Há uma idéia que é hoje consenso entre quase todos os teóricos da Filosofia Política. Todos chegaram a conclusão que o Socialismo, com sua proposta de estabelecer um modelo de relações econômicas entre as pessoas baseado na supressão da propriedade particular e de arranjos políticos fundamentados na igualdade política, acabou. E com isso, também entrou em
colapso a idéia de uma democracia igualitária. Somente dentro de algumas gerações, talvez, a humanidade encontrará energia para voltar a propor um modelo alternativo de pensamento político. O fato é que hoje, somente temos uma visão hegemônica para os arranjos políticos e econômicos. A democracia liberal, com sua proposta de economia de mercado e institucionalização da liberdade, venceu.
A hegemonia do pensamento liberal põe, entretanto, um grave problema para os intelectuais. Isto é, na falta de um pensamento alternativo, como fazer a crítica da democracia
liberal? De uma forma geral só nos resta como caminho, a via das críticas menores, das pequenas escaramuças, incursões ofensivas parciais e ficamos perdidos no chamado cinturão de proteção e nos ataques às teses secundárias que protegem o miolo, o ‘hard core’, do pensamento democrático liberal.
O debate na Filosofia Política, entretanto, não chegou ao seu fim. E a busca pela grande objeção capaz de acertar o centro do pensamento liberal se torna cada vez mais intensa. Nesse esforço, os intelectuais tem encontrado inspiração na retomada das grandes questões fundamentais do espírito humano.
O fato é que existem dois conceitos que, desde a origem da chamada civilização ocidental e cristã, estiveram na agenda das preocupações intelectuais das pessoas e foram objeto de muitas investigações. Trata-se das idéias de Verdade e Justiça. O que é a Verdade? Em que condições o nosso conhecimento pode ser considerado verdadeiro? E ainda, o que é a Justiça? Quando é que nossas ações podem ser consideradas como justas? Conhecer e Agir; idéias e ações; epistemologia e ética, parecem expressar duas dimensões importantes da existência humana.
O conceito de Justiça tornou-se particularmente importante desde o início do século XX. E os parâmetros do debate contemporâneo sobre Justiça foram estabelecidos por Hans Kelsen. Na sua obra "Teoria Pura do Direito", Kelsen alega que a discussão sobre a Justiça não pertence ao mundo das discussões da Ciência do Direito. Entretanto, ele constrói toda uma teoria da Justiça. Ocorre que, num primeiro momento, a "Teoria Pura do Direito" e as possibilidades de uma Ciência Positiva do Direito, ocupam os debates na Filosofia Política do início do Seculo XX. Posteriormente, as idéias de Kelsen sobre a Justiça ocupam o cenário dos debates, posto que não se consegue entender o Direito somente através de uma Ciência Pura do Direito. Nós precisamos da idéia de Justiça. Por outro lado, o conceito de Justiça pode ser entendido a partir de reflexões sobre o indivíduo, ou de considerações sobre a sociedade. Isto é, a Justiça pode se expressar na preservação da liberdade dos indivíduos, ou na construção das condições de uma vida social bem sucedida. É nesse sentido que vem o debate entre Liberais (Isaiah Berlin, John Rawls, Robert Nozick, R. Dworkin) e os Comunitaristas (M. Walzer, M. Sandel, J. Habermas e C. Taylor).

"Teorias da Justiça" e uma disciplina com a qual se pretende introduzir os alunos nesse debate.

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sexta-feira, 29 de julho de 2011

12. TEMA 9 - JUSTIÇA E ABSTRAÇÃO

 Caros Alunos,
Após ler os textos: "Prefácio", "Capítulo 1 - Igualdade Complexa", "Capítulo 3 - Segurança e Bem Estar Social", "Capítulo 4 - Dinheiro e Mercadorias", "Capítulo 8 - Educação" e "Capítulo 13 - Tiranias e Sociedades Justas" do livro: "The Spheres of Justice", de Michael  Walzer que estão disponíveis no endereço:
e examinar o material disponível em:
elabore seus comentários e envie para serem vistos pelos seus colegas. Vc. tem até dia 07 de outubro, segunda feira, as 24:00hs.,  para realizar essa atividade.
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    2. MICHAEL WALZER (1935-)


      1. A justiça é um padrão moral que deve ser concebido e avaliado no contexto das tradições das nações e sociedades em particular (método particularista).
      2. Uma teoria da justiça deve fornecer princípios de distribuição igualitária de bens.
      3. “Different social goods ought to be distributed for different reasons, in accordance with different procedures, by different agents; and all these differences derive from different understandings of social goods themselves – the inevitable product of historical and cultural particularism”.
      4. Bens sociais primários, tais como: direitos, poder, renda, educação, saúde, não possuem um significado natural bruto. Eles somente adquirem significado no processo de interpretação e entendimento que é sempre social. Esses bens podem ter significados diferentes em culturas diversas.
      5. Questões de justiça social surgem da distribuição de bens específicos e, quase sempre, com diferentes sentidos, em diferentes sociedades .
      6. “People make and inhabit meaningful worlds. The world they create is social. Meaning and values are communal and cannot be created by individuals acting alone”.
      7. Existem diferentes esferas de justiça: o Estado, a Igreja, o político, o privado, o público, o educacional, o saudável.
      8. A Filosofia Política que se afasta dos significados sociais (em busca de abstrações) e da comunidade particular, da qual o filósofo é membro. Ela resulta em princípios de justiça impossíveis de serem aplicados a casos concretos.

      FIM

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  2. Postagem atrasada:
    Ao propor uma teoria de justiça como um padrão moral concebido e avaliado pelos contextos das tradições das nações e das diferentes sociedades, Walzer foca sua atenção no indivíduo e combate a noção de que todos anseiam pelos mesmos direitos e devem ser submetidos a um único código de deveres. Esta nova concepção demonstra a postura crítica de Walzer diante da abstração dos direitos sociais presente na teoria de Rawls, pois bens como renda, saúde, educação e outros, são oriundos da sociedade em que a pessoa vive, o que determina a proporção de cada direito social. Considerando que há diferentes sociedades, o mais plausível é entender que estes direitos variam conforme a cultura e nenhuma teoria que apresente um pacote fechado de direitos comum a todos poderá validar-se. Além disso, Walzer aponta também para a idéia de distribuição igualitária de bens como própria de uma teoria de justiça eficiente. Os dois apontamentos citados anteriormente parecem contraditórios, pois parece uma tarefa bastante difícil distribuir igualmente bens entre indivíduos de culturas diferentes que, exatamente por esta posição cultural, têm diferentes níveis de preferências. Buscando atenuar esta situação, Walzer propõe diferentes esferas de justiças que englobam cada uma das demandas sociais. É claro que o melhor estágio para a sociedade é aquele em que todas as esferas estejam em equilíbrio e a ação proposta para melhor resolver as tensões que possam ocorrer entre as diferentes instâncias é o convencimento pacífico. O grande problema é exatamente conseguir que os mecanismos de convencionamento mantenham-se pacíficos dentro de uma sociedade, pois os interesses de cada esfera é diverso apesar da interdependência entre elas. Considerando diferentes sociedades, este problema ganha complexidade enorme e, praticamente, inviabiliza a aplicação de métodos pacíficos em todos os casos.

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  3. Para M. Walzer é preciso levar em conta os agentes envolvidos nas distribuições, dependendo das pessoas, muda o cenário de necessidade. Diferentes conceitos de agentes e conceitos de distribuição, toda essa diferença deriva de entendimentos diferentes dos próprios bens sociais. E tudo isso depende de razões culturais e históricas. O professor dá exemplo do pão, cada comunidade tem uma noção diferente sobre esse alimento, as vezes dentro de uma mesma comunidade há divergências. Posso dar o exemplo o Projeto de Diversidade do Genoma humano, há um conflito, dos índios e pesquisadores. Os primeiros desejam o código genético de volta, alegando que foi pego sem consentimento e que parentes já falecidos não poderiam ficar com partes do corpo na Terra, porém, para os pesquisadores, há uma importância nesse estudo em entender melhor como certas doenças se manifestam e talvez descobrir melhores formas de lidar com isso.
    Com isso, considera a metodologia de Rawls errada, pois não levam em conta as peculiaridades que diferem os indivíduos com cada concepção de bens sociais.

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  4. Seja entre países ou dentro de um país, a desigualdade econômica se insere como um dos debates mais importantes no mundo contemporâneo. Se relacionado com o pensamento de Michael Walzer, primeiro temos que pensar como se daria um pensamento de moralidade econômica seguida pelos conceitos de Rawls.

    Sendo assim, uma sociedade avançaria se todos os indivíduos dela adotassem uma posição original. Em outras palavras, a sociedade se daria na forma em que cada um de nós deseja desde que saiba com antecedência que um véu da ignorância é necessário.

    Historicamente, pode se dizer que esta visão é mais ou menos o que se segue desde a Segunda Guerra Mundial, em que nas sociedades as pessoas trabalhadoras, talentosas ou simplesmente sortudas podem ficar ricas, mas que uma parte de suas riquezas é taxada para fins de ajuda social, e que a justificativa para tal ato é pela lógica de que a pessoa rica poderia ter sido uma pessoa pobre em outras ocasiões.

    Assim sendo, um raciocínio que segue mais ou menos da lógica de Rawls, poderia se diferenciar drasticamente ao relacionado com o de Michael Walzer e no seu livro "Spheres of justice".

    Walzer parte de uma definição em que o sucesso no domínio econômico de algumas pessoas não deve permitir que estas sejam também sucedidas no campo político. Uma desigualdade, portanto, não deve ser capaz de dominar outras esferas.

    Na prática isso pode ser notado pelas diversas desigualdades da sociedade: uma pessoa que não tem condição de pagar por sua educação, saúde ou até mesmo ter boa expectativa de vida, está inteiramente relacionada pela sua fraca condição financeira. A justiça e igualdade, em diversos países, também são dadas em grande parte por conta da função da riqueza. Assim, esta estratificação econômica cria mais rigidez e barreiras, e como consequência se cria mais desigualdades em uma sociedade. Como resultado, impede mobilidade de pessoas para igualdade de oportunidade em esferas não econômicas. Estas barreiras não são influenciadas porque a pessoa é pobre e a outra rica, e sim porque o sistema simplesmente coloca dessa forma. O pensamento de Rawls seria falho nesse sentido, porque se deve adotar uma postura onde que não haja influência de uma esfera para outra. A influência poderia criar mais desigualdades.

    A filosofia de Walzer pode ser lida como muito mais poderosa em crítica ao capital do que Rawls, porque especifica com mais detalhes o problema do capitalismo e seu monopólio do poder.

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  6. Michael Walzer defende que a construção de uma teoria de justiça distributiva deve sempre ser relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade em particular.
    A teoria de justiça de Walzer começa dizendo que os homens vivem em uma comunidade distributiva, logo, a ideia de justiça social tem a ver não só com a produção e o consumo, mas também com o processo de distribuição dos bens sociais.
    Para Walzer, essa distribuição não se dá de maneira fácil, de modo que não há apenas um bem social, assim como não há apenas um critério de distribuição ou um única fonte de distribuição.
    Muito pelo contrário, a vida em comunidade revela uma grande variedade de bens sociais, com diferentes agentes distribuidores e diferentes critérios de distribuição. Assim qualquer sistema distributivo que não colocar em pauta essa complexidade de fatores não conseguirá alcançar a realidade da pluralidade humana. Além disso, a escolha dos princípios que regulam esse sistema distributivo deve ser feita levando-se em consideração o particularismo de cada comunidade, suas características históricas e culturais. Para Walzer, esse seria o principal problema da teoria da justiça de John Rawls, já que ela parte do princípio de que os princípios de justiça seriam escolhidos por pessoas ignorantes quanto à própria situação particular de vida, sob o véu da ignorância e elaborando assim construindo a posição original. Como ele diz: “Quero defender mais do que isso: que os princípios de justiça são pluralistas na forma; que os diversos bens sociais devem ser distribuídos por motivos, segundo normas e por agentes diversos; e que toda essa diversidade provém das interpretações variadas dos próprios bens sociais – o inevitável produto do particularismo histórico e cultural.”

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  7. Walzer desenvolve uma teoria relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade. Ele afirma que a justiça é um padrão moral, que deve ser concebido e avaliado no contexto das tradições nações e sociedades em particular. Existem diferentes esferas de justiça: o estado, a igreja, o econômico, o político, entre outros.
    Então, uma teoria da justiça social deve fornecer princípios igualitários de distribuição de bens. O mundo é social e, portanto, valores são comuns e não podem ser criados por atividades de indivíduos por si sós. Na visão do comunitarista, a distribuição não é somente de coisas, como Rawls fez. Mas as questões de justiça social surgem da distribuição de bens específicos e, quase sempre, com diferentes sentidos, em diferentes sociedades. Elas são bens característicos de cada comunidade.
    O autor discorre sobre o que ele acredita serem bens sociais primários, tais como direito, liberdade, oportunidade, poder, renda, educação e saúde. Porém ele diz que esses não possuem um significado natural bruto. Seu significado e entendimento são sempre sociais. Do mesmo modo que os indivíduos não podem ser considerados fora de suas comunidades, os bens sociais também não. Esses bens mudam de sociedade para sociedade e alguns deles se aplicam apenas em uma sociedade, em um contexto. As diferentes comunidades interpretaram de maneira diferente o que elas desejam.
    A crítica a Rawls é essa: no âmbito dos bens sociais. Pois Rawls trata de forma abstrata os bens que as comunidades desejam compartilhar, trata, para Walzer, de uma maneira que não se aplica ao mundo real. Pois não adianta querer discutir justiça abstratamente. Nosso mundo é o real. E é impossível desconsiderar a comunidade e o contexto em que cada um está inserido, pois, afinal, é assim que os indivíduos vivem.

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  8. Walzer desenvolve uma crítica a ideia de universalidade dos princípios presente na teria de Ralws, em que os fundamentos do dever e as normas morais seriam aplicáveis para todas as sociedades e buscariam, em decorrência disso, a sobreposição dos direitos individuais em relação aos direitos sociais. Em Spheres of Justice, Walzer defende que essa busca filosófica por princípios universais é um grande erro, pois vai contra a cultura de uma comunidade política, ao promover um mecanismo artificial que difere da realidade política da comunidade. Para ele, Rawls comete um erro ao dizer que a dinâmica da comunidade deva ser observada a partir da razão abstrata, além de desenvolvida a partir de padrões abstratos e utópicos que seriam identificados como princípios. Segundo Walzer, existem diferentes sociedades com uma ampla gama de culturais fazendo com que os direitos em cada uma delas sejam diferentes, ponderando que uma estrutura universal não seria capaz de cobrir essa variedade. Pondera que deve haver esferas de justiça que contemplem as diferentes demandas sociais, e coloca que o debate e o convencimento pacífico são a melhor forma de promover o diálogo entre as esferas.

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  9. O autor discorda da ideia de Ralws de que a justiça deve seguir padrões morais iguais em todas as sociedades e em função disso ele pensa que cada população deve perseguir uma justiça que se enquadre em sua cultura. Portanto para Walzer o direito pode ser interpretado de maneira diferente de acordo com a cultura da sociedade. Portanto para ele não existe um conceito de justiça que possa ser utilizada em todas as sociedades.

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  10. Michael Walzer, autor comunitarista, critica amplamente a teoria de Rawls. Segundo Walzer a teoria de justiça de Rawls abstrai e desvincula o agente do seu “self”. Para o autor as ferramentas propostas por Rawls para se chegar à justiça, como o véu da ignorância e a posição original produzem uma abstração no agente que não favorece a obtenção de justiça, pois a justiça que se chegaria através desse método não serviria para a sociedade, seria uma justiça distorcida, pois não levaria em conta o fato do individuo estar inserido em uma sociedade, fato importante, segundo o autor, para a obtenção de justiça, pois para o autor a mesma deve ser concebida tendo em vista as tradições e a comunidade que o agente esta inserido.

    Outra critica de Walzer a Rawls é em relação as os bens sociais. Para Walzer, Rawls os trata de forma abstrata. Segundo Walzer, a justiça não é somente regras para a boa distribuição dos bens, pois esses bens mudam de sociedade para sociedade, tirando desse modo o interesse da sociedade em discutir essa questão da distribuição de bens. Por isso Walzer diz que os bens sociais não possuem um significado natural bruto em todos os lugares, pois em diferentes comunidades esses bens podem ser interpretados de modos diferentes.

    Walzer leva muito em consideração a comunidade em que o agente está inserido para avaliar a melhor forma de obtenção da justiça, assim como todo bom comunitarista. Para ele os “significados sociais” e os valores de cada individuo são comunitários, ou seja, são criados não sociedade e de modo algum poderiam se dar em um individuo sozinho.

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  11. Walzer dá sequência à crítica comunitarista ao liberalismo, centralizada em Rawls. O autor coloca que os atributos como utilizar-se do véu da ignorância, posição original, etc, colocam a discussão sobre a justiça em um patamar que não espelha a sociedade de fato, o real, assumindo um caráter abstrato. É um erro supor que todas as pessoas possuam um conceito de justiça e que será o mesmo, como á colocado na teoria de Rawls.
    Para Walzer, a justiça aborda várias esferas da sociedade (educação, política, religião, economia, etc) e é necessário que elas estejam em equilíbrio, que nenhuma delas sobreponha a outra.
    É importante citar também o papel dos princípios de uma distribuição igualitária de bens na teoria da justiça de Walzer. Cabe ressaltar que bens para Walzer não possuem uma concepção apenas materialista, mas coloca todos os aspectos que as pessoas devem possuir para que se alcance o modo de vida necessário.
    Walzer reforça que os conceitos de justiça aplicados às esferas da sociedade e os princípios a serem adotados devem ser definidos de acordo com o caráter histórico e cultural de cada sociedade, não devem ser conceitos pré-estabelecidos, e sim devem ser construídos através de uma espécie de acordo que passe a admitir os vários tipos de vida e as várias concepções.
    Segue-se a crítica de que, através de sucessivos acordos, onde cada pessoa abre mão de algo ou concorda em admitir certa postura para que então construa-se a sociedade e seus princípios, não estaria dando lugar a pluralidade, mas apenas formando uma grande massa igual, a medida que esse mecanismo é exercido (o "acordo" faz as pessoas moldarem um outro novo tipo único ideal).

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  12. Walzer propõe a teoria da igualdade complexa, a qual, apesar de poder ser entendido como um argumento liberal, é fundamentada em preceitos de índole comunitarista. Ele afirma que a moralidade é uma realidade instrinsecamente natural, sendo assim, nos debates sobre justiça as peculiaridades da dimensão moral do homem devem ser a base.
    O raciocínio liberal nos levaria a pensar que esta forma de justiça proposta por Walzer não seria imparcial, portanto, nos levaria a desigualdade.Os liberais afirmam, em defesa, que para a concretização da igualdade social, é necessário que os princípios de justiça sejam abstratos já que é impossível encontrar uma concepção de bem que seja comum a todos os indivíduos e a todas as comunidades. Assim "o comunitarismo não é sustentável porque, por um lado, o pluralismo das sociedades é incompatível com a prioridade do bem sobre a justiça, e, por outro, a fundamentação dos princípios de justiça em valores relativos à história e cultura particulares de cada comunidade levanta o problema do relativismo". (Rui Areal - Diacrítica, Filosofia e Cultura).
    Diante da crítica, os comunitaristas afirmam que não é possível abstrair-se totalmente de suas concepções e experiências pessoais nas discussões sobre justiça, estando elas sempre mergulhadas em valores e tradições culturais das comunidades. Assim, criticam os liberais, sustentando que não é possível pensar a justiça a partir de abstrações tão distantes da realidade concreta. Diante disto, Walzer defende que a justiça deve sempre ser entendida em relação aos valores históricos e culturais das comunidades, levando em conta suas peculiaridades.

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  13. “ A igualdade, em seu sentido literal, é um ideal propício a traição”. Assim Micheal Walzer dá início ao prefácio de sua obra “The Spheres of Justice” e começa a discutir o conceito de igualdade. O autor logo no início de sua obra nos mostra o quanto é difícil trabalhar com este conceito e através de alguns exemplos se torna evidente que não dá para levar este conceito ao pé da letra. Algumas diferenças são inerentes à sociedade como, por exemplo, a existência de ricos e pobres, essa diferenças não são a causa da busca por políticas igualitárias, mas o poder que os ricos exercem tornado os pobres seus subordinados motivam a busca por estas políticas.
    Walzer constrói uma teoria de justiça com o objetivo de criar princípios que proporcionem uma distribuição igualitária de bens, no prefácio de sua obra ele diz com clareza que escreve o livro para descrever uma sociedade onde nenhum bem sirva de meio de dominação. O autor não cria uma receita para esta distribuição devido ao repeito pelas diferenças e particularidades presentes em cada sociedade, assim ele chega a conclusão que a distribuição de bens não pode acontecer de fora para dentro, ela não pode ser coordenada. Os motivos internos devem conduzir a distribuição pois desta forma se evitará a dominação.
    Com essa ideia, Walzer afasta a sua teoria do utilitarismo clássico, pois este pressupõe uma coordenação de distribuição. O utilitarismo nas palavras do autor é uma ciência integrada e a justiça distributiva é a arte da diferenciação, e desta arte resultará a igualdade. O autor considera como bens sociais o poder político, a segurança, o dinheiro, a educação, o bem estar social, entre outros.
    A teoria construída por Walzer é muito sedutora por buscar uma igualdade e uma melhor distribuição de bens, vejo que o autor se esforça para que a igualdade não limite a liberdade e que não aconteça a opressão e o uso do poder para obtenção de bens, pois como já dito a distribuição deve acontecer e dentro para fora. Mas meu conhecimento superficial sobre esta teoria me faz crer que o autor pressupõe uma boa vontade de todos pela distribuição de bens, assim vejo que a sedutora ideia de Walzer se distancia da realidade.

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  14. Walzer vai desenvolver uma teoria, em “As esferas da Justiça”, que busca uma distribuição igualitária dos bens. Para ele, os homens vivem em uma comunidade distributiva e que portanto é necessário haver distribuição dos bens, mas que esses bens são inúmeros e por vezes muito diferentes entre si e que não levar fatores como esse em conta, não será possível alcançar a realidade humana.

    É justamente esse o ponto de crítica de Walzer em relação à Rawls, pois por esse imaginar que um indivíduo ignoraria sua posição social para formalizar um contrato social era não conseguir atingir a realidade humana, pois sua metodologia não leva em consideração às diferentes concepções dos bens sociais por ele apresentada. Walzer vê ser necessário conhecer os bens à serem distribuídos, assim como para quem eles o serão, para levar em conta as particularidades de diferentes comunidades, que são produto de um particular desenvolvimento histórico e cultural.

    Cada tipo de bem social diferente é uma esfera diferente com especificidades próprias e, portanto, a distribuição só será realizada com sucesso quando tais especificidades das esferas forem contempladas. Para Walzer é necessário que essas esferas estejam em equilíbrio para que não haja a sobreposição de umas sobre as outras e para que a distribuição possa ser justa.

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  15. Os comunitáristas em geral não estão procurando princípios universais, antes estão se orientando para a descoberta de significados implícitos nos discursos e na prática. Esta também tem sido a posição defendida por Michael Walzer.

    Walzer toma para ponto de partida a afirmação de que “o filósofo não é um cidadão de uma qualquer comunidade de ideias. É isso que faz dele um filósofo.” O filósofo político é olhado como alguém que se isolou da comunidade política, “que se libertou dos laços efetivos e das ideias convencionais”.

    A comunidade coloca questões políticas, e não filosóficas, e as respostas que pretende exigem mais um conhecimento político do que filosófico. O conhecimento político é particular e pluralista quanto ao caráter, ao passo que o conhecimento é universalista e singular.

    De acordo com Walzer se faz necessário que nos protejamos do efeito político dos filósofos, pois isso “teria como consequência o reforço de uma verdade singular em detrimento de uma pluralista” e significaria “reiterar a estrutura da comunidade ideal em cada comunidade”. Acerca disso Walzer comenta sobre Rawls: “o mesmo aconteceria com uma dúzia de comunidades fundadas na posição original: é que existe apenas uma posição original”.

    Para o time dos comunitários, Rawls reivindica que práticas da comunidade sejam examinadas à luz da razão dos filósofos e contempladas segundo modelos abstratos e não-reais por ele construídos e dados como princípios. Para Walzer, o filósofo é o “único participante real na reunião perfeita” e os princípios e regras são produtos do próprio pensamento e são idealizados voluntariamente de uma maneira ordenada. Abstrai-se deste pensamento então que, os que se preocupam com questões de justiça não devem procurar no exterior princípios abstratos, mas antes olhar para dentro, para o Self, para descobrir as respostas escondidas nas praticas e tradições que são compartilhadas.

    Assim, segundo a definição de Walzer, “uma determinada sociedade é justa se a sua vida essencial é vivida de certa forma – isto é, de uma forma fiel às compreensões partilhadas dos seus membros.” Quando ultrapassamos essas compreensões agirmos, sempre, injustamente. Como membros de determinada sociedade podemos agir ou dar opiniões no que diz respeito à justiça apenas quando estão em contexto os significados sociais, estes não precisam ser harmoniosos.
    Em tese, a principal crítica de Walzer a filosofia rawlsiana é o fato de não existirem princípios (como Rawls acredita) eternos ou universais que possam substituir nossas compreensões intelectuais.

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  17. Walzer fala de igualdade de distribuição de bens e que cada bem tem um significado social. Uma teoria de justiça distributiva deve ser relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade. Ele entende que justiça e pluralismo estão interligados, pois existem muitas culturas e identidades sociais, cada ambiente social tem seus valores comunitários.
    Falando desse processo distributivo, ele depende do significado social de cada bem, que pode ser diferente em cada comunidade, então cada bem social vai constituir uma esfera distributiva autônoma, com seus métodos de distribuição próprios. A justiça estaria resguardada sempre que os critérios de cada esfera forem respeitados.
    A delimitação da esfera deve ser feita através de discussões políticas constantes entre os cidadãos, que juntos, identificam as necessidades da comunidade e assim definir os bens sociais que fazem parte da esfera, da segurança e do bem-estar social.
    Para Walzer é extremamente importante que uma teoria de justiça ressalte a necessidade de se respeitar a tradição cultural de cada comunidade e a construção da verdadeira cidadania se dá através do resgate do espaço público e da participação dos indivíduos na vida política da comunidade.

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  18. Atrasado.

    Valdeci Tadeu dos Santos Calazans - RA 21014711 Turma C.

    Michael Walzer

    A vantagem de se ter uma ótima aula é que aprendemos muito sobre assuntos importantes, a desvantagem é que não sobra muito para se escrever sobre o assunto que já foi abordado com muita propriedade e profundidade. Ainda assim falaremos sobre este importante pensador da justiça, ou mais especificamente, teorias da justiça.
    Walzer nasceu em 03 de março de 1935 (77 anos) em Nova Iorque, é professor emérito em Princeton. Escreveu 27 livros.
    Participante ativo da sociedade judaica, o que nos leva a observar que sua perspectiva da necessidade de se pensar a justiça sem afastar-se da realidade das pessoas e suas respectivas comunidades, podem ser reflexos dessa vivência em que a ajuda mútua é prática constante entre seus membros e onde se aprende desde cedo que há um Deus justo, que exige justiça daqueles que Nele acreditam, não dando margem para uma vida dissociada desta verdade.
    “A sociedade humana é uma comunidade distributiva...nós nos reunimos para compartilhar, dividir e trocar.”


    Seu assunto principal é a igualdade complexa, que o coloca na condição de pensador do liberalismo, porém com uma abordagem diferente, ao apresentar os fundamentos comunitaristas em sua teoria da justiça.
    “O objetivo do igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade... Não é a esperança da eliminação das diferenças; não precisamos ser todos iguais nem ter a mesma quantidade de coisas iguais.”


    Não pode haver justiça se as condições mínimas ou razoáveis, para atender as necessidades de sobrevivência do povo, forem inexistentes. Uma vez que estas necessidades básicas foram atendidas, faz-se necessário a continuidade desse processo, em que o direito aos bens sociais estejam disponíveis a todos os cidadãos, independente de raça, crença, cor ou posição social, econômica ou política e opção sexual.

    Walzer enxerga que o acesso aos bens sociais, deve ser regulado levando em consideração as situações complexas que envolvem os grupos sociais, tais como região geográfica, situação econômica, educação, religião, costumes, etc. Desenvolveu a idéia da justiça distributiva, onde os agentes de distribuição dos bens e direitos sociais devem atuar dentro da sua esfera de poder e autoridade sem interferir nas outras esferas, caso haja interferência nas outras esferas, a tendência é que haja conflitos que deverão ser resolvidos pelo diálogo e por fim, provavelmente ocorrerá a absorção pela esfera dominante.


    Considerando que a verdade é única, ainda que possa ser vista por vários ângulos, ela continua a ser única; a teoria da justiça quanto mais próxima da verdade, será mais coerente com a realidade e caso ela seja colocada em prática, seus efeitos resultarão em benefícios para a sociedade como um todo, aproximando dessa forma esta sociedade ao que se deseja como “sociedade ideal”, com justiça para todos.

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  19. São inúmeros os argumentos favoráveis e contrários à prática da eutanásia, que é o procedimento no qual há a morte executada de um paciente em quadro clínico irreversível ou quase irreversível.

    Antes de iniciar uma discussão, é válido distinguir dois conceitos: o da eutanásia e o da ortotanásia. Grosso modo, a ortotanásia é representada pela interrupção do tratamento médico ao paciente. Essa prática já é regulamentada desde 2006 no Brasil. Já são adotados os ditos “procedimentos não ressuscitáveis”, nos quais, por exemplo, um paciente já em cama com doença terminal apresenta uma parada cardiorrespiratória por complicação em outra parte do corpo que não necessariamente relacionada a sua doença, não sendo socorrido pelos médicos. A eutanásia, diferentemente, parte de uma postura ativa do paciente em buscar sua própria morte, seja só ou com auxílio de terceiros.

    Há aqueles que dizem que o paciente em estado terminal comprovado por diversos diagnósticos, para diminuir seu sofrimento, deva ser induzido à morte. A morte assim seria digna. Um dos empecilhos apontados para ainda não ter sido legalizada a eutanásia de modo irrestrito é o egoísmo das famílias, que somente avaliam seu lado e não o do paciente que agoniza pela morte.

