma narrativa – mas as relações causais da situação, chega-se a um consenso, que parece surgir pelas vias do diálogo e não da imposição. O ético se constrói pelo diálogo e pela discussão.

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  89. Michel Sandel (1953-) é um teórico conhecido por suas críticas ao Pensamento Liberal. Sua maior crítica gira em torno do pensamento de Rawls. Segundo Sandel, a teoria exposta por Rawls sobre o véu da ignorância e posição original possui um erro, já que constrói um cenário que isola o debate moral da sociedade. Sandel dirige grande parte de sua atenção no texto "Justice and the Good" justamente a essa crítica sobre o pensamento de John Rawls.

    Sandel diz que o véu da ignorância é uma criação. Não levar em conta as preferências pessoais na elaboração de ideias é algo que Sandel não considera real. Para ele, nossas decisões morais dependem das nossas adoções de valores, dos nossos “quereres”, das nossas circunstâncias. Nós temos que ter uma preferência a ser perfeito para poder discutir sobre a moralidade. Ou seja, há pré-requisitos para a construção da justiça que Rawls não havia considerado em suas obras.

    As condições de Rawls para o debate moral têm exigências que desfiguram o debate, segundo Sandel. Rawls adota uma concepção abstrata do ser humano, excluindo os fins que as pessoas escolheram para viver. A Ética, para Sandel, faz referência justamente aos fins que foram excluídos por Rawls. A Ética analisaria, então, ações individuais de acordo com fins e maneiras de viver que as pessoas adotam.

    De acordo com Sandel, a moralidade obtida através da posição original sob o véu da ignorância é resultado de argumentos impostos, de razões arbitrárias. Contrariamente de Rawls, Sandel acredita que devemos avaliar as razões que são enfatizadas sobre os modos de viver (e não fazendo imposições arbitrárias).

    Ainda há uma crítica subsequente que Sandel faz sobre as ideias de Rawls no que diz respeito ao não reconhecimento do papel da sociedade no processo de definição das noções de justiça. Segundo esse autor, há uma visão subjetivista e imperativa da moralidade na teoria de Rawls. Vale ressaltar que é justamente pela valorização da sociedade na construção de ideias morais que Sandel é chamado de comunitarista (mas ele próprio não gosta dessa adjetivação).

    A partir dessa apresentação de ideias fica nítida a influência de Taylor sobre os pensamentos de Sandel, se pensarmos na forma como Taylor abordou a linguagem no debate moral.

    Ingrid Desihiê Antoniori
    RA: 21004712

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  90. Segundo Sandel, Rawls elabora um contrato social em condições que seriam ideias, portanto abstratas. Ele partiria do conceito de que as pessoas sob o véu da ignorância não saberiam suas posições originais, porém Sandel nos diz que essa abstração é praticamente impossível pois as abstrações possuem características que não existem no mundo real. O conceito de indivíduo para Rawls antecede o conceito de comunidade. No equilíbrio reflexivo a discussão acaba por ignorar as individualidades de cada um, o "self" de cada um. Pra Rawls o direito acaba sendo algo inegociável, tornando assim os modos de vida negociáveis para que se obtenha a justiça.
    Sandel considera que o indivíduo é resultado da comunidade, e não o inverso. Sandel também coloca que, para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias, porém isso não pode ser tido como verdade já que elas são, na verdade, resultados da influência da sociedade em que se vive, em conclusão, não se pode relevar o fato de que os indivíduos estão inseridos na comunidade e são resultado dela, admitir-se que todos possuirão um mesmo conceito de justiça, ou até mesmo que o possuirão, e que esse conceito será bom para todos.
    Então, para Sandel, a justiça deve ser organizada por um debate sobre temas relacionados ao tema, de indivíduos que considerem seus desejos e aspirações, sim; para que, assim, se cheguei a um consenso para estabelecer-se o conceito de justiça e injustiça para a sociedade.

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  91. Michael Sandel, um pensador Comunitarista (embora ele se declare desconfortável com a classificação) baseia o seu trabalho em uma crítica às teorias do liberal John Rawls principalmente na questão do véu da ignorância e da posição original , pois, segundo Sandel, não haveria nenhuma possibilidade de um ser humano ser totalmente isento ao formular seus códigos, ao invés disso cada indivíduo é influenciado pelas crenças e costumes que acumula e absorve no decorrer da sua existência, no texto “Justice and the good” Sandel aponta os conceitos de Rawls como uma concepção metafísica da pessoa que desconsidera a pluralidade dos modos de vida e as vivências pessoais de cada indivíduo que, ao invés disso (segundo Sandel) irá basear as suas decisões morais em valores e circunstancias que integram a concepção de moral de cada pessoa.
    Para Sandel o julgamento de cada situação irá depender dos argumentos apresentados, somados ás convicções pessoais e da habilidade de quem apresenta uma situação em convencer as pessoas sobre o certo ou errado da questão.
    Sandel classifica as teorias de John Rawls como liberalismo deontológico

    Alexandra Saphyre de Oliveira - RA 21072812

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  92. Sandel é um teórico que critica o pensamento liberal, mas seus pensamentos enquadram-se na corrente dos comunitaristas. A sua maior critica é feita soba teoria de Rawls.

    Para Sandel, existe um erro na formulação da teoria sobre o véu da ignorância, pois constróio um cenário que passa a isolar a discussão, ou o debate moral da sociedade. Assim, Sandel diz que o véu da ignorância não passa de uma criação, pois ele não leva em conta as preferências das pessoas na elaboração de pensamentos.

    A oposição que Sandel assume diz que as nossas decisões morais vai depender dos nosso valores, circunstancias e vontades.

    Assim, na construção da justiça para Sandel, existem pré-requisitos os quais Rawls não levou em consideração.
    Outro ponto que Sandel passa a criticar Rawls é sobre a concepção do ser humano que ele adota, que é uma concepção abstrata, em que exclui os fins pelos quais as pessoas escolheram para viver.

    Para Sandel, o debate ético faz justamente referencia a esses fins excluídos na teoria de Rawls, em que passa a analisar as ações individuais desde as maneiras de viver adotadas por um indivíduo até os fins.

    Algo que eu achei muito interessante na construção teórica de Sandel é a maneira com que ele aborda os temas nos debates, como por exemplo o video apresentado pelo grupo, em que Sandel realmente faz as pessoas a pensar e discutir, mostrando que a ética é relacionada com a maneira como discutimos e a partir disso percebo que Sandel não trás o certo e o errado, ele apenas nos trás o debate.

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  93. O renomado professor de Harvard, Michael Sandel, produziu especificamente nesta obra uma crítica ao Liberalismo. No capítulo estudado, este faz menção e críticas as ideias de Jonh Rawls, principalmente quanto aos conceitos de véu da ignorância e posição original, pois Sandel acredita que não exista nenhum ser humano capaz de se colocar nesta posição, livre de qualquer opinião ou cultura, suas crenças e de sua história. Seria possível criar um homem completamente aculturado que optaria por este estado neutro? Concordo com Sandel ao dizer que não, pois não há homem sem cultura, livre de seus preconceitos e anseios e livre da influência da sociedade que o rodeia (e assim, também não há véu da ignorância e posição original). Para ele, qualquer um poderia chugar as conclusões sobre o que é justo na sociedade, já que teríamos um senso natural construído com base em nossas experiências.
    Em outras obras, Sandel também fará crítica ao modo de se fazer justiça, nunca chegando uma conclusão ou definição, mas sim trazendo mais e mais abordagens para o tema, de modo a fazer o indivíduo (normalmente sua plateia) a pensar nas causas e consequencias de determinadas situações. Em nosso seminário, por exemplo, trouxemos um caso adaptado das falas de Sandel onde um indivíduo teria que julgar se era certo ou não roubar um gabarito de uma prova e compartilhar com os colegas para que todos fossem bem na prova. Mas, e então, o cenário da discussão permitiu que os envolvidos julgassem os atos e as condutas completamente díspares, mostrando que a própria ambiguidade da situação dificulta muito o processo de dizer o que é certo ou não. O ato ÉTICO se constrói pela justificativa dos fatos, baseado na discusão e na contraposição dos fatos.
    Acredito que Sandel tem uma intensa capacidade intelectual para ética, mas sempre arrisca seus casos a cair no relativismo: o cenário se torna mais importante que o ato em sim, quando deveríamos nos pautar pelo ato correto e não pela situação - roubar é imoral em todos os casos.

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  95. Michael Sandel em sua obra critica as ideias defendidas por Rawls, na qual ele fala do véu da ignorância e da posição original, para Rawls um individuo fora de qualquer ideia que possa afetar suas ideias decide sobre justiça, contudo para Sandel esse individuo “aculturado” não existe. Todo mundo possui alguma cultura, algum conceito do que é certo e errado, mesmo tentando ser totalmente imparcial não é possível passar por cima das suas crenças, portanto não existe essa possibilidade de véu da ignorância e posição original.
    Sandel é diferente dos outros, ele não tenta achar o que é certo e errado, ele prefere mostrar algo e abrir para debate, ele gosta que as pessoas discutam, mostrem suas opiniões e argumentos, para que você aprenda outras culturas. Sandel diz que há a necessidade de reflexão sobre um dado tema, ele fala que o que é certo em uma situação na outra situação a mesma ideia pode ser errada, e isso o grupo do debate mostrou em sala de aula, onde tinha uma situação de roubo de gabarito e a maioria aceitou roubar para colar na prova e outra de aceitar dinheiro do senado ilegalmente e isso a maioria achou errado. Podemos ver que essas duas situações são diferentes mas com o mesmo propósito de você se dar bem por cima de algo que é errado, e em uma as pessoas acharam certo e na outra de dimensão maior, que vai afetar um país inteiro as pessoas optaram em não aceitar o dinheiro.

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  96. Michael Sandel tem como seu mentor charles Taylor, e por conta disso tem uma linha de pensamento fortemente influenciada pelo autor. Embora ele mesmo não goste, Sandel é considerado comunitarista muito por conta de seu pensamento indo contra o pensamento liberal, mais precisamente contra as ideias de John Rawls.
    No pensamento de Sandel não há como considerar as principais ideias de Rawls: o véu da ignorância e a posição original. Sandel considera que é impossível uma pessoa desconsiderar seus preconceitos pessoais, mesmo com um véu de ignorância esta pessoa terá suas preferencias. Sandel considera que os seres humanos têm a liberdade de chegar às suas conclusões a partir de suas concepções pessoais, o que vai totalmente contra a ideia de Rawls. Isso só seria possível se houvesse um ser humano sem contato algum com outras culturas, o que, principalmente hoje em dia, é completamente inviável.Sendo inviável, não há posição original e não há véu da ignorância.
    O que Sandel não faz, assim como Taylor, é propor um sistema justo. Ele expõe ideias que anulam as ideias de Rawls e, por consequência, boa parte do pensamento liberal, mas não propõe uma ideia em oposição. Novamente como Taylor, Sandel propõe um debate. Em suas famosas palestras ele coloca situações que provocam um debate sem fim, pois certas pessoas seguirão uma linha de pensamento e outras seguirão outra, e nenhuma é certa ou errada, ambas são apenas válidas. Por exemplo a situação proposta em sala do maquinista do trem, que colocava como opções matar 5 pessoas ou matar uma. Há pessoas que preferem matar uma ao invés de 5, há pessoas que deixam o trem seguir seu caminho, mesmo que seja matar 5 pessoas. Cada pessoa tomaria uma atitude diferente, cada pessoa tem um pensamento diferente.

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  97. Sandel é um teórico que critica o pensamento liberal, mas seus pensamentos estão na corrente dos comunitaristas. A sua maior critica é feita soba teoria de Rawls.
    De acordo com Sandel, a moralidade obtida através da posição original sob o véu da ignorância é resultado de argumentos impostos, de razões arbitrárias. Contrariamente de Rawls, Sandel acredita que devemos avaliar as razões que são enfatizadas sobre os modos de viver.
    Rawls defende o indivíduo antes de considerar a comunidade, não considerando a sociedade como responsável pela formação da identidade dos homens. “Para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias”, a sociedade não tem importância para os debates éticos. Assim, Sandel apresenta a teoria de Rawls como de caráter deontológico liberal.

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  98. Michel Sandel não apresenta novas ideias ao debate das teorias da justiça, ao contrário disso - e como comunitarista - analisa os fatos isoladamente para compreender o senso de justiça. Sandel também retoma e inova alguns conceitos de Taylor, que analisa o homem segundo sua realidade concreta. O autor ainda faz críticas aos pensamentos de Rawls. A primeira crítica é que o estudo do homem em Rawls é metafísico, colocando o homem em uma posição "hipotética", isolado do mundo ou do modo de escolha de vida. A segunda crítica é do individualismo dentro de uma sociedade, assim sob a luz de Rawls, o indivíduo tem posição de destaque e rompe com a sociedade qualquer relação existente.Uma terceira crítica de fundamenta na posição do ser humano na sociedade; em Rawls vemos que o indivíduo antecede a sociedade - ou seja, algumas concepções pessoais não são atreladas a concepção social; aqui a visão mais comunitarista de Sandel aparece.
    Sandel coloca Rawls numa situação mais 'Metafísica' e até utópica sobre as teorias da justiça, apontando o caráter pouco realista de sua configuração. Então nos mostra como sua teoria pode ser falha e parecer irreal, quando se observa a realidade.

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  99. Sandel é um teórico que mostra exímia habilidade no que diz respeito a formulação de debate na atualidade. Partidário de ideias de cunho comunitarista, mas não se sentindo tão confortável com tal filiação de suas ideias, ele vem dar continuidade as ideias de Taylor.

    Sua crítica vai em direção as ideias de Rawls, entendendo que este, adota uma concepção abstrata do ser humano, excluindo os fins que as pessoas escolheram para viver. Sandel se utiliza destes fins excluídos em sua análise quanto a moral. Para ele, a melhor forma de se entender a moral é dada pela análise das ações individuais de acordo com fins e maneiras de viver que as pessoas adotam.

    Ele também critica mais duas noções tratadas por Rawls: 1) critica vai ao encontro do que Ralws coloca como Véu de Ignorância onde os argumentos, segundo Sandel, são resultados de imposições a sociedade, e que tais argumentos geralmente se estabelecem de maneira arbitrária; 2) Dado esta noção de argumentos impostos, a sociedade não construiria uma noção de justiça, sendo que esta também já seria dada. Segundo Sandel, há uma visão subjetivista e imperativa da moralidade na teoria de Rawls.

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  100. Michael Sandel é um pensador liberal que segue a linha comunitarista, embora não goste de ser rotulado como um seguidor desta linha de pensamento. Sandel acredita que o comunitarismo muitas vezes implica na ideia de que todos os valores que prevalecem em qualquer comunidade e em qualquer momento, definem o que é justiça e os direitos ques as pessoas tem, o que cria um certo autoritarismo.

    Sandel aponta para a impossibilidade de existência de neutralidade em questões mais relevantes que englobam questões morais e religiosas (como o aborto, por exemplo). Sandel contrapõe os liberais clássicos que porpõem que em questões que englobam questões morais e religiosas deve-se ser neutro, uma vez que não existe um consenso sobre a moralidade e a religião. Para Sandel, uma neutralidade não é possível, e mesmo que seja, não é desejável.

    Grande questionador das ideias de John Rwals, Sandel possui pontos de concordância com o autor também. Assim como Rawls, Sandel não cre que pessoas que possuem mais dinheiro o merecem moralmente porque são mais virtuosas que as outras. Por outro lado, Sandel, diferente de Rawls, não acredita que devemos pensar que falar de justiça se trata de abstrair todo o particular que existe em nós como seres humanos; Sandel propõe que a reflexão e deliberação moral devem proceder des diferenças entre os indivíduos, uma vez que elas nos faz quem realmente somos.

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  101. Sandel pode ser tomado como um autor comunitarista, que se impõe contra o modelo teórico liberal que tenta tratar da justiça dentro das sociedades.
    Uma das maiores críticas ao liberalismo se dá por Sandel a Rawls, que em sua obra expõe conceitos como "véu da ignorância" e "posição original", criticando o homem abstrato de Rawls dado dentro desses conceito, sendo esse homem uma abstração tão grande que não seria viável tratar desse dentro de uma teoria que pretende colocar oque é justiça nos dias atuais, já que não existiria um homem qual conseguiria um grau de abstração tamanho a se separar de suas crenças, valores preconceitos, cultura e convicções para o cumprimento de tal teoria. A teoria de Rawls possuiria um grande valor teórico, mas não prático.
    Segundo Sandel, o indivíduo teria essas características já citadas (crenças, valores preconceitos, cultura e convicções )definidos pela comunidade e seu senso de justiça viria de dentro da linguagem racional e da "tradição" (moral) desta à qual esse faz parte, existindo assim sensos de justiça diversos, de comunidades para outras, e mutáveis. Sandel ressalta a importância do debate, para que possamos construir uma concepção de justiça.

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  102. Este comentário foi removido pelo autor.

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  103. Sandel é conhecido pela sua crítica ao conceito de Rawls sobre liberdade. O autor critica a concepção de Rawls na qual os indivíduos de uma sociedade deveriam partir do “véu da ignorância” para formar uma sociedade na qual as leis, direitos e deveres sejam justos para todos. Sandel julga impossível, nos dias de hoje, que uma sociedade se submeta ao véu da ignorância, deixando de lado todas suas concepções e opiniões já formadas sobre determinado assunto, para que assim sejam estabelecidos novos conceitos de liberdade e justiça. Outra crítica que é possível notar que o autor faz a Rawls diz respeito ao senso de justiça de cada indivíduo, Rawls diz que este senso é inato de cada um, enquanto Sandel diz que esse senso é “moldado” a partir de acontecimentos na comunidade, portanto além de não ser inato ele é mutável, pois a partir do momento que ocorre algum outro acontecimento marcante nesta comunidade o senso de justiça pode ser alterado.
    Sandel parte de uma corrente comunitarista, contrária a de Rawls, que é liberalista e individualista, ou seja, para Rawls é o indivíduo que molda a sociedade em que vive, enquanto para Sandel o indivíduo é moldado pela sociedade.
    Julgo as críticas de Rawls condizentes, pois a teoria de Rawls parte de abstrações, e a partir de abstrações não é possível chegar em resultados concretos, que sejam úteis à vida prática

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  104. [atrasado]

    Bastante do que se vê na teoria elaborada por Michael Sandel foi vista quando estudamos Charles Taylor. Foi bastante interessante trocar a ordem dos autores, apesar de que nos foi ressaltado que os autores não seguem uma linha cronológica. Falando sobre Sandel, assim como os comunitaristas (ele não se auto identifica como fazendo parte desta corrente), ele critica o pensamento liberal e neste trecho, especialmente John Rawls. Assim como Taylor e outros, faz critica a real aplicabilidade de alguns conceitos da teoria de Rawls. Por exemplo, os casos do véu da ignorância e posição original, e da sobreposição do que é justo sobre o bem.

    Para Sandel, o véu da ignorância consistiria em colocar um indivíduo que possui cultura numa posição utópica aonde este se desproveria de todas as características que o fazem ser ele mesmo, ou seja, tornar-se-ia um ser aculturado - inconcebível ao pensamento de Sandel.

    Sandel aponta uma sobreposição do justo sobre o bem na teoria ralwsiana, como um certo alicerce utilitarista, que segundo ele, implicaria numa moral deontológica, que consistiria em considerar as obrigações morais reconhecíveis por intuição e sem referência a concepções do bem. Na percepção de Sandel as concepções de bem e de justo devem ser ponderadas. Sandel acredita na diferença entre comunidades, sendo assim, também em um conceito de justiça variável, ponderando certas particularidades em visões de bem e modos de vida.

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  105. Sandel é um autor comunitarista, que teceu forte critica a filosofia de Rawls. Para Sandel, Rawls faz muitas abstrações em suas teorias e muitas delas não se apresentam na vida real, assim como o véu da ignorância, Sandel diz ser impossível alguém se despir dos seus preconceitos para fazer um julgamento por inteiro isento. Para os comunitarista, no caso Sandel, o ideal de justiça é móvel, ele se transforma com o passar do tempo e espaço, muito influenciado pela cultura e tradições de determinadas comunidades. Para Sandel o individuo é definido pela comunidade, portanto o seu senso de justiça seria mutável também, por esse motivo os debates éticos teriam o objetivo de concluir sensos mais justos e mais próximos da perfeição.

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  106. [atrasado]

    Michael Sandel dará continuidade ao debate a respeito da Justiça, não propondo uma nova teoria, mas através das críticas direcionadas à teoria elaborada por John Rawls.

    Ele discorda de um dos elementos essenciais que compõem a teoria rawlsiana: o véu de ignorância. Em Rawls, cada indivíduo carrega em si um senso de justiça anterior à sua própria existência. Despidos de todas as suas preferências ao serem envolvidos pelo véu na posição original, os indivíduos dialogariam sobre os princípios da Justiça, sem contaminá-los com seus interesses e ideologias. Somente após o estabelecimento desses princípios é que retornaríamos à sociedade para analisar as condutas de cada indivíduo, examinando se elas estariam ou não de acordo com o proposto.

    Para Sandel, a situação apresentada por Rawls é extremamente artificial, sem aplicação concreta, pois transporta a discussão para um campo metafísico. Nossas concepções são importantes para elaboração de uma teoria da Justiça, pois são justamente os pressupostos que formam a moralidade do ser humano o que definirá a conduta por ele adotada. E isso é intrinsicamente ligado ao meio em que vive, às pessoas com as quais convive, às situações as quais vivenciou.

    Tomo a liberdade de me basear na explicação dada pelo Profº Peluso em sala de aula para finalizar esse comentário: para Sandel, as pessoas são livres para escolher sua maneira de viver; a ética se relacionará à justificação da minha própria conduta, examinando se as ações que a compõem estão de acordo com a maneira de viver que adotei. Para Rawls, as pessoas não são livres para escolher a maneira que preferem viver. A ideia de justiça pressupõe a conduta; aquilo que é justo não depende de nós, pois é anterior ao ser humano e sua maneira de viver deve ser decorrente da concepção de Justiça que foi estabelecida.

    Apesar de apresentar claramente traços comunitaristas em seu discurso, Sandel não se considera um por discordar do caráter majoritário e relativista que o comunitarismo pode assumir em certos casos. Além disso, não discorda totalmente de Rawls (concordando, por exemplo, com as ideias de redistribuição e de que aqueles mais bem afortunados não seriam mais virtuosos que outros, com exposto na entrevista dada a La Ciudad) e admite que o autor servira colaboração inigualável para o debate acerca da Justiça.

    Danielle Bello
    RA: 21022112

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  107. Michael Sandel, teórico comunitarista, acredita que são inconcebíveis as ideias de Rawls na criação de um “contrato social”, no qual visa inserir o indivíduo na posição original sob um “véu de ignorância”, colocando a ideia de indivíduo antes da de comunidade. Porem para Sandel os indivíduos tem que ser considerados dentro de suas comunidades, como elas os influenciam (cultura, tradição, religião) na criação de seus valores, portanto, a concepção de comunidade tem de vir antes da de indivíduo.
    O autor também faz críticas a visão Deontológicas de Rawls, em que há a preocupação nos motivos que geraram a ação e depois se pensa em suas consequências. Enquanto Sandel tem uma postura teológica, que tem como preocupação as consequências das ações.
    Sandel não vê como possível a existência de apenas uma ideia de bem e um modo de vida, pois são influenciados por outras visões de bem e modos de vida da comunidade que habita. Então é preciso gerar a concepção de justiça e moral a partir do encontro dessas ideias de cada indivíduo, e não faze-los se adaptar a algo já pré-estabelecido.

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  108. Michael Sandel é, para mim, um pensador peculiar. Discípulo de Taylor, este foi o orientador do seu doutorado – e aquele foi fortemente influenciado por seu “tutor”, o qual abordou a linguagem no campo moral. Assistindo as suas aulas e lendo os seus textos, achei interessante notar que ele, diferente de outros autores vistos anteriormente no curso, não possui uma verdade única e absoluta sobre o tema da própria justiça – para ele, é importante saber contextualizar a situação que se está escolhendo, e ao fazê-lo, se mostra um grande crítico de Rawls – já que este acredita que a justiça seria algo maior, que foi feita a partir de um suposto “véu da ignorância”.
    Sandel não consegue ver a concepção rawlsiana desse véu supracitado e de uma posição original de todos os seres. Para ele, não é possível uma pessoa simplesmente se desligar de seus desejos e anseios para que seja feita, a partir disso, uma teoria da justiça ideal. Suas crenças, religião, vivências e pensamentos devem ser sim levados em consideração na concepção da justiça – não é possível isolar o debate moral da sociedade e de seus preceitos.
    Em suas palestras sobre justiça, o autor não quer entregar um resultado, um veredicto de cada caso de justiça, e sim quer que haja todo um debate em torno de situações cotidianas, fazendo com que os alunos se contraponham em seus pensamentos e tentem formular argumentos válidos para o seu próprio senso de justiça e moral – a argumentação é importante para ele na construção de um cenário e de uma justificativa de comportamento – é como se cada um fosse capaz de formular e de pensar no que é justiça para si mesmo, e isso deveria valer.
    Podemos interpretar essa multiplicidade de interpretações e de contextos para justificar comportamentos e ações como dualismos – estes que são uma tentativa de Sandel ede mostrar que a Justiça, a Moral e a Ética são, por vezes, ambíguas e de difícil definição. A moralidade da ação seria definida pelo contexto. Os jogos com o relativismo que ele faz incitam ainda mais o debate. Por exemplo, por que escolher matar um ao invés de cinco em uma situação de acidente seria diferente de matar uma pessoa saudável em um hospital para salvar cinco pessoas que precisam desesperadamente de órgãos, se em ambas as situações você se utiliza do mesmo princípio? Por que uma delas parece mais certa do que outra? Ao brincar com esse relativismo, em suas aulas, Sandel apresenta desde Bentham até Hume e Kant para expor várias visões diferentes de um comportamento – o que eu acho enriquecedor para fortalecer ainda mais o debate.
    Na sua visão, a Ética não pode ser imposta, e sim deve ser discutida. Em suas aulas, chega-se – ou pelo menos tenta-se – chegar a um consenso entre as várias partes envolvidas na discussão. Enxuga-se o argumento até que sobre os pontos mais essenciais da discussão e uma possível solução moral e justa para o problema. Em Sandel, a discussão vale mais do que a solução em si.

    Carolina Carinhato Sampaio
    RA: 21011912

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  109. Michael Sandel é comunitarista, professor da Universidade de Harvard e famoso por sua qualidade de retórica e discussões de temáticas cotidianas. Crítico de Rawls, e nessa obra, do liberalismo, afirma que suas concepções metafísicas e conceitos como posição original e véu da ignorância são falhas, pois as pessoas não podem se desvencilhar da cultura, das crenças e de suas convicções. Sendo assim, Sandel não acha possível a existência de um Estado neutro - e me vejo obrigada a concordar, já que não enxergo a possibilidade de um indivíduo se desvencilhar de todo o contexto de uma vida, desde opiniões até comportamentos que lhe são impostos em uma sociedade, por exemplo – e acaba por afirmar que qualquer pessoa tem a possibilidade de concluir o que é ou deixa de ser justo (graças ao senso natural que construímos de acordo com nossas experiências).

    É crítico também da maneira de se fazer justiça, e opta por investir em discussões que permitem aos espectadores avaliações diversas, e mais ainda, a possibilidade de não se obter uma resposta definitiva para o caso exposto. Logo, a ética está na justificativa e na argumentação.