    Outros rechaçam essa prática. Argumentam que os diagnósticos que supostamente comprovam a doença terminal podem falhar, ou por erro de interpretação médica ou por erro de método e procedimento médicos. Através do exame falacioso o paciente é induzido a crer numa verdade que não é absolutamente verdadeira e aceita ser morto, sendo que ainda existe a possibilidade de se recuperar. Existem casos de pacientes dados como incuráveis se reestabelecerem posteriormente. Outro argumento usado é o fato de que, se legalizada a eutanásia, os médicos poderão, por ordens de seus superiores, convencer um paciente de que seu quadro clínico é irreversível e que deve ser morto. Assim, uma vaga no hospital ficará vaga, atendendo aos objetivos dos órgãos públicos, principalmente, que sofrem com a falta de vagas e de infraestrutura em seus estabelecimentos hospitalares. É a “higienização”.

    Esses são somente alguns de vários argumentos utilizados, porém independentemente disso algumas religiões possuem posições inflexíveis ou quase inflexíveis sobre a prática da eutanásia.

    De forma sucinta, no islamismo, por exemplo, o homem é considerado representante de Deus na Terra. A vida de uma pessoa é tão valiosa como a de todo o gênero humano. Salvar um é salvar todos, enquanto que matar um é matar todos. O médico é um soldado da vida que não deve tomar medidas positivas para abreviar a vida do paciente, porém que não se deve utilizar de medidas heroicas para manter vivo um paciente em estado terminal cientificamente comprovado. No judaísmo também o médico serve como um meio de Deus para preservar a vida humana e existe a distinção entre prolongamento da vida do paciente, que é obrigatória, e o prolongamento da agonia, que não o é. Já no catolicismo, a eutanásia é a violação da Lei Divina, uma ofensa à dignidade humana, um crime contra a vida e um atentado contra a humanidade, mas não se coloca totalmente contrário à interrupção da vida pela via passiva.

    CONTINUA...

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  20. CONTINUAÇÃO

    Como se pode verificar, basicamente as três religiões expostas acima repudiam a prática ativa, ou seja, a eutanásia, mas não rechaçam, pelo menos não de forma contundente, a prática passiva, a ortotanásia. Existem outras inúmeras que seguem essa linha, contudo há outras que não veem qualquer erro ou crime contra a vida e a humanidade ao se adotar a eutanásia.

    Na Holanda, país importante da Europa, a eutanásia é legalizada desde abril de 2001. A lei passou a vigorar em abril de 2002. Na ocasião houve protestos por parte da população e ativistas, mas nada que tirasse da maioria da população holandesa a consciência de apoio à nova lei. Apesar de sua adoção, existem algumas condições preestabelecidas para a prática da eutanásia. São elas: o paciente deve ter uma doença incurável e estar com dores insuportáveis; o paciente deve pedir para morrer voluntariamente; e o diagnóstico deve ser feito por um e por outro médico.

    Nas discussões que são travadas, muitos dizem que é justo regular por legislação a eutanásia, pois garante a todo e qualquer paciente o poder de realizar o que lhe é satisfatório quando apresentar uma doença considerada terminal; outros muitos, por outro lado, dizem que esse tipo de legislação é injusto, pois ataca fortemente as tradições e conceitos de várias crenças religiosas.

    Eis a questão: as legislações que regulamentam e legalizam a eutanásia são justas ou injustas? A discussão de justiça deve levar em consideração a vontade de muitos pacientes que desejam realmente morrer por não aguentarem mais as dores e sofrimentos insuportáveis ou, em outra via, deve levar em consideração majoritariamente as crenças e tradições das religiões?

    Alguns buscariam idealizar a Justiça para esse caso a partir de abstrações de alguns pontos fundamentais e inegociáveis. A Vida muito provavelmente estaria entre esses elementos. Quem não adotasse a Vida como elemento primordial inclusive para iniciar o debate nem poderia entrar nele. Logo, qualquer visão que atacasse a Vida já seria excluída no início da discussão. Outros viriam que isso é injusto, pois estaria subtraindo visões que podem conter importante teor do que poderia ser considerado justo, mesmo que não considerassem de forma universal, irrestrita e inflexível a Vida como primordial.

    Em outras palavras, os primeiros abstrairiam o que é justo levando-se em consideração alguns fundamentos pré- considerados; os segundos já adotariam outra postura, escutando todos os lados que podem contribuir para a discussão. Há uma posição de respeito às tradições e costumes, que podem divergir entre si, defendendo ou rechaçando a legalização ou mesmo a simples prática da eutanásia. Cada uma das partes pode defender sua visão de justo ou injusto, não sendo imposta de antemão o que é o justo e o injusto no contexto da eutanásia.

    ASENCIO, Leonardo Dworachek

    *Este texto foi realizado depois do prazo. Peço desculpas pelo atraso.

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  21. O Principal argumento deste autor comunitarista é de que a construção de uma teoria de justiça distributiva deve sempre ser relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade em particular.
    Ao contrário de Rawls, Walzer, e os comunitaristas em geral, defendem que não há como se estabelecer uma teoria da justiça fundamentada em princípios imparciais e universais, muito menos na existência de indivíduos abstratos, sem raízes e livres de qualquer influência histórica ou cultural. Justiça e pluralismo estão interligados.
    A principal preocupação de Walzer é com “uma humanidade mais justa e com a proteção dos direitos humanos, através da valorização da comunidade e do espaço público, do particularismo histórico e da responsabilidade social”. Para ele, a justiça social não tem a ver só com a produção e o consumo, mas também com a distribuição dos bens sociais, pois não existe apenas um, a vida em comunidade revela um vasto rol de bens sociais.
    Nas sociedades, sempre existe um bem predominante que traz consigo status e por isso, aqueles que o possuem, tendem ao monopólio. Walzer não ´´e exatamente contra o monopólio, mas diz que é preciso evitar o predomínio do bem para que este não se converta em critérios de distribuição de outros bens sociais.
    Para garantir a distribuição não influenciada pelo monopólio de um bem, Walzer dis que o contrato social deve ser constantemente discutido pelos membros da comunidade.
    Esses bens sociais são divididos em esferas:
    *Segurança e bem estar social
    *Dinheiro e mercadorias
    *Trabalho
    *Educação
    *Reconhecimento
    *Poder Político
    A teoria de Walzer defende, para todas as esferas, a ideia de que somente através do debate público pode-se chegar às verdadeiras necessidades de uma comunidade particular, permitindo, assim, a realização da justiça social.

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  22. Ao meu ver os comunitaristas até então tem pecado no pragmatismo de sua teoria,Walzer é mais um deles, proprõe um mundo constituido de diversas culturas e comunidades que formam suas respectivas esferas, onde deve ser valorizado o convencimento civilizado, a cultura e as tradições,rejeitando a ideia de justiça universal.
    Cada comunidade deve estabelecer o que é justo e caso entre em conflito com outra comunidade deve atravéz do convencimento ,sem imposições ,"converter" a comunidade conflitante e agrega-la, caindo em mais uma das contradições dos liberais, em direção
    a comunidade unica.Me parece que Walzer não tratou de justiça e sim da manutenção dos costumes com os melhores interlocutores,seguindo tal teoria o Nazismo ou qualquer aberração cultural pode ser justificada e considerada justa.Sendo assim concluo que nenhuma teoria sobre justiça que justifique o nazismo pode ser justa , não sei qual seria a solução na busca da receita para justiça mas parece que justiça deve possuir algum principio irregovél ,assim como alguma fé na objetividade e na ciência sem recorrer muito para o impossivel do véu da ignorância e do estado original ou talvez estou sendo tão incoerente quanto aqueles que critico e justiça seja uma meta inalcansavél principalmente a sua “receita”, de qualquer forma ainda não consegui uma conclusão satisfatória sobre isso e agradeço ao Sr.Michael Walzer por me colocar nessas reflexões.

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  23. Walzer enxerga a justiça como um padrão moral que deve ser entendido de acordo com as tradições das diferentes sociedades. O autor dá enfoque aos bens sociais (social goods) e na sua distribuição que, em sua visão, é a geradora das principais questões de justiça social.

    Analisando sua obra, pode-se perceber que é mais um autor comunitarista que critica alguns aspectos da teoria liberal de John Rawls. Um ponto importante dessa crítica é construída sobre a ideia de Rawls de que para se elaborar o contrato social, que será o alicerce da justiça em certa sociedade, os elaboradores do contrato devem estar cobertos por um véu de ignorância que servirá para que seus selfs sejam deixados de lado de forma que não interfiram nas atribuições que serão dadas à justiça nessa sociedade. Para os autores comunistaristas, como Walzer, esse distanciamento do self é impossível, o que torna a teoria de Rawls metafísica, sendo impraticável no mundo real.

    Visando o papel importante das comunidades e das tradições na construção da concepção de justiça e a impossibilidade de se gerar princípios de justiça de um universo abstrato, o autor coloca a ideia de que os bens sociais devem ser distribuídos de forma diferente de acordo com as características de cada comunidade em questão. Também diz que na sociedade existem diferentes esferas da justiça (o Estado, a Igreja, a econômica, a política, entre outras). O fato é que para que se tenha uma sociedade justa, essas esferas devem entrar em um diálogo para que cheguem a um consenso sobre como agir e interferir umas nas outras de forma satisfatória.

    O problema, em minha visão, é que essa ideia de que as diversas esferas da sociedade podem entrar em um diálogo harmonioso é uma concepção distante da realidade, sendo que para isso acontecer todos os envolvidos devem ter as melhores intenções possíveis; e isso é muito difícil de ser real. Um outro ponto importante a se destacar nessa parte da teoria de Walzer é o fato de que as diversas esferas, que podem até ser diferentes sociedades, para entrarem em um acordo, teriam que estabelecer um equilíbrio reflexivo, ou seja, será necessário resgatar um item importante da teoria de Rawls, mas também confuso, para que a teoria de Walzer tenha sentido prático.

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  24. Walzer, como os demais comunitaristas parte da idéia de que a justiça tem um caráter pluralista, ou seja, assume varias concepções distintas variando de acordo com os valores culturais de cada sociedade. Esse conceito de justiça particular de cada sociedade é o que deve ser tido como o ideal de justiça a ser seguido.

    Devido a seu ponto de vista, entra em conflito com as idéias de Rawls de escolher indivíduos que representem os demais, e que esses se cubram com um véu de ignorância para elaborar as leis que sejam benéficas para a maioria, e que também sejam universais e livres de valores. Para Walzer, a justiça anda de mãos dadas com a pluralidade e tem sim valores, os da comunidade, que varia no tempo e conforme se muda de comunidade, assim a justiça não pode ser universal.

    Outro ponto importante é o que tange a distribuição de bens, que para Walzer é parte fundamental de uma sociedade justa. Há um vasto número de bens sociais, cada tipo de bem social sendo diferente possui sua especificidades formando várias esferas de bens. Para que a distribuição seja efetiva, essas especificidades precisam ser levadas em conta, estabelecendo-se um equilíbrio, evitando-se uma eventual supremacia de uma esfera sobre as demais, garantindo assim uma distribuição justa.

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  25. Adotando o particularismo metodológico, Walzer afirma que a justiça deve ser estabelecida de acordo com os valores e contextos das sociedades em particular. As diferentes esferas da justiça: moral, econômica, religiosa e social devem estabelecer uma distribuição igualitária dos bens e cada esfera não deve se sobrepor sobre a outra, devendo haver uma relação equilibrada entre cada uma e seus interesses. A única estratégia possível para isso seria o convencimento.
    Os bens ou bases sociais classificadas por Walzer como primárias são: direito, liberdade,oportunidade, poder, renda, educação, saúde e estas possuem um caráter social, ou seja, são sempre encaixadas de acordo com o contexto social, seus significados podem mudar de acordo com a região.A justiça social tem diferentes sentidos em diferentes sociedades. Dado o caráter de inserção do indivíduo no meio, vivendo em um grupo que detém características específicas, a distribuição igualitária deve ser feita de dentro para fora. Os bens ser concebidos como parte do contexto social e não devem ser tratados de forma abstrata, fugindo do concreto e do real.
    Ele afirma em seu vídeo “Values don’ have crisis(...)”, que não devemos nos preocupar porque não iremos perder valores como vida, liberdade, amor e compaixão, eles são primários. Porém, estes valores estão em crise na sociedade, sofrendo “ups and downs” .Walzer faz referência à necessidade de uma igualdade e justiça entre pessoas, de uma provisão igualitária de bens para reduzir a pobreza e respeito ao meio-ambiente natural, completando que nós reconhecemos sim todos esses valores e necessidades mas “We create the crisis by ignoring what we need to do(...)” . Cita que muitas vezes assistimos casos como mortes em países como Ruanda e fazemos nada quanto a isso. “We recognize but we don’t act”. Para Walzer, isso é uma crise. Mas isso não é uma crise de valores, nós entendemos que temos uma responsabilidade de proteger. Questões como a abolir a pobreza por exemplo, reconhecemos a seriedade, porém não agimos de forma que essa situação possa realmente mudar. Ele diz “ The crisis is an assignment to action” (A crise é uma atribuição para a ação), ou seja, se não há crise, não há porque agirmos e a única forma de operar é coletivamente, através do Estado, que é o principal agente de quando realizamos algo em conjunto. “Politics are about collective action” e completa que se quisermos lutar contra crimes contra a humanidade devemos persuadir o Estado e grandes lideranças para que façam isso.

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  26. Michael Walzer formula sua teoria da justiça baseando-se na distribuição igualitária de bens.
    Para ele, os homens vivem em um comunidade distributiva, assim, a justiça social não deve estar relacionada somente com a produção e o consumo, mas também com o processo de distribuição dos bens sociais.
    Porém ele tem consciência de que essa distribuição não é simples, chamando essa igualdade de distribuição de bens, de “Igualdade Complexa”, pois não existe somente um bem social,d a mesma forma que não existe um critério para distribuí-los e também não existe apenas um agente distribuidor. Assim, Walzer afirma que se não for levada em consideração essa complexidade de fatores que envolve os bens sociais e sua distribuição dento de uma comunidade, o sistema distributivo não será capaz de alcançar a realidade da pluralidade humana.
    Além disso, para ele, as escolhas dos princípios que regulam a distribuição dos bens deve ser baseada nos particularismos de cada comunidade, suas características históricas e culturais.
    O que fica evidenciado é que, para o autor, os princípios distributivos da justiça devem sempre se basear na interpretação que as comunidades fazem dos bens que serão distribuídos, ou seja, na importância, no significado que cada bem social possui dentro de diferentes comunidades. Para Walzer, esse é o principal problema da teoria de John Rawls, pois ele parte de um pressuposto de que os indivíduos escolheriam os princípios de justiça ignorando sua própria situação particular de vida, e isso para o comunitarista, não é possível.

    Os bens sociais, como dinheiro, educação, direitos, liberdades, oportunidades, saúde e poder não possuem sempre o mesmo significado, eles tem sempre um entendimento social. Assim, se o processo distributivo depende do significado social de cada bem, quando esse significado é diferente, cada bem social irá constituir uma esfera da justiça. E cada esfera será independente, com critérios, métodos e agentes distribuidores próprios. Para Walzer, a justiça distributiva só poderá acontecer quando forem respeitados os critérios internos de cada esfera. Nenhuma esfera poderá se sobrepor à outra, pois para ele, o objetivo do igualitarismo distributivo é uma sociedade livre da superioridade. Em suas palavras: “A minha finalidade nesse livro é descrever uma sociedade na qual nenhum bem social sirva, ou possa servir, de meio de dominação”.

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  27. [Atrasado] Michael Walzer é mais um comunitarista que critica novamente a base da teoria rawlseana, porém, sua teoria se destaca mesmo é por conta do seu principal argumento de que a construção de uma teoria de justiça que seja distributiva deve sempre contar com a relatividade dos valores históricos e culturais de cada comunidade em particular.

    Walzer acredita que a sociedade esta ligada não só a produção e ao consumo de bens, mas também a sua distribuição, esta distribuição é complexa justamente por não haver só um bem social a ser distribuído, da mesma forma que também não há um critério distribuidor, e então é preciso levar em consideração toda esta complexidade para se conseguir analisar uma sociedade pluralista; é preciso levar em consideração também a particularidade de cada comunidade de sua cultura e de sua historia. Walzer então enfatiza os motivos pelos quais se deve respeitar essas diferentes esferas distributivas e analisa a forma de como se deve dar esta distribuição de bens sociais com a finalidade de bem estar social.

    A conclusão que vejo nisto é que, mesmo apresentando alguns pontos de difícil execução prática, a teoria Walzer aborda alguns elementos muito importantes e que não podem ser ignorados por aqueles que se dedicam a busca por uma sociedade mais justa.

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  28. (atrasado)

    Em sua obra “As esferas da justiça”, Michael Walzer inicia sua análise com a noção de pluralismo (que estaria interligada com a noção de justiça, ideia comumente defendida pelos comunitaristas). A priori é postulado que a sociedade humana é uma comunidade distributiva, ou seja, os cidadãos se reúnem a fim de compartilhar, dividir e trocar; e partindo desse pressuposto, Walzer afirma que a ideia de justiça distributiva teria uma relação com o ser, o fazer e o ter, bem como com a produção, consumo, identidade, status, posses pessoais, etc. Através de uma análise histórica percebe-se que o mercado fora um dos mecanismos mais importantes de distribuição de bens sociais, porém nunca fora considerado um sistema distributivo completo, o Estado por sua vez também nunca conseguira possuir tal poder que regulamentasse todos os tipos de partilha, divisão e troca que modelam a sociedade.

    Quanto à teoria de bens, tem-se que “...as pessoas distribuem bens para (outras) pessoas.” (pág.5) e baseado nisso é afirmado que o foco de análise de Walzer referente a esse conceito não está nos produtores nem nos consumidores, mas nos agentes distribuidores e recebedores dos bens, assim a importância de uma teoria de bens seria a de explicar e limitar o pluralismo das possibilidades distributivas. Walzer aponta algumas proposições que ilustram de forma clara sua teoria de bens, entre elas a de que “Todos os bens de que trata a justiça distributiva são bens sociais.” (pág.6); “...é o significado dos bens que define sua movimentação.” (pág.8) e “Os significados sociais são históricos em caráter, portanto, as distribuições [...] mudam com o tempo.” (pág.9).

    Um importante conceito na obra de Walzer é a de sociedade igualitária complexa e para dar início a sua análise o autor retoma o conceito de igualdade simples que é concebida como sendo uma distribuição simples, ou seja, se eu tenho uma quantidade “x” de um determinado bem e você tem a mesma quantidade do mesmo bem, somos iguais. Dessa forma é afirmada que a igualdade é uma relação complexa de pessoas, mediadas por bens que criamos, compartilhamos e dividimos entre nós. Voltando ao conceito de igualdade complexa (particularmente de sua defesa), Walzer introduz os pensamentos de Pascal e Marx, para o primeiro a tirania consistia em desejar poder, universal e fora de sua própria esfera, já para o segundo sua concepção acerca do assunto ilustra-se melhor na passagem “...só se pode trocar amor por amor, confiança por confiança. Se se quiser gozar da arte, deve-se ser um homem artisticamente educado...” (pág.22). A partir disso conclui-se que as afirmações de Pascal e Marx referem-se à ideia de que as qualidades e os bens sociais têm suas próprias esferas de atuação, onde exercem suas influências livres.

    O regime da igualdade complexa seria então o contrário da tirania, em termos gerais temos que “...a igualdade complexa significa que a situação de nenhum cidadão em uma esfera ou com relação a um bem social pode definir sua situação em qualquer outra esfera, com relação a qualquer outro bem.” (pág.23). Por fim são postulados os três princípios distributivos, que seriam: livre intercâmbio (que é ilimitado e não garante nenhum resultado distributivo em especial), o mérito (assim como o livre intercâmbio, parece ser tanto ilimitado quanto pluralista) e a necessidade.

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  29. * Começa aqui a minha maratona de comentários atrasados! *

    Eu assisti vários vídeos do Walzer, e eu gostaria de discutir duas posições interessantes que ele defendeu em seus discursos.
    Para Walzer os problemas que vivemos hoje certamente não são resultantes de uma crise de valores, e sim de uma crise na aplicação desses valores. O problema não está não mão dos filósofos, portando o dever de elaborar uma nova moral e novos conceitos, mas sim na mão dos políticos, no campo da aplicação. Ele diz em um trecho desse discurso que talvez o nosso tempo seja o mais refinado em questão de compreensão dos valores. Mas ao meu ver temos sim uma crise de valores, pois acreditamos em igualdade, liberdade e fraternidade mas nossos conceitos estão corrompidos, justamente pelo movimento político dos governos que corromperam, com muita sutileza, esses ideais. O governo sempre nos prometeu o bem, mas trata-se de um bem corrupto. A seguir um trecho de um texto meu - levemente poético - que mostra minha visão sobre o assunto.

    "Quem foram as vítimas da humanidade se não os corruptos, os hereges e os loucos?Quando foi que a humanidade cometeu algum crime?Já procuramos o mal? Alguma vez a humanidade saiu rumo a sua própria ruína? Já fomos maus? Em que tempo o líder pregava a maldade, e o povo gritava pelo sangue do justo? “Que o caos nos consuma!” Já disse assim algum líder ou algum povo? Muito belos são os discursos! Sempre foram. A virtude nunca faltou, em tempo ou lugar algum. Em todas as guerras, ambos os lados eram justos e lutavam pela verdade absoluta.Em todos os guerreiros de todas as causas: Apenas verdade, virtude, justiça e amor.Em todos os reis, imperadores, sacerdotes, aristocratas e presidentes: Virtude sempre!
    As nações sempre viram nascer “a nova era”... As causas sempre foram vitoriosas.Seguimos maravilhosos discursos e idéias assim como sempre fizeram todos os povos. Mas quando foi que algum povo prosperou? Não conhecemos ainda a dor do humilde? Aos crentes eu pergunto: O que são a virtude, a justiça, o amor e o progresso? "
    Ao meu ver, nós precisamos sim de uma transformação significativa em nossos valores, e essencialmente teórica. O problema - ponto onde meu pensamento se aproxima do de Walzer - é que o que rege a vida politica da população é o que diz o politico, não o que diz o filósofo, mas é isto que precisa mudar. O intelectual deve deixar de agir feito um monge em seu isolamento - e promessa de silêncio - e atuar de forma viva na sociedade, como fazia Voltaire, por exemplo. O povo precisa refinar suas concepções, precisa deixar de chamar vingança de justiça, por exemplo, e para isso precisamos de trabalho intelectual denso e comprometido com a prática. A " verdade política" será sempre uma mentira.

    Em um outro vídeo, Walzer faz uma analogia entre o poder político e econômico para explicar sua postura distributiva dos bens. Ele diz que limitamos o poder do estado pois entendemos bem as consequências do abuso do poder, que entendemos ser necessário, porém nocivo em excesso. Limitamos também em quais esferas da vida de um indivíduo o poder pode atuar, pois entendemos que certas decisões devem ser completamente subjetivas. Por que, então, não pensamos de maneira semelhante com o poder econômico? Por que o livre mercado é um dogma? Para Walzer nós devemos trabalhar com uma mão visível do mercado, pois a invisível não promove o bem comum. Certas coisas, como a saúde e a educação, não podem ser mercadorias, e os sujeitos merecem garantia de certas condições mínimas. Me agrada bastante esta visão.
    Me parece que, por conta da "verdade política" vigente, o debate que ocorre na mídia atualmente está permeado pelo livre mercado em forma de dogma, a sociedade se recusa a ver que o vício em dinheiro se trata de uma doença como os demais vícios, por exemplo.

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  30. [Atrasado] Walzer é mais um dos comunitaristas estudados nesta disciplina, portanto, para ele as tradições e particularidades do modo de vida de uma sociedade deve ser levado em consideração no momento de elaborar princípios de teorias da justiça que serão adotados.

    A critica feita a Rawls vai no sentido em que este trata de maneira abstrata os bens sociais (direitos, liberdade, oportunidades, etc.) e prioriza o indivíduo, ao invés o bem comum social. Para Walzer a justiça é feita quando organiza-se o modo de vida dos cidadãos de acordo com a realidade de cada sociedade, a teoria de Rawls propõe que sob um véu de ignorância escreva-se um contrato a ser aplicado em determinada sociedade, o que pode gerar um conflito de interesses, tendo em vista que comunidades diferentes precisam de leis que diferentes.

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  31. Michael Walzer defende a ideia de uma teoria de justiça distributiva que seja associada aos valores de individuais de cada comunidade, através de valores históricos e culturais destes. Apesar da realização de qualquer teoria ser difícil, a de Walzer apresenta argumentos e soluções de suma importância.

    Como comunitarista, o autor critica John Rawls por meio do princípio do "véu da ignorância" que priva a sociedade de suas opiniões, seus conceitos, históricos e perspectivas. Pois valorizam a igualdade e o pluralismo de identidade social, ou seja, as comunidades e seus espaços sociais.

    Walzer presume que cada comunidade possui um bem social, cada qual teria métodos, critérios e responsáveis pela organização, assim a justiça desta distribuição é assegurada de forma que cada esfera seja respeitada. Todavia, isso normalmente não acontece, e por causa dessa deslealdade o autor nos difere dois conceitos: de predomínio e monopólio.

    Um bem predominante é quando um indivíduo ou a sociedade que o tem sobre posse são capaz de comandar diversos outros bens. E passa a ser monopólio a partir do momento em que explora seu predomínio, garantido por meio de força. Então Walzer cita que combater o monopólio significa que a distribuição seria de forma igualitária aos cidadãos, o que ele chama de sistema de igualdade simples, e se mostra desacreditado nesse regime por ter muita probabilidade de ser influenciado por fatores independentes, mas ligados à sociedade. Portanto, a solução para ele seria sustar o predomínio, pois assim os critérios de distribuição deste bem predominante não influenciem os critério de outros bens, mesmo que exista pobres e ricos, estes não os oprimiriam. Esta é a igualdade complexa de Wolzer.

    Podemos citar os bens: de segurança e o bem estar social que são de extrema importância para a sociedade, que deve discutir entre seus membros a melhor proposta e por não existir uma única solução para diversas situações, cada esfera deve fazer a sua discussão. E ainda podemos citar o trabalho, o dinheiro, a política, entre outros bens.

    Os argumentos fundamentais que merecem maior atenção daqueles que julgam os conceitos teóricos seriam, a defesa dos valores culturais locais, pois é necessário respeito a tradição de qualquer esfera. E principalmente na inserção da população na política de sua comunidade e a recuperação do espaço social.

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  32. [Atrasado]
    Para Michael Walzer, a justiça seria um padrão moral que deveria ser concebido e avaliado no contexto das tradições das nações e das sociedades em particular.

    Ele considerava que a justiça social, de cada sociedade, era vista de diferentes maneiras, seguindo suas particularidades, seus costumes, suas culturas, e que surgiam da distribuição de bens específicos. Cada uma dessas sociedades, possuia bases primárias (como educação, saúde, liberdade, direito, etc.), as quais não tinham um significado único, podendovariar de acordo, novamente, com essas diferenças das particularidades de cada povo.

    Também segundo Walzer, as sociedades eram divididas em diferentes esferas que acabavam por determinar sua ideia de justiça, como: o Estado, a Igreja e a esfera econômica. Com isso, a determinação do que é justo e do que não é, ficaria ligado ao Convencimento. Esse convencimento se daria de diferentes maneiras, variando de sociedade para sociedade, podendo ocorrer entre pessoas e/ou "instituições", através de diálogos, de guerras e de outros meios, definidos de acordo com a cultura da sociedade em questão.

    A análise mais profunda da doutrina comunitarista e da teoria de justiça formulada por Walzer, permite a conclusão de que o comunitarismo pode contribuir de forma relevante para o atual debate sobre a justiça social. Ainda que boa parte das questões formuladas por Walzer sejam de difícil realização prática, sua teoria apresenta argumentos fundamentais, que merecem reflexão cuidadosa por parte daqueles que discutem a questão no plano teórico. Primeiro, por exemplo, é possível citar a defesa dos valores culturais locais. Em tempos de padronização cultural, é extremamente importante que uma teoria de justiça ressalte a necessidade de se respeitar a tradição cultural de cada comunidade.

    Porém, acima de qualquer coisa, o principal aspecto da doutrina de Walzer, e que por isso mesmo precisa ser sempre ressaltado, é a construção da verdadeira cidadania, através do resgate do espaço público e da cada vez maior participação dos indivíduos na vida política da comunidade. O futuro da democracia está cada vez mais ligado à participação direta dos cidadãos, e a sua teoria defende fortemente a ideia de que somente através do debate público é possível chegar às verdadeiras necessidades de uma comunidade particular, permitindo, assim, a realização da justiça social.

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  33. [ATRASADO]
    Walzer, como seus colegas comunistaristas, segue uma linha de pensamento que se baseia no valor da comunidade, em suas características históricas e culturais. Ao desenvolver sua tese, o autor estabelece uma ligação com a tese de John Rawls sobre a Posição Original e o Véu da Ignorância, bem como a critica. Para Walzer, a preocupação principal não é o individual – o self. O mais importante é a ideia de bens sociais (goods) para toda a comunidade na qual o individuo está inserido. O autor diz que a tese de Rawls, mesmo que de forma abstrata, estabelece a busca dos bens sociais. Mas ressalta que a ideia de justiça como equidade adotada por Rawl não é suficiente. Não basta ter regras para a distribuição dos bens, como se todos estes pudessem ser classificados igualmente e distribuídos equitativamente para as diferentes pessoas. Cada indivíduo, estabelecido em determinada comunidade, carece de diferentes necessidades. Logo, uma distribuição justa é aquela que atende as necessidades específicas de cada comunidade. Esse justo depende do good que cada comunidade valoriza e adota em seus princípios. Quando se leva em consideração que os diferentes bens têm variados graus de importância em comunidades distintas, têm-se a confirmação de que essa distribuição deve ocorrer baseando-se nessas diferenças.

    Walzer estabelece três princípios distributivos. O livre intercâmbio, que é ilimitado e livre, não garantindo nenhum resultado específico. Este não é um critério de distribuição, mas especifica uma maneira desta ocorrer. O mérito é resultado de bens sociais distribuídos como recompensas por órgãos neutros. E, por fim, a necessidade, já aqui discutida. É uma distribuição que satisfaça as carências de cada comunidade, de forma justa. Para definir essas regras, Walzer atêm-se ao método particularista, que tem a justiça concebida no contexto das tradições características de cada comunidade. Assim, os princípios de distribuição são igualitários, mas condizentes com o que cada comunidade precisa.