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  110. Michael Sandel é um autor cuja corrente de pensamento pode ser comumente associada ao comunitarismo, embora não concorde com todos os pressupostos da mesma. Esta corrente, por sua vez, buscou superar a eminente consolidação do modelo teórico e prático liberal da época. Sandel é conhecido por ser um dos filósofos contemporâneos que mais critica a vertente de Rawls sobre o conceito de justiça.
    Segundo Sandel, Rawls inovou o pensamento filosófico de sua época revelando uma visão igualitária liberal. Contudo, critica principalmente os conceitos de “véu da ignorância” e de “posição original” apresentados na obra “Uma Teoria da Justiça”, alegando que estes argumentos possuem razões arbitrárias. Sandel aponta aqui uma falha na teoria rawlsiana: não deve haver a universalização do conceito de indivíduo, uma vez que são desconsideradas suas particularidades advindas de aspectos como história, crenças, convicções e cultura que conferem singularidade ao ser. Destaca, portanto, a impossibilidade de o indivíduo escolher o Estado neutro, visto que este é guiado por seus preceitos morais e sociais.
    Esta condição de colocar a justiça como o princípio mais importante é vista por Sandel como indequada e inatingível, já que pressupõe a concepção de comunidade como sendo posterior à de indivíduo. Para o autor, a sociedade é que constrói e define as noções de justiça. Assim, propõe que deve haver o debate a respeito dos princípios, costumes e ideais presentes na sociedade para que seja possível, através de consenso, alcançar a justiça; de maneira que o bem-estar na sociedade seja contemplado através dos instrumentos de justiça desenvolvidos.

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  111. Sandel não apresenta na verdade uma proposta de teoria da justiça,e critica fortemente a Teoria de Rawls do ‘véu da ignorância’ como primeiro estágio para que se faça o exercício moral e chegue-se à uma concepção de justiça, diz que à medida que Rawls ignora que as pessoas escolhem modos de viver, acaba por retirar a identidade do individuo, tornando-o, então, um individuo abstrato.
    Sandel acredita que nossas decisões morais dependem sim das circunstâncias nas quais estamos inseridos, pois enquanto indivíduos, adotamos certos valores morais como base para as nossas vidas. Dessa forma, sem o desejo intrínseco de ser perfeito, não há moralidade, e sem moralidade não há ética.
    Para Rawls, há algo que se sobrepõe às vontades das pessoas. Há uma ideia de justiça pré-definida, e com base nisso, as pessoas agem de maneira moral quando obedecem a essas normas. O indivíduo não é livre para escolher sua maneira de viver, muito pelo contrário, é coagido a agir da maneira “correta” difundida pela sociedade. Sandel critica esta postura de Rawls, pois discorda com esta concepção na qual o indivíduo seja menos importante do que a sociedade, visto que o mesmo é fruto das relações sociais.
    A critica à Rawls refere-se ao fato de que a visão de humano proposta por esse autor é totalmente desligada da realidade, pois destituí do indivíduo toda sua bagagem emocional, cultural, suas crenças, em suma, sua identidade, durante o exercício moral. Na teoria de Rawls é imperativa, uma vez que constrói-se uma concepção de justiça e essa é imposta à comunidade, onde os modos de vida e as ações são julgadas como justas ou injustas a partir desse parâmetro já estabelecido, desconsidera que as ações morais são circunstanciais e não dá espaço para que os modos de vida se defendam como justos.Sandel vê ainda como impossível a idéia de Rawls de que o individuo pode sozinho chegar à idéia de justiça, satisfazendo por si mesmo os pressupostos necessários.
    Em termos jurídicos, Sandel busca defender que para se obter a justiça como “a virtude primordial”, os indivíduos devem manter certa distância sobre algumas circunstâncias. Para ele, a concepção de liberalismo falha a partir do momento em que é colocada em evidência a possibilidade de “escolha voluntária dos fins”, o que impede a capacidade de percepção e compreensão ética e política dos indivíduos.

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  112. Sandel Michael J., Acredita que ética e do Jeito que as pessoas debatem, que o juízo moral é resultado desse debate, a escolha no momento da ação dependendo da história que viver.
    Professor da Universidade de Harvard, está inserindo nos chamados comunitaristas, mesmo não gostando desse rotulo, pois defende que o comunitarismo enfatiza a conexão entre o indivíduo e a sociedade, argumentando que a individualidade e produto dessa conivência em sociedade e não das características individuais. Sua obra opõe- se ao liberalismo.
    Seu principal alvo é Rawls, por acreditar que se é possível alcançar a justiça a partir da elaboração de um contrato social, onde as pessoas adotariam a posição original, e estariam com o seu do véu de ignorância e do equilíbrio reflexivo, abrindo mão de seu modo de vida e e suas concepções pessoais. Sandel concebe uma pluralidade de modos de vida. Defendendo assim que justiça está em fazer que esses diferentes estilos de vida convivam entre si.
    Portanto não acredita que essa concepção do indivíduo de Rawls, capaz de se livrar de suas concepções pessoais, é abstrata e insuficiente, uma vez que admite o indivíduo como inferior à sociedade, e não como resultado das interações sociais, como deveria ser. Essas interações sociais criam características nos indivíduos que não devem ser deixadas de lado.

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  113. Colocando a metafísica e a abstração de John Rawls, abstraindo os valores individuais dos elementos da sociedade, Sandel faz sua crítica a Rawls, de maneira que a pluralidade esteja presente na sociedade, e que os elementos de uma sociedade justa seja garantir que todos os valores vivam harmonicamente entre si. Sua crítica a abstração de Rawls é fundamentada na questão de que não existe possibilidade de haver justiça sem considerar a cultura e os elementos individuais. Dessa forma, com uma ligação ao pensamento de Taylor, Sandel mostra sua tese muito próxima ao comunitarismo, porém não toma posição como um legítimo comunitarista. Porém, sua proximidade é realmente grande, pois acredita que os valores das culturas, e do meio social em que está inserido o indivíduo interferem diretamente em seu pensamento e no seu comportamento, sendo uma divergência ao comunitarismo, o apoio da sociedade plural, mas não totalmente liberal, sendo assim, Sandel apoia a pluralidade, mas coloca que ajustiça só pode existir se a pluralidade for algo que não interfira no bem estar da sociedade, ou seja, defende que as culturas devem viver harmonicamente, e isso seria a justiça, sempre priorizando a racionalidade e os debates e elementos concretos, livres de abstrações.
    Sandel coloca muitos exemplos cotidianos e deles retira suas teses, e isso reforça a contraposição a Rawls, pois torna-se muito mais coerente colocar exemplos palpáveis e que possam ser considerados efetivamente eficazes, como os dados pelo autor.
    Portanto, não sendo um comunitarista, Sandel aborda a cultura como fruto da busca pela justiça e da pluralidade como motivação na busca pelos debates racionais e consensuais, se aproximando às teses de Max Weber, na busca pela racionalidade em conflitos sociais de culturas divergentes ou simplesmente não consensuais.

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  114. O texto de Sandel é uma crítica à teoria de Rawls sobre a justiça. Sandel diz: “ o conceito de direito de Rawls não se estende a moralidade privada, nem o faz qualquer outro instrumento de distanciamento salvo o bem das implicações profundas nos desejos e anseios existentes do agente.”
    Sandel fala que a teoria de Rawls se coloca sobre um plano de fundo utilitarista, “ Onde a justiça com equidade rejeita o utilitarismo como base da moralidade social ou pública, não há argumento aparente contra o utilitarismo como base da moralidade individual ou privada”.
    Há duas definições sobre o que seria um “sistema de desejos”; 1. “ é um arranjo de desejos ordenados de uma certa forma, arranjados em hierarquia de valores relativos ou conexão essencial com a identidade do agente” ou 2. é simplesmente uma concatenação de desejos arbitrariamente dispostos, distinguíveis apenas por suas intensidades relativas e locação acidental. Se é o segundo, então não está claro por que Rawls leva tão a sério moralmente e metafisicamente a separação deles. Se o primeiro, “então não seria mais justificável “fundir” desejos em pessoas do que entre pessoas, e o que é errado no utilitarismo também seria errado, a esse respeito pelo menos, na justiça com equidade.”
    Sobre o problema epistemológico-moral da justiça de Rawls, o mesmo precisa de condições específicas para estabelecer as condições de justiça. Enxergo isso como um problema na justiça de Rawls quando pensamos que, ao estabelecer determinados pressupostos, alguns indivíduos são deixados “do lado de fora” da discussão sobre jstiça. No entanto, também compreender o esforço de Rawls em tentar apresentar um pensamento reflexivo para um debate através de seus exercícios mentais (que dependem de certos pressupostos). Realmente parece que a justiça de Rawls atribuiu absolutamente certos eventos, preferências, como “boas” e outras como “ruins”, o que deixa de lado aspectos do “comunalismo” que existe na sociedade.
    Sandel também argumenta sobre os problemas envolvidos com a visão deontológica do ser social e como existem contradições entre a justiça de Rawls e o funcionamento social. A visão deontológica coloca que um ser “obedece”, “tem suas ações geradas” a partir de um certo conjunto de virtudes. Ao mesmo tempo, é sugerido que esse conjunto de virtudes é compreendido apenas pelo ser que o detém e não pode ser compreendido, de fato, pelos outros que a rodeiam. O ponto de vista deontológico de Rawls, parece sugerir a visão individualista dessa maneira, mas, ao mesmo tempo, sugere agentes de escolha que não são exatamente escolhidos. Ainda sobre isso, acredito que o grande problema da justiça de Rawls esteja em presumir que são as virtudes, os valores, que determinam as ações dos sujeitos. Acredito que, na verdade, haja uma propensão muito maior aos sujeitos terem suas ações motivadas por seus desejos, onde a finalidade da ação acaba recebendo um papel preponderante aos “valores” concebidos.

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  115. Michael Sandel é um filósofo contemporâneo que dará continuidade ao debate sobre justiça, não propondo uma nova teoria, mas criticando a teoria elaborada por John Rawls, que tem como fundamento o “véu da ignorância” como sendo o primeiro estágio para que se faça o exercício moral e chegando assim a uma concepção de justiça.

    A crítica de Sandel a Rawls refere-se ao fato de que a visão de humano proposta por esse ator é totalmente desligada da realidade durante o exercício moral, pois destitui do indivíduo toda a sua bagagem emocional, cultural, suas crenças, ou seja, sua identidade. Despidos de todas as suas preferências, os indivíduos dialogariam sobre os princípios da justiça, sem contaminá-los com seus interesses e ideologias. Seria somente após o estabelecimento desses princípios que retornaríamos à sociedade para analisar as condutas de cada indivíduo.

    Para Sandel, a situação que Rawls apresenta é extremamente artificial e sem aplicação concreta, pois transporta a discussão para um campo metafísico. Em sua visão, o exercício moral resulta de um diálogo sobre as formas de vida. Para ele, dentro da comunidade há uma gama enorme de identidades refletidas em uma gama de formas de vida e racionalidades, portanto a discussão sobre as definições do bem, derivada das relações entre diversas subjetividades, faz parte da constituição da justiça.

    Assim como dito acima, Sandel não tem como objetivo propor uma construção do que é justiça, seu objetivo é, a partir do diálogo em que os participantes defendem seu modo de vida e sua noção de bem, a comunidade tenha a possibilidade de estar em contato com várias subjetividades e assim poder construir seu conceito de justiça.

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  116. Michael Sandel apresenta-se como um dos poucos autores comunitaristas até então estudados no curso. Em sua obra "Liberalism and its Critics" faz uma análise crítica do modelo liberal e apresenta também sua posição a respeito da teoria da justiça proposta por John Rawls.

    De acordo com Sandel, o problema central na teoria da justiça como equidade proposta por Rawls estaria na ideia do "véu da ignorância". Para ele é impossível que um indivíduo não considere suas vontades e preferências na hora da tomada de uma decisão moral e, que, portanto, o indivíduo estudado por Rawls é abstrato, assim como a elaboração do "contrato social".

    Além disso, Rawls em sua teoria mostra-se defensor do liberalismo, cujo principal fundamento está na ideia de que a separação individualista dos seres humanos garante a liberdade de viver como se desejar - respeitando as liberdades individuais de outrém. Sandel, comunitarista, se opõe a essa ideia, pois "Se nos considerarmos seres absolutamente livres para fazermos o que quisermos sem nenhum impedimento moral de valores sociais que não escolhemos, todas as obrigações de solidariedade e lealdade que seguimos perderiam seu sentido." (MALUF, 2012)

    Camila Almeida A. de Souza
    ccamila@aluno.ufabc.edu.br

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  117. ATRASADO!!!

    Sandel é alvo de muitas criticas dada sua acessibilidade. Há quem diga que ele é o “Paulo Coelho” da Filosofia, afinal de contas, estamos lidando com um autor de best-sellers, cuja originalidade consiste em revisitar/criticar/aplicar teorias alheias com roupagens convincentes. Diferindo de filósofos contemporâneos, há características que agregam valores que o destacam dentro do debate ético. Michael Sandel procura embasamentos reais, palpáveis, assuntos polêmicos e que dividem opiniões, assuntos que aparentemente careçam tem pautas explicativas convincentes. Temas estes amplamente evitados por demais pensadores e formadores de opinião.

    “If desire can be conflated within persons, why not between persons?”, nesta frase, Sandel, que comentava sobre um dado “Sistema de desejos” de Rawls, explicita, usando de certa ironia, uma fraqueza na teoria da justiça do filosofo criticado. A sentença aponta que se as vontades pessoais podem ser reguladas(discutidas sob um espectro de justiça) dentro das pessoas, qual razão justificaria o fato de que elas não poderiam ser reguladas entre as pessoas. Em suma, Rawls critica a veia metafísica que a Justiça de Rawls assume. Uma falha em Rawls que Sandel difunde quando explica que o papel da justiça é remediar os problemas sociais enfatizando a distinção entre as pessoas e ressaltando a separação dos diferentes “sistemas de desejos”. Rawls teria proposto uma Justiça na qual o “sistema de desejos” seriam formas de organizar atitudes dentro de um plano social e de justiça, seriam expressões de preferências arbitrarias e individuais que iriam se aproximar de uma concepção de Justiça/comportamento moral antes mesmo de se definir o conceito de “Bem”. Sandel entra neste ponto rebatendo que isso seria impossível, visto que há um pressuposto metafísico sobre os indivíduos que os levaria a agir moralmente sem uma Justiça previa a essas ações. Segundo Sandel, não existe Ser Humano que possa agir moralmente sem se pautar das circunstâncas de sua existência/ação. A moralidade não pode ser abstrata como sugere Rawls na forma a compor sua teoria da Justiça. A moralidade exige debates que tratem de objetos concretos.

    Em Rawls, é posta uma necessidade de compor os alicerces nos quais a Justiça irá se construir, ou seja, tudo aquilo que é prioritário e anterior. Não poderíamos falar de Justiça sem se propor uma prioridade mínima: o debate de Justiça deve ser feito por indivíduos de profunda sensibilidade ética, tocados pelo chamado “véu da ignorância”. Outro ponto critico em sua obra. Sandel rebate novamente dizendo que os indivíduos não poderiam ser retirados de suas situações de forma a abstrair totalmente e suas situações concretas. Sandel não enxerga realidade neste ente imaginário que produz falsas representações de nossa experiência moral. Extremamente subjetiva a idéia de um único ser, sozinho, excluído e enclausurado encontrar respostas objetivas sobre um assunto que envolve uma racionalidade que é, por excelência, coletiva. A comunidade não tem papel na teoria de Rawls, os indivíduos seriam auto-suficientes para conclusão da Justiça. Rawls tem uma teoria inócuo pq não move as pessoas. Sandel vai na contra-mão, ele tenta, a todo custo, as provocar.
    Livia Maria Cianciulli
    21012612

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  118. Jonatas Silveira de Souza;
    RA: 21040912

    [ATRASADO]

    Em Sandel mais uma vez podemos vez – assim como em Berlin – podemos ver o lado ambíguo do debate que nos encontramos. Assim como Taylor ele traz o homem para um plano de análise mais concreto, longe das abstrações de Rawls. Novamente temos um confronto com as idéias de Rawls, dessa vez sendo uma crítica mais robusta em conteúdo e mais interessante, pois denota as idéias que Sandel crê. Ele é um autor comunitarista a crítica a Rawls é quase que natural. Sandel crítica a concepção metafísica do ser encontrada em Rawls, “O problema com a teoria de Rawls, sobre o 'bom', reside tanto em alicerces morais quanto epistemológicos, o que leva a problemas com a conexão entre o 'bom' e o 'justo'”. A concepção de Rawls levada à prática pode levar o indivíduo a práticas com um raciocínio consequencialista e não agindo por imperativos categóricos. Sandel também crítica a posição dos valores hierarquizados, sendo os valores organizados de tal maneira “então não seria mais justificável ‘fundir’ desejos em pessoas do que entre pessoas, e o que é errado no utilitarismo também seria errado, a esse respeito pelo menos, na justiça com equidade”.

    Uma comunidade na concepção de Sandel, não é se um grande número dos seus membros tem em seus vários desejos o desejo de se associar uns com os outros, “mas se essa sociedade é ela própria uma sociedade de certo tipo, ordenada de uma certa maneira, tal que essa comunidade descreve sua estrutura básica e não meramente a disposição das pessoas dentro da estrutura. Para uma sociedade ser uma comunidade em seu sentido forte, a comunidade deve ser constituinte do auto entendimento compartilhado pelos participantes e encarnado em seus arranjos institucionais, não simplesmente um atributo do plano de vida de certos participantes.” Mas partindo deste ponto, temos o risco de cair em um relativismo cultural. Mas creio que mesmo assim, com essa permissividade existam valores que são categóricos, como o da vida humana e que deveria ser respeitado independentemente da cultura.

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  119. Com a afirmação de que a concepção de Rawls sobre os indivíduos é insuficiente e idealista, e que esta desconsidera as particularidades e diversidades que existem entre as pessoas, Sandel se mostra como um crítico da teoria rawsiana sobre o conceito de justiça.
    O filósofo contemporâneo e comunistarista acredita que a possibilidade de haver uma teoria da justiça que contemple a todos só será concretizada se não houver a universalização do conceito de pessoas e a desconsideração de seus valores e o contexto que estão inseridas. A justiça tem que abranger todas as diversas concepções existentes na sociedade.

    Para Sandel, essa consideração é crucial, pois os indivíduos não conseguem e não podem se afastar de suas essências, e é inviável o estabelecimento de um conceito comum e que favoreça a todos em suas singularidades.
    O autor afirma que os princípios, costumes e ideias dos indivíduos devem ser discutidos para que o bem-estar da sociedade na qual ele está inserido seja alcançado de forma plena através dos próprios instrumentos de justiça.

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  120. Sandel é um critico das concepções de J. Rawls a respeito do conceito de justiça e sua teoria. Ele afirma que Rawls não cuida das concepções dos indivíduos que adotam um bem para si, no sentido de modo de vida. Justiça tem a ver com estratégia de como conviver com diferentes modos de vida. Não se trata da divisão das riquezas, de forma a se atuar sobre os indivíduos para se obter justiça, mas sim de construir debates mais comunitaristas visando à possibilidade de que todos tenham acessos às mesmas oportunidades e modos de vida. O estilo de vida que leva a riqueza não é ilegítimo só porque têm acessos a mais recursos do que os pobres, é uma consequência dos modos de vida que o individuo escolhe e das oportunidades que lhe são oferecidas que o levará a este fim.

    Para Sandel, a visão que o Rawls tem da argumentação moral, do debate sobre justiça, é uma proposta que traz um debate arbitrário, pois não considera as distinções quanto aos sensos de justiça dentre comunidades. Há arbitrariedade ao adotar um modelo que defina universalmente os critérios da moralidade. O compromisso com a ética deontológica não traz consistência com o meio. A concepção de Rawls de individuo toma um nível abstrato, é uma construção metafísica que não condiz a pessoas concretas, à realidade; é uma definição que prescinde a essência, o conteúdo da própria comunidade ao trabalhar com abstrações. Não há problemas em discorrer sobre concepções metafísicas, ainda que elas tenham custos quanto à acidade dos fatos.

    A concepção de individuo que o pensamento liberal tem, é uma concepção insuficiente, pois concebe o indivíduo como algo que contraria a concepção da comunidade que o abriga. Tudo aquilo que determinado indivíduo pensa, age, sente etc. é espelho das relações realizadas dentro da sua comunidade. Sandel mostra que é levando em conta a bagagem dos indivíduos concretos que podemos chegar ao justo; é o debate moral a favor da justiça.

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  121. Sandel, critica duramente em sua tese o autor Rawls. Sandel acredita que as ideias de Rawls são incoerentes, pois se baseiam nas teorias do Véu da Ignorância e da Posição Original, e estas não são válidas para que o indivíduo possa obter um senso real de justiça.Para o autor, é impossível que as pessoas se desprendam totalmente de suas vontades para formar uma opinião e chegarem em um conceito de justiça.

    Ao contrário de outros autores que escrevem suas teses e tentam trazer soluções para a sociedade e para as quesões comportamentais individuais, Sandel em sua obra expressa a falta de verdade que existe na obra de Rawls, e através deste questionamento o autor nos coloca em uma posição de reflexão, nos dando a liberdade de pensar quais seriam as possíveis soluções.

    Quando critica o liberalismo adotado por tantos teóricos, o autor se coloca numa posição "comunitarista" que ao meu ver é algo totalmente verdadeiro. Não é imaginável que pessoas consigam se libertar totalmente de seus princípios e posições que a elas foram colocadas desde o início de sua vida. O homem é fruto do meio em que ele vive.

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  122. As críticas que Sandel faz às ideias de Rawls repousam na: concepção do indivíduo e da racionalidade deste, que baseia-se sobretudo no próprio indivíduo, e que desconsidera aspectos culturais, emocionais, etc.; na justificação falha que Rawls têm para considerar a justiça a principal virtude das instituições (e não o bem), ou seja, estas críticas claramente relacionam-se com as ideias de Taylor e suas próprias críticas ao liberalismo atomista. Critica-se, portanto, a existência de um indivíduo anterior à comunidade, que pode, de acordo com Rawls, racionalmente e independentemente de suas preferências, cultura, posição social e econômica, chegar à conclusão de que os princípios da justiça são os mais importantes e necessários para a sociedade (que é somente um modo de conseguir benefícios e cooperação mútua).
    Sandel não aponta uma nova abordagem para a problemática da justiça, somente faz uma releitura das ideias de Taylor (sobretudo a questão do atomismo e do 'pano de fundo') e indica que não existem soluções universais para tais problemas. Deste modo, mesmo que Sandel negue, me parece que ele acaba caindo em um relativismo: cada caso deve ser analisado de acordo com o seu 'pano de fundo', com a linguagem e os significados daquela comunidade, e não através de uma racionalidade puramente individual.

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  123. Nesse texto, Sandel se limita a criticar a teoria de Rawls. Em vários pontos, Sandel aponta para o mesmo lugar: a incapacidade da teoria de Rawls abranger uma comunidade e que ela possa assumir o papel que o indivíduo tem nessa teoria. Em síntese, Rawls diz que há um indivíduo anterior à comunidade, o que é o principal pilar da crítica.

    Porém, Sandel limita-se apenas a crítica e não tenta propor, nesse texto, uma nova abordagem da justiça, tendo apenas releitura dos escritos de Taylor e propondo, indiretamente, que "cada caso é um caso" e que não se pode analisar usando um raciocínio individual.

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  124. O comunitarista Michael Sandel faz críticas ao modelo liberalismo e as ideias defendidas por Rawls em sua obra. Cria questionamentos sobre a real possibilidade, em um Estado entendido como neutro, de criar um indivíduo que consiga se manter inatingível por qualquer cultura, crenças, além de não formular uma opinião sobre assuntos que o envolvem. Segundo ele, conceitos como o véu da ignorância e a posição original não seriam possíveis na prática (muito menos em temas cujo consenso geral, envolvendo questões e atitudes morais, não existe). Os seres humanos são livres para criar suas conclusões e decisões baseando-se em valores que constituem suas próprias concepções morais, e estes mesmos humanos não seriam capazes de se desligarem de seus valores e de toda a experiência acumulada com o decorrer da vida para a elaboração de um julgamento neutro.

    Sandel defende que o indivíduo é resultado da comunidade, indo novamente contra ao que foi pregado pelos liberalistas. Suas concepções de justiça e de injustiça não seriam estáticas, variariam de acordo com o período, lugar em que foram criados e a cultura assimilada.
    O mais importante sobre tudo o que foi mostrado sobre Sandel é o grande valor da discussão. As concepções de justiça e ética devem ser discutidas ao invés de serem impostas. Deve-se chegar a um consenso coletivo sobre o que as fundamentariam. Por ultimo, aconteceria um aprofundamento natural sobre os pontos fundamentais e como consequência teríamos uma resolução justa para a questão.

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  125. Michael Sandel não se apresenta como os demais pensadores contemporâneos que tratam a justiça como objeto de estudo. Ao invés de propor uma nova teoria da justiça, Sandel constrói seu pensamento através da crítica sobre as demais teorias já concebidas. Reconhecido, e também criticado por isso, Sandel populariza o debate sobre o que é justo trazendo o pensamento de outros grandes filósofos à luz de casos concretos e fundamentados na realidade. Temas polêmicos, problemáticas que os outros autores preferiram ignorar e problemas bastante atuais são constantes em seus debates.

    Comunitarista, Sandel desenvolve boa parte de sua crítica contra as ideias defendidas por Rawls. Para Sandel, a proposição de que o exercício moral deva acontecer em uma condição em que os indivíduos estão completamente afastados de seus interesses, assim como de suas emoções, culturas e crenças é uma situação demasiadamente artificial. O véu da ignorância, ferramenta que impediria que os conceitos de justiça fossem contaminados por interesses particulares, não é concreto, ele apenas distancia o debate moral em direção à metafísica.

    Sandel acredita que é impossível dissociar nosso pensamento moral de nossas vontades, na verdade o exercício moral é resultante de um diálogo, pautado na realidade concreta, sobre as diferentes formas de vida. Existe muita variedade de concepções do bem e de racionalidades dentro de uma sociedade, sendo expressa através de diferentes identidades. A discussão da justiça deriva justamente dessa gama extensa de subjetividades.

    Assim, Sandel não delimita uma teoria da justiça propriamente dita, ele acredita que nosso conceito de justiça deva surgir exatamente do debate que se dá entre as diferentes noções de bem e formas de vida que acreditamos serem válidas.

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  126. Sandel retorna à ideia de comunitarismo em seus estudos, questionando a posição do individuo na sociedade e sua relação com questões de moralidade, justiça e política.

    Criticando Rawls e sua proposição quanto à posição original, o autor questiona a vida em sociedade e a existência de um Estado neutro – uma ideia intangível – principalmente criticando o sentido de liberdade, como algo maior, uma auto-realização do indivíduo em si só, descrevendo-a como um objetivo utópico, já que não possui o aspecto narrativo de identidade.

    O autor ainda avança seus estudos pautado na questão do individuo e sua posição moral na sociedade, remetendo-nos à questão do “véu da ignorância” e um possível esclarecimento para o bem maior.

    Por fim, percebemos que o autor ainda se preocupa com a questão política, citando a ideia Aristotélica no cerne da questão, onde o “telos” – ou “propósito – da mesma seria a de possibilitar um questionamento de um sentido maior, à uma vida “boa”, elevando nosso caráter, aprendendo com os debates o sentido mais elevado de comunidade, perdido com o tempo.

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  127. Michal Sandel é contra o pensamento de John Rawls acerda do “véu da ignorância” como sendo o primeiro item necessário para o uso da moral em um julgamento de justiça. O autor não concorda com a visão de Rawls pois acha que não é uma proposta ligada a realidade já que propõe que o indivíduo se desligue de todo seu conteúdo adquirido ao longo de sua vivência, pede para que desconsidere suas emoções, suas crenças e sua identidade para que seja realizado um exercício moral.

    De uma maneira geral, para Sandel, o senso de justiça é algo que pode sofrer modificações com o tempo variando de acordo com as mudanças da sociedade que aquele indivíduo está inserido.