    A visão social que Walzer tem do mundo o leva a reconhecer diferentes esferas de justiça, como o Estado, a Igreja, o econômico e o político. Ainda segundo o autor, os conflitos sociais são motivados pela distribuição dos bens. A igualdade que se busca, e que para Walzer define justiça, é aquela que além de tratar todos os membros igualmente, busque uma distribuição de bens igualitária, prezando as características que compõem as necessidades de cada comunidade, sem que haja o monopólio de nenhum bem por parte de uma comunidade.

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  34. [Atrasado]

    Para Walzer as questões da justiça surgem da distribuição de bens sociais primários, tais como, os direitos de liberdade, oportunidade, renda, educação e saúde, sendo que uma sociedade justa deve fornecer princípios de distribuição igualitária dos bens.

    Os critérios de distribuição dos bens de cada sociedade devem ser definidos a partir dos significados sociais que existem nessa sociedade sobre esses mesmos bens. A tarefa é interpretar a cultura da sociedade e as concepções morais das pessoas. A reflexão moral consiste no trabalho de interpretação sobre os elementos culturais das comunidades.

    Walzer utiliza-se de Esferas para construir sua teoria da justiça. Existem diversas esferas da justiça, como o Estado, a Igreja, a esfera econômica, política, social, e a própria sociedade é considerada uma esfera. As esferas devem ser tratadas de forma igualitária, e nenhuma delas pode se sobrepor a outra. E caso haja conflitos entre as esferas, estes devem ser resolvidos por meio do convencimento.

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  35. *ATRASADO
    Walzer é mais um autor que vem na linha dos comunitaristas, e parte da sua teoria vem da critica feita a Rawls, onde sua maior crítica é de que Ralws faz abstrações e Walzer considera que para se tratar de justiça tem que se levar em consideração a realidade, ele também critica a questão do bem social, de como sociedades diferentes encaram este bem social, que é importante a questão cultural de cada sociedade.
    Walzer vai ressaltar a importância de levar em considerações diferentes esferas sociais, como a esfera da política, da economia, da religião, etc. A relação entre as esferas tem que se dar de forma harmoniosa, porque se algo que pertence a uma esfera for chocado com algum elemento de outra esfera isso pode gerar um desequilíbrio forte, por exemplo algo que pertence a esfera do mercado for tratado pela religião ou vice-versa, pode haver um forte desentendimento e desequilíbrio entre as esferas.

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  36. Michael Walzer é mais um autor comunitarista por nós estudado. Sua teoria baseia-se nas ideias de esferas de justiça ( nome de sua obra) e distribuição igualitária de bens, claro que com importantes desdobramentos.
    Segundo esse autor, a justiça social está diretamente relacionada a distribuição igualitária de bens, já que as sociedades humanas são comunidades distributivas( as pessoas trocam e compartilham coisas, por exemplo através do mercado). Esta distribuição deve ocorrer baseada na realidade prática de cada sociedade em especial, deve ser levado em conta as tradições e culturas locais, já que um mesmo bem social pode ter ( tem) diferentes sentidos em sociedades distintas. Os bens sociais não possuem significados intrínsecos, estes são sempre gerados a partir da interpretação social própria de cada sociedade.( Aqui está a maior diferença entre a teoria de Walzer e a teoria de Rawls, já que o último assume que para discutir justiça devemos assumir uma posição original, descartando nossa situação real, para um é um exercício de abstração da realidade, para o outro de análise e entendimento desta). Além disso, a distribuição deve se feita de baixo para cima, de dentro para fora, ou seja, as pessoas em sua forma de se organizar socialmente devem guiar esse ideal, não políticas ou determinações impostas. Deve haver uma vontade comum e geral de "igualdade"( no sentido que Walzer dá a palavra) dentre os indivíduos- o que em meu ver chega a ser utópico demais.
    Para Walzer a sociedade é dividida em esferas, política e religião são duas delas, e estas devem conviver sem conflitos e sem que assuntos de uma sejam tratados por uma outra. Os motivos e critérios de cada esfera devem ser respeitados, e nunca um esfera deve se sobrepor a outra, caso aconteça, o problema deve ser resolvido na base do convencimento. Desta forma Walzer visa descrever uma sociedade na qual a dominação através dos bens sociais não exista.
    As ideias de Walzer me parecem interessantes para pensarmos o mundo de hoje, já que vivemos um mundo completamente globalizado, no qual diversas culturas atingem diversas pessoas de diversas sociedades, com o objetivo de implementar uma única cultura, que ao meu ver é a cultura do consumismo exacerbado.

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  39. Walzer acredita que a igualdade em seu sentido literal é um princípio fadado à traição por aqueles que estão comprometidos com ela. Se chegarmos numa assembleia em que todos tenhamos parcelas exatamente iguais, essa igualdade não sobreviveria muito, chegaria um líder forte com bom discurso e seremos convencidos a obedecer suas ordens. Depois, começaremos a classificar uns aos outros. Se chegássemos numa situação onde todos tivessem o mesmo capital, “sabemos que o dinheiro igualmente distribuído ao meio-dia do domingo terá sido desigualmente redistribuído antes do fim da semana.” Haverá pessoas que pouparão, pessoas que gastarão, pessoas que investirão. Não é o fato de existirem ricos e pobres que gera a política igualitária, mas o faro de que os ricos “oprimem” os pobres. A experiência da subordinação – principalmente a pessoal – é o que está por trás do ideal de igualdade. O objetivo do igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade. Não é a esperança da eliminação das diferenças, não precisamos ser todos iguais, ou ter todos as mesmas coisas. Todos serão iguais entre si (para fins morais e políticos importantes) quando ninguém possui nem controla os meios de dominação. Mas esses meios tem constituição diferente em cada sociedade. A intenção de Walzer é descrever uma sociedade na qual nenhum bem social sirva de meio de dominação, um igualitarismo que seja compatível com a liberdade. Ele não acredita que o que descreve seja uma utopia, essa sociedade está ao nosso alcance.
    A sociedade humana, segundo Walzer, é uma comunidade distributiva. Nos reunimos para compartilhar, dividir, trocar. Diferentes arranjos políticos impõe e diferentes ideologias justificam as diversas distribuições de afiliação, poder, homenagens, eminência ritual, graça divina, parentesco e amor, cultura, riquezas, segurança física, trabalho e lazer, gratificações e punições, e uma infinidade de bens concebidos de maneira mais restrita e materiais – alimentos, abrigo, roupa, transportes, assistência média, e todos os outros tipos de coisas que os seres humanos colecionam. E essa infinidade de bens se combinam com a infinidade de agentes e critérios de distribuição.
    Contudo, não existe apenas um ponto de acesso a esse mundo das ideologias e dos sistemas de distribuição. Jamais houve um meio de troca universal, o dinheiro é o mais comum. Mas a máxima de que há coisas que o dinheiro não compra, não é só uma verdade normativa, mas verdade de fato. Na questão da justiça distributiva, a história nos mostra uma diversidade de sistemas e ideologias.
    Walzer critica Rawls no sentido em que, numa situação de situação original, sob o véu da ignorância, as escolhas que um indivíduo racional faz, pode condizer com a de todos os outros indivíduos racionais, mas, quando esse indivíduo sair dessa posição, e se encontrar em sua própria pele é duvidoso que ele reitere suas escolhas, ou mesmo a reconhecesse como sua.
    A justiça é uma invenção humana, e duvida-se que seja feita de uma só maneira. As questões apresentadas pela teoria da justiça distributiva apresenta mais de uma resposta, e há espaço para a diversidade cultural e as opções políticas.
    Para explicar e limitar o pluralismo das possibilidades distributivas, ele resume a teoria em seis proposições:

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    1. 1. Todos os bens de que trata a justiça distributiva são bens sociais. Os bens do mundo compartilham significados porque a concepção e criação são processos sociais.
      2. Homens e mulheres assumem identidades concretas devido ao modo como concebem e criam, depois possuem e empregam os bens sociais.
      3. Não existe conjunto concebível de bens fundamentais ou essenciais em todos os mundos morais e materiais senão tal conjunto deveria ser concebido de maneira tão abstrata que teria pouca utilidade ao se pensar em determinadas distribuições.
      4. É o significado dos bens que define sua movimentação.
      5. Os significados sociais são históricos em caráter, as distribuições e as distribuições justas e injustas mudam com o tempo.
      6. Quando os significados são diferentes, as distribuições devem ser autônomas.
      Bens sociais diferentes devem ser distribuídos por razões diferentes de acordo com processos diferentes, por agentes diferentes, e de todas essas diferenças derivam – de diferentes entendimentos dos bens sociais – os produtos inevitáveis das particularidades históricas e culturais.
      Para repartir os bens sociais deve-se levar em conta as sociedades. Os bens são diferentes de sociedades para sociedades. A justiça é um padrão moral que deve ser concebida e avaliada no contexto das tradições e sociedades em particular.

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  40. Walzer em seus estudos nos diz os desejo individuais e coletivos são diferentes de sociedade para sociedade, portanto um conjunto de leis universais não seria capaz de dar conta dessas diferenças; mesmo porque existem difentes esferas da justiça, como o estado, a igreja, o setor econômico e político, entre outros.

    Walzer mesmo afirmando que os desejos são diferentes acredita que a distribuição igualitária dos bens é a forma justa de distribuição, sendo os bens primários como saúde, educação, renda, poder, etc. Uma teoria da justiça social tem que fornecer os princípios básicos dessa distribuição igualitáia. Para fazer essa distruibuição igualitária ocorra é preciso segundo Walzer recorrer a cultura de cada sociedade, pois a cultura como definidora de cada sociedade e o indivíduo e os bens sociais sendo advindo dela não podem ser vistos separados. Para ele cada bem social tem seu significado de acordo com a cultura de cada sociedade.

    Assim como Sandel, a crítica de Walzer sobre Ralws é porque o primeiro discute tal distribuição igualitária no mundo real e o segundo no abstrato.

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  41. Este comentário foi removido pelo autor.

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  42. A teoria de justiça de Walzer inicia afirmando que os homens vivem em uma comunidade distributiva, por isso a idéia de justiça social está ligada com o processo de distribuição dos bens sociais.Não é simples essa distribuição, porque não há apenas um bem social e apenas um critério de distribuição, pelo contrário a vida em comunidade exibe uma grande lista de bens sociais. Assim, para Walzer qualquer sistema distributivo que não leva em consideração esses fatores não conseguirá alcançar a realidade da pluralidade humana. Além disso, a escolha dos princípios que regulam esse sistema distributivo deve ser feita levando em consideração as diferenças de cada comunidade, suas características históricas e culturais. Para Walzer, esse seria o principal problema da teoria da justiça de Rawls, que parte do princípio de que os princípios de justiça são escolhidos por pessoas ignorantes quanto à própria situação particular de vida. Ele conclui que quando o significado é diferente, cada bem social constitui uma esfera distributiva própria e levando em consideração essas caracteristicas o equilibrio é estabelecido garantindo uma distribuição justa.

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  43. Para Walzer a justiça é um padrão moral que deve ser aceito e avaliado conforme os contextos vividos por cada sociedade, ou seja, em cada nação a justiça tem a sua particularidade. Além disso, como outro aspecto, uma teoria de justiça deve sempre visar o fornecimento de bens de forma igualitária.
    E esses de bens de que falo são os bens sociais, por exemplo, os nossos direitos, a liberdade, educação e saúde. A partir desse momento em que descobrimos o que estabelecemos o que são os bens socias, devemos trabalhar na questão de sua distribuição, o que é diferente conforme a sociedade em que é feito, e nessa área começam a surgir as questões de justiça.
    E a justiça não se prende a somente uma área, ela exite em em vários campos, tais como o Estado, a Igreja, a Política e a Econômia, e cada um desses campos é constituido e formado por certo bem social trazendo equilíbrio e uma distribuição igualitária para toda a sociedade.

    *Desculpe pelo atraso!

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  44. Walzer se opunha a Rawls que defendia o véu da ignorância, que colocava a todos em igual posição, para Walzer cada indivíduo é diferente do outro, cada sociedade tem diferentes valores devido as várias culturas que existem e por isso algo assim seria impossível.
    Como cada sociedade possui diferentes valores, a distribuição dos bens pode variar, em um local pode ser que um produto seja de grande imporância diferentemente de outro lugar onde aquilo não possui valor algum. Na aula foi discutido sobre a eutanásia, para a maioria das religiões como católica e judaica a vida é um bem divino que de forma nenhuma pode ser retirado, já para os ateus a vida não possui esse bem divino, de forma alguma um ateu é obrigado a tomar uma posição a favor ou contra a eutanásia mas serve apenas para demonstrar como uns podem ver a mesma coisa de diferentes formas.
    Aí é que deve haver um diálogo entre as diferentes esferas (Religião,Mercado,Estado...)em situações onde há o conflito sobre algo.(atrasado

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  45. *Atrasado

    Walzer defende que a justiça deve ser avaliada no contexto das tradições das sociedades em particular, e que a teoria da justiça deve fornecer os princípios de distribuição igualitária de bens. Existem diferentes esferas da justiça como: o Estado, a Igreja, a econômica, a política. Dessa forma, a função da justiça é impedir que uma esfera se sobreponha à outra, ou seja, essas diferentes esferas devem atuar umas sobre as outras para tentar convencê-las e assim, criar um equilíbrio entre essas esferas. O autor acredita que os bens sociais primários como direito, liberdade, oportunidade, renda, educação e saúde possuem significados e entendimentos sempre sociais.
    É preciso levar em conta os agentes envolvidos nas distribuições dos bens, pois os agentes possuem tradições e costumes diferentes entre si. Durante a aula expositiva foi dado o exemplo do pão, que tem seu entendimento de diferentes formas de acordo com a comunidade em que está inserido, podendo existir divergências até mesmo dentro de uma mesma sociedade.

    Assim como outros autores comunitaristas, Walzer dirige sua crítica à Rawls devido às abstrações que esse autor faz ao indivíduo. O indivíduo proposto por Rawls não existe, pois os indivíduos possuem um “self” do qual não podem se separar. Outra crítica de Walzer a esse autor se baseia no fato de que ele não leva em consideração os bens sociais, para ele todos os bens são iguais.

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  46. "comentário atrasado"

    Walzer em seu trabalho sobre a justiça nas sociedades não a define através de uma abstração, tomada como verdadeira para todos os casos, mas assume que a justiça social – que é uma distribuição dos bens sociais de forma igualitária – é definida no contexto de cada sociedade, portanto cada sociedade em particular encontra a forma justa de organizar-se com base em suas próprias tradições e padrões morais. Então, não há uma única forma justa de se organizar a sociedade. Há formas diferentes, que devem ser avaliadas dentro de seus próprios contextos. Este é o chamado método particularista.
    Os bens sociais possuem diferentes significados em diferentes sociedades. Os bens que definimos como “primários”, tais como: direitos, liberdade, poder, educação, renda não possuem significado bruto. Seus significados são construídos dentro de cada sociedade.
    Possuindo diferentes significados, tais bens sociais diferentes devem ser distribuídos seguindo diferentes lógicas, procedimentos e por diferentes agentes – de acordo com os entendimentos de cada sociedade. Há justiça social quando os bens são distribuídos de forma a satisfazer os entendimentos que esta sociedade tem sobre a justiça.
    Os entendimentos sobre a justiça são quase sempre diferentes em cada sociedade, pois “people make and inhabit meaningful worlds. The world they create is social. Meanings and values are comunal and cannot be created by individuals acting alone.”

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  47. Desculpe o atraso.

    Walzer adota o particularismo metodológico para formular uma teoria da justiça, pois avalia de extrema importância considerar as particularidades e circunstancias em que determinada sociedade vive, para entender o que é justiça na concepção daquele lugar. Neste momento ele coloca uma crítica contra Rawls, pois argumenta que este não considera em sua teoria a particularidade da concepção de bens sociais em diferentes esferas.

    Para chegar ao particularismo, o autor leva em conta uma teoria da justiça que contenha princípios de distribuição igualitária de bens, onde há diferentes concepções destes bens, diferentes formas de distribuição deles, além de diferentes agentes que estejam envolvidos neste processo, sendo que isto acontece justamente pela peculiaridade da cultura e da história de diversos lugares.

    Walzer diz que para haver justiça, é necessário que nenhuma esfera social se sobreponha a outra, por isso é preciso haver um equilíbrio entre elas e assim manter a justiça. Para não existir a sobreposição ou a imposição de uma esfera em relação a outra, pode-se adotar o convencimento sobre determinada sociedade, de maneira que se este convencimento surtir efeito, tal sociedade terá a cultura e história mudada, paraque esta se adeque à sociedade que convencia, em suma: este convencimento (se efetivo) tende a homogeneização de esferas a uma só.

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  48. Walzer retoma a idéia de justiça distributiva,diferente de Rawl que pensa justiça como "Fairness". Entretanto diferencia-se da utilitarista,onde o principio da maximização é o foco,ou seja o importante é maximizar.Para Walzer a justiça deve ser distributiva mas deve-se atentar para os valores históricos e culturais especificos de cada comunidade.

    Há uma grande dinâmica na obra de Walzer pois ele engloba toda essa grande dinâmica da sociedade reconhecendo que há diversos bens sociais e diversos critérios para distribui-los e não é fácil fazer essa distribuição.
    Para realizar essa distribuição é necessário criar um sistema distributivo que possa dar conta das assimetrias na sociedade.

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  49. Para Walzer, deve-se levar em conta a pluralidade e as diferenças de valores existentes dentro de cada sociedade para se fazer a distribuição dos bens sociais de maneira justa. Isso é uma crítica ao Rawls que não leva em conta estes detalhes. Cada sociedade, tem uma necessidades e valores diferentes quanto a cada objeto. O que pode ser bom para alguns, pode não ser para outros. Ou ainda, que cada sociedade se satisfaça com quantidades diferentes de determinados bens sociais. O foco da distribuição de bens são os indivíduos como agentes recebedores e distribuidores. Não como consumidores ou produtores.
    Deve-se levar em consideração que somos pessoas "egoístas" e que sempre estamos interessadas em nosso próprio bem estar/ interesses. Também somos pessoas que dão e recebem dentro de um sistema distributivo. Mas as questões que devemos responder são: Como agimos nestes sistemas? O que levamos em conta? E se estivéssemos em uma situação ideal, como seríamos e o que levaríamos em conta?
    O que controlam os sistemas distributivos são as respostas para as perguntas anteriores. Através de uma abstração leva-se a distribuição dos bens sociais para onde se quer.
    A maioria dos filósofos, aqui inclui-se o Rawls, parte de Platão para descrever o seu sistema distributivo onde o único sistema justo ou idealmente justo é aquele onde as pessoas "idealmente racionais ideiais" optariam de forma imparcial, caso obrigadas a fazer uma escolha, se não soubessem nada acerca de sua condição particular.
    Porém, os homens reais não são os ideais. Portanto, não há como ficar usando o véu da ignorância para ser "justo" com todos. Através do véu da ignorância, os indivíduos teriam que abrir mão dos seus valores, particularidades e não saber de sua própria condição. Além disso, não seria possível/ admissível que fizessem solicitações em prol de si mesmo. Walzer diz que após tirar o véu da ignorância, ou seja, sair da abstração, os indivíduos talvez não fossem capazes de reconhecer, concordar e nem mesmo optar pelas mesmas escolhas que fizeram antes (quando estavam livres de todas as peculiaridades). Procurar unidade em algo, dentro da distributividade, sabendo de um pluralismo que existe, é "deixar de entender o tema da justiça distributiva". Não há como ter um critério único para todos os tipos de distribuição. Sempre existirão muitas diversidades de ideologias distributivas. Por outro lado, aceitar o pluralismo é uma grande dificuldade, pois exige coerência, deve-se ter como justificar a escolha e estipular limites para tal. Ainda que exista um único tipo legítimo de pluralismo, ele abarcará uma enorme variedade distributiva.
    A justiça é uma invenção humana e não existe apenas uma forma mais "correta" de realizá-la. As questões apresentadas pela teoria da distributividade leva em conta a pluralidade dos indivíduos.
    É simplista demais dizer que podemos, através de um único conceito de distributividade de bens sociais, estabelecer uma regra para toda uma pluralidade. Isso faz-nos ser precipítados e generalistas sobre o comportamento dos homens e daqueles que agem com moral. Se assim procedermos, faremos afirmações ou tiraremos conclusões que não podemos dar muito crédito. portanto, Walzer faz a sugestão de uma declaração mais certeira e principal que é o primeiro item à respeito da distribuição de bens da lista a seguir.
    Sobre a distribuição de bens pode-se dizer que:
    "as pessoas concebem e criam bens só depois os distribuem".
    "As pessoas distribuem os bens para outras pessoas"
    Distribuir aqui significa o conjunto dividir, trocar, dar, etc.
    A concepção e a criação vem antes e fazem o controle da distribuição de bens.
    A distribuição não é feita através de uma regra universal pelos distribuidores ativos.
    O foco de todas as relações sociais são os bens sociais, pois tornam-se meios devido aos significados que adquirem.



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  50. Continuando:
    Os bens passam pela mente antes de ir adiante. Começam a existir conceitos/ definições compartilhados do que são e para que fim se utilizam os mesmos.
    Os bens adquirem poder de persuasão sobre os agentes distribuidores e norteiam os atos destes nas distribuições.
    Tudo o que necessitamos é de uma teoria de bens para limitar e entender, além de tornar claro o pluralismo dos diversos caminhos de distributividade. Walzer propõe 6 princípio que guiam uma formulação de teoria de bens. Mas tais princípios não serão mrncionados aqui.o mercado é um dos sistemas mais importantes meios de distribuição de bens sociais, mas não o mais completo.
    Nenhum Estado consegue controlar por completo o processo de distribuição de bens sociais (partilhas, trocas e divisões). Estes são os responsáveis pela modelagem dentro da sociedade. o Estado ainda também não é capaz de substituir os mecanismos agentes de distribuição.

    Diante deste quadro até aqui exposto, volta-se ao que já se citou no início do texto: A pluralidade deve sempre ser considerada e levada em consideração. Apesar de tentador, não deve-se estabelecer um parâmetro único através da distribuição de bens sociais.
    Tudo isso, não pelas pessoas serem individualistas em si, mas por cada um sempre levar em conta os seus valores, cultura, história e experiências de vida.
    O véu da ignorância de Rawls não irá funcionar para todos os caso, pois não podemos atuar no mundo real através da abstração.

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  51. Michael Walzer nasceu em 03 de março de 1935 (77 anos) em Nova Iorque, é professor emérito em Princeton. Escreveu 27 livros.
    Participante ativo da sociedade judaica, o que nos leva a observar que sua perspectiva da necessidade de se pensar a justiça sem afastar-se da realidade das pessoas e suas respectivas comunidades, podem ser reflexos dessa vivência em que a ajuda mútua é prática constante entre seus membros e onde se aprende desde cedo que há um Deus justo, que exige justiça daqueles que Nele acreditam, não dando margem para uma vida dissociada desta verdade.
    “A sociedade humana é uma comunidade distributiva...nós nos reunimos para compartilhar, dividir e trocar.”
    Seu assunto principal é a igualdade complexa, que o coloca na condição de pensador do liberalismo, porém com uma abordagem diferente, ao apresentar os fundamentos comunitaristas em sua teoria da justiça.
    “O objetivo do igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade... Não é a esperança da eliminação das diferenças; não precisamos ser todos iguais nem ter a mesma quantidade de coisas iguais.”
    Não pode haver justiça se as condições mínimas ou razoáveis, para atender as necessidades de sobrevivência do povo, forem inexistentes. Uma vez que estas necessidades básicas foram atendidas, faz-se necessário a continuidade desse processo, em que o direito aos bens sociais estejam disponíveis a todos os cidadãos, independente de raça, crença, cor ou posição social, econômica ou política e opção sexual.
    Walzer enxerga que o acesso aos bens sociais, deve ser regulado levando em consideração as situações complexas que envolvem os grupos sociais, tais como região geográfica, situação econômica, educação, religião, costumes, etc. Desenvolveu a idéia da justiça distributiva, onde os agentes de distribuição dos bens e direitos sociais devem atuar dentro da sua esfera de poder e autoridade sem interferir nas outras esferas, caso haja interferência nas outras esferas, a tendência é que haja conflitos que deverão ser resolvidos pelo diálogo e por fim, provavelmente ocorrerá a absorção pela esfera dominante.
    Considerando que a verdade é única, ainda que possa ser vista por vários ângulos, ela continua a ser única; a teoria da justiça quanto mais próxima da verdade, será mais coerente com a realidade e caso ela seja colocada em prática, seus efeitos resultarão em benefícios para a sociedade como um todo, aproximando dessa forma esta sociedade ao que se deseja como “sociedade ideal”, com justiça para todos.

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    1. AQUI INICIAM OS COMENTÁRIOS DOS ALUNOS DE 2013.

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  52. A reflexão que o textos de Michael Walzer me trouxe é: quem é melhor para dizer como devo viver, ou o que é melhor para mim, senão eu mesmo? Lembrando de que eu não estou deslocado do mundo, vivo e existo em um contexto e esse espaço me define, da mesma forma que eu o defino, embora eu seja posterior à ele e isso significa muito.

    Os pensamentos de Walzer que me fizeram pensar dessa forma dizem respeito a uma ideia de justiça é formada desde a moral contida nas comunidades, sendo que essas possuem suas particularidades. Nesse sentido Walzer já nega a existência de um conceito universal do que é justo, que no máximo seria um universalizante forçoso (do ponto de vista normativo) do que universal (do ponto de vista descritivo).
    Walzer diz ainda que uma sociedade justa promove uma divisão igualitária de bens, ao contrário de Dworkin, para nosso autor a justiça se desenvolve de diversos pontos de vista que não só o economico, mas também religioso, político e etc. Dessa forma o que se entende por "bens" não pode ser somente o dinheiro, mas sim qualquer outra coisa que uma sociedade julgue de valor e de necessária distribuição para os fins de promover uma sociedade justa.

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  53. Este comentário foi removido pelo autor.

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  54. Michel Walzer es un comunitarista, esta corriente surge del pensamiento en contraposición al liberalismo. Considerando que todo lo que es básico para la ética, deriva de los valores comunitarios, del bien común, de los objetivos sociales, de las prácticas tradicionales y de las virtudes de la cooperación y fundamentalmente de la solidaridad.
    Walzer dice que la igualdad tiene que ver con el reconocimiento mutuo como seres humanos, y argumenta que somos muy distintos y a la vez semejantes. ¿De dónde se deriva de tal diferencia y tal similitud? Va a sostener que la justicia es el arte de la diferenciación y la igualdad es el resultado de ese arte.
    Desarrolla el concepto de la justicia distributiva a partir del principio sustantivo que sostiene a la justicia como una construcción humana en donde los principios que la sustentan, plurales en su forma, integran lo diferente y conciben a los bienes como bienes sociales. Bienes concebidos como producto del particularismo histórico y cultural, definiendo de esta manera el criterio de justicia a aplicar.
    Para Walzer, el hombre no se reduce a una dimensión política o a una dimensión económica. El “yo” se divide por lo menos en tres modos: Primero, entre sus intereses y funciones. Somos ciudadanos, profesor, alumno, etc . En segundo lugar, se divide entre sus identidades, responde a muchos nombres, definiéndose a sí mismo en términos de familia, nación, religión, género, compromiso político, identificándose con tradiciones, regiones, rituales y sobre todo con diferentes grupos. Por último, el “yo” se divide entre sus ideales, principios y valores.
    La conclusión de Walzer de que la justicia es relativa a los significados sociales, levantó un conflicto crítico. Walzer insiste en el relativismo histórico de las reglas para la determinación exacta de la justicia, sobre todo en su complejidad al mudarse de una esfera de justicia para otra. La justicia requiere la defensa de la diferencia -diferentes bienes distribuidos por diferentes razones entre diferentes grupos de personas- y es éste el requisito que hace de la justicia algo denso o una idea moral maximalista, reflejando la densidad de las culturales particulares y sociedad.

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  55. Arthur El Reda Martins
    RA: 11002610
    Email: art.erms@gmail.com


    A defesa de Walzer é por uma teoria da justiça que seja embasada em valores históricos e culturais de uma comunidade. Uma das suas principais ideias é a de distribuição igual de bens sociais já que como a comunidade per se é algo social, como se pode criar valores a partir de noções individuais? Novamente temos um autor que critica Rawls e seu liberalismo/individualismo e sua consequente universalização de princípios. É, de acordo com Walzer, errado tentar universalizar qualquer tipo de ideia, pois as comunidades são plurais e seus valores não podem ser colocados numa mesma cesta. Novamente um dos pilares da filosofia comunitarista.

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  56. Walzer continua a crítica ao liberalismo, focando-se em Rawls. O autor propõe uma discussão de caráter abstrato, onde seria equivocado conceituar a justiça como algo fixo, com idéias como o Véu da Ignorância, a Posição Oeginal, etc. Os indivíduos e, portanto, a sociedade tem valores que são passíveis de mudanças, e, a justiça, permearia vários setores da sociedade - como a política, economia, questões religiosas... - as quais só estão em equilíbrio a partir do momento que estas convivem sem que haja sobreposição, ou preferencia, de uma ou outra.
    Para Walzer, a justiça aborda várias esferas da sociedade (educação, política, religião, economia, etc) e é necessário que elas estejam em equilíbrio, que nenhuma delas sobreponha a outra.
    Para Walzer, os bens - não apenas materiais, mas todas as necessidades à vida - deveriam ter uma distribuição eqüitativa entre todos.
    Os valores adotados na sociedade, derivariam de acordo com o contexto histórico que essa sociedade se deu e se encontra; então, estes são construídos por meio de vários acordos que vão se estabelecendo conforme este processo histórico ocorre; não seria uma imposição, ou, acordo, estabelecido antes de constituir-se a tal sociedade.
    Então, a partir de cada acordo que vai se estabelecido, os indivíduos podem concordar ou discordar de determinadas posturas adotadas, construindo, assim, os valores. Isso não levaria à pluralidade ideológica, mas uma grande igualdade maciça, moldada sob o aspecto de uma única vertente ideológica.

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  57. A desigualdade é um dos pilares da teoria de Walzer. Por isso, critica o liberalismo, afirmando que “em suas versões convencionais contemporâneas, é uma teoria insuficiente e uma prática política defeituosa”. Insuficiente, antes de tudo, porque desconsidera a desigualdade. Para Walzer, falta ao liberalismo reconhecer a devida importância às associações involuntárias que, marcadas pela desigualdade, são as principais protagonistas da política multicultural. O liberalismo é, também, uma “prática política defeituosa”, porque, nas deliberações que fomenta os participantes raramente abordam a experiência concreta da desigualdade ou a luta contra ela.
    Por fim, Walzer defende que é necessária alguma paixão para combater-se a estrutura social e a ordem políticos-desiguais — algo que os liberais não reconhecem.