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  128. A obra, O Liberalismo e os Limites da Justiça, é a primeira crítica global ao modelo das teoriass de Rawls. Michael Sandel não quer simplesmente mostrar o penhasco existente entre a prática e teoria mas, sobretudo, evidenciar os limites teóricos de um liberalismo sustentado numa concepção tão frágil do indivíduo político e ético.

    Ao descrever a autonomia na escolha dos fins, Rawls concede ao sujeito uma prioridade moral absoluta sobre seus fins. A importância deste conceito nas teorias da justiça é reconhecida por Rawls. O que na verdade não fica muito claro em sua obra é a tese correspondente ao nível da antropologia filosófica que caracteriza a forma do que conhecemos como subjetividade humana.

    Sandel está determinado em sua crítica alcançar uma compreensão bem específica da natureza do sujeito humano e suas identidades. A partir da reconstrução antropológica das teorias rawlsianas identificou alguns pontos fracos. O primeiro com relação a condição excessivamente voluntarista do modo como nos relacionamos com nossos fins. No segundo, Sandel, crítica a imagem do sujeito ético como um indivíduo independente e dissociado de seus valores.

    Na verdade a intenção de Sandel é contestar a compreensão do sujeito ético e político presente nos textos de Rawls. É muito difícil explicar a importância dos compromissos, relações intersubjetivas e dos conflitos na construção da auto compreensão do sujeito ético político.

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  129. Por ser comunitarista, Sandel descorda do Liberalismo por seus ideais individuais. Sandel critica Rawls afirmando que a possivel criação de regras num estado inicial, não constituiria um acordo, pois se todos estão desprovidos de interesses, posição na sociedade, crenças e etc., não há debate, não há o que discutir ou debater, pois todos indivíduos acabariam por criar um único individuo. O véu de ignorância de Rawls seria impossível, não há possibilidade de pensar em um ser humano com tamanha abstração, somos seres concretos, inseparáveis de nossos fins.
    A tentativa de Rawls de pensar em uma sociedade justa, através do véu da ignorância é impossível pra Sandel, já que a justiça é compreendida através das relações sociais já existentes, os ínviduos são definidos e condicionados pelo meio social inserido, pela comunidade na qual está presente, o indivíduo é o produto das somatórias da vivencia em comunidade. A sociedade vista por Sandel é composta por diferentes estilos de vida que não seriam satisfeitos pelo liberalismo.

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  130. Michael Sandel critica a teoria de Rawls afirmando que este faz muitas abstrações, e que tais abstrações não se aplicam ao mundo real. Sandel acredita que ninguém jamais conseguiria se desapegar totalmente de sua raça, cultura, crenças e posições sociais e, dessa forma, a aplicação do “véu da ignorância” de Rawls torna-se inviável.

    Outra visão que Sandel critica da teoria de Rawls é a de que todos os indivíduos possuem um senso de justiça inato, para Sandel nosso senso de justiça se dá com a influência das tradições em que nos encontramos. Porém, isso não significa que todos os habitantes de uma mesma comunidade, e que compartilhem das mesmas tradições, possuam o mesmo “eu”, mas sim que essa comunidade e essa tradição serão responsáveis na definição desse “eu”. Além disso, o autor afirma que nossas tradições são mutáveis e, consequentemente, nosso senso de justiça também o é.

    Sandel não tem como objetivo elaborar a construção do que é composta a justiça, mas sim promover o diálogo entre diferentes indivíduos, com diferentes concepções do que é justo, diferentes modos de vida e noções de bem, para que assim a comunidade tenha a possibilidade de formular seu próprio conceito de justiça. Além disso, para o autor não se pode considerar os indivíduos como seres isolados, pois esses fazem parte de uma comunidade e, portanto, influenciam e são influenciados por ela. É a partir dessa interação que se torna possível o diálogo que, por sua vez, possibilita a criação de uma noção de justiça.

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  131. Michael Sandel, economista autor de "O liberalismo e os limites da justiça" a exemplo de alasdair macintyre, é um comunitarista, afirma em suas teorias que o indivíduo é fruto do meio em que está inserido, e que a somatória de experiências socias que aconteceram no ambiente, foi formando a identidade local e a influência que essa cultura impõe na formação da ética de conduta e das noções de bem e mal contidas nos indivíduos que participam desse contexto socio-político.
    É um crítico de Rawls e dos ideais liberalistas, a partir do momento em que passou a defender o comunitarismo, diz que a justiça e seus conceitos devem nascer do debate que ocorre entre as diferentes concepções de bem e de correto, envolvendo todas as noções atuais de sociedade e das diferentes formas como a sociedade se estrutura, acreditando na possibilidade de haver uma teoria da justiça que contemple a todos esses diferentes contextos nascidos de diferentes formações sociais.

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  132. Michael Sandel critica a impossibilidade de se praticar a teoria de John Rawls, que apresenta um indivíduo metafísico e uma concepção deontológica de moral, onde o indivíduo abstrato se desvencilha de sua bagagem social para buscar o bem, transformando a comunidade em algo desnecessário para o seu ser e onde, portanto, a Justiça aparece antes das noções de bem.

    Para Sandel, todos buscamos um fim através de nossas ações, que é o bem estar. Portanto, a ideia de um sujeito que é anterior aos seus próprios fins e a ideia do Direito anterior ao bem, é inconcebível. O debate moral deve tratar de objetos concretos. A vivência em sociedade interfere no processo de formação individual, e isso é algo inquestionável para o autor, que pode ser classificado como comunitarista, embora ele próprio não se rotule dessa forma.

    O autor deixa claro em suas entrevistas o quanto acha empobrecedor e até mesmo impraticável o ideal de separação completa entre política e concepções morais e espirituais dos representantes. "É verdade que a religião pode trazer para a política intolerância e dogmatismo, mas também é verdade que não apenas as convicções religiosas trazem esses males. O que devemos isolar da política é a intolerância e o dogmatismo, seja qual for sua fonte, para que possamos nos respeitar e debater, cultivando uma ética de respeito democrático", diz em entrevista à revista Época. [1] O autor inclusive chama a atenção, em outra entrevista, para o fato de que Barack Obama, quando candidato, soube trazer a questão espiritual para o debate político, sendo muito bem sucedido. Segundo Sandel, todos os representantes políticos deveriam trazer um discurso público moralmente robusto para a criação de uma vida democrática mais saudável. [2]

    A visão do mercado como um instrumento de bem mas que pode desfigurar outros valores importantes na sociedade é outro ponto de vista interessante do autor explicitado em entrevistas: "A economia de mercado é um instrumento para alcançar o bem público, uma ferramenta para a organização da produção. Uma sociedade mercado é algo diferente, em que tudo está à venda, em que as relações de mercado governam cada aspecto da atividade humana. Em muitas nações, não só nos Estados Unidos, há uma tendência de transformar uma sociedade com economia de mercado em uma sociedade mercado." [1]

    Referências:

    [1] "A política precisa se abrir à religião". Revista Época. Julho de 2012. Disponível em . Acesso em 14 out 2013
    [2] "Filósofo Michael Sandel discute limites morais do mercado financeiro". Portal O Globo. Outubro de 2011. Disponível em . Acesso em 14 out 2013

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    1. Não sei por quê os links não saíram =/

      http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/07/politica-precisa-se-abrir-religiao.html

      http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/10/29/filosofo-michael-sandel-discute-limites-morais-do-mercado-financeiro-413768.asp

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  133. A maior inquietação de Sandel em relação ao que foi conceituado por Rawls é a posição original. Isto porque o “privilegiado” que está nessa posição original pode selecionar os pontos de partida de justiça, assim como estabelecer outros objetivos a serem traçados sem conceber ordens de razão ou primazia. A partir disso é possível refletir sobre o significado do sujeito, pois essa suposta compreensão do ser ético parece não incluir a percepção do indivíduo nas relações subjetivas, acarretando certos conflitos para a autocompreensão entre fatores éticos e políticos. Apesar de toda essa contradição, o interesse de Sandel vai além de uma reformulação dos fatores deontológicos encontrados na obra de Rawls. O principal objetivo é o de obter um entendimento mais rebuscado sobre o significado de justiça dentro das perspectivas das práticas sociais.
    Sandel desconstrói o liberalismo se valendo de uma crítica comunitarista, ou seja, Sandel expõe que o indivíduo não está livre de amarras sociais, tampouco tem uma visão clara sobre si mesmo. A visão de Sandel é bem elaborada e argumentada, isto é, traduz de forma clara, objetiva e ricamente argumentada que o liberalismo tem falhas estruturais por utilizar como base duas abstrações irrealizáveis, o sujeito transcendental kantiano e a posição original idealizada por Rawls.
    Diante disso fica claro que o pensamento liberalista parte de dois pressupostos demasiadamente frágeis para a compreensão da realidade. Entretanto, são também grandes contribuidores para estabelecer idealizações e abstrações.

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  134. Michael Sandel é um filósofo comunitarista que critica o liberalismo e a teoria de Rawls em sua obra, principalmente por essa assumir conceitos deontológicos e ser regida pela metafísica. Sandel critica Rawls também pelos conceitos de posição original e do véu de ignorância para se julgar o que é moral e justo na sociedade, pois de acordo o mesmo é impossível estabelecer tais condições.
    Assim como MacIntyre, o autor acredita que o indivíduo é resultado da comunidade e não o oposto, que é colocado por Rawls de que o conceito da pessoa vem antes da comunidade, pois Sandel defende as condições que já estão estabelecidas no meio que um ser nasce, ou seja a tradição é intrinseca a comunidade.
    É interessante levantar também como Sandel conduz suas aulas na Universidade de Harvard, pois ele nos apresenta uma abordagem na qual nenhum dos autores estudados até agora na disciplina assume, a de que existe o fato de cada pessoa ter seu(s) próprio(s) princípios e moral e, que portanto não há o que ser dito sobre isso em determinadas circustâncias.
    Sandel na vídeo-aula "What's the right thing to do" gera inúmeras questões que são debatidas e não chegam a uma resposta concreta, porque de acordo com o mesmo "Vivemos respostas para essas questões todos os dias", de forma que essas questões não se esvaem com o tempo e não se há um veredito, por mais que haja esforços para isso; como percebemos no debate de argumentos dos seus respectivos alunos.
    Na aula, o autor retoma conceitos do consequencionalismo de Kant, a respeito do imperativo categórico e de Benthan quanto ao utilitarismo. Retoma também o conceito de Kant quanto ao ceticismo e o coloca como necessário no contexto em que gera suas questões, pois o ceticismo, como dissera Kant, é onde se reside a reflexão sobre as andanças dogmáticas.
    Em suma, toda a crítica que ele faz a Rawls e sua abordagem nas aulas pra mim é muito relevante e perpicaz, pois como sabemos se torna necessário em inúmeras circunstâncias um debate para se tentar gerar respostas sobre questões que são constantemente levantadas e é também necessário incentivar o pensamento e o ceticismo dentro de uma sociedade.

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  135. Michael Sandel, autor do livro "O liberalismo e os limites da justiça", é um comunitarista, porém apesar de partir da mesma linha de pensamento acerca da justiça, tem como ideal, a elaboração de críticas a outros comunistaristas, como john Rawls.
    Busca na sua análise as concepções de Rawls, contrapô-lo a respeito do "véu da ignorância", no qual se explica a aplicação de uma justiça sem preceitos e vontades, livre de qualquer influência que modifique seu senso de justiça do correto. Sandel tenta partir do pressuposto de que todos os indivíduos, antes do "eu", está seguido de sua comunidade, sendo influenciada por ela, desde o momento que inicia a vida. A pergunta que se faz a Ralws frente a essa perspectiva é:
    Será que de fato é possível se gerar um senso de justiça distante e totalmente desprendido de sua comunidade ?
    Por acreditar na negatividade da resposta, julga a justiça de Rawls como impraticável e distante da justiça real, visto que descola o indivíduo, que segundo Rawls, anterior à comunidade, já está definido e individualizado e, desta forma, de nada compõe o senso de justiça deste "eu". E por meio dessas concepções contrárias a Rawls e com pensamentos autênticos baseados na coerência, que Sandel se torna um dos principais pensadores acerca da filosofia da justiça.

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  136. Sandel é um autor comunitarista e grande crítico das ideias de John Rawls. Critica justamente o caráter universal de seus ideais que praticamente desconstroem o “eu” individual, não fornecendo elementos que possam constituir suas próprias características, critica também seu afastamento com a realidade, além de criticar a proposta colocada no conceito do véu da ignorância e da posição original, que alega que alguém apto a fazer julgamentos referentes à sociedade seria necessário um humano destituído de toda sua carga cultural, social, emocional, entre outros, portanto seria necessário um humano sem cultura, o que não é possível pois todos os indivíduos carregam cultura em si. Na ausência de um humano desprovido de cultura, como então se promoveria a justiça? Deste modo, Rawls desconsidera as circunstâncias em que ocorreram as ações.

    Sandel diante deste questionamento não apresenta de fato uma solução, mas a partir daí discorre acerca da dificuldade em se estabelecer o que são ações certas, e como os princípios e consequências podem ser conflitantes diante da maneira como se interpreta um fato. Pois muitas vezes quando se faz a defesa de uma situação baseado em suas consequências a perspectiva pode ser uma, o que teria uma perspectiva completamente diferente se a análise fosse feita com base nos princípios dessa mesma situação, esse duplicidade é a problemática a que Sandel nos expõe e propõe o debate e diálogo como algo essencial para que possa então ser construída a concepção de justiça.

    Raquel Ribeiro Rios

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  137. Ao estudar e buscar mais informações sobre Sandel, pude analisar que esse é um nome muito consagrado no meio filosófico e suas ideias convergem com as ideias de Rawls.

    O filósofo Jhon Rawls, conhecido por sua obra “A Teoria da Justiça” cujo ensaio possui um caráter emblemático, adotou a liberdade e a igualdade para definir seu ideal de justiça. Rawls, parte do contratualismo de Rousseau e atribui valoração às instituições que, segundo ele, são responsáveis por legitimar o caráter igualitário ao corpo social, mas para isso, as instituições precisariam ser justas.

    No entanto, Rawls considera o princípio da liberdade superior ao princípio de igualdade, o que poderia definir sua teoria da justiça em “liberalismo igualitário”. Ocorre que outros pensadores da filosofia política, adotando outras correntes, lançaram críticas à teoria de Rawls.

    Sandel critica a forma dita por Rawls de que as pessoas “escolhem” seus fins, seus objetivos de vida. De acordo com Sandel, justiça é fazer o que é certo, e o certo é pensar o ser em comunidade. Na internet há facilmente vídeos onde o professor cita o filósofo Kant como alguém que defendia a dignidade das pessoas. A justiça para Sandel é algo inserido necessariamente no conjunto social.

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  138. Michael Sandel é um autor norte-americano crítico das ideias de John Rawls.
    Sandel afirma que o principal problema das ideias de Rawls reside no conceito de véu da ignorância. Para Sandel, as decisões morais de um indivíduos estão ligadas ao meio e às circunstâncias em que ele está inserido, uma vez que adotamos valores morais com base na nossa vivência. Sandel afirma que é da vivência que vem o desejo intrínseco de ser perfeito, e sem tal desejo não há moralidade.

    Rawls afirma que há uma noção pré-concebida de justiça que leva as pessoas a agirem de forma moral.
    O indivíduo não é livre nessa concepção, sendo coagido a agir da maneira moralmente aceita pela sociedade. Sandel critica essa ideia, afirmando que o indivíduo é fruto das relações sociais e não inferior à esfera social.

    Sandel critica o argumento de Rawls que afirma que a única forma de se formular uma teoria da justiça é atendendo todas as condições para tal sejam satisfeitas. Sandel afirma que a comunidade é necessária para que qualquer teoria seja legitimada, por conta da necessidade da aprovação de todos no que concerne a ela, demonstrando uma vertente comunitarista em suas ideias.

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  139. Achei a aula/debate sobre Sandel uma aula excepcional por conta dos debates propostos pelo autor em sua vídeo aula.
    Tem idéias que se assemelham aos comunitaristas e critica as ideias de Rawls por encarar o ser humano de uma forma abstrata chegando a de considerar o motivo de viver de cada pessoa. Ele volta-se as atitudes individuais e tenta, por meio disso, entender as motivações da ação humana e assim estabelecer um padrão de moral a ser seguido.
    Sandel ainda vê a idéia de justiça como o elemento mais importante de uma sociedade, para ele é a sociedade quem constrói a justiça e não o inverso. Isso acontece por que a sociedade surge antes da justiça, que deve provir do debate entre os indivíduos.
    A mensagem de Sandel é justamente de que não existem as atitudes totalmente corretas e não possuímos as verdades absolutas a serem ditas, o que devemos fazer é trabalhar o debate entre a sociedade para que, cada vez mais, encontremos respostas e soluções para os impasses e questões que a sociedade enfrenta.
    Esse ultima mensagem de Sandel foi o que mais me cativou em sua obra e aula, pois vejo que apenas através do dialogo edebate podemos encontrar as respostas necessárias para os questionamentos da vida em sociedade.

    Guilherme N A Melo
    R.A. 21050512

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  140. Michael Sandel, apesar de ter trazido uma colaboração importante à filosofia da justiça, não foi um um grande nome no ponto da inovação teórica, mas trouxe pensamentos relevantes e mudou o rumo de muitas discussões. Sandel é mais um dos filiados à corrente comunitarista(apesar de não se auto-declarar como tal), deixando o seu ponto de vista ainda mais destacado a partir do momento que nega a visão liberal-individualista, argumentando a necessidade de se analisar às questões referentes às tradições, concepções, cultura e etc ao se estudar algum grupo social.

    Sendo assim, uma das motivações acerca dos estudos de Sandel foi a crítica ao filósfo John Rawls, de forma que Michael defendia diferentes visões sobre a concepção de pessoa, comunidade e indivíduo; enquanto Rawls tinha uma visão quase que “utópica” das pessoas, encaixadas em quadros ideais e que não condiziam com a realidade. Dessa maneira, é possível compreender o porquê Sandel se afasta tanto da teoria do véu da ignorância tratada por Rawls.

    Outra desaprovação que Michael faz a Rawls é sobre o seu liberalismo deontológico, no qual o último alega que é o bem que precede a justiça, enquanto Sandel acredita que ambos mantenham uma relação, mas não necessariamente de “dependência”, como Rawls afirma.

    Por fim, o autor crê que a finalidade da justiça seja contemplar os diferentes estilos de vida, e fazê-los conviver entre si, de maneira que as leis sejam baseadas na individualidade do cidadão e em toda sua bagagem anterior, desde os anseios, desejos e costumes.

    Fernanda Sue Komatsu Facundo - 21007812

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  141. Michael Sandel famoso comunitárista, é contrario ao liberalismo e realiza uma grande e intensa critica a teoria de Rawls, se baseando no conceito de que a concepção de pessoa de Rawls é metafísica já que não há a possibilidade das pessoas colocarem em uma posição original ou o véu da ignorância. Rawls parte da premissa que a comunidade vem depois da concepção de individuo, mas para Sandel o individuo é o resultado da comunidade, e não poderia ser o contrario. Sandel ainda afirma que para Rawls escolhas morais é a exteriorização de preferências autoritárias, mas isso não deveria ter isso como verdade, pois elas são resultados da influencia da sociedade em que vivemos. Em fim, não podemos relevar o fato de as pessoas estarem inseridas na comunidade e que são resultado dela, se admitir que todas as pessoas possuem um mesmo conceito de justiça, ou então que possuirão, e esse conceito poderá ser bom para todos. Em Rawls, o Certo está por cima do Bem. Michael o faz uma critica, pois isso implicaria que os conceitos já estabelecidos de justiça estejam sobrepostos ao bem estar individual/do individuo.

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  142. Michael Sandel é professor de Harvard, conhecido pela sua retórica e seu poder discursivo, atraindo multidões às suas aulas. Neste livro, ele critica a teoria rawlsiana, bem como o liberalismo. Principalmente, quando se trata de conceitos como “véu da ignorância” e “posição original”.
    Para Rawls, na posição original, certos indivíduos deixariam de lado seus valores e crenças, visto que possuem um senso de justiça e moralidade naturais. Sandel, então, afirmará que não há essa possibilidade de um indivíduo colocar-se nessa posição, pois não há como livrar-se de valores, cultura, crenças, preconceitos. Um indivíduo, a partir do momento do seu nascimento, é influenciado pelos valores de seus pais, da sociedade em que vive, ele nasce inserido em uma cultura que exercerá uma força coercitiva e moldará sua identidade, suas atitudes.
    Ainda para o autor, os debates são necessários para expor as diferentes visões de moral e justiça, mas devem ser feitos através de situações concretas, como por exemplo, os problemas colocados nos vídeos, sobre a moralidade do assassinato, quando a plateia é questionada se empurra ou não a pessoa da ponte para salvar cinco trabalhadores.

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  143. [ATRASADO]

    Sandel é árduo crítico das ideia de Rawls, principalmente sobre a questão do véu da ignorância, onde é abstraída a diversidade social. Em sua teoria ele propõe que é preciso levar em conta a pluralidade da sociedade, onde estão presentes muitas ideias, visões e valores, e dentro de tal sociedade é preciso ter espaço para o conceito de justiça em todos estes. Em sua concepção não é possível haver justiça se não for considerado todas essas questões da pluralidade social, onde há diferentes elementos culturais e individuais. A teoria de Sandel tem pontos em comum com as teorias comunitarista, mas ele não toma tal posição. Os pontos em comum são a valorização dos fatores culturais, que ocasionam o pluralismo e a relação de influência direta desses fatores no comportamento e pensamento dos membros da sociedade. O que diverge em sua teoria em relação ao comunitarimo, é que apesar de defender a sociedade plural, acredita que esta não pode ser totalmente liberal, pois os fatores culturais podem existir em harmonia desde que não prejudiquem outros indivíduos de tal sociedade, ou seja, só existe justiça se o pluralismo não interferir no bem estar social, nesse caso valoriza-se mais a questão da racionalidade. Sandel busca tal conceito de racionalidade baseado nos conflitos culturais da sociedade, e a cultura como fator chave da busca pela justiça.

    Beatriz Luzia de Campos Manocchi
    RA: 21076512

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  144. Michael Sandel segue a linha dos comunitaristas sem seus pensamentos, Sandel faz críticas a Rawls em suas teorias. Ralws acreditava que seria possível o alcance da justiça atraves de contrato social, como visto anteriormente em outros temas.

    A ideia de que os indivíduos são capazes de se livrarem de suas concepções pessoais, é abstrata e incompleta para Sandel, sendo que esse conceito, julgava que o indivíduo era inferior a sociedade. Sandel julgava que as interações socias moldavam os indivíduos e essas não devem ser deixadas de lado, como propõe Rawls.

    Sandel coloca em suas ideias que a sociedade é formada por um conjunto enorme de pessoas, sendo essa pessoas, de maneiras diferentes, pessoas que possuem, conceitos diferentes de certo e errado, bem e mau, pessoas que possuem estilos de vida distintos. O conceito liberalista impõe um conceito de certo e justo aos indivíduos, isso faz com que esses indivíduos não possam exercer sua pluralidade de conceitos e ideias.

    Para Sandel, seria ideal que a construção das concepções de justiça e do que é certo fosse baseado na congruência das concepções doa indivíduos de uma sociedade, e não fazendo com que esses indivíduos se adaptem a conceitos pré- estabelecidos.

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  145. Michael Sandel atualmente ministra o curso sobre Justiça na Universidade de Harvard. Não possui uma teoria própria da Justiça, mas busca popularizar os conceitos já propostos por outros pensadores, como Kant e Mill, e criticar o debate atual e suas condições.

    Sandel também faz críticas ao John Rawls, argumentando que sua concepção da pessoa é Metafísica, uma vez que são excluídos os fins que as pessoas elegem para viver e as pessoas vinculadas aos seus fins, alegando que isso é uma falsa representação da nossa experiência moral. A concepção de Rawls sobre comunidade tem finalidades anteriores aos “eus” individuais, faltando a concepção da identidade do indivíduo, tornando essa comunidade um sistema de vantagens mútuas. A partir disso, alega que a posição é individualista e antissocial sobre a sociedade.

    A partir disso Sandel afirma que a discussão sobre ética/moralidade tem a necessidade de analisar o comportamento do indivíduo, logo ele não pode ser abstrato. Leva isso em suas aulas dando exemplos do cotidiano e perguntando quais ações seriam mais propensas ao Bem. Diferentemente do Rawls que a Justiça é a virtude primeira dos arranjos sociais e a concepção do Bem vem primeiro do que a análise das ações.

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  146. Essa obra de Sandel tem como principal ponto sua critica ao liberalismo e principalmente a algumas posições de Rawls. Para Sandel, as condições propostas por Rawls como o Véu da Ignorância em que as pessoas não saberiam suas posições dentro da sociedade são idealizadas, são abstrações praticamente impossíveis pois não haveriam essas condições no mundo real. Sandel critica a posição de Rawls de que todos teríamos um senso de justiça inato. Para ele, o que define esse senso de justiça é a comunidade em que o individuo está inserido. Entretanto, isso não significa que todos os indivíduos de uma determinada sociedade teriam o mesmo senso de justiça, visto que essa concepção é relativa e as tradições são mutáveis, logo a concepção de justiça também seria mutável.

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  147. Sandel faz uma crítica à visão de Rawls sobre a justiça, pois o segundo acredita que certos indivíduos por possuírem um senso natural de justiça e moralidade teriam a capacidade de se despirem de suas crenças, sua classe e seus valores para poderem exercer aquilo que é justo, por outro lado, Sandel defende a ideia de que é impossível nos livrarmos destes princípios, pois desde quando nascemos somos inseridos em uma sociedade que nos dá uma visão já elaborada sobre certos assuntos.
    Michael Sandel não apresenta uma verdade a respeito das questões propostas, para o autor o que se deve ser considerado são as discussões e os argumentos que justifiquem certas ações. Ele ressalta o fato de termos um senso de justiça que se modifica conforme a situação e todas as variáveis que a envolvem.
    No debate proposto em aula pelo meu grupo pudemos perceber alguns pontos ressaltados por Sandel, como o fato de não se existir uma regra que seja absoluta em todos os tipos de situações e de os indivíduos não se desvencilharem daquilo que possa lhe trazer algum benefício. Pois quando falamos de roubo, seja de um gabarito, ou de dinheiro público, estamos falando do mesmo ato, porém ele foi julgado como aceitável em certas circunstâncias.Mostrando que nossos valores de juízo podem variar.

    Marina Müller Gonçalves
    R.A.: 21082512

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  148. Michael Sandel é um professor da Universidade de Harvard, orientando de Charles Taylor, que elabora sua teoria sobre a justiça realizando estudos de casos, em um debate moral que se define a partir da forma que as pessoas estão discutindo do ponto de vista prático.

    Sandel parte de casos concretos, afirmando que para entender a ética tem que se entender como as pessoas discutem ética. Sandel irá utilizar em seus debates uma ideia de justiça, que irá utilizar em diversos casos, regendo assim o debate.
    O autor irá utilizar casos práticos, como os trabalhadores que podem ser atropelados por um bonde, como uma forma de dizer que teorias como a John Rawls, principal alvo da crítica de Sandel, não teria como dar uma resposta para esses tipos de casos.

    Sandel irá se opor as teorias de Rawls, que foram anteriormente discutidas por nós, pois não acredita em seu sentido prático. Nas teorias de Rawls, os individuos não estão realmente ligados em comunidade, não podendo adotar concepções de bem pelos próprios indivíduos. Já para Sandel, as escolhas dos indivíduos é desenvolvida de uma forma social, não apenas individual, e as teorias de Rawls se apresentam de uma forma abstrata, não representando a realidade.