    Na teoria da justiça que formula, Walzer também considera centrais a diferença e o pluralismo. Tratando do tema na obra Esferas da Justiça, em que rechaça a busca por um princípio universal de justiça e sustenta a justiça como “creación de una comunidad política determinada en un momento determinado, y [que] la interpretación debe hacerse a partir de esa comunidad”.

    Para evitar o monopólio de bens sociais, Walzer apresenta uma teoria da justiça que se ampara em dois pilares: a igualdade complexa e a consequente autonomia distributiva. A igualdade complexa de Walzer contrapõe-se à igualdade simples do liberalismo, que pode ser exemplificada com a igualdade de oportunidades sobre a qual John Rawls constrói o seu senso de justiça. Walzer questiona a igualdade de oportunidades: onde e para quem se deve dar essa pretendida igualdade? Para Walzer, não basta igualdade de oportunidades, visto que é preciso definir previamente quais são os bens sociais as quais a igualdade de oportunidades dará acesso, definição que só seria possível levando em conta o contexto histórico, cultural e social da comunidade.

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  58. Ao ler os textos percebi que Walzer foca na teoria de Rawls.O autor acredita que os bens sociais primários como direito, liberdade, oportunidade, renda, educação e saúde possuem significados e entendimentos sempre sociais e a justiça não se prende a somente uma área, ela exite em em vários campos, tais como o Estado, a Igreja, a Política e a Econômia, e cada um desses campos é constituido e formado por certo bem social trazendo equilíbrio e uma distribuição igualitária para toda a sociedade.
    Os valores adotados na sociedade, derivariam de acordo com o contexto histórico que essa sociedade se deu e se encontra; então, estes são construídos por meio de vários acordos que vão se estabelecendo conforme este processo histórico ocorre; não seria uma imposição,estabelecido antes de constituir a sociedade.
    Dessa forma o que se entende por "bens" não pode ser somente o dinheiro, mas sim qualquer outra coisa que uma sociedade julgue de valor e de necessária distribuição para os fins de promover uma sociedade justa.

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  59. Para Walzer todos devem ter igualdade de oportunidades, ninguém deve ser impedido de ter uma boa vida social, por falta de posses. Desigualdade no acesso à educação, saúde, expectativa de vida, a qualidade dos postos de trabalho estão intrinsecamente ligados à desigualdade de riqueza e renda com nossos baixos níveis de mobilidade econômica no mundo. Justiça e igualdade em nossa corte e sistema de justiça criminal são em grande parte uma função da riqueza. Esta estratificação econômica cria rigidez maiores e barreiras que não gera igualdade de oportunidades nas esferas não econômicas.

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  60. Walzer, assim como Sandel, continua as críticas ao liberalismo com enfoque na teoria de Rawls. Entretanto, vemos em Walzer uma necessidade de teoria da justiça embasa nos valores históricos-culturais de uma sociedade. Por isso, seus pensamentos são pautados pela desigualdade. A teoria proposta se baseia no princípio igualitário de distribuição de bens. A distribuição de bens que é proposta, não se limita a bens materiais e sim a justiça social, que é inerante de cada sociedade. Assim, as pessoas não devem se limitar aos bens materiais para que possam ter um vida social com oportunidades.

    A crítica a Rawls se faz no âmbito dos bens sociais. Rawls trata de forma abstrata e metafísica os bens que as comunidades desejam compartilhar, enquanto Walzer defende que isso não cabe ao mundo real.

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  61. Walzer trata de justiça a partir de uma visão mais abstrata da questão. Desse modo, uma sociedade não pode estabelecer um conceito de justiça como algo fixo, dado que a sociedade é uma aparelho que geralmente encontra-se em mudança. Com isso, ele acredita que a ideia de justiça se dará a partr do equilíbrio dos valores dos diversos setores convivam sem que haja uma sobreposição de um frente a o outro.


    Os valores de uma sociedade variam segundo o contexto histórico antigo e atual, segundo Walzer. Com isso, tais valores são construídos por meio de vários acordos que vão se estabelecendo conforme este processo histórico ocorre e não por imposição de um indivíduo ou de um grupo.

    Tal visão traz consigo a possibilidade e os individuos da sociedade em questão poderem concordar ou discordar com os diferentes valores que aparecem com o passar dos anos. Isso não traria um pluralismo ideológico, mas sim um igualdade maior dada por uma única vertente ideológica social.

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  62. O trabalho de Walzer se aproxima um pouco do trabalho de Sandel à medida que ambos são comunitárias e ambos criticam o trabalho de Rawls. Outro ponto que aproxima os dois trabalhos é a questão da valoração do papel das sociedades e como isso tem influencia sobre o indivíduo. Para o autor, a justiça deve servir de ferramenta para a distribuição igualitária de bens. Os bens porem, não possuem valor por si só, estes dependem do contexto no qual estão inseridos, variando sua importância. Para tal, Walzer baseia sua teoria no contexto histórico e social de uma comunidade, o qual é determinante no processo de distribuição, uma vez que cada sociedade apresenta um valor e uma necessidade diferente e que não pode ser aplicado igualmente nas demais, não havendo, portanto, um conceito de justiça universal. Os bens para Walzer não são apenas os de cunho material, envolvem também tudo aquilo que seja necessário à vida de uma pessoa (segurança, bem estar, trabalho, educação, direitos, etc.) e isso aplica-se as varias esferas da justiça (o Estado, a Igreja,etc.)

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  63. Michael Walzer admite em sua concepção de que existe uma sociedade, uma comunidade, porém esta para ele ainda mantém um traço de individualismo. Pois ele acredita que as diversas comunidades diferem entre si, cada um então pode possuir sua teoria da justiça, pois elas são individualizadas.
    Para ele é admissível a existência de comunidades com perfis diferentes, como visto em aula, ele pensa em um sistema de esferas, cada comunidade sendo uma esfera diferente, podendo possuir características específicas, estando elas dentro de uma esfera maior.
    Entre essas esferas há conexão, e até troca de informação, ou seja, essas esferas estão conectadas dentro da esfera maior, e o mesmo tipo de pensamento se aplica à esfera maior, então também há uma ligação entre as esferas e os meios.
    Walzer defende a ideia de que as comunidades são influenciadas pelos seus contextos, históricos, sociais, políticos, ou seja, ao que está externo à ela. Esses perfis diferentes são esperados, segundo ele, e para se poder analisar as teorias de justiça é necessário que se analise de forma individualizada cada comunidade, pois os conceitos mudaram.
    Os conceitos sobre injustiças as vezes podem ser baseados em critérios errôneos, porém quando analisamos a divisão de bens sociais primários o significado de injustiça ou desigualdade em uma comunidade pode divergir por conta da forma de pensar no “coletivo individualizado”, já que os direitos básicos muitas vezes adquirem significado através dos contextos.
    Walzer faz uma crítica clara a Rawls, ao que se refere o “véu de ignorância”, pois ele alega que é uma boa teoria política, porém esta não possui uma aplicabilidade a situações concretas, pois não há como discutir sobre o que é justo ou não, se o que moldou (fatores externos mencionados a cima) essa comunidade não for levado em conta, pois nem o indivíduos e nem os bens primários conseguem ser analisados de fora dessa comunidade.

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  64. Walzer, como um autor comunitarista, critica a visão liberal que tenta estabelecer uma teoria da justiça pensada somente no indivíduo de forma atomista. O autor critica a visão de Rawls e coloca que uma discussão de caráter abstrato como Rawls formula para o indivíduo e para conceituar o Véu da Ignorância, a Posição Original, que seria algo inaplicável devido ao nível da abstração, que seria impossível desassociar os "preconceitos" dos homens. Outro problema seria que tal tentativa criaria um conceito imutável de justiça (supremo) e a sociedade possui valores que são passiveis de mudança, assim como os próprios indivíduos.
    Walzer propõe que existiram várias sub esferas sociais dentro da sociedade, como educação, família, política, mercado, e a justiça estaria dentro de cada um desses, sendo dentro de cada uma dessas esferas existiria uma conduta esperada pelos autores, fazendo com que isso cria diferentes formas da concepção de justiça dentro de cada esfera. E é necessário, também, que estas estejam em um certo equilíbrio, que nenhuma possa se sobrepor sobre a outra;
    Dentro de sua linguagem e de seu contexto social e historico cada comunidade cria sua tabulação de valores, para toda essa e em cada uma de sua sub esferas, e assim, então, seriam firmados acordos de como dá-se a dinâmica social.
    Os indivíduos podem concordar ou discordar com os acordos estabelecidos, mas a mudança de paradigmas, ou seja, dos valores e condutas que devem ser tomados dentro de uma esfera, deve-se dar a partir do convencimento dos outros daquilo que o indivíduo discorda e propõe em sua fala. Para Waltzer o debate é (me parece ser) algo fundamental.

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  65. Walzer acredita em diferentes esferas da sociedade (política, econômica, religiosa, educacional, entre outras), cada esfera com uma jurisdição específica, sendo que, deveria haver uma ordem maior que tais jurisdições para que não fosse permitida a ampliação de uma esfera com consequente supressão de outra. O ideal seria um equilíbrio entre essas esferas, equilíbrio que só pode ocorrer com uma aplicação dessa ordem maior, superior as juridições específicas das esferas particulares.

    Walzer não acredita em concepções iguais ou inerentes ao ser humano, como acreditava Rawls. O autor crê no poder cultural e histórico para determinação dos conceitos de justiça, um acordo entre diversas concepções de vida e ideais. De modo que entrassem em um consenso e formassem um acordo, próximo do que fosse o ideal entre essas diferentes visões, para então finalizar a formulação dos princípios de justiça e construção da sociedade.

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  66. Michael Walzer assume uma postura diferente dos demais autores estudados, visto que se situa entre o caráter coletivista, ou seja, não abandona a ideia de que vivemos em uma comunidade e isso é imprescindível ao ser humano, o caracterizando como um comunitarista, mas também admite a capacidade de entendimento de justiça por parte do estudo do indivíduo. Desse modo, abstrai a primazia de ambas as posições.

    Walzer confirma nossa existência em uma sociedade imersa em culturas e tradições. Entretanto, não tem uma visão extrema ou mesmo reacionária, como a meu ver, segue MacIntyre, ao sobrepor a comunidade moral perante o estabelecimento da identidade pessoal. Ao invés disso, alegará que o papel da justiça esta vinculado com as variadas moralidades de diferentes comunidades ou esferas, e não sua concentração em uma específica. Logo, se determina diversos tipos de justiça.

    O indivíduo possui vários caráteres, modificando seu modo de agir em cada situação, em cada comunidade. Se assim o é, os critérios de justiça não serão os mesmos para cada esfera, o que é aceito e válido em uma, pode não ser em outra. Nesse ponto o autor pretende explicar que as injustiças ocorrem quando uma esfera se sobrepõe à outra, dado que a ideia de que cada ambiente tem seu próprio sistema de valores e explicação dos mesmos, típico daquela sociedade e, o único modo de se compreender a justiça é afunilando e estudando o funcionamento e as particularidades dessa sociedade, analisando as relações internas a ela, como também as questões externas, para que não haja essa sobreposição de uma sobre a outra. Um exemplo prático seria a avaliação de justiça no mundo a respeito dos países em relação à Declaração Universal dos Direitos Humanos, questionando as variantes culturas, como o caso do mundo árabe em comparação ao mundo ocidental, como também casos mais específicos, analisando se esses direitos de fato ocorrem no Brasil...

    Sua crítica a Rawls está centrada na condição do indivíduo sobre o véu de ignorância, para Walzer, as filosofias políticas se afastam das abstrações, pois devem compreender de fato a realidade. Além disso, deve-se analisar as diferentes concepções de bens, não apenas uma como Rawls pressupõe. Para o autor, não há uma única justiça, as pessoas habitam em espaços cheios de diferentes significados e o equilíbrio ocorre através do processo de interpretação e de compreensões interpessoais, o que lembra as ideias de Taylor.

    Walzer irá se referir à uma “igualdade complexa”, fundado na ideia de distribuição, pois uma igualdade simples é ilusória, a igualdade no sentido complexo abrange as particularidades de escolhas do indivíduo, concedendo-o o desenvolvimento de suas próprias ações.

    Assim, Justiça é aquela que proporciona o equilíbrio das esferas, sua análise só pode ser feita quando se questiona como se dão as relações entre essas esferas e como entendem os valores fundamentais.

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  67. Michael Walzer é um autor comunitarista. Em sua obra THE SPHERES OF JUSTICE (As esferas da Justiça), seu principal argumento é o de que a construção de uma teoria de justiça distributiva deve sempre ser relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade em particular. A obra caracteriza-se pela preocupação com uma humanidade mais justa e com a proteção dos direitos humanos, através da valorização da comunidade e do espaço público, do particularismo histórico e da responsabilidade social. E para Walzer, esse seria o principal problema da teoria da justiça de Rawls, já que ela parte do princípio de que os princípios de justiça seriam escolhidos por pessoas ignorantes quanto à própria situação particular de vida.

    Uma teoria da justiça social, para Walzer, deve ser fundada em princípios igualitários de distribuição de bens. Justiça para ele, não tem a ver somente com a produção e com o consumo, também tem a ver com o processo de distribuição dos bens sociais. Mas essa distribuição não é simples, dado que a vida em comunidade revela uma quantidade grande de bens sociais, com diferentes critérios de distribuição e diferentes agentes que são responsáveis por essas divisões. Para o autor, um sistema que não leve em consideração essa complexidade de fatores, não conseguirá alcançar uma justiça social, já que não alcança as diferenças dentro da sociedade humana.

    Para Walzer, a escolha dos princípios distributivos de justiça deverá sempre estar fundamentada no significado social de cada bem, discutido ou encontrado dentro das diferentes comunidades. O autor diz que na sociedade existem diferentes esferas da justiça, como o Estado, a Igreja, a econômica, e a política; e para ter uma sociedade justa, essas esferas devem chegar a um consenso, a partir do diálogo, sobre como agir e interferir umas nas outras de forma satisfatória. Assim, a justiça distributiva estará assegurada sempre que os critérios internos de cada uma dessas esferas forem respeitados. Mas Walzer diz também, que muitas vezes a autonomia dessas esferas é violada, e sua autonomia se torna apenas relativa. Isso ocorre porque muitos dos critérios distributivos de uma esfera acabam influenciando a distribuição de outra esfera.

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  68. Walzer é mais um autor da linha comunitarista que vemos pois vai contra a proposta liberal sobre a importância do indivíduo e ações individuais, dentro das teorias de justiça. Sua principal crítica vai para Rawls e sua concepção abstrata de propor sua teoria, o que se torna impossível de aplicar, já que todos temos pré-conceituações que não conseguimos deixar de lado, nem para falarmos sobre justiça.

    Para Walzer, a ideia de igualdade não deve ser só disposta por conta da distribuição de renda já que sempre rumaria á injustiça, já que, mesmo se distribuíssemos -- em suas palavras -- todo o capital corrente de hoje de forma igual, uma semana depois já não estaria assim. Ideia ao qual achei um tanto quanto inocente, já que as implicações da teoria marxista que dita o que é o capital, possui mais fatores que contam na hora da distribuição, mas de fato, apenas repartir o capital que corre hoje, da maneira que nosso modo de ´produção está disposto, não levaria a solução alguma.

    Dessa forma, o igualitarismo de Walzer tenta trabalhar em cima disso, propondo que ao atacarmos o conjunto de privilegiados incisivamente, estaríamos de alguma maneira impossibilitando o uso do bem social como forma de exploração.
    Tais bens seriam dispostos devido as diferenças e pluralidades culturais, tendo a subjetividade de cada comunidade como fator principal de sistema distributivo.

    Insere o conceito de esferas humanas (religião, mercado, Estado etc.), que dentro da sociedade relacionam-se entre si, e com seus próprios sistemas, crenças e costumes. Mas essa relação só se daria com um sistema de convencimento, não outro.
    Cada sociedade também é uma esfera, e nossos valores não devem imperar sobre elas.

    Creio que a mesma crítica que Rawls leva, de ser impossível aplicar seu sistema, eu daria pra Walzer. Esse subjetivismo de cada comunidade, levando em conta também fatores menores integrantes delas (esferas), são de uma complexidade grande pra serem levadas em consideração para teorias gerais. A grande questão é de alguma forma usar desse caráter analítico que é insistido por sua obra, e o torná-lo mais prático.

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  69. Tema 9 – Michael Walzer

    Michael Walzer é um comunitarista. Em suas ideias, ele defenderá a ideia de que existem ‘esferas’ na sociedade. Essas diferentes esferas podem ser comparadas às diferentes ordens e instituições presentes na sociedade. A escola, a saúde, a política, o mercado... São diferentes dimensões das sociedades e cada uma delas está diretamente relacionada a um determinado tipo de bem.

    Como comunitarista, Walzer acreditará que a distribuição de bens na sociedade deve ser feita de maneira equitativa. Mas há uma limitação para isso, pois a distribuição equitativa dos bens não soluciona de fato o problema; pobres e ricos surgem naturalmente, devido às diferentes escolhas que os indivíduos tomam. Dessa maneira, o monopólio de um bem por determinada classe parece sempre surgir. Um modo de evitar que isso ocorresse seria com a existência de um Estado forte e que centralizasse tudo, porém essa alternativa não resolveria todo o problema, pois o Estado seria o monopolizador (o que significaria que o monopólio apenas trocou de classe).

    Walzer dirá que a solução seria evitar que o monopólio de um determinado bem (esfera) lhe trouxesse vantagens outras esferas, ou seja, sobre outros bens. O Estado deveria atuaria protegendo os pobres dos ricos, evitando que a desigualdade existente se tornasse mais forte. Evitando que o monopólio de capital interferisse em outros bens. Isso abre espaço para diversas questões da teoria walzeriana. Todas elas variando entre o que ele considera sistemas de ‘distribuição simples’ e sistemas de ‘distribuição complexa’.

    Nos sistemas de distribuição simples, igualam-se todos os direitos. É o caso de permitir voto a todos, permitir que todos tenham acesso à educação ou à saúde.
    Já nos casos de distribuição complexa, veríamos a aplicação da tal ‘proteção’. Isso impediria que o monopólio de qualquer bem viesse a interferir na possibilidade de se alcançar qualquer outro bem. Dessa forma, por exemplo, a educação deveria ser concedida a todas as crianças – e de maneira igual. E todas elas deveriam ser introduzidas a um nível de educação básica, que contribuiria para sua formação intelectual enquanto cidadãs. O dinheiro, nesse caso, não poderia ser uma influência na aquisição de educação. O mesmo poderia ser levado em conta no que se refere à saúde.

    O sistema de Walzer é complexo, como ele mesmo diz, mas possui mecanismos interessantes de justiça. Dada a impossibilidade de se equacionar todos os bens na sociedade, devido a certas desigualdades, buscar-se-ia dar oportunidade a todos alcançarem os bens, sem serem reprimidos por outras classes.

    Ainda mais, Walzer valoriza muito o debate, e vê como solução a discussão do que é considerado prioritário e realmente bom para a sociedade como um todo. O dito ‘contrato social’ deve ser debatido sempre e por todos – e num pé de igualdade, assegurado pela não interferência de uma esfera humana em outra; caso comum nos dias de hoje, onde o controle sobre o capital ou o título de doutor garante certo prestígio e poder dentro da sociedade.

    Mas há claramente uma dificuldade de aplicação disso, devido ao fato de existir o monopólio e a interferência de algumas esferas em outras. A nossa disposição atual na sociedade não parece abrir espaço para uma proposta como a de Walzer. Vide a forte oposição de determinados setores da sociedade (que possuem monopólio sobre algum determinado bem) diante de propostas mais igualitárias, como o uso de cotas (tanto as raciais quanto as sociais) e a discussão que se dá atualmente em algumas universidades, sobre a paridade nas eleições para reitor.

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  70. Michael Walzer vai contra a proposta liberal. Critica Rawls por sua teoria abstrata, pela mesma razão de Sandel, pois não enxerga possibilidade de um indivíduo se desvencilhar de conceitos diversos, opiniões, crenças, etc, já que acredita no poderio cultural para a determinação de temas tal qual a justiça. Além disso, se assemelha também no aspecto de acreditar em teorias da justiça individualizadas, já que as comunidades e os indivíduos possuem perfis diferentes.

    Crê num sistema de esferas – política, religiosa, econômica, educacional, etc. – conectadas e comunicantes e ainda dentro de uma esfera ainda maior, encarregada de garantir um equilíbrio, ou seja, que as jurisdições específicas não suprimam umas as outras. Defende uma analise individualizada das comunidades, pois os diferentes perfis levam a conceitos quanto à injustiça, desigualdade, divisão de bens diversos e todos com seus significados provenientes do contexto social de seus membros.

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  71. Michael Walzer representa um importante expoente do comunitarismo, tendo sido responsável por defender a tese de que na construção de qualquer teoria de justiça, devem sempre prevalecer os aspectos históricos e culturais de cada comunidade, determinantes para cada teoria em particular.

    É novamente obviamente notório que o comunitarismo surgiu como um movimento de crítica ao liberalismo – principalmente no que diz respeito aos aspectos imparciais e universalistas presentes nas teorias liberais. Nesse sentido, não faz sentido para os comunitaristas que uma teoria seja estabelecida a partir de indivíduos “abstratos”; a partir de indivíduos livres de qualquer influência histórica ou cultural – conforme foi defendido por Rawls, através da “posição original” e do “véu da ignorância”. Para Walzer, tal teoria é ineficiente na medida em que cada indivíduo é certamente consciente de quem é e de qual posição e papel social ocupa. Por mais que possa parecer em determinados momentos contraditório – uma vez que o liberalismo prega pela fragmentação -, os comunitaristas apoiam a justiça na qual o pluralismo é reconhecido através da multiplicidade de identidades sociais e de culturas, reconhecendo e valorizando, dessa maneira, as especificidades de cada ambiente social.

    Nesse sentido, Michael Walzer aborda, em “The Spheres of Justice”, a preocupação com a seriedade em relação aos direitos humanos e a responsabilidade social, aliados à valorização do particularismo histórico de cada comunidade. Pode-se dizer, ademais, que ele interpreta os princípios da justiça através da maneira como as comunidades distribuem seus bens, ou seja, através do significado social que cada bem adquire em cada comunidade. Segundo o autor: “Quero defender mais do que isso: que os princípios de justiça são pluralistas na forma; que os diversos bens sociais devem ser distribuídos por motivos, segundo normas e por agentes diversos; e que toda essa diversidade provém das interpretações variadas dos próprios bens sociais – o inevitável produto do particularismo histórico e cultural.”

    Walzer ainda aborda o entrave entre os conceitos de monopólio e predomínio: para ele, a maioria das sociedades se organiza através de um padrão em que um determinado bem é considerado “dominante” dentro do sistema, influenciando, assim, a distribuição dentro das outras “esferas”. Sendo assim, este bem considerado dominante será monopolizado por aqueles capazes de o possuírem – monopólio este garantido através da força. Mais claramente: “Chamo um bem de predominante se os indivíduos que o possuem, por tê-lo, podem comandar uma vasta série de outros bens. É monopolizado sempre que apenas uma pessoa, monarca no mundo dos valores – ou um grupo, oligarcas – o mantêm com êxito contra todos os rivais. O predomínio define um modo de usar os bens sociais que não está limitado por seus significados intrínsecos, ou que molda tais significados a sua própria imagem. O monopólio define um modo de possuir ou controlar os bens sociais para explorar seu predomínio.”

    O problema verificado por Walzer no sistema distributivo é que os monopólios supracitados são sempre convertidos em status social: prestígio, oportunidade, reputação e poder. É a partir desse ponto que a sociedade passa então a viver em conflito social – a partir do momento em que grupos desfavorecidos passam a reivindicar que existam outras “formas de conversão” dos monopólios. Nesse sentido, para que o monopólio de um determinado bem seja combatido, deverá haver uma redistribuição mais igualitária deste bem entre todos os cidadãos. Para Walzer, isso significaria criar um “sistema igualitário absoluto”, algo que ele chamou de “regime de igualdade simples”.

    (continua)

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    1. Entretanto, ele admite que um regime nesses padrões não seria capaz de se sustentar por muito tempo, criando necessariamente novas formas de diferenças e assim destruindo o sistema de igualdade simples. A única coisa capaz de garantir efetivamente a igualdade absoluta seria a interferência do Estado centralizador. Porém, mais uma vez essa estratégia revelar-se-ia enganosa: o monopólio apenas teria trocado de grupo social, em um ciclo de poder interminável.

      Para Walzer, mesmo que não se possa impedir a existência de ricos e pobres, é possível impedir que os ricos oprimam os pobres. É nesse sentido que o autor defende que os bens sociais até podem ser monopolizados por algum grupo, contanto que os critérios dessa distribuição não influenciem os critérios de distribuição de outros bens; ou seja, cada distribuição deve permanecer em sua esfera, não interferindo nas outras. É essa noção que Walzer chamou de “igualdade complexa” e que refere-se às “esferas da justiça” presentes no título da obra analisada.

      Ademais, Walzer enfatiza que a coisa mais importante que qualquer governo dentro de qualquer comunidade deve prover a seus membros é a segurança e bem-estar social. Para ele, cada comunidade política é responsável por determinar a “quantidade” de segurança e bem-estar social capaz de suprir as necessidades de seu povo, uma vez que trata-se de um mundo pluralista, formado necessariamente por diversas culturas. Nesse sentido, o chamado “contrato social” deveria ser constantemente discutido pelos membros de cada comunidade política, podendo sempre defini-lo e redefini-lo, na medida em que fosse necessário – caso contrário, conforme o autor, o regime seria notoriamente tirânico.

      Quanto ao mercado, embora muitas vezes acusado de responsável pelas injustiças sociais, Walzer trata de caracterizá-lo: para ele, ninguém tem o direito de possuir este ou aquele objeto; a maneira certa de possuir qualquer objeto é fabricando-o ou mesmo fornecendo-o a terceiros. O dinheiro é o meio de equivalência do valor de troca das mercadorias e, ademais, Walzer defende que o mercado, ambiente de circulação monetária, deve necessariamente ser aberto a todos. Nesse sentido, o dinheiro é considerado o meio através do qual o homem pode adquirir os bens que precisa ou que deseja – até esse ponto sem problemas aparentes. Contudo, os problemas passam a surgir quando a riqueza adquire um significado de status social – poder – ao seu possuidor, gerando desigualdade. A esfera da riqueza seria justamente uma esfera transferidora de seus critérios distributivos para outras esferas – infringindo a “igualdade complexa”, segundo Walzer. Dessa maneira, seria necessário evitar o predomínio do dinheiro dentro na sociedade – e não o seu monopólio, ao contrário do que se imagina.

      Quanto à educação, Walzer defende que as comunidades devam educar suas crianças conforme as necessidades de sobrevivência da própria comunidade, reproduzindo os valores considerados legítimos na comunidade. Contudo, Walzer ressalta que este não é e não deve ser o único papel das escolas; elas devem na realidade funcionar como um espaço também de crítica aos valores instituídos – um ambiente de crítica social. Para Walzer, a educação deve ser dividida em duas fases: a primeira constituindo uma educação fundamental, através da qual o mesmo conjunto de conhecimentos seria passado igualmente a todos; e a segunda constituindo uma educação especializada – algo como o ensino superior -, capaz de desenvolver as habilidades e interesses inerentes a cada um. Nesse sentido, Walzer defende que a educação seja um processo universal de escolha, possibilitando a todos os cidadãos apresentarem suas habilidades e assim ingressarem nas vagas disponíveis da educação especializada.

      (continua)

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    2. Se, naturalmente, o número de vagas for limitado, fatalmente não há nada que possa ser feito: “quanto mais bem-sucedida for a educação fundamental, mais competente será o conjunto de futuros cidadãos, mais intensa será a concorrência por vagas no sistema educacional superior e maior será a frustração dos que não forem classificados”. Contudo, Walzer aponta que a frustração representa uma reprovação para uma determinada vaga, mas nunca para as recompensas políticas e econômicas relacionadas à vaga em questão.

      Walzer aborda também a noção de poder político. Para ele, dada a sua crucialidade, faz-se necessário que a justiça seja também distributiva – que os poderes sejam distribuídos entre os membros da comunidade. Ou seja, o poder político estaria necessariamente ligado à democracia. Isto porque “É mais provável que os diversos grupos de indivíduos sejam respeitados se todos os membros de todos os grupos compartilharem o poder político”. Nesse sentido, toda decisão política deve sempre levar em consideração o interesse da comunidade, alcançado claramente através da discussão entre os cidadãos. Nesse ponto, Walzer ressalta que o poder político será então conquistado através do poder de discurso/oratória, de convencimento e persuasão – independentemente de quaisquer bens e status sociais. Ou seja, nenhum tipo de luta política poderia ser vencida pelos indivíduos mais ricos ou ainda com algum parentesco com membros do governo. Isso seria claramente uma invasão de uma esfera dentro da outra – uma violação à igualdade complexa dentro das esferas da justiça. Ademais, mesmo que o poder não possa ser repartido, mais essencial é que as oportunidades a sua posse o sejam – todo cidadão tem o direito de participar da política, de eleger-se e votar. Conforme Walzer, quanto maior for a participação política do cidadão, maior será sua consciência de cidadão: “A política democrática, depois que derrubamos todos os predomínios errados, é um convite perene a agir em público e a reconhecer-se como cidadão, capaz de escolher destinos e assumir riscos por si e pelos outros, e capaz, também, de patrulhar os limites da distribuição e sustentar uma sociedade justa. E o predomínio da cidadania, ao contrário do predomínio da graça (ou do dinheiro, dos cargos públicos, da educação, ou da linhagem), não é tirânico; é o fim da tirania.”

      Por fim, conclui-se que qualquer teoria de justiça que respeite os preceitos de Michael Walzer, respeitará consequentemente as especificidades de cada tradição histórico-cultural presente em cada comunidade. Porém, acima de qualquer coisa, é necessário atentar para a construção do que poderia ser considerado a verdadeira cidadania: o respeito ao espaço de atuação pública e a maior participação direta dos indivíduos na política, inseridos necessariamente em um regime democrático. Para Walzer, somente através do debate público é que pode-se alcançar as verdadeiras necessidades de uma comunidade em particular, tornando real, consequentemente e finalmente, a justiça social.

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  72. Walzer cria uma teoria a partir dos valores históricos e culturais de cada comunidade. Sendo assim, justiça é um padrão moral avaliado pelas tradições das nações . Existindo diferentes esferas de justiça ligada ao Estado, a igreja.
    O principio baseia - se em uma distribuição igualitária dos bens. Acredita que por vivermos em sociedade, temos valores em comum é são esses valores que devem ser levados em consideração, não os criados por atividades isoladas.
    Ao contrário de Rawls não concebe uma divisão de bem apenas de “coisas” mais sim com o ideal de justiça social, que traz a necessidade de uma distribuição especifica que deve ser conduzida pelas necessidade de cada sociedade.
    Os bens sociais primários seriam portanto: liberdade, oportunidade, renda, educação, é seus significados não são naturais, é sim, sempre sociais.
    Assim sua principal defesa é de que não se pode desconsidera a comunidade e o contexto em que cada pessoa está inserida, pois é a partir do real que devemos examinar.

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  73. O liberalismo, em sua valorização do direito sobre o bem, é o foco de crítica de Walzer, já que a suposta liberdade do indivíduo não estaria ligada a nada, a não ser com suas próprias margens morais e culturais, e assim, teriam o direito de ser livre prevalecendo sobre o dever de buscar o bem da sociedade. Nesse ponto, Walzer fundamenta sua tese comunitarista, de maneira que a justiça deve ser concebida em um contexto de tradições e seguindo o método particularista, sendo moralidade uma realidade intrinsecamente social. Porém, Walzer assume certos preceitos liberais.
    O autor também diz que uma teoria da justiça também deve estar contida no fornecimentos igualitário de bens. Segundo Walzer, diferentes esferas sociais criam o âmbito social, e cada uma tem uma cultura e seus valores, sendo os mesmos explicitados pelo indivíduo nela presente. O posicionamento teórico de Michael Walzer relativamente a estas questões permite-nos enquadrar a sua obra no âmbito dos projectos de justiça de fundamentação comunitária. No entanto, a análise da estrutura da sua teoria da justiça demonstrará que também existem traços liberais nas suas concepções de justiça, nomeadamente o ênfase na autonomia das distribuições, que ele próprio assume como um prolongamento da arte da separação da tradição liberal.
    Dessa forma, conclue-se que, Walzer, como um autor de predominância comunitarista, segue preceitos contrários às teorias liberais, mas não discorda das mesmas em certos pontos, o que, da mesma forma que Sandel, torna sua teoria algo mais considerável a um lado mais próximo das sugestões e proposições de uma sociedade plural e efetivamente justa.

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  74. Para M. Walzer é preciso levar em conta os agentes envolvidos nas distribuições, dependendo das pessoas, muda o cenário de necessidade. Seja entre países ou dentro de um país, a desigualdade econômica se insere como um dos debates mais importantes no mundo contemporâneo. Se relacionado com o pensamento de Michael Walzer, primeiro temos que pensar como se daria um pensamento de moralidade econômica seguida pelos conceitos de Rawls.
    Walzer parte de uma definição em que o sucesso no domínio econômico de algumas pessoas não deve permitir que estas sejam também sucedidas no campo político. Uma desigualdade, portanto, não deve ser capaz de dominar outras esferas.
    Na prática isso pode ser notado pelas diversas desigualdades da sociedade: uma pessoa que não tem condição de pagar por sua educação, saúde ou até mesmo ter boa expectativa de vida, está inteiramente relacionada pela sua fraca condição financeira. A justiça e igualdade, em diversos países, também são dadas em grande parte por conta da função da riqueza. Assim, esta estratificação econômica cria mais rigidez e barreiras, e como consequência se cria mais desigualdades em uma sociedade. Como resultado, impede mobilidade de pessoas para igualdade de oportunidade em esferas não econômicas. Estas barreiras não são influenciadas porque a pessoa é pobre e a outra rica, e sim porque o sistema simplesmente coloca dessa forma. O pensamento de Rawls seria falho nesse sentido, porque se deve adotar uma postura onde que não haja influência de uma esfera para outra. A influência poderia criar mais desigualdades.
    A crítica a Rawls é essa: no âmbito dos bens sociais. Pois Rawls trata de forma abstrata os bens que as comunidades desejam compartilhar, trata, para Walzer, de uma maneira que não se aplica ao mundo real. Pois não adianta querer discutir justiça abstratamente. Nosso mundo é o real. E é impossível desconsiderar a comunidade e o contexto em que cada um está inserido, pois, afinal, é assim que os indivíduos vivem.

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  75. Michael Walzer é comunitarista, mas ele tenta equilibrar a questão do indivíduo (particularismo) com a questão da comunidade (coletivismo), para ele não existe indivíduo sem comunidade, mas as comunidades são unidades individuais, particulares. Como os outros comunitaristas, ele faz uma crítica a Rawls, que considera os bens sociais como abstratos, o que não se aplica em casos reais e concretos.
    Walzer parte do pressuposto que a sociedade é dividida em diversas esferas, cada comunidade tem esferas diferentes entre si. Nesse ponto, a justiça é típica para cada comunidade, admitindo que existem várias formas de justiça.
    Cada esfera (política, econômica, social, familiar, educacional, religiosa, segurança, saúde etc.) tem um sistema de valores e de justificação desses valores, com suas crenças e normas. O discurso da esfera econômica não pode ser usado na esfera educacional. A sociedade justa é aquela que consegue equilibrar essas esferas, garantindo a justiça interna da esfera e a justiça entre as esferas. Porém, também existem valores da sociedade como um todo, por exemplo a Constituição.
    Em seu livro “Esferas da Justiça”, Walzer aborda dois conceitos de igualdade, a simples e a complexa, que englobam a ideia de pluralismos e justiça distributiva. A igualdade simples seria uma sociedade na qual tudo está à venda e todo cidadão tem tanto dinheiro quanto qualquer outro. A igualdade é multiplicada por meio do processo de conversão, até estender-se a todos os bens sociais. Mas a igualdade simples não dura muito, pois o progresso posterior da conversão, o livre intercâmbio no mercado, com certeza trará desigualdade. E essa “desigualdade natural”, devida ao fato dos indivíduos não serem estáticos e de querem coisas diferentes, é a igualdade complexa.

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  76. Walzer é um autor comunitarista, portanto tece críticas ao pensamento liberal ralwsiano. Para isso lança mão de uma teoria de justiça que incorpora particularidades das diferentes comunidades, como tradições, valores e culturas para que os bens sociais sejam distribuídos respeitando-se tais particularidades.

    Tendo isto, Walzer elabora sua crítica à ideia de que no contrato entre governante e governado há o véu de ignorância e distanciamento do self, como se fosse possível a existência de um sujeito transcendental kantiano de forma a criar leis universais e não uma abstração, como afirma ser.

    Walzer acredita também, que os processos de produção e consumo não são os únicos elementos para se medir a qualidade da justiça social praticada nas diferentes comunidades.

    Em verdade, o aspecto mais importante na visão walzeriana é a distribuição dos bens dentro das diferentes comunidades, bem como diferentes esferas distributivas visando a distribuição justa como prática da justiça social.

    Para Walzer, uma sociedade é justa quando a esfera estatal, a religiosa, a política, a social, entre outras, entram em diálogo para que cheguem a um consenso sobre como coordenar ações e interferências umas nas outras para que a distribuição da justiça seja otimizada.

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  77. Michael Walzer considera que a justiça possui diferentes definições de acordo com as tradições de cada nação em particular, a visão deste autor difere da visão de Rawls, que acredita na justiça como um princípio universal.
    As esferas da justiça são os diferentes mecanismos, agentes e critérios da justiça distributiva, cada qual com seus princípios particulares que devem ser respeitados pelas outras esferas, quando uma esfera interfere na outra ocorre uma injustiça. Exemplo: somente os mais ricos terão acesso a educação de qualidade, isso é injusto pois a renda é um critério determinante para o acesso a educação.
    A sociedade justa é aquela que possui as esferas bem distribuídas, sem sobreposição de uma esfera sobre as demais, e todas elas com relativa autonomia dentro de seus princípios próprios.
    De acordo com o autor uma teoria da justiça deve fornecer princípios de distribuição igualitária, e se ater a distribuição de bens específicos.
    O método de Walzer é chamado de particularista, pois o autor parte do pressuposto que a justiça tem diferentes definições assim como os bens sociais de acordo com o modo de vida de cada comunidade. O particularismo pode dificultar um pouco a análise visto que há uma infinidade de casos particulares, entretanto o autor diz que isso é o que mais se aproxima da realidade que ele chama de “igualdade complexa”.

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  78. Michael Walzer critica Rawls, falando que essa ideia de véu da ignorância não é possível, as pessoas estão inseridas em alguma cultura e possuem suas crenças, não conseguindo ficar totalmente neutras para resolver alguns assuntos.
    Walzer acredita que a cultura tem que ser levada em conta na hora de decidir sobre justiça. O método particularista diz que a justiça deve ser analisada no contexto das sociedades e das suas tradições em particular.
    Walzer também fala das esferas (políticas, educacionais, econômicas, além de outras) essas esferas possuem diferentes jurisdições, cada uma com a sua específica e ele diz que deveria haver uma ordem maior para que toma-se conta das esferas e suas jurisdições, chegando a um equilíbrio.

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  79. A teoria de Walzer é feita a partir dos valores históricos e culturais de cada comunidade. A justiça não é um padrão moral, e deve ser concebido e avaliado no contexto das tradições de cada nação e das sociedades em particular. Para ele, há diferentes esferas de justiça, como o Estado, a Igreja, a econômica e a política.
    A teoria da justiça social, segundo Walzer, deve fornecer os princípios igualitários da distribuição de bens. Mas essa distribuição não é somente de coisas, como defendida por Rawls, e sim a distribuição de bens específicos, com diferentes sentidos e em diferentes sociedades.

    Os bens sociais primários apresentados pelo autor são o direito, a liberdade, a oportunidade, o poder, a renda, a educação e a saúde. Seus significados e entendimentos são sempre sociais. Do mesmo modo que os indivíduos não podem ser considerados fora de suas comunidades, os bens sociais também não. Esses bens mudam de sociedade para sociedade e alguns deles se aplicam apenas em uma sociedade. As diferentes comunidades interpretam de maneira diferente o que elas desejam.
    Rawls trata de forma abstrata os bens que as comunidades desejam compartilhar, segundo Walzer, de uma maneira que não se aplica ao mundo real. Pois não adianta fazer a discussão de justiça de forma abstrata. E é impossível desconsiderar a comunidade e o contexto em que cada um está inserido, pois, afinal, é assim que os indivíduos vivem.

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  80. A teoria apresentada por Walzer, inicialmente, é uma crítica à Teoria da Justiça de Rawls. Ele afirma que não é possível propor apenas uma teoria da justiça, visto que a sociedade é composta por diversas esferas e cada esfera apresenta seu próprio conjunto de princípios, onde a justiça nessas esferas dependerá diretamente de estar de acordo com esses princípios. Logo, quando Rawls propõe que se construa uma teoria única de justiça, na visão de Walzer, isso seria impossível e injusto, visto que corromperia os princípios próprios de cada esfera, além de que seria uma abstração tão grande que não seria prático implementar esse conceito de justiça na sociedade em sua complexidade.
    A sociedade, na visão de Walzer, é uma comunidade histórica, onde os bens sociais (que são os bens que são valorizados e apreciados pela sociedade) são construções históricas, podendo variar com o passar do tempo e a evolução da sociedade. Em seu livro “As esferas da Justiça”, Wlazer tem por objetivo descrever uma sociedade na qual nenhum bem social sirva de meio de dominação, visto que em sua visão, a igualdade é um conceito livre de superioridade. Desse modo sua visão de sociedade justa é onde nenhuma esfera se sobreponha à outra, ultrapassando os limites de influencia de cada esfera. Em sua descrição, apesar do comumente aceito, o mercado não é a única esfera de interação social, na verdade, há outras esferas com seus conjuntos de princípios próprios, e caracteriza uma injustiça trazer os preceitos da esfera do mercado para outras esferas. Partindo do pressuposto que todos reconhecem as diversas esferas, as esferas de justiça são as seguintes: o Estado, a Igreja, o Político, o Privado, o Público, o Educacional e o Saudável. Evidenciando seu método particularista, onde não se assume um preceito universal de justiça, e sim uma justiça baseada em critérios particulares, construídos socialmente, internamente a cada esfera. Ele afirma “Os seres humanos têm, de fato, direitos que transcendem a vida e a liberdade, mas eles não provem da humanidade que temos em comum; provem de conceitos compartilhados de bens sociais; são locais particulares em caráter.”(WALZER, p.19)
    A justiça, portanto, é a divisão igualitária dos bens dentro da esfera, sem perder de vista, que a divisão igualitária deve corresponder aos princípios particulares de cada esfera, por exemplo, o bem da saúde é diferente do bem educacional, e não é justo dividir o bem da saúde usando os critérios da esfera educacional. Ele afirma que em casos em que não se sabe à qual esfera pertence, a discussão dos modelos interpretativos estabelecerão os critérios de justiça e é assim que tais casos difíceis serão resolvidos.

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  81. Walzer diz que a justiça tem diversas definições, já que, para ele, ela seria um padrão moral definido e avaliado pelas tradições das sociedades em suas particularidades. No decorrer da apresentação de sua teoria, ele define alguns bens sociais primários (direitos, poder, renda, educação, saúde) que são entendidos a partir de cenários sociais (ou seja, diferentes modos de vida podem atribuir significados diferentes a esses conceitos) e disserta sobre as esferas da sociedade, dizendo que uma não tem o direito de se sobrepor sobre a outra.

    Segundo Walzer, a sociedade é composta por várias maneiras de viver. Cada comunidade possui, então, seus valores e interpretações sobre as condutas. Dessa visão decorre a idéia de que não devemos fazer teorias abstratas sobre a sociedade, tentando elaborar uma teoria única da justiça válida para todas as esferas da sociedade.

    Walzer foca parte de sua análise na esfera da guerra, já que a considera uma esfera especial. Ele elabora uma teoria sobre a "guerra justa", na medida em que dirige esforços ao entendimento do relacionamento entre esferas. As vezes, segundo esse autor, uma esfera começa a se sobrepor sobre outra. Um instrumento para resolver essa situação seria a violência. Walzer se questiona sobre a validade do uso da violência como um "remédio justo", analisando os argumentos daqueles que cometem a violência.

    É importante ressaltar que Walzer nós diz que uma teoria da justiça deve expor "leis", princípios capazes de "ordenar" a distribuição de bens de forma igualitária. Além disso, segundo o pensamento desse autor, é a partir da distribuição de bens específicos que surgem questões sobre justiça social.

    As questões sobre justiça social, normalmente, possuem significados diferentes em diferentes comunidades, justamente, de acordo com Walzer, pelo fato de que há um "entendimento coletivo" baseado na sociedade em que indivíduos estão inseridos. "Meaning and values are communal and cannot be by individuals acting alone".

    Ingrid Desihiê Antoniori
    RA: 21004712

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  82. Este comentário foi removido pelo autor.

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  83. [atrasado]

    Michael Walzer é mais um autor que segue o pensamento comunitarista. Para ele, cada comunidade pensa de uma forma a justiça. Walzer diferencia-se quando propõe um conceito diferente de “comunidade”: para ele, comunidades são unidades individuais diferenciando-se assim de outros autores, como Alasdair Macintyre. A sociedade somente seria justa, quando fosse capaz de atender as particularidades de justiça de diferentes comunidades - método particularista. Remete a concepção de Taylor, de que as pessoas habitariam diferentes mundos de significado. Além disso, os bens deveriam ser distribuídos de forma equitativa entre os indivíduos.

    A justiça aborda diferentes estruturas da sociedade, esferas (economia, educação, religião, etc) e essas possuem ligações comuns, porém não devem se sobrepor. A justiça acontece quando elas não se sobrepõem; e a injustiça existe quando critérios estabelecidos por uma esfera são aplicados à outras. Existem ainda valores regulatórios, esses formando uma esfera maior, aplicados a todas as esferas.

    Critica também John Rawls, sem grandes novidades, assim como outros autores comunitaristas, questionando a aplicabilidade da filosofia política em casos concretos.

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  84. A teoria de Walzer caracteriza-se pela preocupação com uma humanidade mais justa e com a proteção dos direitos humanos, através da valorização da comunidade e do espaço público, do particularismo histórico e da responsabilidade social.

    Walzer afirma que o contrato social deve ser constantemente discutido pelos membros da comunidade política, que assim podem definir – e redefinir, quando necessário, quais as necessidades são socialmente reconhecidas naquela comunidade, ou seja, quais bens sociais fazem parte da esfera da segurança e do bem-estar social. A delimitação da esfera, desta forma, deverá sempre ser feita através de discussões políticas constantes entre os cidadãos, que deverão, juntos, identificar as necessidades da comunidade e assim definir os bens sociais que fazem parte da esfera da segurança e do bem-estar social. Assim, pode-se concluir que a esfera da segurança e do bem-estar social, ou os bens sociais que dela fazem parte, são delimitados pelos valores históricos da comunidade política, que devem ser discutidos constantemente pelos seus membros.

    Segundo Emil A. Sobottka e Giovani A. Saavedra*, “Para o autor, cada comunidade ou sociedade define historicamente o que para ela são bens relevantes e como são distribuídos. Diferente de Rawls, por exemplo, que formula quais princípios deveriam orientar a distribuição e como as instituições nela envolvidas deveriam funcionar, Walzer prioriza a exposição do modo como historicamente certas comunidades políticas definiram seus bens relevantes e como determinaram sua alocação. O autor não vê a possibilidade de se universalizar juízos sobre os bens; seu significado e sua importância dependem da avaliação que os membros da comunidade específica em que são alocados lhes dão.”

    O justo, eu sua concepção, corresponde ao melhor discurso dentro de cada uma das esferas na sociedade (educação, saúde, mercado, etc). Como bem observa RICOUER (2000, p. 78) a teoria da justiça de Walzer está ancorada em três concepções básicas: (1) a ideia de que os bens sociais são múltiplos; (2) cada um deles tem seu próprio simbolismo e (3) cada um deles desenvolve uma lógica interna, na base da qual os respectivos grupos desenvolvem valores compartilhados que justificam as reivindicações feitas no âmbito de seu horizonte hermenêutico.


    Para concluir esta reflexão, cito trecho do artigo de Felipe Cavaliere Tavares, “Michael Walzer e as esferas da justiça”: “O principal aspecto da doutrina de Walzer, e que por isso mesmo precisa ser sempre ressaltado, é a construção da verdadeira cidadania, através do resgate do espaço público e da cada vez maior participação dos indivíduos na vida política da comunidade. O futuro da democracia está cada vez mais na participação direta dos cidadãos, e a sua teoria defende ardorosamente a idéia de que somente através do debate público pode-se chegar às verdadeiras necessidades de uma comunidade particular, permitindo, assim, a realização da justiça social.”

    ____________
    * Artigo "Justificação, reconhecimento e justiça: Tecendo pontes entre Boltanski, Honneth e Walzer."


    Giovana Cavaggioni Bigliazzi
    (R.A.: 21010512)

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  85. Logo no Prefácio de seu livro “Esferas da Justiça”, Walzer salienta o fato de que cada pessoa é única, e que em sociedade, os seres humanos são bem diferentes e bem semelhantes ao mesmo tempo, de acordo com o aspecto analisado. Desta forma, ao se buscar a igualdade, por vezes nos esquecemos do que ela possa implicar.
    Uma sociedade completamente igualitária, para ser mantida desta forma, teria de possuir um Estado extremamente repressivo que agisse de maneira a manter sempre essa igualdade entre todas as pessoas. Assim sendo, as particularidades individuais seriam reprimidas, perderíamos nossa identidade própria, e esse aspecto literal da igualdade raramente é levado em conta quando a buscamos.
    Walzer defende então um Igualitarismo politico que não pretende eliminar todas as diferenças, mas apenas um certo conjunto delas, o conjunto de diferenças que permite um grupo a oprimir o outro. Segundo ele “Não é o fato de existirem ricos e pobres que gera a política igualitária, mas o fato de que os ricos oprimirem os pobres”. Assim sendo, o objetivo desse igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade.
    A sociedade humana é uma comunidade distributiva. Logo, distribuímos nossos bens, os trabalhos que devem ser realizados, trocamos informações e produtos. Sabendo disso, Walzer propõe uma Justiça Distributiva. Essa Justiça Distribuitiva não possui uma “fórmula” ideal. Tendo como base o pluralismo, Walzer reconhece a existência de diferentes distribuições dos bens sociais nas mais diversas formações sociais. Sabendo disso, o Estado central de cada sociedade não é a única instituição capaz de distribuir esses bens sociais. Outras instituições também têm influência nesse aspecto, tais como instituições religiosas, familiares e até mesmo organizações clandestinas.
    Sua crítica a Rawls está centrada no processo de definição do contrato social, através da posição original e do véu de ignorância. Para Walzer esse processo é equivocado pois dificilmente essas pessoas na posição original defenderiam a mesma posição depois de inseridas na sociedade e com seus próprios bens e valores. A questão principal, para ele é o que os indivíduos comuns escolheriam em situações reais, e não em uma situação específica como a defendida por Rawls. Walzer acredita na existência de mais de um tipo de justiça, que é realizado de acordo com as diversidades culturais e sociais, e não em um único e universal modo de se alcança-la.

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  86. Este comentário foi removido pelo autor.

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  87. Michael Walzer é um autor comunitarista, cuja teoria se baseia nas ideias de esferas de justiça e distribuição igualitária de bens.

    Segundo esse autor, a justiça social está diretamente relacionada a distribuição igualitária de bens, já que as sociedades humanas são comunidades distributivas (as pessoas trocam e compartilham coisas, por exemplo através do mercado). Esta distribuição deve ocorrer baseada na realidade prática de cada sociedade em especial, deve ser levado em conta as tradições e culturas locais, já que um mesmo bem social pode ter, e o tem, diferentes sentidos em sociedades distintas. Os bens sociais não possuem significados intrínsecos, estes são sempre gerados a partir da interpretação social própria de cada sociedade. Esta é a maior diferença entre a teoria de Walzer e a teoria de Rawls, já que o último assume que para discutir justiça devemos assumir uma posição original, descartando nossa situação real, para um é um exercício de abstração da realidade, para o outro de análise e entendimento desta. Além disso, a distribuição deve se feita de baixo para cima, de dentro para fora, ou seja, as pessoas em sua forma de se organizar socialmente devem guiar esse ideal, não políticas ou determinações impostas. Deve haver uma vontade comum e geral de "igualdade" (no sentido que Walzer dá a palavra) dentre os indivíduos.

    Para Walzer, a sociedade é dividida em esferas, sendo política e religião duas delas, e estas devem conviver sem conflitos e sem que assuntos de uma sejam tratados por uma outra. Os motivos e critérios de cada esfera devem ser respeitados, e nunca uma esfera deve se sobrepor a outra e, caso aconteça, o problema deve ser resolvido na base do convencimento. Desta forma, Walzer visa descrever uma sociedade na qual a dominação através dos bens sociais não exista.

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  88. Conforme vamos adentrando nos autores comunitaristas, vamos percebendo a diferença essencial entre estes e liberalistas como Rawls e Nozick: enquanto estes utilizam-se de princípios e aspectos universalistas, e concebem um indivíduo abstrato, sem relação com sua comunidade, ideologias, bens comuns; aqueles procuram analisar os fatores culturais, históricos e linguísticos das diferentes sociedades, ou seja, acreditam que a justiça e o pluralismo estão em constante sintonia, pois reconhecem a multiplicidade de identidades sociais e culturas étnicas que existem nas sociedades contemporâneas, bem como suas particularidades.
    Neste contexto, Walzer aparece como um importante autor da vertente comunitarista, pois preocupa-se com uma humanidade mais justa e
    com a proteção dos direitos humanos, através da valorização da comunidade e do espaço público, do particularismo histórico e da responsabilidade social.
    Walzer acredita que o processo distributivo nas sociedades depende do significado social de cada bem nessas sociedades, e que, portanto, é impossível conceber o 'véu da ignorância' proposto por Rawls - onde os indivíduos escolhem os princípios de justiça independemente de suas condições e preferências sociais.
    O autor também dirá que cada bem social vai constituir uma esfera
    distributiva autônoma, com critérios, métodos e agentes de distribuição próprios. Logo, a justiça distributiva estará assegurada sempre que os critérios internos de cada esfera forem respeitados. Nesse contexto, Walzer também dirá que a autonomia das esferas devem ser respeitadas, pois, caso contrário, ocorre a interferência de uma esfera na outra e, consequentemente, o predomínio ou monopólio na distribuição de um bem sobre outro (s).
    "Combater o monopólio de um determinado bem predominante significa fazer a redistribuição deste bem de maneira igual entre todos os cidadãos. Para Walzer, isso significaria criar um sistema igualitário absoluto, que ele chamará de regime de igualdade simples. Walzer entende que esse regime de igualdade absoluta não consegue se sustentar na sociedade por muito tempo, pois logo seria influenciado pelas oscilações do mercado, criando novas diferenças e destruindo o sistema de igualdade simples. A
    única coisa que garantiria efetivamente esta igualdade absoluta seria a atuação incisiva de um estado centralizador, que retomasse a igualdade abslouta sempre que essa fosse alterada pelo mercado. Mas isso seria apenas uma falsa solução, uma vez que o monopólio apenas teria trocado de grupo social, indo parar nas mãos fortes do estado.
    A solução, para Walzer, estaria em se evitar o predomínio do bem, e não o seu monopólio. Isso evitaria que os critérios distributivos deste bem predominante se convertessem em critérios de distribuição de outros bens sociais. Para Walzer, não há como se impedir a existência de ricos e pobres, mas pode-se impedir que os ricos oprimam os pobres. " (Tavares, 2009:4)
    Walzer também chama atenção para a importância do debate público para a definição das necessidades socialmente reconhecidas naquela sociedade, de modo a também definir os bens sociais presentes nesta, de acordo com os padrões históricos e culturais desta comunidade. Sem dúvidas esta é uma das colaborações mais importantes de Walzer ao debate sobre a justiça, pois não podemos jamais esquecer da importância do debate e da participação pública para a própria construção e manutenção das sociedades, de modo que a distribuição dos bens sociais reflita, de fato, as aspirações e necessidades de seus cidadãos.

    Referência bibliográfica: TAVARES, F. Michael Walzer e as esferas da justiça. Disponível em: (Acesso 12/10/13)

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    1. Disponível em: http://www.publicadireito.com.br/conpedi/manaus/arquivos/Anais/sao_paulo/2247.pdf

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  89. “Justice is a Human construction and it is doubtful that it can be made in only one way”. A tradução diz que a justiça é uma construção humana, sendo assim duvidoso que haja apenas uma forma de a fazer. A justiça é ampla como o ser humano, uma vez que se trata da obra de criador imperfeito, porém persistente.

    Michael Walzer não concorda com visões universalistas sobre escolhas humanas, ele frisa ao longo de sua obra que nunca na humanidade houve um único sistema distributivo de bens que tangesse a todas as diferentes sociedades mundo afora. Cita exemplos de sistemas que possam ser “confundidos” como universais e solucionadores do problema, como por exemplo o atual mercado, o qual é tido como um amplo meio de distribuição de bens, especialmente apos a inclinação neo liberal que o mundo apresentou nos últimos 30 anos. Entretanto, tomar o mercado como um sistema pleno e bem sucedido é um equivoco bastante limitante a uma analise que trata de um objeto tão amplo.
    A Justiça não é um assunto a ser tratado separadamente da Historia, como se fossem coisas distintas e incomunicáveis. A justiça é um produto humano contido nas particularidades históricas de diferentes períodos/tendências humanas. O olhar filosófico sobre a Justiça a torna um universal, único e categórico. Não, Walzer discorda deste tipo de analise, embora concorde que a Justiça deva, sim, garantir gerais, universais, entretanto, a justiça deve ser personalizada de acordo com suas circunstancias.

    Sua teoria divide princípios básicos de distribuição, comenta sobre o qual corruptíveis podem ser as ideologias(meritocracia, etc) tentando, portanto, afirmar sua assertiva sobre as particularidades dos cenários humanos e o que cada um deles busca/ valoriza. A Justiça é dividida, segundo o autor, em diferentes esferas de atuação que não podem se contrapor, obviamente porque essa contraposição geraria desequilíbrios que permitiriam praticas/atos/condições massacrantes. A desigualdade de bens assola a sociedade, essa diferença seria a principal causa das injustiças cometidas no mundo. Sendo assim, aumentar uma distribuição mais igualitário de bens sem que as particularidades locais fossem desrespeitadas(principio da Igualdade complexa) é a chave para que a Justiça possa ser exercida de maneira a abranger o maior numero de pessoas de forma a respeitar seus mais diferentes estilos de vida.
    ra:21012612

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  90. Michael Walzer formula sua teoria da justiça relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade. Para Walzer, a justiça deve ser determinada de acordo com o contexto das tradições da sociedade, e também que a teoria da justiça deva fornecer os princípios para uma distribuição igualitária de bens. A função da justiça é impedir que as diferentes esferas (política, econômica, religiosa, etc) venha sobrepor a outra, é preciso que haja um equilíbrio entre elas. A justiça social para Walzer, não é somente sobre as produções e os consumos, mas com o processo de distribuição de bens sociais.
    A crítica que Walzer faz a Rawls é sobre as abstrações que ele faz sobre o indivíduo, Walzer critica o conceito do véu da ignorância, pois para o autor os indivíduos são diferentes entre si e cada comunidade tem sua própria cultura e, portanto tem seus próprios valores, logo essa idéia não seria possível no mundo real. E outra crítica que Walzer faz é que Rawls não leva em consideração os bens sociais, e ao contrário de Rawls, Walzer acredita que os bens não são iguais.

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  92. Michael Walzer, tendo como base a crítica à teoria da justiça proposta por Rawls, pretende propor uma teoria de esferas de justiça na qual o tema central estudado é a desigualdade. Considera o modelo liberal insuficiente e defeituoso por não levar em conta a questão das desigualdades históricas e culturais dos indivíduos de uma sociedade, além de este não apresentar propostas concretas para minimizar essas desigualdades.

    Sobre a justiça como equidade proposta por Rawls, Walzer afirma que esse modelo não garante uma distribuição social e econômica justa entre os indivíduos pois alguns princípios morais ou políticos se sobressairiam aos princípios individuais discordantes dos primeiros, ocasionando, assim, dominação e subordinação por um indivíduo ou um grupo que detivesse o monopólio de um determinado bem social (dinheiro, educação, poder, etc).