    Para o autor, a sociedade é uma comunidade de indivíduos, em que se tem as caracteristas de cada pessoa e suas concepções particulares, o que impossibilita a um único conceito de justiça que seja justo para todos. Isso somente é possível com o estudo de cada caso, dentro de cada tema, com as pessoas que fazem parte dessa sociedade debatendo sobre o que considera justo e injusto até que se tenha um consenso.

    Para Sandel uma sociedade justa respeita as individualidades de cada cidadão para que diferentes pensamentos possam conviver em bem comum.

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  149. Sandel é crítico de Rawls e o liberalismo por sua concepção de justiça ser baseada no indivíduo e não na sociedade. Ele acredita que o conceito de Rawls é abstrato e abstrações não condizem com a realidade. Por sermos seres comunitários, somos resultado da comunidade em que vivemos e das tradições com que fomos criados, e Sandel acredita que o conceito de justiça tem que levar em conta essas tradições. O conceito de Rawls de contrato não seria justo porque estaria dando prioridade ao indivíduo que estaria ali na mesa de discussão e não o que seria justo para a comunidade.
    Outra questão de Sandel é a desigualdade entre ricos e pobres que vem a ser uma das questões centrais de justiça porque quanto maior essa desigualdade maior será a difículdade sustentar uma noção de comunidade. Sandel questiona o que é o certo a se fazer ele instiga à reflexão do que seria uma sociedade justa.

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  150. Vou limitar meu comentário à maneira como Sandel trata da Filosofia. Ele é direto, objetivo e traz o assunto para discussão aberta e franca, sendo essa a principal razão pela qual seus cursos em Harvard são tão cobiçados. Ele não se limita a citar a história e a se referir à filósofos mortos, mas trata os assuntos à partir de uma ótica prática e atual. Confesso que essa abordagem me fascina.

    A maneira como ele escuta as interpelações e as leva para um nível mais alto, de maneira informal mas coerente, torna o assunto “filosofia” uma grande experiência. E acho que precisamos mais disso, deste tipo de tratamento. A Filosofia deve sair das estantes e caminhar em meio ao povo, servindo aos problemas modernos e levando as pessoas a pensar de modo diferente, pois é o único modo de encontrar respostas.

    Acredito que esse tipo de abordagem seja o que mais me atrai nas aulas do Prof. Peluso. A capacidade de levar a filosofia até as pessoas e faze-las incorporarem essas ideias em seu próprio repertório de conhecimento é algo maravilhoso.

    Acrescento que consegui o curso completo do Prof. Sandel, com legendas em português, e já está disponível no novo site de filosofia da UFABC: http://filosofar.wix.com/ufabc

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  151. Michael Sandel não se apresenta como os demais pensadores contemporâneos que tratam a justiça como objeto de estudo, apresenta-se como um dos poucos autores comunitaristas até então estudados no curso. Em sua obra "Liberalism and its Critics" faz uma análise crítica do modelo liberal e apresenta também sua posição a respeito da teoria da justiça proposta por John Rawls.
    De acordo com Sandel, o problema central na teoria da justiça como equidade proposta por Rawls estaria na ideia do "véu da ignorância". Para ele é impossível que um indivíduo não considere suas vontades e preferências na hora da tomada de uma decisão moral e, que, portanto, o indivíduo estudado por Rawls é abstrato, assim como a elaboração do "contrato social".

    Victor Pinho de Souza

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  152. Em Liberalismo e Limites da Justiça, Michael Sandel oferece uma crítica intrigante de John Rawls, Uma Teria da Justiça. Se a partir de uma direção da lente da posição original em uma teoria da justiça nos mostram uma teoria moral. Sandel argumenta que a teoria da justiça de Rawls exige que a pessoa ou sujeito moral ser um agente abstrato de escolha, completamente separado de seus fins, atributos pessoa, comunidade ou história. Somente adotando essa noção de que a pessoa não a teoria da justiça de Rawls faz sentido.
    Depois de descrever a teoria da pessoa em que encontra Raws comprometido, Sandel afirma que Ralws - e o liberalismo deontológico geral – falham por causa da inadequação e extremo individualismo desta noção da pessoa. Esse individualismo não permite o papel da comunidade em formar a pessoa, nem permiti a possibilidade de que a identidade significativa de uma pessoa seja mais uma questão de cognição do que de escolha.

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  153. Michael Sandel é um autor que costuma levar suas discussões sobre justiça para a sala de aula, pois acredita que o debate que expõe diferentes visões de moral auxiliam na construção de sua teoria.

    O autor é mais um opositor à teoria da justiça de John Rawls, como diversos outros comunitaristas, por entender que as escolhas dos indivíduos são baseadas em seus próprios valores, crenças, posição social etc, não em um senso natural de justiça coberto pela “véu de ignorância”, como propõe Rawls.

    Sandel defende que a discussão sobre as concepções de justiça precisam levar em conta o comportamento do indivíduo, e não impor que ele se adapte a conceitos pré-estabelecidos ou a abstrações da realidade que não resolvem seus problemas. As ideias liberais impõem isso aos indivíduos, pois impedem que eles expressem suas identidades plurais e suas ideias.

    Danielle Romana Bandeira Silva
    RA: 11060011

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  154. Bruno Pestana Macedo
    RA 21049312

    Michael Sandel é um filosofo político norte americano e defende a ideologia comunitarista. Em seu livro “Liberalismo e os limites da justiça, Michael Sandel tece críticas a John Rawls e ao liberalismo.
    Em sua crítica a John Rawls, Michael Sandel questiona os conceitos de “Posiçao Original” e “Véu da Ignorância” por ele definidos. Sandel alega ser impossível a abstração separando o indivíduo da sua sociedade que este encontra-se inserido, ou seja, separá-lo de suas crenças, convicções, história enfim, sua cultura. Sandel também critica a condição de escolha do indivíduo por um estado neutro.
    Devido a sua visão comunitarista, Michael Sandel postula sermos resultado da comunidade a qual estamos inseridos. Sofremos forte influencia das tradições.
    A respeito do tema Justiça, Michael Sandel não formula uma teoria. Ele acredita o conceito de justiça origina-se do debate entre as oposições a respeito de suas respectivas noções de “bem” e seus meios de vida.

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  155. Michael Sandel é um crítico da visão liberal rawlsiana, onde Rawls desconsidera o papel individual das pessoas em suas comunidades, de suas tradições e de sua cultura, para a elaboração do contrato social. Para Sandel, a ideia de se usar o véu da ignorância para posicionar os indivíduos e para eles partirem do mesmo princípio, é inaceitável.

    Sandel analisa a visão de Rawls sobre os indivíduos como metafísica, onde as pessoas são consideradas anteriores à comunidade. No entanto, todos nós já nascemos inseridos em uma comunidade com seus próprios costumes, sua cultura e suas tradições, ou seja, existe uma visão comunitarista na proposição de Sandel (apesar de o autor não aceitar totalmente este "rótulo").

    Michael Sandel não apresenta, de fato, uma "teoria da justiça", ele critica a visão de Rawls e defende que é necessário um debate subjetivo para a criação de uma concepção de bem, onde as preferências das pessoas, suas tradições e suas diferentes visões sejam levadas em conta. Sandel é um filósofo contemporâneo que ministra aulas com o objetivo de mediar debates entre os diferentes pontos de vista diante de situações inusitadas, onde as visões de bem e de justiça podem se divergir, ou seja, o autor procura trazer o exercício da discussão moral entre as pessoas.

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  156. Interessou-me bastante o texto de Sandel pois o que ele coloca como problema na teoria ralwsiana está em conformidade com o que eu percebi acerca da posição original. Esta é uma expressão dramatizada da abordagem contratualista de Ralws acerca de problemas sociais e políticos. Ademais, seus princípios de justiça são definidos como aqueles que seriam livremente acordados por todos sob o véu da ignorância.
    Como os verdadeiros contratos, o contrato hipotético proposto pela posição original pressupõe a pluralidade e distinção das partes do contrato, além de enfatizar o elemento de escolha envolvido. Diferentemente dos verdadeiros contratos, no entanto, o contrato hipotético rawlsiano não pode se revelar injusto, pois, graças ao véu da ignorância, não podem haver diferenças de poder e conhecimento entre as partes, não havendo possibilidade de que o acordo hipotético implique em (possivelmente injustas e coercivas) práticas e convenções de uma dada sociedade. Se as partes estão em uma situação tal que nenhuma injustiça pode resultar, o acordo alcançado na posição original será uma instância de pura justiça processual, seu resultado será justo não importa o que aconteça, justamente pelo fato de que foi acordado.
    Embora as pessoas sejam teoricamente livres para escolher, sua situação é tal que garante que elas irão sempre desejar escolher certos princípios sob os quais elas irão convergir de forma unânime. Nenhuma negociação pode ser assim chamada na posição original, visto que negociar, em qualquer instância, requer diferenças nos interesses, no conhecimento, poder ou preferências dos negociadores. Também não podem haver discussões entre as pessoas pois assume-se que elas racionalizam do mesmo jeito e chegam as mesmas conclusões, de forma que ninguém tenha percepções ou preocupações que o distinguam dos demais. Portanto, se negociações e discussões são impossíveis na posição original, logo um acordo também é impossível, já que não há o que acordar.

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  157. Este comentário foi removido pelo autor.

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  158. Sandel é um filósofo político que não tem como objetivo criar uma grande teoria da justiça, assim como fez John Rawls, e por isso se torna um critico deste. Sandel abre o debate para as questões da moral na justiça, nos videos propostos pelo professor podemos perceber que Sandel dá muita importância para a discussão do que é moralmente mais justo para cada um e através do debate chegar num concenso do que é mais ético para cada situação.
    O autor critica a ideia de Rawls de que uma pessoa é capaz de se privar de sua consciencia moral como por exemplo religião, tradição, valores e se cobrir de um "véu de ignorância" para criar uma justiça "perfeita". Esse tipo de análise proposto por Rawls, Sandel diz, não leva em conta a identidade individual de cada um (pluralidade). A forma que Sandel ve para resolver isso é o debate, pois essa é a forma de todos exporem suas ideias.

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  159. Sandel foi um estudioso politico que se opoe frequentemente contra o autor Rawls em diversos aspectos estudados em sala de aula.Primeiramente o autor Sandel não está interessado em propor um nova teoria da justiça ou etica mas sim quais são os modos que podem ser melhor analisados de acordo com os principios eticos estabelecidos na comunidade estudada, a etica para Sandel é deve ser muito mais debatida para melhor implementação do discurso democrático nas sociedade liberais. Propõe então o autor que o debate deve ser a principal ferramenta na pauta das discussões liberais, levando em consideração o individuo dentro de uma comunidade que não pode ser retirado dentro dela como afirmava Rawls em suas denominações metafisicas de justiça e etica

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  160. Michael Sandel critica a teoria de Rawls, sobretudo no que diz respeito à posição original na qual os princípios de justiça são “escolhidos” pelas pessoas livres e racionais, pois segundo Sandel a imparcialidade nas decisões das pessoas é extremamente difícil, e, portanto, o véu de ignorância não pode ser considerado uma justificativa válida para as pessoas abdicarem de seus interesses.
    Segundo Sandel, a sociedade deve ser pensada como uma associação de indivíduos cada qual com seus próprios interesses, para que se tenha uma sociedade mais justa devem-se levar em conta os modos de vida particulares, procurando estratégias para que estes convivam de forma harmônica.

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  161. Michael Sandel é um dos mais importantes filósofos político atualmente, que muitos consideram comunitarista apesar do termo não lhe agradar muito. Em sua teoria, pode-se dizer que Sandel formula um debate entre Taylor e Rawls, sendo um crítico do segundo principalmente por conta da ideia de J. Rawls sobre o véu da ignorância.

    A teoria de Rawls nos diz que, no início da elaboração do contrato social, os indivíduos se encontram na Posição Original, considerada por Rawls em seu texto como “o status quo apropriado”, uma vez que nela os indivíduos se encontram cobertos pelo Véu da Ignorância, que não permite que eles saibam qual será sua classe social, suas habilidades naturais, sua inteligência e até mesmo suas propensões psicológicas particulares ao final do processo, fazendo com que todos os envolvidos no processo de elaboração do contrato ajam de maneira justa para os indivíduos em geral, e não para um grupo específico.

    A crítica que Sandel apresenta a esta teoria é a de que o véu cria uma condição artificial, uma vez que não existe uma maneira de as pessoas “adotarem” o véu da ignorância ou a posição original na elaboração de seus contratos sociais, além de criar uma concepção metafísica (ou abstrata) do ser humano.

    As ideias de Sandel estão mais conectadas com aquelas apresentadas por Taylor, um exemplo é a visão que ambos possuem sobre os indivíduos (os indivíduos são um resultado da comunidade em que vivem, e não o contrário). Podemos dizer que Ética para Sandel é algo relacionado com a maneira de viver dos indivíduos. As pessoas escolhem uma maneira de viver, e a ética é utilizada para examinar se as condutas adotadas pelos indivíduos estão de acordo com tal maneira escolhida. A Justiça para ele está muito relacionada com o debate que fazemos sobre o tema, ideia também encontrada em Taylor, e que pode ser observada em suas aulas ministradas em Harvard, aonde são discutidas diversas situações que, dependendo dos argumentos utilizados, levam a diferentes conclusões.

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  162. Sandel faz críticas ao Rawls começando pela “posição original” e pelo “véu da ignorância”. Para Sandel, isto é uma concepção metafísica de pessoa. Tanto o “véu da ignorância”, quanto a “posição original” não são possíveis na sociedade atual. Outro fato importante, é que Sandel demonstra que Rawls entende o indivíduo como anterior à comunidade. O que para Sandel está errado. Pois o indivíduo só se reconhece como tal, quando inserido em uma comunidade.

    O autor também diz que a concepção liberal de justiça é deontológica. O direito sempre se sobrepõe ao bem. Além de que, ainda identifica que em Rawls, os direitos se justificam pelos fins. Assim, não será discutido e estabelecido um contrato em comunidade que favoreça os indivíduos. E desta forma, os indivíduos precisam se adaptar à concepção de justiça para viver. No entanto, Sandel entende que a justiça deveria ser construída de forma que se moldasse com a concepção de bem de cada um, assim, respeitando a individualidade dentro do contexto da comunidade.