    Em resposta a isso, sob uma perspectiva comunitarista, Walzer defende uma sociedade igualitária que garanta ainda a liberdade, “na qual nenhum bem social sirva ou possa servir de dominação.” (WALZER, 2003) Ou seja, "Este princípio não pretende impor a igualdade absoluta entre todas as pessoas. Walzer escolhe o caminho de bloquear a multiplicação das desigualdades, promovendo a justiça social através de distribuições autónomas. (...) Assim, todos tem hipóteses de alcançarem os bens que pretendem pelos motivos correctos, e não dependem da posse de um qualquer bem predominante para os adquirir."

    Camila Almeida A. de Souza
    ccamila@aluno.ufabc.edu.br

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  93. Michel Walzer é um autor comunitarista e critica amplamente a teoria de Rawls. Para Walzer, as ferramentas propostas por Rawls para se chegar a justiça (véu da ignorância e a posição original) produzem uma abstração no agente que não favorece a obtenção de justiça , pois a justiça que se chega através desses métodos, não serviria para a sociedade, pois, não levaria em conta o fato do indivíduo estar inserido em uma sociedade. Walzer afirma que não é possível propor uma única teoria da justiça, visto que a sociedade é composta por várias esferas e cada esfera possui seu próprio conjunto de princípios.

    Para Walzer a sociedade é uma comunidade histórica, onde os bens sociais são construções históricas que podem variar com o passar do tempo e a evolução da sociedade. No seu livro “As esferas da justiça”, Walzer tem como objetivo descrever a sociedade, na qual nenhum bem social sirva como meio de cominação, pois, para ele, a igualdade é um conceito livre de superioridade. Dessa forma, uma sociedade justa, para Walzer, é uma sociedade onde nenhuma esfera se sobreponha à outra, ultrapassando os limites de influencia de cada esfera.

    A Teoria da justiça de Walzer está ancorada em três concepções básicas, a ideia de os bens sociais são múltiplos, cada um tem seu próprio simbolismo e cada um desenvolve uma lógica interna, na base de que os respectivos grupos desenvolvem valores compartilhados que justificam as reinvindicações feitas no âmbito de seu horizonte hermenêutico. A justiça, portanto, é a divisão igualitária dos bens dentro da esfera, sem perder de vista, que a divisão igualitária tem que corresponder aos princípios particulares de cada esfera.

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  94. Walzer é da linha de pensamento comunitarista, logo, acredita que o contexto histórico tem que ser levado em conta para determinar o que é justiça, e todos os outros valores que nos permeiam, só que diferentemente de Taylor ou Dworkin, ele vê a sociedades em várias esferas que se interligam e que possuem percepções de valores diferentes, e estas esferas não poderiam se sobrepor umas as outras, senão algum setor da sociedade distorceria a igualdade de nivelamento entre as partes da mesma, não podendo ser justo.
    O propósito de analisar os valores sociais em cada esfera da sociedade vem no sentido da própria construção destes valores que não são constantes ou absolutos, estes são construções socias e variam de cultura em cultura, devido as diversas trajetórias de cada povo.
    Como comunitarista, Walzer critica muito Rawls pelo modo como o segundo prega a distribuição de bens, já que pra Walzer não faz sentido a análise em uma posição abstrata, irreal; ela não consegue admitir as particularidades da sociedade, as diferenças nas construções dos valores, o que, invevitavelmente, acaba privilegiando algum setor.Contudo a distribuição de bens de acordo com cada tradição, levando em conta as trajetórias de cada comunidade é um aspecto fundamental para se produzir justiça.

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  95. Waltzer é também um crítico de Rawls, dizendo que seu método é extremamente abstrato, sendo impedido de ser aplicado em casos reais. Ele diz ser necessário considerar as especificidades da sociedade na qual se vai analisar pra aí sim ter uma noção do que fazer. Essa é a teoria das "esferas".

    Porém, é necessário ser guiado por certos princípios morais, e um dos de Walzer é a "igualdade" de haver uma distribuição igualitária de todos os bens, sejam eles quais forem. Porém, ele sempre faz ressalvas de como esses bens são vistos na comunidade para que sejam distribuídos (o que chega até a ser um pouco injusto de certo modo).

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  96. “A teoria da justiça de Walzer está ancorada em três concepções básicas: (1) a ideia de que os bens sociais são múltiplos; (2) cada um deles tem seu próprio simbolismo e (3) cada um deles desenvolve uma lógica interna, na base da qual os respectivos grupos desenvolvem valores compartilhados que justificam as reivindicações feitas no âmbito de seu horizonte hermenêutico”.

    Para Walzer a justiça não pode estar descolada da história. Pelo contrário, a concepção moral e a história devem caminhar atreladas, ou a justiça fica afastada demais da sociedade para que possa efetivamente servi-la, tornando-se abstrata e ineficiente. Walzer demonstra que esse problema também está ligado ao anseio liberal de criar sistemas universais de justiça, quando na realidade nunca houve um sistema universal que garantisse a equidade. A justiça é uma criação humana, portanto seria duvidoso existir apenas uma forma de fazer justiça, além disso, ela está submetida a uma série de circunstâncias históricas, sociais, culturais, etc.

    Walzer crítica Rawls, pois sua teoria da justiça, baseada na posição original e no véu da ignorância tenderia a criar uma justiça muito distante da realidade, que desconsidera a sociedade em que os indivíduos estão inseridos. Essa teoria não se aplica para Walzer porque as sociedades são compostas por diferentes esferas que não podem ser contempladas por uma teoria única da justiça.

    Cada uma dessas esferas é composta pelos seus próprios princípios morais, sendo que uma esfera não deve exceder seus limites de modo a interferir nos interesses das demais esferas, ou seja, não deve se sobrepor a outra. Uma sociedade justa atenderia essa necessidade e garantiria que nenhum bem social servisse como meio de dominação. Não deve haver superioridade entre as esferas, para Walzer deve-se constantemente buscar a igualdade.

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  97. Sendo um autor comunitarista, Michael Walzer prossegue o estudo de justiça e sua relação com o indivíduo em sociedade. Propõe a ideia de multiplicidade de teoria de justiça, a qual seria aplicável dentro do conjunto de costumes ou tradições em que está inserida e cada esfera teria sua própria teoria, além de propor o conceito de distribuição igualitária de bens.

    Walzer também faz uma crítica à Rawls quanto à existência do “véu da ignorância”, mostrando que não seria aplicável ao mundo real, em uma sociedade distributiva, já que parte do princípio de que o conceito de justiça social está inserido no contexto a qual o indivíduo insere-se e não independente deste, como sugere Rawls.

    Além disso, outro ponto destacado é sua crítica à posição original proposta por Rawls e sua invalidez quando aplicada. Para Walzer, não é possível desvincular a posição do indivíduo na sociedade e sua situação real ao elaborar uma teoria de justiça, já que seria um exercício mais intangível, logo, não viável.

    Para Walzer, a distribuição de bens deveria seguir a tendência oposta, isto é, partindo da base ao topo e somente o sentimento de comunidade dos indivíduos e seu posterior esforço para atingir o ideal seria o responsável pela perpetuação de tal conceito.

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  98. Michael Walzer é um autor comunitarista que faz critica a teoria de Rawls. Para Walzer a justiça obtida através da teoria do véu proposta por Rawls seria uma justiça distorcida pois não levaria em conta o fato do indivíduo viver em uma sociedade, afinal, ela deve se desfazer de todo seu conhecimento, cultura, costumes entre outros, para poder formar uma nova noção de justiça e para Walzer essa ideia deve ser concebida exatamente ao contrário, deve-se levar em conta as tradições da sociedade onde o indivíduo está inserido.

    Walzer, assim como os outros comunitaristas, acredita que a justiça possua um catáter pluralista, que assume vários significados de acordo com os valores sociais da comunidade em questão. Cada sociedade possui sua definição de justiça e esse é o ideal de justiça a ser seguido.

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  99. Assim como os autores apresentados anteriormente, o comunitarista Walzer também critica alguns pontos defendidos pela teoria de Rawls com a sua obra “The Spheres of Justice”. A sua formulação de teoria da justiça se baseia na distribuição igualitária de bens e é relativa quanto aos valores culturais e morais de cada comunidade (indo contra a busca por fundamentos universais). Evita o abstracionismo que desconsidera o valor da comunidade e o contexto histórico e territorial para a formulação desta teoria da justiça.
    Walzer vai além da proposta de Rawls sobre a distribuição de bens. Os questionamentos sobre justiça social ocorrem com a distribuição de bens específicos. Estes possuem valores característicos diferentes em cada comunidade na grande maioria das vezes. Os bens sociais primários defendidos por eles são a liberdade, oportunidade, renda e educação.
    No seu ideal de justiça distributiva os agentes de distribuição de bens e de direitos sociais devem agir apenas dentro de sua própria área de atuação, sua esfera, onde pode exercer sua autoridade e tem seu poder garantido. O equilíbrio entre elas deve ser alcançado, enquanto a interferência em outras esferas deve ser evitada para que não ocorram conflitos e uma consequente absorção de uma esfera por uma dominante. Uma sociedade apenas pode se denominar justa quando as diferentes esferas (estatal, social, política, religiosa, etc) passarem a discutir e formularem consensos para o aperfeiçoamento da distribuição da justiça e delimitarem até onde uma esfera pode agir sem entrar em conflito com a outra.

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  100. A filosofia política de Michael Walzer se embasa na fundamentação comunitarista, assim como John Rawls. Entretanto, apesar de compartilhar do mesmo fundamento que Rawls, Walzer tece algumas críticas e pontos de vista diferentes quanto à sua teoria da justiça. Divergências ocorrem, a princípio, no conceito que Rwals impõe sobre do "véu da ignorância". Acerca disto, Walzer crítica tal proposição pela abstração que Rawls faz sem preocupar-se com a distinção dessa sociedade munida do véu da ignorância, da do indívidio inserido numa sociedade diversa que apresenta Tal diferenciação é de suma importância para a justiça social que Walzer propõe.
    Outra crítica direcionada a Rawls, é em relação aos bens sociais, que Rawls denomina como universais (evitando dessa forma o conceitos pré-estabelecidos), sem levar em conta as tradições e culturas diversificadas,que impactam diretamente na interpretação de prioridades.

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  101. Walzer, conhecido por ser um comunitarista, faz uma crítica a concepção de justiça de Rawls, na qual se obtém através do véu da ignorância. Rawls diz que para se criar uma concepção de justiça que seja válida, é necessário vestir o “véu da ignorância”, o qual remove todas nossas opiniões anteriores, concepções de justiça, ou seja, partimos do zero, para daí sim, chegarmos a um senso de justiça que seja único.
    Walzer fundamenta sua crítica justamente nessa teoria do “véu” de Rawls. Walzer diz que os eventos históricos são os responsáveis pela formação de opinião dos indivíduos de certa comunidade, e que cada comunidade passou por eventos históricos diferentes, obtendo assim opiniões diferentes sobre os mesmos assuntos, logo elas não partilham do mesmo ideal de justiça, como era proposto por Rawls com o véu da ignorância.
    Walzer também critica a ideia de bens sociais de Rawls, que diz que os bens devem ser distribuídos igualmente para toda a sociedade. Rawls não leva em conta novamente os eventos históricos que determinada comunidade passou, logo segunda a teoria de Rawls não há prioridades nos bens sociais, enquanto Walzer diz que existe.

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  102. Para Michael Walzer, a justiça seria um padrão moral que deveria ser concebido e avaliado no contexto das tradições das nações e das sociedades em particular.
    Ele considerava que a justiça social, de cada sociedade, era vista de diferentes maneiras, seguindo suas particularidades, seus costumes, suas culturas, e que surgiam da distribuição de bens específicos. Cada uma dessas sociedades, possuia bases primárias (como educação, saúde, liberdade, direito, etc.), as quais não tinham um significado único, podendo variar de acordo, novamente, com essas diferenças das particularidades de cada povo.
    Para Walzer, a sociedade é dividida em esferas, sendo política e religião duas delas, e estas devem conviver sem conflitos e sem que assuntos de uma sejam tratados por uma outra. Os motivos e critérios de cada esfera devem ser respeitados, e nunca uma esfera deve se sobrepor a outra e, caso aconteça, o problema deve ser resolvido na base do convencimento. Desta forma, Walzer visa descrever uma sociedade na qual a dominação através dos bens sociais não exista.
    Em seu livro “Esferas da Justiça”, Walzer aborda dois conceitos de igualdade, a simples e a complexa, que englobam a ideia de pluralismos e justiça distributiva. A igualdade simples seria uma sociedade na qual tudo está à venda e todo cidadão tem tanto dinheiro quanto qualquer outro. A igualdade é multiplicada por meio do processo de conversão, até estender-se a todos os bens sociais. Mas a igualdade simples não dura muito, pois o progresso posterior da conversão, o livre intercâmbio no mercado, com certeza trará desigualdade. E essa “desigualdade natural”, devida ao fato dos indivíduos não serem estáticos e de querem coisas diferentes, é a igualdade complexa.

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  103. Michael Wazer, seguindo padrão comunitarista, tem suas ideias baseadas na crença do individuo como fruto da comunidade, sendo esta um conjunto de culturas e fatos históricos. Para Walzer, uma sociedade justa promove princípios nos quais a distribuição de bens seja igualitária. Para configurar essa distribuição, é necessário criar parâmetros que definam criterios propostos por essa sociedade, através dos significados que elas agregam a esses bens. Em uma forte critica a Rawls, o autor propõe que é necessário considerar as diferenças de cada comunidade, as abstrações de Rawls não levam essas diferenças que constituem uma realidade social.
    Em sua teoria, a sociedade é composta por diferentes aspectos, nomeados como esferas: educacional, politica, religiosa econômica e etc) que devem funcionar em equilíbrio, e sem supressões. As comunidades devem ser analisadas em todo seu espectro de formação histórica e cultural, pois criam diferentes ideias sobre igualdade e justiça.

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  104. Jonatas Silveira de Souza RA: 21040912

    Walzer, assim como Sandel e Macintyre é um autor comunitarista, portanto parte de alguns pressupostos contrários as teses apresentadas por Rawls. O seu argumento central é que, a construção de uma teoria de justiça distributiva deve sempre ser relativa aos valores históricos e culturais de cada comunidade em particular (particularismo). Walzer defende basicamente uma humanidade mais justa e com a proteção dos direitos humanos, através da valorização da comunidade e do espaço público, do particularismo histórico e da responsabilidade social. Para o mesmo, a justiça social esta diretamente relacionada com distribuição dos bens sociais, que são distribuídos em esferas diferentes. Esta diferenciação dos bens sociais em esferas tendem a ajudar a distribuição dos bens, mas não podemos nos esquecer que existem bens que valem mais que outros – no sentido que, uma comunidade valora mais este bem – e que portanto quem tiver posse desse bem poderá ter um monopólio. A intenção de Walzer é descrever uma sociedade na qual nenhum bem social sirva de meio de dominação, um igualitarismo que seja compatível com a liberdade O objetivo do igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade, que evite o monopólio dos bens mais valorados.

    O tema tratado no vídeo se correlaciona com o pressuposto de sua obra, ou seja, a relação dos valores de uma comunidade. Para ele “Crise de valores não existe, pessoas, economias, (entre outros) tem crises, mas não valores – os mesmo são permanentes, eles não perdem os seus sentidos”; As pessoas se desvalorizam, como exemplo a relação de gênero.

    O que podemos ter na sociedade atual é uma queda no “Reconhecimento de valores” e isso para Walzer sintoma de uma sociedade em crise. Crises são algo bom caso, e somente neste caso, se é um insight para a ação. Nós reconhecemos alguns valores universais, mas não agimos para garanti-los. Falhamos ao não agir, isso consiste a crise social. Em suma, Walzer defende a ação contra as atrocidades que vemos ocorrendo, por mais que parece contraditório a ação em países que tem em sua cultura algo que vá contra esses valores que reconhecemos como bom, necessitamos agir – principalmente os políticos, pois são os que possuem poder e capacidade de ação coletiva. Nada supera o Estado, portanto ele deve ser onde a justiça se manifesta. Deve-se manter a discussão do contrato social, abrir o debate, mas não se esquecendo que temos de resolver os problemas que enfrentamos nos dias de hoje. A falha da ação dos governos deixa aberto espaço para os genocídios.

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  105. Michael Walzer, é outro autor que critica a teoria de Rawls. Segundo o autor, a teoria da justiça de Rawls desvincula o agente do seu “eu”. Para Walzer, os métodos propostos por Rawls para se alcançar a justiça, como o véu da ignorância, por exemplo, gera uma abstração no agente que desfavorece a obtenção da justiça, isso porque a justiça que se alcançaria através desse método não teria serventia para a sociedade, pois desconsideraria o fato de o indivíduo estar inserido em uma sociedade, o que, para o autor, é crucial para a obtenção de justiça, pois essa deve ser concebida levando-se em consideração as tradições e a comunidade da qual o agente faz parte.

    Além disso, Walzer critica Rawls com relação aos bens sociais, pois considera que este os trata de forma abstrata. De acordo com o autor, a justiça vai além de regras para a boa distribuição dos bens, pois estes mudam de uma sociedade para outra. Por conta disso, Walzer afirma que os bens sociais não possuem um significado natural bruto em todos os lugares, pois tais bens podem ser interpretados de diferentes formas em diferentes comunidades.

    Walzer considera de fundamental importância à comunidade na qual o indivíduo está inserido para avaliar a melhor forma de obtenção da justiça. Para ele, os “significados sociais” e os valores de cada indivíduo são comunitários, ou seja, não podem ser criados pelo indivíduo isolado, mas somente pela sociedade.

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  106. Walzer apresenta uma teoria formada a partir de valores históricos e culturais, valores estes que variam de acordo com cada comunidade. A justiça é algo particular que varia, e que é concebida levando em cosideração as tradições de cada nação.

    Para o autor existem vários orgãos de justiça, entre eles estão, Igreja e Estado. A teoria da justiça social, segundo Walzer, deve englobar todos os principios para que uma comunidade seja igualitária e tenha uma distribuição de bens justa. Neste ponto o autor se diferencia de Rawls, pois esta distribuição não deve ser somente de bens materiais, e sim de outros pontos cruciais para uma comunidade igualitária, denominados bens sociais.

    Os bens sociais que o autor coloca são a liberdade, o direito, a renda, a oportunidade, o poder, a saúde e a educação. Esses bens tendem a mudar de acordo com a sociedade, e alguns deles são unicos, pois se aplicam apneas em uma sociedade. Cabe as sociedades estipular seus valores e o que é importante para ela.

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  107. Michael Walzer é um autor comunitarista, que defende o ideal de que a justiça dentro de uma sociedade se dá pelo entendimento da abrangência de vários perfis, diferente de Rawls que propõe uma teoria única que seja capaz de abranger todos, o que na visão Walzeriana se tornaria uma injustiça pois as regras das organizações iriam interferir entre si. Walzer constroi sua teoria a partir de uma realidade já existente, mas também acredita que o conceito de justiça deve levar em consideração o contexto histórico, levando em conta os valores de cada comunidade o que demonstra em sua teoria um caráter particularista.
    Mas o que certamente isto quer dizer é que dentro da sociedade existem uma série de organizações que são especializadas em determinados fins – educação, saúde, política, família, etc. – estas organizações são dispostas de modo a se relacionar em determinadas situações, no entanto cada esfera possui determinadas regras que, se aplicadas a outra organização constituirão uma injustiça ou inadequação ou seja, as regras de cada organização são muito particulares. Para reger as esferas em suas relações, há um conjunto de valores comuns que são frutos de uma construção coletiva, e o contrato social deve ser constantemente discutido. Portanto, dentro das organizações deve existir uma igualdade em relação aos princípios, lembrando que para Walzer a distribuição deve ser igualitária, mas a partir do momento que cada indivíduo faz uma escolha particular dos fins que dará as suas quantias, existirá uma desigualdade natural, mas que não cabe a quem distribuiu tentar equilibrar. Ou seja, a igualdade deve existir no âmbito da distribuição, mas a desigualdade é inevitável.

    Raquel Ribeiro Rios

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  108. Michael Walzer é um autor comunitarista, que assim como todos os outros vai contra a ideia de Rawls no que se trata de senso de julgamento e a forma como esse deve se desenvolver, da mesma forma que Sandel por exemplo, nega a possibilidade do indivíduo se desligar de suas crenças morais e seus costumes para julgar uma situação ou ser no meio social, indi totalmente contra a ideia do "véu da ignorância".
    Para Walzer, a justiça está diretamente ligada e altamente influenciada pela forma com que se distribuem os bens, caso seja realizada de maneira igualitária, trata-se de um sistema justo, caso sejam distribuídos de maneira desigual, darão base a uma sociedade injusta, e essa distribuição deve ser feita levando em conta o meio social na qual a distribuição será feita e o papel que os bens tem sobre cada contexto social, sendo analisadas as formas como ocorrem sa trocas e como os atores agem dentro do "mercado" local. A interptação social dos fatos tem que ser feita levando-se em conta a particularidade de cada ambiente a ser analisado.
    Michael Walzer também propõe uma interessantíssima ideia que diz que a sociedade como um todo é uma combinação de diferentens esferas, que são os diferentes contextos sociais nos quais os indivíduos são inseridos ao longo de seu tempo de convivência dentro daquela sociedade, como a religião, política, família, mercado, educação, etc. E cada esfera deve ter seu espaço de atuação para com a sociedade, sempre havendo contato com alguma outra esfera ou algumas outras esferas, mas para que se mantenha o bem estar social, não podem haver conflitos uma vez que isso traria um mal estar dentro da sociedade pois cada esfera tem sua própria forma de atuação e seus próprios critérios de como se deve atuar, e essa invasão e desarmonia iria ferir muito o bem estar social, desestabilizando a sociedade e sua harmonia nevessária. Assim como muitos outros autores, Walzer propões a diminuição das desigualdades, mas não que elas não mais existam, pois essa ideia comunista não atua mais com força no ambiente neo liberal iu comunitarista.

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  109. Walzer acredita que a sociedade é uma comunidade histórica, onde os bens que as pessoas valorizam e apreciam, ou seja, os bem sociais, são fatores históricos construídos socialmente.

    Para além disso, diz que a sociedade é formada por diferentes esferas, cada qual apresentando um conjunto de princípios. E isso é um ponto central da sua teoria.

    Walzer apresenta um método particularista, segundo o qual não existe um conceito universal e superior de justiça, mas, ao contrário, onde a justiça é baseada em critérios particulares, que são diferentes em casa esfera. Justiça é, pois, a divisão igualitária de bens. E, uma vez que esses bens são diferentes dentro de cada esfera, o justo, então, é atender os valores particulares de cada esfera.

    Partindo do pressuposto de que a sociedade reconhece suas esferas, ele apresenta como sendo Esferas de Justiça: o Estado, a Igreja, o político, o privado, o público, o educacional e o saudável. E uma vez que ele descreve uma sociedade onde nenhum bem social possa servir de dominação, desse modo, para que uma sociedade seja justa, uma esfera não pode se sobrepor à outra, isso significa que os valores de uma esfera não podem ser transferidos à outra esfera.

    A teoria de Walzer é também uma critica à teoria da justiça de Rawls, que vê a justiça como um conceito superior e universal. Walzer diz que, sendo a sociedade composto por diferentes esferas, cada qual apresentando um conjunto de princípios, não é possível propor apenas uma única justiça. Há diferentes justiças e diferentes tipos de valores que podem não ser coerentes nas diferentes esferas; propor uma única teoria da justiça seria injusto, além de impossível, porque corromperia os princípios próprios de cada esfera.
    Walzer apresenta ainda uma segunda critica, que é a mesma feita por Sandel, de que o conceito de justiça que Rawls apresenta é tão abstrato que sua implementação na atual, e complexa, sociedade é impossível.

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  110. Michael Walzer defende que nas sociedades modernas contemporâneas, não se pode observar a justiça sem observar que existem diferentes justiças compondo as relações entre diferentes esferas, cada uma com características e necessidades distintas, considerado um método particularista.
    Walzer destaca ainda a necessidade de analisar com muito cuidado se a sobreposição de uma esfera sobre a outra não causaria mais problemas do que soluções, cada nível (esfera) deve delimitar os seus problemas e encontras as soluções adequadas pois,se o aparelho jurídico não contempla as particularidades de cada esfera, ele perde a eficiência, as naturezas das relações variam e precisam ser observadas.
    A injustiça ocorre quando se exige que as regras de uma esfera sejam aplicadas a outra esfera é fundamental que modelos interpretativos determinem dentre as várias teorias da justiça qual seria mais adequada a determinada esfera.
    O autor critica Rawls, pois, este defendia haver um único modelo de justiça, e entendia que o pensamento individual seria capaz de criar um sistema jurídico aplicável a todas as situações para Walzer o justo seria distribuir os bens de forma igualitária segundo os critérios daquela determinada esfera e a sociedade deveria decidir em conjunto quais as regras mais adequadas.

    Alexandra Saphyre de Oliveira RA 21072812

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  111. Atrasado

    Michael Walzer entede a justiça como uma forma de distribuição dos bens sociais equilibrada. Para ele não há abstração dos direitos sociais como na teoria de Rawls, já que saúde, educação, renda e outros são oferecidos na comunidade em que o individuo está inserido e eles são distribuídos de forma desequilibrada. Para Walzer os bens não estão limitados ao materialismo, mas tem também uma função de garantir as condições de que haja um padrão mínimo de vida. Em sua teoria Walzer coloca a impossibilidade de haver justiça, sem que todos da comunidade estejam em condições de igualdade de acesso aos bens sociais. Essas condições de igualdade dar-se-iam através da interação entre as diferentes esferas da justiça (Poder Politico, Bem Estar Social, Trabalho, Educação...), respeitando aspectos da cultura e tradição da comunidade, rejeitando o uso do véu da ignorância para construir uma justiça uniforme e universal. As esferas devem interagir e não sobrepor-se uma a outra, já que a justiça tem de ser distribuída de forma igualitária respeitando as necessidades de cada individuo. Em outras palavras, aquele cidadão que tiver domínio na esfera econômica, não deve ser o mesmo que tenha domínio na esfera educacional. Um exemplo prático dessa sobreposição é perceber quem utiliza os bens públicos e quem os financia, numa sociedade equilibrada os ricos pagariam mais e utilizariam, proporcionalmente, menos que os mais pobres.

    Walzer é um teórico que aproxima as ideias do factível. Valer-se da distribuição dos bens sociais para teorizar a justiça, torna menos difícil a tarefa de estudar esse autor.

    Rebeca D’Almeida - 21032410

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  112. Michael Walzer constrói sua teoria baseada em questões históricas e culturais particulares de cada sociedade. Sendo assim, Walzer coloca a justiça como um padrão moral, e que deve ser concebido olhando para as tradições de diferentes culturas.Assim, o autor mostra suas esferas de justiça.
    As esferas de justiça de Walzer são campos com princípios e regras definidas que são válidas apenas para esse campo. Por exemplo, numa esfera de justiça do futebol existem as regras, mecanismos, princípios e etc do futebol. Em outras esferas, por exemplo a da saúde, há as regras, mecanismos e princípios da saúde. O que o autor coloca é que essas esferas são independentes umas das outras, mas elas podem se interceptar em alguns pontos.
    Walzer coloca que uma teoria da justiça social deve fornecer princípios igualitários de distribuição de bens. Ele escreve “Bens sociais diferentes devem ser distribuídos por diferentes razões, de acordo com diferentes procedimentos, por diferentes agentes; e todas essas diferenças derivam de diferentes entendimentos dos próprios bens sociais - o inevitável produto de particularismo histórico e cultural.". Ou seja, o que determina como e por que razão certos bens devem ser distribuídos de tal maneira é a particularidade histórica e cultural da sociedade tratada. Dessa forma, não se pode falar de direito, poder, renda e etc sem levar em conta as características culturais da sociedade em discussão.

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  113. A teoria de Walzer é antes de tudo uma crítica a Rawls. Na sua teoria, Rawls propõe apenas uma teoria da justiça, e Walzer diz que isso não é possível pois existem várias esferas em uma sociedade, e cada esfera tem seu conjunto de regras. A justiça em cada esfera vai depender do que é determinado nas regras das esferas.

    Walzer vê a sociedade com uma visão histórica, e os bens sociais, por consequência, são históricos também. Sendo assim, conforme a sociedade muda, os bens que ela valoriza também mudam. No seu livro, Walzer quer descrever uma sociedade na qual nenhum bem social seja um meio de dominação, pois o autor considera a igualdade um conceito livre de superioridade. Dessa forma, o autor considera uma sociedade justa aquela em que nenhuma esfera se relacione com as outras de modo a superar os limites de influência. As influências podem acontecer, mas devem ser controladas.

    Portanto, para o autor, o justo é uma divisão igual dos bens dentro de uma esfera, sendo que essa divisão igualitária deve respeitar as regras particulares de cada esfera.

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  114. Walzer é defensor do comunitarismo e também crítico do liberalismo de Rawls, ele elabora uma teoria que consiste na distinção de várias esferas na sociedade, nas quais essas devem estar em um "equilíbrio", de forma que nenhuma possa obstruir ou se sobrepor a outra esfera.
    Defende que a justiça deve ser determinada de acordo com o contexto das tradições das comunidades, assim como MacIntyre também ressalta em sua obra.
    De acordo com o autor, é necessário que uma teoria da justiça forneça princípios de distribuição igualitária dos bens - que englobam não somente o poder, mas também a renda, a educação e a saúde- para então consolidar uma sociedade justa, que possa abranger diferentes perfis dentro de uma comunidade.
    No vídeo "Values don't have crisis" relata a crise que enfrentamos no mundo atual frente aos nossos valores e coloca tal situação como consequência direta por não agirmos para resolver o problema de forma conjunta, por meio do Estado, pois como relata essa seria a solução.

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  115. Michael Walzer é um pensador liberal que segue a linha comunitarista. Para Walzer, a justiça tem de ser pensada não como uma abstração, mas sim como um padrão moral de certas nações e sociedades com suas respectivas peculiaridades, o que consequentemente permite que “justiça” possa assumir diversas definições.

    Por seguir a linha de pensamento comunitarista, Walzer defende que uma teoria da justiça deve expor leis (meios) e princípios que garantam uma destruição igualitária de bens numa sociedade, pois é a partir nesta distribuição que, segundo Walzer, esta a questão sobre justiça social.

    Walzer analisa a sociedade sob a ótica de uma divisão de alguns bens sociais primários em esferas. Direitos, poder, educação, renda, saúde, ou seja, bens entendidos a partir de cenários sociais (e que por isso possuem significados diferentes em diferentes sociedades) constituem diferentes esferas onde, mesmo havendo interação entre elas, uma não deve se sobrepor sobre a outra.

    Walzer dá uma atenção especial à esfera da guerra, e elabora uma teoria sobre a “guerra justa” baseado no estudo da interação entre esferas diferentes, de modo a haver uma sobreposição de uma esfera sobre a outra. Neste ponto, Walzer coloca a violência com um meio viável e justo para se resolver o problema.

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  116. Em sua obra "Esferas da Justiça", Walzer coloca os indivíduos como seres muito diferentes, ao mesmo tempo que bastante parecidos, dependendo do aspecto e da forma com que são analisados.
    Dessa forma, uma socidade totalmente igualitária necessitaria de um Estado extremamente coercitivo, -de maneira que fossem suprimidas as individualidades e as identidades particulares- em nome de uma sociedade igualitária. Segundo Walzer, esse aspecto da igualdade é raramente mencionado.
    Walzer então propõe uma igualdade política, que não tem como pretensão eliminar todas as diferenças, mas que regule somente àquelas que permitem que um grupo ou classe suprima outro, garantindo uma sociedade ausente de superioridade.
    Assumindo o aspecto distributivo da comunidade humana, Walzer propõe a chamada "Justiça Distributiva", que tem como base o pluralismo, de forma que reconheça as diferentes distribuições de bens nas diferentes esferas sociais. Devido a tantas diferenças, Walzer argumenta que essa distribuição não é responsabilidade total do Estado, sendo que outras instituições -como a religiosa e a familiar- possuem larga influência nesse aspecto.
    A critica feita a Rawls reside na formulação do contrato social, que requere a "posição original" e o "véu da ignorância". Ao contrário do que Rawls afirma, Walzer argumenta que dificilmente os indivíduos defenderiam suas posições sob p véu da ignorância quando inseridos em uma sociedade. Um contrato deve ser formulado a partir de situações reais, e não sob critérios e requisitos específicos como Rawls defende.
    Assim como a cultura é definida de forma plural, a justiça também possui diferentes aspectos, de acordo com a pluralidade cultural e social. Dessa forma, não há um conceito universal do que é justo.

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  117. O trabalho de Walzer tem uma certa proximidade com o trabalho de Sandel à medida que ambos são comunitárias e ambos vão contra o trabalho de Rawls. Outro ponto que deixa próximo os dois trabalhos é a questão da valoração do papel das sociedades e como isso tem influencia sobre o indivíduo.

    Para Walzer, a justiça aborda várias esferas da sociedade (educação, política, religião, economia, etc) e é necessário que elas estejam em equilíbrio, que nenhuma delas sobreponha a outra.

    Walzer também vai criar uma teria, ateria da guerra justa. Uma teoria da guerra justa pressupõe que a guerra pode ser analisada à luz da moralidade, que é possível determinar as condições em que uma guerra pode ser dita justa ou injusta, que se pode estabelecer os limites éticos da conduta na guerra. São exatamente a natureza e os limites morais da guerra que questionaremos.

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  118. Conhecido como um dos mais expressivos teóricos do comunitarismo, Michael Walzer, tem argumentações firmadas na ideia de justiça como relativa aos significados sociais dos bens que são distribuídos em um modelo de construção social e política. Baseado na ideia da diversidade sociocultural natural aos seres humanos, considera-se os bens como assumindo significados vários no sistema social. Então essa diversidade de significados dos bens, exige uma abordagem diferenciada para a justiça distributiva entre os bens.

    Para Walzer, não haverá distribuição justa de bens se não houver um mecanismo que a regularize, e ele dá como solução a defesa da justiça o princípio da igualdade complexa. Esta impede que uma sociedade não seja tirana, pois impede que haja uma má distribuição de seus bens. Um exemplo seria priorizar o acúmulo de riquezas em detrimento da saúde.

    A forma como Walzer concebe a justiça é comunitarista já que sustenta-se na hermenêutica. Nenhuma conclusão relevante pode ser concluído de maneira teórica se descuidarmos da análise concreta dos significados sociais. Esse caminho de interpretação da realidade sociocultural para um tipo de abstração filosófica é a forma que melhor caracteriza o sistema comunistarista.

    Comparando a teoria de Rawls que é de extrema relevância para as discussões atuais sobre justiça distributiva possui uma distância da teoria de Walzer em dois pontos basicamente. Nos métodos utilizados por Michael Walzer para criterizar a distribuição de bens, e a diversidade cultural e social que leva a um pluralismo distributivo que não pode ser resumido a um simples princípio de justiça.

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  119. Walzer é um autor de cunho comunitarista, no qual sua teoria estabelece uma critica a teoria da Rawls. Segundo ele, as ferramentas que Rawls nos propõem para que cheguemos a justiça produzem uma abstração no individuo que não favorece para que a justiça seja obtida. O autor diz que uma justiça obtida pelas técnicas propostas por Rawls seriam uma versão distorcida da justiça, pois esta não levaria em conta que os indivíduos estão inseridos dentro de uma sociedade,e este é um fator importante e deveria ser analisado, junto até com as tradições das comunidades.

    Walzer também estabelece uma critica em relação a forma que Rawls trata a relação dos bens sociais, sendo que estes podem mudar ao também mudarmos de sociedade , o autor nos diz que os bens sociais não tem significado natural em todos os lugares, podendo ter seu valor variado, e sendo interpretados de outras formas nas diferentes comunidades.

    Um ponto muito levado em conta em sua teoria é de que o individuo se situa dentro de uma comunidade e que esta deve ser levada em conta para que a obtenção da justiça seja feita da melhor forma. Por fim ele considera que os valores de cada individuo são comunitários, em outras palavras, são criados na sociedade e não podem ser atribuídos a um ser isolado.

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  120. Em sua obra "The Spheres of Justice", Michael Walzer, partindo do pressuposto que não há um 'bem' social mas sim 'bens' sociais, defende que o mercado não é a única esfera de interação social, e que, portanto, sua atuação precisa ser limitada. A justiça ocorre em outras esferas na vida social, que são: o Estado, a Igreja, o Político, o Privado, o Público, o Educacional e o Saudável. A obra entra em conflito também com as ideias de John Rawls, pois embora defenda a justiça como igualdade, parte de uma visão comunitarista e de uma perspectiva histórica da sociedade, onde é impossível desvencilhar os indivíduos do valor social que suas comunidades dão a cada esfera. O pensamento de Rawls seria falho então, pois em sua abstração há a influência de uma esfera sobre as outras.

    Como comunitarista, o pensamento de Walzer se mostra incompatível com o "véu de ignorância" de Rawls. O autor propõe uma igualdade complexa, onde busca-se não uma igual repartição de coisas, por exemplo, mas sim uma não predominância de uma esfera sobre a outra: “Quero defender mais do que isso: que os princípios de justiça são pluralistas na forma; que os diversos bens sociais devem ser distribuídos por motivos, segundo normas e por agentes diversos; e que toda essa diversidade provém das interpretações variadas dos próprios bens sociais – o inevitável produto do particularismo histórico e cultural.” (p.5) O sucesso no domínio econômico (privado), não deve permitir o domínio do campo político (público), por exemplo.

    Um ponto de vista muito interessante de Walzer é sobre o que seria uma "guerra justa": a guerra pode ser justa e até mesmo moralmente necessária, caso haja sobreposição de uma esfera em detrimento da outra. Walzer parte, porém, de uma moral deontologista e não de conclusões sobre cálculos de utilidade: “O objetivo do igualitarismo político é uma sociedade livre da superioridade... Não é a esperança da eliminação das diferenças; não precisamos ser todos iguais nem ter a mesma quantidade de coisas iguais.”(p. 19)

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  121. Michael Walzer, que faz parte do grupo dos comunitaristas, dá grande importância aos valores históricos e culturais particulares de cada comunidade na construção de suas teorias da justiça (o que significa que a teoria de justiça de uma comunidade geralmente não serve para outra, dadas suas peculiaridades individuais).
    Há também um foco na distribuição de bens. O que deve ser distribuído depende muito das necessidades e concepções de cada cultura. Renda, terra, poder, liberdades em geral, cada comunidade tem maior necessidade por certo tipo de distribuição. Não há aqui uma limitação de que esses bens devem ser materiais. Walzer critica a busca por uma teoria geral, que queira definir o que todas as comunidades precisam seguir, de que bens necessitam, como devem fazê-lo. O autor também fala que para haver justiça, nenhuma esfera social pode se sobrepor a outra, o que pessoalmente acho difícil de se aplicar.

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  122. Este comentário foi removido pelo autor.

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  123. Walzer é outro comunitárista que também critica a teoria de Rawls, mas a sua teoria se destaca por seu principal argumento aonde a construção de uma teoria de justiça seja distributiva devendo sempre contar com a condicionalidade dos valores de cada comunidade particularmente. Michael Walzer imaginava que a sociedade não esta ligada somente a produção e ao consumo, porem também estaria ligada a distribuição, ela é complexa por não ter somente um bem social a ser dividido, de mesma forma que não existe um critério de distribuidor, então é necessário levar consideração toda essa complexidade para analisar uma sociedade plural, e também é preciso ter em consideração as particularidades de cada comunidade. Ele enfatiza que se devem respeitar as diferentes esferas distributivas e analisar de que forma devemos dar esta distribuição dos bens sociais com o intuito de bem estar social.

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  124. Assim como Michael Sandel, Walzer não admite a possibilidade de um indivíduo livre de sua cultura, opinião, crença, valor. “People make and inhabit meaningful worlds. The world they create is social. Meaning and values are communal and cannot be created by individuals acting alone”. Isso é uma clara crítica a teoria de Rawls, liberalista.

    Para ele, a sociedade como um grupo de indivíduos cria seus valores. Porém, uma análise individualizada dela se faz necessária, devido aos diferentes perfis que ela possa ter e isso influencia nos conceitos que cada indivíduo possui sobre cada problemática, como por exemplo, a justiça.

    O autor ainda acredita que há diferentes esferas de justiça: o Estado, Igreja, político, privado, público, saudável. Deve-se haver, portanto, uma esfera que abrange todas essas outras, e que é responsável pelo equilíbrio, para que nenhuma suprima a outra e para que todas as esferas se comuniquem para troca de informações.

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  125. Para Michael Walzer, a justiça é um padrão moral que deve ser concebido e avaliado no contexto das tradições das nações e sociedades em particular. Sua teoria da justiça diz que esta deve ser capaz de fornecer princípios de distribuição igualitária de bens entre os indivíduos.

    Os bens sociais primários não possuem um significado natural bruto, eles somente adquirem significado no processo de interpretação e entendimento, que é sempre social. Tais bens (direitos, poder, renda, educação e saúde, por exemplo) podem ter múltiplos significados em culturas diversas.

    Nas sociedades contemporâneas atuais não é possível avaliar as sociedades liberais como Rawls fazia. Há diferentes tipos de relações na sociedade (econômica e educacional, por exemplo), de maneira que as discussões devem ser travadas dentro das particularidades, sendo algumas dessas reconhecíveis.

    As questões de justiça social surgem da distribuição de bens específicos com abordagens de diferentes sentidos e em diferentes sociedades. A justiça, por sua vez, abrange diversas esferas: o Estado, a igreja, o político, o privado, o público, o educacional, o saudável. Nesse sentido, a Filosofia Política pretende se afastar dos significados sociais e busca as abstrações, que resultam em princípios de justiça inaplicáveis na prática. Algumas vezes tais esferas se inter-relacionam de maneira que confundem e mesclam aquilo que deveria ter sido absorvido delas, causando a injustiça, pois o discernimento é construído dentro de cada esfera singularmente.

    Walzer sugere, portanto, a necessidade de se criar modelos interpretativos em cada âmbito segundo os diversos vieses de teorias da justiça que apresentam, uma vez que as concepções divergem a partir dos diferentes aspectos e devem ser analisados separadamente.

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  126. Walzer dá sequência à crítica comunitarista ao liberalismo, centralizada em Rawls.. Segundo Walzer a teoria de justiça de Rawls abstrai e desvincula o agente do seu “sel’”. Ao contrário de Rawls, Walzer, e os comunitaristas em geral, defendem que não há como se estabelecer uma teoria da justiça fundamentada em princípios imparciais e universais sem raízes e livres de qualquer influência histórica ou cultural. Justiça e pluralismo estão interligados.
    Outra critica de Walzer a Rawls é em relação as os bens sociais. Para Walzer, Rawls os trata de forma abstrata. Segundo Walzer, a justiça não é somente regras para a boa distribuição dos bens, pois esses bens mudam de sociedade para sociedade, tirando desse modo o interesse da sociedade em discutir essa questão da distribuição de bens. Por isso Walzer diz que os bens sociais não possuem um significado natural bruto em todos os lugares, pois em diferentes comunidades esses bens podem ser interpretados de modos diferentes.

    Walzer leva muito em consideração a comunidade em que o agente está inserido para avaliar a melhor forma de obtenção da justiça, assim como todo bom comunitarista. Para ele os “significados sociais” e os valores de cada individuo são comunitários, ou seja, são criados não sociedade e de modo algum poderiam se dar em um individuo sozinho.
    Também diz que na sociedade existem diferentes esferas da justiça (o Estado, a Igreja, a econômica, a política, entre outras). O fato é que para que se tenha uma sociedade justa, essas esferas devem entrar em um diálogo para que cheguem a um consenso sobre como agir e interferir umas nas outras de forma satisfatória.

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  127. Walzer tem a preocupação de considerar fatores históricos e culturais de cada comunidade em sua teoria de justiça distributiva. Parte da idéia de que a justiça assume um caráter pluralista, de acordo com as concepções culturais de cada sociedade. Dito isto, a critica de Walzer a Rawls se desenvolve no sentido de que a teoria de Rawls baseia-se em princípios individuais e não leva em consideração aspectos de diferença de cada comunidade, aplicando o Véu da Ignorância. Sendo assim, cada sociedade possui diferentes atribuições de valores a diferentes coisas, e essa distribuição pode variar conforme essa atribuição de valor. A distribuição é particular de cada sociedade, e a pluralidade deve ser sempre considerada.

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  128. Michael Walzer defende o conceito de que uma teoria da justiça distributiva que seria associada a valores individuais das pessoas de cada comunidade, por meio de valores históricos e culturais de tais pessoas. Sendo a afirmação de teorias acerca de assuntos de cunho social, as teorias de Michael Walzer acima disso demonstra alguns argumentos e posições, soluções que nos revelam ser de grande relevância.

    Sendo um comunitarista em sua formação de conceitos e ideias, Walzer faz críticas ao autor Jonh Rawls e sua posição em relação a formação de uma sociedade e seu conceito de justiça. Rawls seguia a ideia da elaboração de um contrato social, por meio do princípio do "Véu da ignorância", onde todos os indivíduos envolvidos na elaboração do contrato social, estivessem em mesma condição de ideias e conceitos. Esse conceito de Ralws seria uma maneira de privar a sociedade de suas opiniões, conceitos, sua formação histórica e sua perspectiva dos fatos. Sendo Walzer um defensor da igualdade e do pluralismo de identidade social, o autor defendia que as comunidades e seus espaços sociais deveriam ser valorizados.

    Walzer coloca em suas ideias que uma forma de combater o monopólio seria por meio de fazer uma distribuição de forma igualitária aos cidadãos de uma sociedade, sendo essa distribuição igualitária, defendida pelo autor como sistema de igualdade simples, porém, Walzer não acreditava na afirmação desse sistema, pois havia inúmeros fatores que influenciariam nesse sistema, fatores independentes mas ainda assim ligados à sociedade.

    Sendo assim, todos os bens socias tais como, dinheiro, educação, direitos, saúde, dentre todos os outros não possuem o mesmo significado, tendo sempre um entendimento social. Com isso se o processo distributivo depende do significado social de cada bem, tendo cada bem um significado diferente, casa bem social irá construir um esfera da justiça.

    A teoria de Walzer defende que em todas as esferas sociais, as verdadeiras necessidades de uma comunidade particular serão atingidas por meio de debate público, e permitindo assim, a realização da justiça social.

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  129. A teoria do comunista Michael Walzer se baseia nas ideias de esferas da justiça e distribuição igualitária de bens. Onde a justiça social esta diretamente relacionada a esta igualdade distributiva. Esta distribuição deve ser baseada na realidade prática de cada sociedade em especial, deve ser levado em conta as tradições e culturas locais, já que um mesmo bem social pode ter diferentes sentidos em sociedades distintas. A maior diferença entre a teoria de Walzer e a teoria de Rawls,é que os bens sociais não possuem significados intrínsecos, estes são sempre gerados a partir da interpretação social própria de cada sociedade. Segundo Rawls para discutir justiça devemos assumir uma posição original, descartando nossa situação real, para um é um exercício de abstração da realidade, para o outro de análise e entendimento desta. Além disso, a distribuição deve se feita de baixo para cima, de dentro para fora, ou seja, as pessoas em sua forma de se organizar socialmente devem guiar esse ideal, não políticas ou determinações impostas. Deve haver uma vontade comum e geral de "igualdade" dentre os indivíduos.
    Sua crítica a Rawls está centrada no processo de definição do contrato social, através da posição original e do véu de ignorância. Para Walzer esse processo é equivocado pois dificilmente essas pessoas na posição original defenderiam a mesma posição depois de inseridas na sociedade e com seus próprios bens e valores. A questão principal, para ele é o que os indivíduos comuns escolheriam em situações reais, e não em uma situação específica como a defendida por Rawls. Walzer acredita na existência de mais de um tipo de justiça, que é realizado de acordo com as diversidades culturais e sociais, e não em um único e universal modo de se alcança-la.
    Para Walzer, a sociedade é dividida em esferas, sendo política e religião duas delas, e estas devem conviver sem conflitos e sem que assuntos de uma sejam tratados por uma outra. Os motivos e critérios de cada esfera devem ser respeitados, e nunca uma esfera deve se sobrepor a outra e, caso aconteça, o problema deve ser resolvido na base do convencimento. Desta forma, Walzer visa descrever uma sociedade na qual a dominação através dos bens sociais não exista.

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  130. Walzer inicia afirmando que o filósofo não é um cidadão de uma qualquer comunidade de ideias. É isso que faz dele um filósofo". No caso político, vê-se um indivíduo que se isolou do resto da comunidade, tanto dos laços afetivos quanto das ideias convencionais. Essa comunidade coloca questões mais políticas, e não filosóficas, exigindo um conhecimento político maior, mais centrado nesse tema, não é uma ideia mais universalista e singular.
    O pensamento mais universalista se aproxima do que Walzer acreditava, já que o mais importante, para ele, é a ideia de bens sociais para toda a comunidade. Walzer condena Rawls ao ressaltar sua ideia de justiça, pois não é muito eficiente, já que os indivíduos são singulares e não têm as mesmas necessidades, sendo assim, necessitam de diferentes bens. Logo, a distribuição justa seria aquela que atenda a necessidade de cada um, ou especificidades da comunidade.

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  131. Walzer, em sua teoria sobre a justiça, afirma que o problema central das sociedades humanas encontra-se na distribuição de bens, que pode ser uma distribuição justa ou não, daí decorrem todos os conflitos e problemas sociais.
    O autor entende que a sociedade se organiza em diversas esferas que se relacionam, como a política, a econômica, a religiosa, etc., sendo que dentro de cada uma delas existem os bens que possuem mais valor do que em outras (bens sociais). Para Walzer, é natural que exista monopólio de um bem social dentro de uma esfera, e isto se deve a diversos fatores como a aptidão pessoal que uma pessoa ou um grupo possui para uma determinada atividade. O grande problema é que além do monopólio em um determinada esfera, este monopólio é usado como forma de dominação dentro de outras esferas, o que para o autor é algo que ultrapassa os limites de privilégios que se poderia ter quando se domina um bem social.

    Walzer defende o sistema que denomina “igualdade complexa”, onde quem possui um bem social predominante na sociedade (como o capital ou um importante cargo político) não pode usar deste predomínio em sua esfera para obter vantagens e privilégios que pertençam a outras esferas, pois estas devem ter autonomia e suas próprias regras para que se conquiste os bens sociais que lhe são particulares. Um fator importante para reduzir esta interferência e o consequente abuso de poder entre as esferas, é que sejam reduzidos os alcances dos bens predominantes na sociedade, para que eles não sejam tão importantes ao ponto de transgredir seus limites causando injustiça para com os outros cidadãos.

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  132. Michael Walzer desenvolve sua teoria da justiça social como uma crítica às ideias de John Rawls, que parte do princípio de que os bens sociais, como os direitos, as liberdades, os rendimentos e as oportunidades podem ser distribuídos de forma comum a todas as sociedades caso levemos em conta o princípio do véu da ignorância e da posição original.

    Walzer refuta Rawls afirmando que a concepção dos bens sociais se modifica de uma sociedade para outra, especialmente por ser resultado do particularismo histórico e cultural de cada comunidade. Portanto, alguns critérios do dever e das normas morais só são aplicáveis a determinados contextos e agentes, e não é possível discutir a justiça de forma abstrata, uma vez que ela precisa ser aplicável ao mundo real com suas condições atuais, não através de mecanismos artificiais.

    Para Walzer vivemos em uma comunidade distributiva, dessa forma “os diversos bens sociais devem ser distribuídos por motivos, segundo normas e por agentes diversos”.Ele defende que haja esferas de justiça que deem conta das diferentes demandas sociais, e que tais esferas interajam entre si em harmonia, de forma a resolver os conflitos e promover debates de forma pacífica. Contudo, uma das complicações desse modelo reside na dificuldade em aplicar métodos pacíficos que funcionem em comunidades tão diversas.

    Danielle Romana Bandeira Silva
    RA: 11060011

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  133. Esferas da justiça pode ser resumido em quatro proposições centrais
    Justiça não é para ser encontrado em um objetivo, universo Arquimediano, ou uma posição original hipotética , é para ser encontrado em nossos conceitos e categorias , no mundo de significados que compartilhamos

    Justiça encontra-se dentro dos limites de uma comunidade política. Cada comunidade política é um mundo de significados comuns e estes mundos de significados comuns só pode ser sustentado se a comunidade política pode reivindicar autoridade de controle para fazer a sua própria política de admissão, para controlar e, por vezes, conter o fluxo de imigrantes. O mundo de Walzer de entendimentos comuns pressupõe a existência de outros mundos com outros entendimentos compartilhados e um mundo de entendimentos compartilhados só pode ser mantido vivo Se há alguma instituição legítima para proteger as fronteiras.

    Nas sociedades ocidentais liberais, como os Estados Unidos e muitos países europeus justiça toma forma diferentes formas em diferentes esferas da sociedade . Na esfera da educação, justiça tem a ver com a criação de oportunidades iguais ( no ensino primário ) e com gratificação de acordo com o mérito ( no ensino secundário ) . Na esfera do dinheiro e mercadorias, a justiça toma a forma de livre troca. Na esfera do bem-estar, os bens são distribuídos de acordo com as necessidades socialmente reconhecidos. Na esfera da política, é a justiça sobre os procedimentos: eleições democráticas, a vontade da maioria , e por aí vai. Cada esfera da justiça tem a sua própria lógica moral interna . Uma comunidade política deve ser ordenada, de tal forma que suas esferas de justiça possam defender sua lógica moral interna.

    Se uma comunidade política consegue manter suas esferas de justiça à parte, tal comunidade realiza um ideal chamado de igualdade complexa. Igualitaristas simples são igualitaristas que abominam as desigualdades de renda como tal. Igualitaristas complexos , por outro lado pode aturar alguma desigualdade na esfera do dinheiro e mercadorias , desde que este desigualdade esteja confinado dentro dessa esfera particular. Os rios não devem ser capazes de comprar poder político, melhor educação para seus filhos, ou tratamento médico preferencial , juízes e policiais. Mas se estas condições são preenchida, não há nada de errado com a riqueza em si. O ideal de igualitários complexos pressupõe que as pessoas têm diferentes talentos e que pessoas diferentes agir de forma diferente em diferentes esferas . Uma pessoa será um excelente cientista , outro será um homem de negócios bem sucedido, um terceiro será um pai amoroso, uma quarta será um político muito respeitado e assim por diante.

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  134. Walzer é critico em relação a abstração dos direitos sociais, já que seria impossível estabelecer uma teoria da justiça fundada em princípios universais. Ele propõe que a justiça é um padrão moral que deve ser concebido e avaliado no contexto das tradições das nações e sociedades em particular. Assim existem diferentes esferas de justiça, como o estado, a igreja, a política, a econômica, etc.
    Os homens vivem em uma comunidade distributiva, assim, a ideia de justiça social não relaciona apenas com a produção e o consumo, mas também com a distribuição dos bens sociais. Assim uma teoria da justiça social deve fornecer princípios igualitários de distribuição dos bens. Os bens sociais não teriam um significado natural bruto, pois estes podem ser interpretados de formas diferentes em diferentes lugares.Assim uma teoria de justiça distributiva deve ser relativa aos valores de cada comunidade.

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  135. Após a leitura dos capítulos indicados da obra " The Spheres of Justice" de Michael Walzer, pode-se depreender que este autor elabora uma teoria da justiça embasada em valores históricos e culturais das comunidades. Tendo isso em mente, ele acredita que a justiça deve ser analisada levando-se em conta o contexto social e visando uma distribuição igualitária dos bens.

    Walzer enfoca a questão da igualdade complexa exprimindo que pode haver justiça se as necessidades razoáveis da população não forem atendidas. A partir do momento em que as necessidades básicas forem supridas este processo deve ser estendido de modo a contemplar todos os âmbitos da sociedade de modo que os bens sociais estejam disponíveis para todos, sem diferenciação. Analisando nesta perspectiva, o autor mostra-se como um pensador liberal com alguns aspetos comunitaristas.

    Esta visão de Walzer reconhece a existência de diferentes esferas da justiça e nenhuma delas deve se sobrepor a outras, mostrando que o equilíbrio é imprescindível para que a justiça seja alcançada.

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  136. Walzer é um autor comunitarista. Faz críticas a Rawls pela mesma razão de Sandel – que é a de não acreditar que o indivíduo possa não ser subjetivo, em outras palavras, se separar de suas crenças, opiniões, comportamentos, etc. Ele defende a existência de “esferas” na sociedade, estas podendo ser comparadas às diferentes instituições - como a escola, a política, o mercado - e ordens presentes na sociedade e relacionadas a um tipo de bem .
    Ele crê que a distribuição de bens na sociedade deve ser feita de maneira igual, porém, isso não resolve o problema, pois as escolhas individuais é que determinam pobres e ricos, de uma maneira natural. Logo, sempre haverá monopólio de uma classe sobre a outra, e isso só seria parcialmente evitável através de um Estado forte e centralizador – o que, no fundo, acaba se tornando um monopolizador, apenas trocando de lugar com a classe dominante anterior.
    A solução de todos esses problemas seria feita através do impedimento do monopólio de uma classe sobre outras – não haveria monopólio e nem vantagens em nenhuma esfera. Seria preciso um Estado protetor dos pobres, cuidando que a desigualdade não aumentasse – sua teoria varia, neste ponto entre dois conceitos: o de sistema de distribuição simples e de complexa.
    No primeiro deles, todos os direitos são igualados, como é o caso da universalização do acesso à saúde e educação por todos os membros daquela sociedade.No segundo, a proteção é aplicada de modo a garantir que a posse de dinheiro não faça com que os filhos dos mais ricos tenham educação melhores – a universalização chega a um ponto que o dinheiro não influencia em certas coisas.
    Walzer, apesar de complexo, pensa na justiça de uma forma curiosa. Na sua concepção, a desigualdade sempre existirá, não importa se ela é por parte do Estado ou de uma elite dominante. Logo, o problema não é buscar que ela acabe – e sim dar oportunidade a todos para alcançar tudo o que seja possível para a sociedade como um todo, sem que haja repressão por parte de uma das classes. O debate também é bastante importante na sua visão para a discussão sobre o que é bom para uma sociedade. As pessoas devem chegar a um acordo, sem que haja interferência de uma esfera em outra.

    Porém, há uma espécie de inviabilidade na aplicação dessa teoria, porque há essa interferência, e ela é inerente a nós no momento. A própria sociedade veta a proposição de Walzer – e isso se faz notar nos imensos debates sobre o uso de cotas no ingresso a algumas universidades brasileiras.

    Carolina Carinhato Sampaio
    RA: 21011912

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  137. A teoria de Walzer é feita a partir de valores históricos e culturais da comunidade, estes sendo característica exclusiva de sociedade presente, logo não pode-se dizer que a justiça é um padrão moral. A justiça social deve fornecer a igualdade na distribuição de bens, estes não apenas materiais mas também específicos com diferentes sentidos dependendo da sociedade. Os bens sociais primários, direito , oportunidade, liberdade, renda , poder, educação e saúde também possuem diferentes pesos dentro das sociedades, cada uma estabelece prioridades em seus desejos. Para Walzer a teoria de Rawls peca em não tratar mais profundamente os bens que as sociedades desejam compartilhar, para ele uma teoria da justiça não pode conter este nível de abstração.

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  138. Podemos dizer Walzer era comunitarista e assim como Sandel criticava o tarbalho de Rawls. Para Walzer a sociedade não esta somente ligada pela produção e consumo dos bens, também há o fator da distribuição. Existem diferentes bens sociais, com determinadas especificidades que devem ser observadas antes da sua distribuição, para que esta seja efetiva, estes bens sociais são, por exemplo, segurança, dinheiro, trabalho, educação, direitos políticos e etc. Esta visão de Walzer se deve em muito pelo fato de ele acreditar na importância das comunidades e suas tradições na construção de concepção de justiça e a impossibilidade de gerar princípios de justiça de um universo abstrato.

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  139. Michael Walzer cita em um de seus vídeos que não existem crises de valores, mas crises na economia ou em pessoas. Isso vem bem a propósito nos dias atuais, em que se fala muito desta “crise de valores”. Na verdade os valores nunca entram em crise, mas as pessoas, sim, é que deixam de utilizá-los ou levá-los a sério. O caminho para a solução desse problema nem é tão difícil: retomemos os valores perdidos que achamos importante. Muitas pessoas não gostam dessa ideia por considerá-la “ultrapassada”, mas é a melhor solução.

    Mais à frente ele chama a nossa atenção para o fato de que crises são sempre incentivos à ação e nos mostram os problemas com os valores. Então a crise nos faz agir e nos mostra a natureza do problema, portanto não deveria ser tão temida. A última crise econômica mundial de 2009 mostrou a cara amarga que enfrentamos, mas também tornou bastante claro onde o mercado havia errado.