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  163. Michael J. Sandel, em seu livro “Justice and the Good”, inicia uma crítica firme a respeito das teorias propostas por John Rawls, que disponha de um certo pano de fundo utilitarista evidenciado em sua concepção de moralidade individual, estabelecendo o justo e o senso de justiça acima do que se consideraria por bem, sobre o pensamento utilitarista de satisfação e desejos e maximização de prazeres, manejando o utilitarismo a sua proposta, formando uma proposta ética somente deontológica, uma vez que os princípios elaborados por Rawls, como o véu da ignorância e a idéia de posicão original, nos exibem um indivíduo abstrato anterior a uma inserção na sociedade de tal forma que, da forma mais racional possível, seu pensamento seria moldado apenas por uma perspectiva de justiça pura.

    Sandel não concorda com tal proposta uma vez que seria impossível o surgimento e a existência de tal indivíduo no mundo uma vez que sempre se deva colocar dinâmicas sociais e o mundo posto como princípio, sendo ele rotulado como um teórico comunitarista justamente por defender que, em debates éticos, ambas partes sejam consideradas em debate, como fica claro no modo em que o próprio conduz suas aulas, onde exibe temas e situações problemáticas nos pontos de vistas éticos frente a diversas concepções filosóficas. Casos concretos que somente através de discussão talvez cheguemos a uma solução a questões como o que importa mais, o que é mais justo, quais as implicações posteriores, etc. fugindo desse ser abstrato rawlsiano e trazendo a tona ações que refletem também perspectivas diferentes que caracterizam um pluralismo da sociedade, o que deveria ser considerado a priori. Com uma narrativa envolvente e habilidade de manejar e provocar discussões, Sandel é a figura de suas teorias

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  164. Sandel opunha-se ao Liberalismo e fazia uma intensa crítica à teoria de Rawls, baseando-se nos conceitos de que a concepção de pessoa de Rawls é metafísica uma vez que não há como as pessoas adotarem a "posição original" e o "véu da ignorância". Segue-se a premissa de Rawls que coloca a concepção de comunidade posterior a concepção de indivíduo, porém, Sandel considera que o indivíduo é resultado da comunidade, e não o inverso. Sandel também coloca que, para Rawls, as escolhas morais são expressões de preferências arbitrárias, porém isso não pode ser tido como verdade já que elas são, na verdade, resultados da influência da sociedade em que se vive.
    Em resumo,Sandel diz que não se pode relevar o fato de que os indivíduos estão inseridos na comunidade e são resultado dela, admitir-se que todos possuirão um mesmo conceito de justiça, ou até mesmo que o possuirão, e que esse conceito será bom para todos.
    Para Rawls, o certo (direito) está acima do bem. Sandel critica essa posição já que isso implica que os conceitos estabelecidos de justiça estejam sobrepostos ao bem estar do indivíduo.

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  165. Quem determina o que é justo e o que é certo? Sandel mostra com essas situações hipotéticas que geram alguns princípios conflitantes e que produzem dilemas morais que nenhuma teoria de justiça será perfeita, absoluta, ideal para todos os casos imagináveis.
    Libertário? Comunitarista? Utilitário? Sandel tende sim ao comunitarismo utilitário porem explica que o utilitarismo, máxima de que devemos beneficiar o maior número possível de pessoas, pode gerar brechas para inúmeras atrocidades que poucos defenderiam abertamente.
    Existem vários pontos de desencontro entre Sandel e Rawls. Para Sandel, por exemplo, a falha na teoria de Rawls é sua analise estritamente antropológica, ou seja, para Rawls deveria existir um homem totalmente aculturado, sem família ou valores sociais poderia para aceitar um estado neutro (véu da ignorância).
    Para Sandel a opção aristotélica de que há uma finalidade objetiva para cada indivíduo e que as leis devem buscar a promoção da virtude trás a tona que é inviável discutir justiça sem considerar aspectos morais e sociais enquanto para Rawls é exatamente o oposto que promove a concepção da justiça ideal.


    Daniele Campos 11022510

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  166. Em oposição à linha de pensamento de enfoque mais liberal, Sandel tece algumas críticas a John Rawls. A primeira delas diz respeito a alguns elementos utilizados por Rawls em suas teorias da justiça, como a ideia de posição original e véu da ignorância. Segundo Sandel, os conceitos utilizados pelo autor não operam como boas representações da realidade, de modo que a eles é conferido caráter abstrato e metafísico, incapaz de auxiliar na compreensão do mundo concreto. Uma de suas criticas acerca do véu da ignorância tem sustentação na ideia da incapacidade de o homem concreto, real, despir-se das ideias que lhe garantem vantagens individuais, de modo a atingir a neutralidade desejável para a construção de um acordo ou arranjo desejável para a existência do contrato social.

    Outra divergência entre ambos os autores diz respeito ao ponto de partida para a construção de um arcabouço conceitual que dê conta de sustentar as teorias da justiça. Segundo John rawls, o indivíduo precede a comunidade (daí a ideia de regressão à posição original somada ao elemento do véu da ignorância para construção de um acordo pelo qual se pauta a sociedade justa) e, por isso, ele deve ser o parâmetro pelo qual se pautam as teorias da justiça. Michael Sandel, por sua vez, observa o indivíduo como um agente inserido na comunidade. Desse modo, qualquer reflexão acerca daquilo que é bom, justo ou desejável deve partir dela.

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  167. Carolina Fátima de Oliveira e Marques Paula
    RA 21006412

    O teórico norte-americano Michael Sandel tornou-se mundialmente reconhecido por sua disciplina "Justice", ministrada na renomada Universidade de Harvard. Comunitarista, Sandel faz árduas críticas ao liberalismo e especialmente a John Rawls. A teoria de Rawls sobre o véu da ignorância e a posição original dos indivíduos seria desde o seu princípio errônea, pois tratam-se de situações nas quais não há possibilidades de debate. Para Sandel, os debates são de extrema importância para qualquer sociedade.

    Todas as nossas ações são coordenadas por nossa moralidade, pelos valores que carregamos conosco. As diversas situações pelas quais passamos também influem em nossas decisões. O caso do trem, citado por Sandel no vídeo, é um exemplo dessa afirmação. Se houvesse um homem gordo capaz de parar o trem, você jogaria esse homem? Lembrando que o homem gordo morreria, mas outras 5 vidas, presentes no trem, seriam poupadas. Essa decisão variará de pessoa para pessoa. Haverá aqueles que dirão que a vida de 5 pessoas vale mais que a vida de apenas um e haverá também aqueles que dirão que não é dever do homem decidir pela vida de outra pessoa.

    Outra crítica feita por Sandel a Rawls é o fato do liberal não creditar à sociedade decisões a respeito da justiça. Sandel acredita que a sociedade é a principal afetada pelos meios de julgamento de decisões e que a sociedade é responsável por construir ideias morais.

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  168. Sandel, é extremamente popular e muito semelhante a David Hume( Principiou of Moral), discute moralidade com embasamento na mentalidade anglo-americana, consistindo em discutir moralidade de acordo com o modo com que as pessoas a discutem. Segundo Sandel, para entender o que é ética, é necessário entender o modo como as pessoas a discutem ética. Em sua principal obra "Os limites da justiça" discute a teoria de justiça de Rawls, onde se afirma que não há como se falar em justiça sem pressupor a sua legitimidade.
    Sandel desenvolve um debate ético sobre os diferentes modos de viver (resultante da preferência de cada um) juntamente com a idéia de justiça. Todavia, para se resolver suas questões, Sandel propõe a discussão entre as pessoas, na qual, estão inseridos assuntos referentes à moralidade e a ética. O autor também confronta as sociedades liberais avançadas, dizendo ser o liberalismo de Rawls deontológico, pois há certas práticas metafísicas que são impostas sobre a sociedade e que, portanto, não se trata de uma discussão ética. No entanto, tal discussão é imposta a partir de pontos mais sólidos.
    Nossas decisões são influenciadas pelas situações as quais estamos inseridos, por conta disto, os debates entre as pessoas são de suma importância. Todos nós temos valores que interferem em nossas ações e cabe à sociedade decidir sobre a justiça.

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  169. [Atrasado]

    Michael Sandel critica a teoria de Rawls sobre Justiça. Para Sandel não há como criar uma estrutura de juízo abstraindo-se totalmente do mundo real, como Rawls propõe com seu véu da ignorância. A teoria de Sandel não busca criar uma verdade absoluta, mas apresentar uma análise de casos e através da discussão deles encontrar a justiça. É no diálogo e na troca de experiências que a sociedade, dentro da pluralidade dos modos de viver, pode construir o justo

    Para Sandel, como fica evidente em suas palestras, o importante não é a sobreposição de uma concepção sobre as demais, mas a contribuição mutua para uma solução dos conflitos. Com essa metodologia, ele põe em prática sua teoria e mostra que é possível uma teoria de justiça comunitarista, resolver conflitos através do dialogo.

    Rebeca D’Almeida 21032410

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  170. Sandel é conhecido por criticar o liberalismo, em especial criticar os conceitos e ideais Rawls. O autor bate no ponto principal da teoria de Rawls; para ele um indivíduo tende a ser incapaz de se livrar de todos os seus pensamentos sobre qualquer coisa. Isso se daria na própria natureza do indivíduo. O ser humano seguiria da interação social, algo que é essencial e defendido por Rawls.
    Outra crítica que observamos se encontra na relação ‘justiça e bem’. Sandel segue em um caminho mais teológico, onde que a consequência das ações está contida em um contexto de bem estar. Ele aponta que esse bem estar deriva da escolha das pessoas por seus modos de vidas preferenciais, não pelo que seria de fato justo. Resumindo, bem estar seria a razão pela escolha.
    O utilitarismo (vertente esta que não funciona na prática para o autor) se dá pelo fato da diferença entre todos os indivíduos pertencentes à sociedade. E assim, a justiça também falha, pois não consegue agrupar essas diferenças e inserir uma justiça de fato. Logo, caso analizemos as tradições pelo mundo, devefazê-lo de modo que privilegiemos somente e de maneira específica o objetivo que está em estudo. Sandel conclui que a ideia de justo pode ser ora aceitavel e ora totalmente falha.

    Gabriela Petherson
    21035812

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  171. Sandel foi mais um dos críticos de John Rawls. Apesar de não se intitular como tal, o autor se encaixa na vertente comunitarista. Michael J. Sandel contraria principalmente os preceitos acerca da posição original e do véu de ignorância, apresentados de Rawls. O autor considera que ambas as ideias são abstratas. Para ele, não há meio de desconsiderar as preferências dos indivíduos na elaboração de uma teoria da justiça. Trata-se, de acordo com Sandel, de uma situação que na prática é inexistente.

    Sandel também critica um dos argumentos preceitos fundamentais da teoria rawlsiana acerca do senso de justiça. Para Rawls, este é um fator inato ao indivíduo e, contrapondo-se a esta preceito, Sandel afirma que o senso de justiça do ser humano é resultado das influências e tradições as quais é submetido numa determinada comunidade. Portanto, para o autor, a comunidade é responsável por determinar o que o indivíduo será de acordo com suas tradições. Além disso, segundo Sandel, nossas tradições são mutáveis e, por conseguinte, nosso senso de justiça também o é. É por isso que, ao contrário de Rawls, o autor define que tratar os indivíduos de maneira isolada às relações pessoais é de certa forma inconcebível.

    Matheus de Almeida Rodrigues - 21039712

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  172. [Atrasado]

    Michael S. Sandel, é um estudioso político que se opõe a concepção de pessoa que Rawls descreve, ele não está interessado em propor uma nova teoria, ou um nova ética, mas sim em analisar os modos como essa justiça ou ética e estes princípios são estabelecidos, para um melhor discurso democrático. Propõe que a discussão é a melhor maneira de se pensar nas considerações do indivíduo dentro da sociedade, que vem antes do "eu", como afirmava Rawls.

    Um bom exemplo de como ele prefere a discussão para se analisar os modos, e video "What's The Right Thing To Do", você percebe como ele coloca o publico em cheque, para tentar entender o exemplo, como se estes estivessem no momento em que ele está apresentando.

    Rafael de Souza Cabral
    RA: 21072412

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  173. O principal tema de Sandel, me pareceu ser a crítica ao projeto de justiça e sociedade de Rawls, assim como a de seus elementos, como por exemplo o conceito de posição original. Como é fácil perceber, a teoria de Rawls, a partir do ponto de incursão dessa necessidade de uma espécie de destruição e recriação das condições de negociação de um determinado grupo de pessoas não possui de forma alguma a possibilidade de receber apoio de alguma forma de práxis, pose delimitar apenas a operar em um campo metafísico, não podendo de forma alguma explicar qualquer fenômeno do mundo concreto.

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  174. Michael Sandel, o hoje renomado conferencista e palestrante universitário, escreveu em 1982 a obra "Liberalismo e os limites da Justiça" onde expõe críticas severas a um dos maiores expoentes da teoria de justiça liberalista (John Rawls) e ao final deixa claro sua preferência ao modelo Comunitarista de jurisdição.
    As críticas de Sandel a Rawls são varias, entretanto, uma se destaca e vira base de uma longa discussão: Sandel argumenta que senso de abstração pessoal traçado por Rawls (numa visão Kantiana) a partir do "Véu da Ignorância" (posição original) para firmamento de um contrato social é algo insustentável. Afinal, não há como um indivíduo se separar totalmente de sua essência e de seus anseios durante um processo decisório. Outro ponto de destaque na crítica se deve ao fato de Rawls retratar o Bem e a Justiça num caráter Imutável.
    Segundo a concepção de Sandel, a Justiça está sim propensa a mudanças e que o que definirá para um indivíduo se uma ação é lícita ou não deverá ser a sua Comunidade. Desta forma, o sujeito é integrante ativo de uma Comunidade específica, ao passo que a função destas será definir o que é melhor (mais justo) em relação ao bem estar de seus membros.

    Antonio Dantas - 21061513

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