    Quando ele afirma que a guerra deve ser travada entre soldados e não com civis, ele expõe uma grave crise internacional, que é fruto também da perda de valores. Não atacar civis deveria ser algo natural, pois quem revida são outros soldados. Mas vemos todos os dias, em alguma guerra em algum lugar do mundo, o sofrimento da população civil. Tratados como a Convenção de Genebra foram consolidados para se evitar os abusos, mas a busca da vitória não raro cega as pessoas.

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  140. Michael Walzer é outro comunitarista, assim como Taylor, Sandel e MacIntyre. Sua abordagem, porém, se diferencia. Ele não estudará a linguagem como fez Taylor, tampouco falará de tradições conflitantes dentro da sociedade. Ele argumenta que a sociedade é dividida entre várias esferas, sendo estas as diferentes instituições ou meios através do qual ocorre a interação social, dessa forma, a escola, a saúde, o mercado e a política seriam consideradas esferas da sociedade.

    Em nossa sociedade, fica claro a intersecção entre cada uma dessas esferas, onde possuir mais dinheiro implica em se ter mais saúde e educação. Walzer criticará isso. Ele acredita que não deve haver interferência de uma esfera em outra esfera. Para entender isso, porém, é preciso entender outra ideia importante do autor.

    Walzer acredita que a distribuição equitativa dos bens deve ser feita, mas com ressalvas. A distribuição seria boa, mas a desigualdade não se resolveria, não por muito tempo. Dadas as diferentes escolhas dos indivíduos, os bens tenderiam a se redistribuir rapidamente dentro da sociedade, de modo a gerar desigualdade novamente. Essa desigualdade surge quando uma classe detém o monopólio sobre determinado bem.

    Haveriam duas soluções para esse problema. O primeiro ele rejeita, e o outro é a tese central de sua teoria. O primeiro caso seria o caso do Estado monopolizar os bens, impedindo que uma classe X tivesse o monopólio sobre os bens, no entanto, Walzer acredita que isso não resolve de fato o problema, pois nesse caso o monopólio só mudaria de mãos. Não é melhor que o Estado tenha o monopólio, o melhor é que não haja monopólio. Mas dada a impossibilidade de se evitar o monopólio, o autor acaba por dar uma função

    distinta para o Estado. Ele defenderá que cabe ao estado evitar que o monopólio de bens em uma determinada esfera interfira no processo de aquisição de bens em outra esfera, assim, defende por exemplo que a riqueza não pode permitir que alguém possua uma educação ou saúde melhor do que aqueles que não possuem o monopólio monetário.

    Esse tipo de distribuição dos bens é chamada de ‘distribuição complexa’. A distribuição complexa atende à ideia de que a educação ofertada pelo Estado deveria ser boa o suficiente para dar condições de todos participarem da vida política, terem um bom emprego, ou serem simplesmente introduzidas a formação intelectual que fosse parecida. Isso se difere da distribuição simples, que seria a simples equalização dos direitos – por exemplo, que todos tem direito à educação ou ao voto.

    A ponto forte da teoria é ao mesmo tempo o ponto fraco. A ideia de se ter uma sociedade disposta de maneira que uma esfera não interfira na outra é louvável, mas existe uma grande dificuldade em se colocar essa ideia em prática, dado o fato de que algumas esferas interferem muito. Numa sociedade como a nossa, onde o capital permite que se tenha quase tudo, é difícil imaginar meios de se evitar a sua interferência. Assim como determinados modos de vida interferem ou misturam esferas, como o caso de determinadas religiões dentro da política.

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  141. Michael Walzer em seus estudos nos diz os desejo individuais e coletivos são diferentes de sociedade para sociedade, portanto um conjunto de leis universais não seria capaz de dar conta dessas diferenças; mesmo porque existem difentes esferas da justiça.
    Para ele é admissível a existência de comunidades com perfis diferentes, como visto em aula, ele pensa em um sistema de esferas, cada comunidade sendo uma esfera diferente, podendo possuir características específicas, estando elas dentro de uma esfera maior.
    Mesmo afirmando que os desejos são diferentes acredita que a distribuição igualitária dos bens é a forma justa de distribuição, sendo os bens primários como saúde, educação, renda, poder, etc. Uma teoria da justiça social tem que fornecer os princípios básicos dessa distribuição igualitária. Para fazer essa distribuição igualitária ocorra é preciso segundo Walzer recorrer a cultura de cada sociedade
    Walzer faz uma crítica clara a Rawls, ao que se refere o “véu de ignorância”, pois ele alega que é uma boa teoria política, porém esta não possui uma aplicabilidade a situações concretas, pois não há como discutir sobre o que é justo ou não, se o que moldou (fatores externos mencionados a cima) essa comunidade não for levado em conta, pois nem o indivíduos e nem os bens primários conseguem ser analisados de fora dessa comunidade.

    Victor Pinho de Souza

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  142. Bruno Pestana Macedo
    RA 21049312



    Michael Walzer é um filosofo político norte americano e defende a ideologia comunitarista. Assim como Michael Sandel, Walzer também tece críticas ao liberalismo individual de John Rawls. Para Walzer, o liberalismo é um modelo defeituoso, uma vez que este não considera a desigualdade dos indivíduos inseridos em suas respectivas sociedades. Walzer baseia sua teoria na preocupação com uma sociedade justa, visando proteger os direitos humanos, valorizando a comunidade.

    Michael Walzer é contra a estagnação dos contratos, devendo estes ser constantemente discutidos e rearranjados pelos membros da comunidade política. Esses contratos visam garantir o bem estar da sociedade. A sociedade civil também tem grande papel atuante na determinação das necessidades da comunidade.

    Na sua perspectiva, Walzer constrói uma teoria defendendo uma sociedade igualitária que garanta a liberdade. Essa liberdade só é obtida quando nenhum bem social pode servir de dominação do outro indivíduo. Entende-se bem social como dinheiro, poder, educação, etc.

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  143. Walzer é mais um dos comunitaristas estudados nesta disciplina, portanto, para ele as tradições e particularidades do modo de vida de uma sociedade deve ser levado em consideração no momento de elaborar princípios de teorias da justiça que serão adotados.

    A critica feita a Rawls vai no sentido em que este trata de maneira abstrata os bens sociais (direitos, liberdade, oportunidades, etc.) e prioriza o indivíduo, ao invés o bem comum social. Para Walzer a justiça é feita quando organiza-se o modo de vida dos cidadãos de acordo com a realidade de cada sociedade, a teoria de Rawls propõe que sob um véu de ignorância escreva-se um contrato a ser aplicado em determinada sociedade, o que pode gerar um conflito de interesses, tendo em vista que comunidades diferentes precisam de leis que diferentes.

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  144. Michael Walzer é um comunitarista americano que propõe a visão de uma sociedade subdividida em esferas (a Igreja, o Estado, o educacional, o político, o público o privado, o saudável), as quais estão relacionadas a algum tipo de bem.

    O autor defende a ideia de que deveria haver uma distribuição de bens na sociedade de uma forma equitativa. Entretanto, essa distribuição não será suficiente para que as desigualdades sejam de fato atenuadas, pois estas surgem de acordo com as escolhas individuais de cada pessoa presente na sociedade e, portanto, sempre haverá algum tipo de monopólio por certo grupo de indivíduos. Um Estado forte e centralizador poderia ser uma forma de resolver este dilema, porém esta possibilidade seria insuficiente para legitimamente resolvê-lo, pois neste caso, o monopólio só teria passado das mãos de um grupo indivíduos para outros, que por sua vez representariam o Estado. Portanto, a solução apresentada por Walzer para que não haja um monopólio de uma esfera sobre as outras, parte do pressuposto de que se caso um grupo de indivíduos detenha o domínio em algum tipo de bem, isto não assegure de forma alguma quaisquer vantagens sobre os outros [bens]. Logo, em suma, o monopólio de alguma esfera não deve garantir que um determinado grupo de indivíduos possa monopolizar outras.

    Segundo o autor, o Estado deveria agir de modo a proteger os pobres dos ricos e, desta forma, garantir que não haja a possibilidade existência de uma desigualdade maior.

    Matheus de Almeida Rodrigues – 21039712

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  145. Carolina Fátima de Oliveira e Marques Paula
    RA 21006412

    O norte-americano Michael Walzer acredita que não haja um conceito definido para a justiça, uma vez que esta é definida de acordo com a sociedade na qual está inserida. Ou seja, a justiça variará de acordo com a moralidade vigente e as tradições pertencentes às diversas sociedades. Walzer conceitua o que considera bens sociais de primeira ordem, ou bens primários: saúde, moradia, educação, renda, direitos. Esses bens só são compreendidos na esfera social, ou seja, esses bens, assim como a justiça, adquirem significado de acordo com a sociedade escolhida.

    A questão central da filosofia de Walzer é a diversidade cultural das sociedades. Divididas em comunidades, às quais sentem certa identificação, as pessoas possuem suas maneiras individuais de pensar a cerca de determinados assuntos. O que Walzer quer dizer é que cada um possui seus valores e, a partir destes, formulam interpretações sobre as ações humanas. Assim, afirma Walzer, é impossível construir teorias abstratas da sociedade, elaborar uma única teoria de justiça que abranja todas as comunidades, a sociedade em geral.

    Um assunto de grande importância para Walzer são as guerras. O filósofo analisa o conceito de “Guerra Justa” e chega à conclusão de que toda guerra é causada pela sobreposição das esferas da sociedade. Assim, a única saída que as pessoas veem para resolver essa situação de sobreposição é a guerra. Mas Walzer se questiona: essa é mesmo a única e melhor saída?

    Walzer é comunitarista e acredita na eficiência das leis em prol da justiça social. As leis são, para ele, o instrumento regulador da distribuição dos bens de forma igual.




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  146. Michael Walzer, enquanto pensador da linha comunitarista, ressalta o aspecto sociocultural do conceito de justiça.

    Em sua concepção, a justiça é um padrão moral socialmente construído dentro de uma nação/cultura. Ela depende dos significados sociais que as pessoas envolvidas no contexto de uma determinada cultura atribuem a algumas coisas como sendo bens. Esta atribuição de significado dos bens sociais, por sua vez, determinaria também sua distribuição.

    Assim sendo, dentro de cada sociedade é definida uma forma de distribuição dos Bens sociais (como por exemplo: Educação, Segurança, Bem-estar social, Trabalho e Dinheiro). Neste sentido, pode-se dizer que Walzer é pluralista pois, ao invés de recorrer a um universalismo apoiado em princípios concebidos de maneira abstrata, como fez Rawls, analisa as particularidades de cada cultura tentando interpretá-las no que concerne à distribuição dos considerados bens sociais que ela efetua, ou seja, a distribuição considerada justa por cada tipo de cultura, sem negá-las.

    Cada bem social, desse modo, consistiria numa esfera de justiça, dentro da qual existiriam razões próprias e particulares que determinariam a distribuição do bem social correspondente a ela de modo a impedir que uma esfera se sobreponha a outra – o que consistiria na dominação de uma sobre outra, isto é, numa injustiça.

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  147. Michael defendeu a tese de que entre as inúmeras teorias de justiça os aspectos culturais e históricos devem prevalecer. Por ser um autor comunitarista, se mostrou muito preocupado com as questões dos direitos humanos.
    O ponto principal diz respeito às inúmeras organizações existentes dentro de uma sociedade, cada qual com uma determinada finalidade, em relação à saúde, educação, família, etc. Tais organizações possuem determinadas regras específicas e se relacionam em determinados momentos, mas como apresentam regras muito especificas e particulares, podem ocasionar problemas ao aplicá-las em uma outra organização. Contudo, existe um conjunto de valores semelhantes que são resultantes de uma estruturação coletiva, cujo contrato social deve ser posto em discussão constantemente. É importante que haja igualdade de princípios dentro das organizações, mesmo que ela não seja certa, pois segundo o autor é evidente que haverá desigualdade a partir do instante em que cada pessoa promove escolhas individuais, é natural que haja uma desigualdade resultante dos fins às quais se direcionou, mas a sua ocorrência não é de responsabilidade de quem fez a distribuição, pois foi ocasionada no momento em que cada individuo promoveu sua escolha e não no momento em que a distribuição ocorreu.

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  148. A igualdade complexa e a consequente autonomia distributiva são os pilares da teoria da justiça de Michael Walzer. A ideia é apresentação de algumas da diversas discussões que suscitaram nas últimas décadas. Tentamos compreender o argumento da moral mínima e, partindo dele, estenderemos a análise ao conceito de significados sociais partilhados que está na base do argumento da igualdade complexa.
    A filosofia política de Michael Walzer tem a originalidade de fazer assentar em fundamentos claramente comunitaristas uma concepção de justiça devedora de uma certa tradição liberal. No entanto, toda a fundamentação teórica das suas posições é de índole comunitária, pois coloca os princípios de justiça na dependência da cultura particular de cada comunidade humana.
    Para debatermos as diversas esferas que formam as relações sociais é preciso ter o debate pleno e plena limitação de denominação e legitimação de todas.Uma esfera religiosa não pode por exemplo influenciar a esfera politica ou educacional ou se assim fizer, é necessário esclarecer tal influencia diante do codigo de lei de cada esfera e levando em consideração as diversas esferas que denominam a sociedade liberal.

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  149. O livro "As esferas da justiça" de Michael Walzer é no fundo uma defesa ao pluralismo, o autor propõe que cada comunidade possui um senso de justiça e por isso é impossível existir um único sistema judiciário perfeio. Portanto em uma igreja o senso de justiça deve ser diferente do que em uma universidade. Na minha opinião Walzer propõe uma teoria muito válida pois leva em consideração os valores individais e ainda por cima os valores que ja estão incluídos em cada comunidade. Walzer, como Sandel e Macintyre, também critica a ideia de Rawls sobre a situação de um "véu de ignorância" e uma "posição original", como Walzer defende um senso moral diferente para cada comunidade ele diz ser impossível uma posição original que representasse todas as esferas.
    Para criação do senso de justiça em cada esfera Walzer propõe o debate e nele os indivíduos decidem quais são os bens sociais imoprtantes para aquele grupo de pessoas, quais são suas necessidades e etc.

    Esse autor também é defensor da ideia de uma justiça distributiva, onde esses agentes distributivos devem atuar apenas em suas esferas, ao identificarem os bens sociais daquela comunidade eles devem distribui-los igualmente entre os indivíduos pertencentes daquela esfera porém não podem interferir em outra esfera pois nessa outra comunidade os bens sociais são diferentes e se isso acontecesse existiria conflitos de ideias onde poderemos encontrar o nascimento de uma esfera dominante.

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  150. Walzer propõe uma teoria da justiça que não seja baseada em princípios universais. A justiça seria um padrão moral criado nas tradições das sociedades individualmente, diferentes sociedades apresentariam padrões de moral diferentes. Defende ainda a idéia de que deveria haver uma distribuição igualitária dos bens entre os indivíduos,
    Ele volta a dizer sobre as diferentes interpretações das sociedades ao afirmar das diferentes interpretações que cada sociedade pode ter a respeito de um mesmo objeto e dos diferentes modos de discussões que pode haver dentro de diferentes sociedades ou até mesmo na mesma sociedade.
    A justiça trabalha nos campos práticos como política, estado, entidades publicas e privadas, saúde, educação e acaba passando o trabalho de abstrações e criação de princípios que se tornam inaplicáveis a filosofia política.
    Em resumo, Walzer propões a criação de modelos interpretativos distintos para cada situação, utilizando as variáveis que tal situação possuiu em sua criação. Esses vários modelos devem existir por conta das diferenças existentes em cada sociedade.

    Guilherme N A Melo
    R.A. 21050512

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  151. Walzer faz sua teoria dando ênfase em particuldaridades da sociedade. Para o autor, uma teoria de justiça, é um padrão moral, e como um padrão moral, deve ser concebido e desenvolvido dentro das tradições da sociedade que será inserida. Outro ponto relevante do autor, é enxergar a sociedade como esferas: a igreja, o Estado, econômico, político, entre outros. E estas esferas tem suas proprias tendências e concepções de justiça. Isto é importante.

    O autor parte determina que toda teoria de justiça deve conter uma concepção de fornecer princípios igualitários de bens. E diferente de Rawls, onde a distribuição é de coisas, existe um entendimento de que as sociedades dão importância de forma diferente as coisas. Portanto, saúde, educação, moradia são coisas que ganham valor diferente nas sociedades. Portanto, existe aqui uma parte da sua teoria que se molda a particularidade de cada comunidade. Não é deontológico, como nas teorias liberais e particularmente, em Rawls.

    Mais especificamente sobre os bens sociais primeiros, o autor discorre que estes como: direito, liberdade, oportunidade, poder, renda, educação e saúde, são bens que não possuem significado em si mesmo. Eles recebem significados sempre sociais. Quando estes bens saem do contexto social, eles não são mais bens, ou sua importância muda. Assim como indivíduos só se reconhecerem como indivíduos, inseridos na comunidade.

    Por fim, Walzer acredita que a filosofia política não deve e não pode se afastar dos significados sociais. Quando abstraem do social, resulta em teorias de justiça impossiveis de serem aplicadas.

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  152. Michal Walzer propõe uma elegante teoria a respeito sobre “esferas de justiça” procurando deixar em foco a questão da desigualdade, uma vez que acredita na deficiência presente no modelo liberal justamente não abranger esta questão em suas perspectivas históricas e culturais entre membros de uma sociedade, de forma que não consegue propor ações contra estes diversos modos de desigualdade. Nesta perspectiva, Walzer afirma ser impossível apenas uma teoria da justica proposta para uma sociedade sendo que ela é composta por diversas esferas compostas cada um de um conjunto próprio de princípios, onde o que é justo para um pode não ser para outro, sendo sua teoria própria contra os pensamentos de Rawls a respeito da abstração e formação de princípio único de justica.

    Nesta perspectiva histórica que Walzer nos traz, ele afirma que os bens sociais são em si construções históricas variáveis pelo tempo e pela sociedade e que para ele nenhum destes bens deva servir como meio de imposição, onde uma sociedade justa se traduziria como uma sociedade onde nenhuma esfera se sobrepusesse a outra, respeitando limites de influencia de cada esfera. Ou seja, Walzer admitia três ideias chaves em sua teoria da justica: A ideia de múltiplos bens sociais, cada um composto por uma gama única de significações e que, a partir destas, cada esfera desenvolve e cria sistemas internos de valorações e justificações dentro do horizonte que abrangem.

    A partir disto, Walzer vê que estes bem sociais, como oportunidade, renda, educação, saúde, etc. são bens que adquirem signifacões e importância diferentes nas múltiplas esferas, e que a distribuição destes bens dentro das sociedades deveria se fazer papel principal nas discussões acerca de teorias da justiça.

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  153. Para Walzer as questões da justiça surgem da distribuição de bens sociais primários, tais como, os direitos de liberdade, oportunidade, renda, educação e saúde, sendo que uma sociedade justa deve fornecer princípios de distribuição igualitária dos bens. Os critérios de distribuição dos bens de cada sociedade devem ser definidos a partir dos significados sociais que existem nessa sociedade sobre esses mesmos bens. A tarefa é interpretar a cultura da sociedade e as concepções morais das pessoas. A reflexão moral consiste no trabalho de interpretação sobre os elementos culturais das comunidades.
    Walzer utiliza-se de Esferas para construir sua teoria da justiça. Existem diversas esferas da justiça, como o Estado, a Igreja, a esfera econômica, política, social, e a própria sociedade é considerada uma esfera. As esferas devem ser tratadas de forma igualitária, e nenhuma delas pode se sobrepor a outra. E caso haja conflitos entre as esferas, estes devem ser resolvidos por meio do convencimento.

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  154. Walzer em sua teoria mostra a necessidade de se formar uma esfera que abranja as diferentes esferas de justiça da sociedade, como por exemplo: a Igreja, o Estado entre outros. Essa esfera maior seria responsável pela organização de todas as outras menores, para que nenhuma seja mais beneficiada do que as outras e para que haja um consenso entre elas.

    O autor critica a visão de Rawls, pois assim como Sandel, ele não acredita que um indivíduo possa se desvencilhar totalmente de seus valores, cultura, ou crenças. Para ele, uma sociedade cria conjuntamente seus valores. Mas é necessário que se faça uma análise individual de cada cidadão, pois cada um possui sua própria visão de mundo e seus conceitos a respeito de assuntos que afetam o coletivo como a justiça.

    Marina Müller Gonçalves
    R.A.: 21082512

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  155. Michael Walzer diz que “uma teoria da justiça deve fornecer princípios de uma distribuição igualitária de bens”, mas defende que não existe apenas uma definição para a justiça. Ele acredita que justiça é um padrão moral, portanto deve ser avaliada dentro do “contexto das tradições das nações e sociedades em particular”. Os bens sociais primários (como direitos, saúde, educação, poder e renda), por exemplo, só possuem algum significado dentro de contextos e processos sociais, e desta forma podem possuir significados diferenciados em cada cultura.

    Um aspecto interessante em sua teoria é a questão das esferas. Walzer acredita que a justiça possui diferentes esferas, tais como o Estado, a Igreja, a educação, a saúde, o mercado, entre outras, e cada uma delas possui leis próprias. Uma lei justa na esfera do mercado, por exemplo, pode não o ser na esfera da educação (e neste ponto notamos uma diferença em relação a Rawls, que busca certa abstração na filosofia política). Nenhuma esfera, no entanto, tem o poder de se sobrepor a outra, e se por algum motivo isso acontecer Walzer diz que uma ferramenta possível para resolver a situação seria a violência, após serem analisados os argumentos daqueles que a cometem. Por tratar em parte de sua teoria sobre a questão da “guerra justa” e do uso da violência como um “remédio justo”, a esfera da guerra é considerada por Walzer uma esfera especial.

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  156. Michael Walzer propõe uma teoria da justiça distributiva, que considere os fatores históricos e culturais de cada sociedade, assim como leve em conta que cada indivíduo tem uma identidade própria e única.

    Walzer discorda de Rawls no que se trata de construir uma sociedade completamente igualitária, pois para que fosse mantida dessa forma o Estado teria que se tornar um órgão coercitivo e repressivo, o que resultaria na ausência de liberdade individual e seria contraproducente. O filósofo então mostra que não tem intenção de remover todas as diferenças que existem na sociedade, mas sim o conjunto que permite que alguns se considerem superiores aos outros - as diferenças políticas.

    Dessa maneira, a sociedade seria igualitária na medida em que tanto Estado, quanto instituições, quanto a própria sociedade civil seria capaz de distribuir bens sociais e a liberdade e individualidade de cada indivíduo seria respeitada, mantendo a pluralidade e a justiça social e cultural.

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  157. A principal tese de Walzer é a de que, contra Rawls, seria impossível pensar-se numa concepção de justiça distributiva que dependesse da eleição de bens primários indispensáveis a todo cidadão, pois, segundo Walzer, aquilo que se poderia reconhecer como bens primários dependeria do contexto em que se avaliam esses bens.
    Disso decorre para Walzer que uma teoria da justiça deveria atentar para contextos de justiça, e em especial para aquilo que Walzer denomina "esferas". Para Walzer, não é verdadeiro que numa sociedade liberal desigualdades seriam absolutamente intoleráveis, pois a justiça não se pode conceber com um único sentido pode variar de esfera para esfera, dado que cada esfera tem suas normas, a que correspondem pretensões de direito legítimas distintas de uma para outra esfera. Assim, por exemplo, não é a mesma a noção de liberdade ou de igualdade que vige na esfera educacional e na esfera política, etc.
    Para Walzer, a única injustiça sistemática de fato que se pode observar em sociedades liberais é aquela que ocorre quando os limites das esferas de justiça não são respeitados -- quando pretensões de direito ou relações próprias de uma esfera passam a ser exercidas em outra --, e elas passam, então, a se sobrepor.

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  158. Walzer como sendo mais um defensor da linha de pensamento comunitarista, defende sua tese levando em conta argumentos de cunho social, dando valor ao contexto e a outros desdobramentos dele derivados.
    Segundo o autor, a preocupação acerca da igualdade na distrubuição de bens é o ponto que norteia a sua tese, de forma que os valores culturais de cada sociedade não são únicos e podem ter diferenças dependendo do local territorial onde se encontra, e por isso não são universais. Sendo assim, Walzer traz um ponto interessante em seus estudos que é preocupação em sempre relacionar a história à concepção moral, pois a partir do momento em que se encontram afastadas, há uma distorção do conceito de justiça.
    Além disso, outra questão relevante na teoria de Walzer é o afastamento de Rawls em relação ao conceito de igualdade, pois o primeiro crê que a remoção de todas as desigualdades só é possível com um sistema de coerção fortifado, no qual as liberdades individuais tenham que ser deixadas de lado, tornando a justiça ineficiente.
    Sendo assim, o objetivo da teoria é auxiliar o indivíduo a atingir um grau de igualdade mínimo, de forma a se respeitar as liberdades individuais, buscando sempre compreender as suas trajetórias culturais anteriores, a fim de aplicar a justiça de forma condizente com tais questões.

    Fernanda Sue Komatsu Facundo - 21007812

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  159. Michael Walzer adota, em sua análise, uma metodologia particularista para a avaliação das concepções de justo, às quais se propõe a estudar. Isso significa dizer que o padrão moral ao qual se sujeita a análise deve ser compreendido e observado sob o prisma da tradição das sociedades em particular, as quais contextualizam o objeto de estudo.

    O procedimento metodológico de Walzer é, basicamente, a redução do escopo da análise aos casos particulares, de modo a compreender a realidade com um maior nível de detalhamento para que se possa fazer inferências acerca da justiça ou injustiça de determinada ordem social. Desse modo, o autor leva o debate de teorias das justiça para dentro das particularidades nas quais a temática se insere, as definidas "esferas da justiça".

    A justiça compreende diversas dessas esferas. Instituições políticas, religiosas, culturais, familiares, públicas e privadas abarcam esferas de justiça que ora demandam uma análise com alto grau de particularidade, mas também ora se inter-relacionam demandando uma visão sistêmica para melhor compreensão do todo. Desse modo, não há outra opção senão adaptar o modelo interpretativo ao contexto pelo qual o debate se define, aproximando-se dos significados sociais atribuídos às situações concretas contempladas pela análise.

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  160. Walzer usa da sua teoria para criticar o liberalismo, principalmente no que se trata das ideias de Rawls, mostrando-se um autor comunitarista. Nela ele tenta estabelecer uma teoria da justiça focada no indivíduo em si. Walzer é contrario ao caráter abstrato da teoria de Rawls, propondo assim, que a ideia de justiça não pode ser algo fixo. Isso significa que Walzer admite que os indivíduos e a sociedade estão sempre mudando, junto com todos os seus setores (economia, política, religião, ...), e nenhum deles pode se sobrepor sobre o outro. Além disso o autor acredita que os bens (não apenas os materiais) necessários para a vida devem ser distribuídos igualmente, e que a construção dos valores de uma sociedade deve ser baseada no contexto histórico em que esta se encontra, onde são estabelecidos acordos de acordo com a necessidade de tal. Nesta sociedade descrita por Walzer, o indivíduo é livre para questionar os acordos, e os valores, segundo ele, isso não causaria uma pluralidade ideológica, e sim uma sociedade pautada na igualdade, baseada em uma só ideologia.

    Beatriz Luzia de Campos Manocchi
    RA: 21076512

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  161. Assim como Sandel, autor anteriormente estudado, Walzer critica Rawls contrastando a idéia de Sandel sobre a distribuição igualitária no mundo real, e a distribuição no mundo abstrato de Ralws. Para Walzer qualquer sistema distributivo que não leva em consideração a diferença na distribuição, não conseguirá alcançar a realidade da pluralidade humana. Além disso, a escolha dos princípios que regulam esse sistema distributivo deve ser feita levando em considerando as diferenças de cada comunidade, suas características históricas e culturais.
    Walzer em seus estudos nos diz os desejo individuais e coletivos são diferentes entre sociedades, portanto um conjunto de leis universais não seria capaz de dar conta dessas diferenças (mesmo porque existem diferentes esferas da justiça, como o estado, a igreja, o setor econômico, político, e etc).
    Walzer mesmo afirmando que os desejos são diferentes acredita que a distribuição igualitária dos bens é a forma justa de distribuição, sendo os bens primários como saúde, educação, renda, poder, etc. Uma teoria da justiça social tem que fornecer os princípios básicos dessa distribuição igualitáia.
    Segundo o autor, parte do princípio de que os ‘princípios de justiça’ são escolhidos por pessoas ignorantes quanto à própria situação particular de vida, é a característica mais problematica encontrada na teoria de Rawls.
    Para fazer acontecer a distruibuição igualitária, é preciso, segundo Walzer, recorrer a cultura de cada sociedade, pois a cultura como definidora de cada sociedade e o indivíduo e os bens sociais sendo provenientes dela, não podem ser vistos separados. Para ele cada bem social tem seu significado de acordo com a cultura de sua respectiva sociedade.

    Gabriela Petherson
    21035812

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  162. [Atrasado]
    Machel Walzer, assim como Sandel, critica o liberalismo, focando nas teorias liberais, com uma ótica maior em cima de Ralws. Mas, contudo, podemos observar que Walzer, tem uma necessidade de pensar em uma teoria da justiça focada em valores histórico-culturais de uma sociedade, e por causa disto, ele pensa muito sobre a desigualdade, então, graças a isso sua teoria acabou caindo em um principio de igualdade de distribuição não só de bens, mas também de uma justiça social que não enxerga os desprovidos de bens materiais, e que é inerente a cada sociedade que as pessoas não se limitem aos bens materiais, mas que elas também possam ter uma vida social com oportunidades.
    Ele crítica rawls exatamente pensando nos bens sociais, já que Rawls trata de uma forma mais metafísica os bens que devem ser compartilhados em comunidade, enquanto Walzer defende que isso não está no mundo real.

    Rafael de Souza Cabral
    RA: 21072412

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  163. O que abrange toda a discussão da justiça através da teoria de Walzer, é o seu conceito de esferas de justiça. Com tal metodologia, o autor propõe uma investigação e uma análise extremamente detalhada da justiça de determinadas ordens sociais diferentes. Assim podemos entender então que a justiça em sua totalidade é composta de tais esferas, como por exemplo, a esfera relogiosa, cultural, familiar, etc. Tais esferas tem a capacidade de interagirem entre si, partindo daí a necessidade de analise de tais interações. Assim, cada uma possuindo suas particularidades, a discussão da justiça precisa delimitar o que é justiça a partir dessas interações e também perceber quando tal interação é forte ao ponto de atrapalhar o desenvolvimento moral de alguma esfera, algo que seria negativo para a sociedade.

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